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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Poesias Nada Convencionais - Como qualquer Um

[originalmente escrita em 11:56 2/10/2007]

COMO QUALQUER UM.

Como qualquer um que tem crise de abstinência
Como qualquer outro que declarou seu coração à falência
Qualquer um outro aí

Como qualquer outro perdido que pede conselho
Como qualquer um que recebe um breve apego
Ainda acordado na escuridão

Passa dias acordado, as manhãs são fantasmas, as tardes trazem pesadelos
Ao avesso. Virou do avesso.
Noite pelo dia, dia pela noite.
O que era primo virou pai
O que era irmão virou inimigo.
A lógica imperfeita de uma sociedade alternativa.

Como qualquer noite que acordo no meio da escuridão
E me pergunto se existe um beliche
Minha cama, o colchão tá comido
Dividir ao meio seria uma razão
Então eu divido ao meio, eu reparto os pães
Eu vejo a alegria em massa
E não vejo a minha satisfação.
Rimou pelo menos, mas satisfação seria uma palavra medíocre.
Medíocre. medíocre, medíocre.
Razão. Uma pra seguir outra pra viver.
Me desprendo das duas e vejo se o meu barco vai correr

Como qualquer um que tem crise de identidade
Como qualquer um que não suporta mais ser da mesma idade
Como qualquer um outro aí que não aguenta mais ser o mesmo
Ser-o-mesmo-humanitário (Releve, releve)
Como qualquer outro aí. Não eu.

E a memória é fraca, a carne é fraca, os pensamentos se tornam também
Reféns de uma insônia progressista-democrática-burocrática-fascista.
Como qualquer um com problemas passageiros.
Como qualquer um que esquece como se dirige depois de passar por quarteirão inteiro
Como qualquer um outro aí.

Conte, conte nos dedos como dói
Os meus foram decepados no momento em que te deixei
Não canto mais, não cento mais, não cinto mais, não conto mais.
Me diz como se pára de pensar? Tem engrenagem padrão?
Tem fio de interrupção?
Tem distraimento maior que a própria exclusão?
Me diz...?
Num diz...?
Tudo bem, eu aguento.
Como qualquer um outro aí...

Quanto mais você reforça a idéia
Mais você mata a verdade. (Que verdade? Existe alguma?)