Pesquisando

terça-feira, 1 de maio de 2012

Anarquia no Mundo Potter?

Nesse feriado friorento aqui em Belfalas, algo veio me atormentar às 6h17 da manhã (E não era o celular me mostrando atualização do Troll Like a Girl). Opiniões aqui expressas são de minha inteira responsabilidade, sou eu que fico divagando política em mundos fictícios!

A pergunta pertinente: 
Seria o mundo Potteriano um exemplo de Anarquia Utópica? 
Senta que lá vem teorias sócio-politicas...




Se é que podemos colocar assim a pergunta, mas pensa bem: Quem comanda aquele Mundo mágico lá? Há representação hierárquica além do Ministério da Magia - e que mesmo assim não chega a ser tão como "Detentor de Leis", tá mais para regulamentador de Leis.


Nunca vi a J.K. Rowling comentando sobre as relações entre Ministro da Magia e Coroa Britânica. Ali nos últimos livros há passagens de contatos entre o Ministério e o Primeiro Ministro Britânico por conta dos ataques contra trouxas que Voldemort e seus voldetes estão causando, mas nada concreto se é uma aliança, uma submissão ou qualquer outra coisa. Não há nenhuma dica se eles reportam isso a Rainha ou se há algum representante do Ministério lá no Parlamento, fiquei confusa.



Então se partirmos dessa premissa de uma Anarquia - e refazendo a questão, já que todo conceito de Anarquia É utópico (Você já viu alguma sociedade/país anárquico existindo por aí no mundo real?!) - vemos o Mundo Mágico de Harry Potter como uma sociedade estabelecida sem exatamente uma liderança única e/ou livre de lideranças gerais. Não há representação única nesse mundo, não há nomeação para lideranças locais e em raros casos há apenas a representação de instituições que conhecemos.


Vamos pelos miúdos do pudim de rins, baseado nos livros mais do que nos filmes:
Temos o Hospital St. Mungus, certo? Instituição de Saúde Pública lá no Mundo Mágico, há menção de um diretor ou corpo de diretores em liderança nesse local? Não. De acordo com a Wikia Potter, o que é conhecido é um corpo de Curandeiros e Enfermeiros que auxiliam nas emergências e internações do local.


Isso me cheira a sociedades primitivas? A própria J.K. Rowling postou no Pottermore o quanto os bruxos terem "parado no tempo" quanto aspectos sociológicos e culturais. Talvez a política também esteja englobado nessa cristalização de conceitos morais e cívicos. Sociedades primitivas - principalmente de antes da Idade Média, costumava ter esse tipo de divisão com lideranças locais do que lideranças mais abrangentes como em uma Monarquia ou feudo.


Voltemos então. Ministério da Magia. O Ministro da Magia é o cargo mais importante então na Hierarquia, suprindo a representação entre os bruxos e às vezes resolvendo alguns assuntos no mundo dos trouxas, mas vemos claramente que a figura pública "Ministro da Magia" é mais como colocar a face a um ideal. O Ministério em si faz as Leis Regulamentadoras do Mundo Mágico, mas não há necessariamente a presença efetiva do Ministro da Magia para outorgá-las/proibí-las e tudo mais.


Na mesma Wikia há a informação que o Ministério responde a Confederação Internacional de Bruxos (No original: International Confederation of Wizards) que é mais uma ONU dentro do Mundo Mágico - não há nada falando sobre líderes anteriores, mas Albus Dumbledore foi nomeado várias vezes.


Se compararmos o papel do Ministro da Magia com os Primeiros Ministros Britânicos, há uma diferença enorme entre a conotação de poder entre os dois, além de influências. Mesmo com a chegada dos Tempos Sombrios - nos quais Voldemort retornara definitivamente e com placas por aí - não foi o Ministro que comandou as ofensivas vagas, foi o Ministério.


Aliás, a fraca ofensiva contra o poder influenciador de Voldemort é que fez o Ministério cair em 1998 por ter partidários tão fiéis a ele do que a Instituição Ministério da Magia. A falta de uma liderança única - ou seja, todo poder de argumento e decisões ao Ministro da Magia - é que levou o desastre besta ocasionado pelo "partido" dos Comensais da Morte.





Hogwarts em si é a rara exceção. Há nomeação de líderes em todas as instâncias, desde o Diretor, a Diretor de Casas, professores, vigias, serventes, monitores, monitores-chefes, capitães de times, e por aí vai. Há uma hierarquia condizente com a Instituição (Escola/Ensino), há papéis hierárquicos a serem desempenhados, há delegações de tarefas em seu estado mais bruto. A constituição de Hogwarts poderia até ser elaborada como um Capitalismo velado, já que o ímpeto dos alunos (No caso cidadãos) é alcançar o maior número de pontos na Copa das Casas, jogos de Quadribol e em outras atividades rotineiras. Até a uniformização é padrão em TODOS os anos de existência da Escola.


A Anarquia se estende tanto que não há referência para travamento de domínios e disputas territoriais. Voldemort viu isso como um empecilho díficil de se passar, já que ao invés de declarar "guerra" a uma só Instituição - Ministério da Magia - teve que espalhar o convite de guerra a TODAS as outras instituições citadas, inclusive a mídia bruxa representada pelo Pasquim (Oposição ferrenha) e o Profeta Diário (Parcial como um guaxinim). O que poderia ser facilmente dominado em algumas disputas hierárquicas acabou culminando na Batalha de Hogwarts. Todos nós fãs do Mundo Mágico sabemos que o pilar da saga de livros de Harry Potter é justamente esse lugar, a Escola de Bruxaria e Feitiçaria de Hogwarts.


É o único local hierarquicamente estruturado, o único a seguir um modelo aproximado ao normal para os trouxas e assim Voldemort precisava primeiro derrubar esse modelo, esse padrão fortificado para poder chegar ao que mais almejava - Poder absoluto no Mundo Mágico.


Mas mesmo se Voldemort fosse bem sucedido em sua empreitada, não creio que ele sobreviveria ao turbilhão das repercussões da Queda de Hogwarts. Haveria consequências em lugares que ele jamais explorou - como em comunidades mágicas desconhecidas para ele, mas familiares e chegadas ao bom velhinho Dumbledore. A descentralização do Mundo Mágico é que proporcionou a medida certa para a derrota do Lorde das Trevas.





Imaginemos que Voldemort ganhe em 1998, toma conta de Hogwarts, retire o poder do Ministério da Magia e centralize absolutamente todo o poder nele próprio. Não é uma colherada para uma guerra aberta e declarada? Há chances maiores de alianças contra o regime monárquico do Sr. Voldy, há mais esperanças para uma reestruturação de classes sociais e mais adversário. Querendo ou não, a Ascensão do Lorde das Trevas seria quase igual a qualquer exemplo de Monarquia existente, em que a sucessão de herdeiros seriam escolhidos apenas por aqueles que estão no poder - não duvido muito que o velhinho Voldy iria dar um jeito de ficar imortal forévis e nunca largar do troninho - e jamais com a participação do povo. Parece que o Carinha sem Nariz estaria armando a própria Revolução Francesa para ele mesmo sem saber...


O povo, nesse caso, é o principal obstáculo de Voldemort na sociedade anárquica de Harry Potter. Eles têm voz, o povo obtém poder com mais facilidade, há a disseminação de esclarecimentos quanto o livre-arbítrio e uso de seus direitos. Claro que há a precaução máxima de manter o mais afastado possível os olhos dos trouxas, mas tirando esse segredo, não há nada que possa impedir um cidadão do Mundo Mágico de realizar aquilo que quer e almeja sem ser barrado por "forças ocultas". Mesmo que ele se tornasse o líder do Mundo da Mágica, o povo estaria sempre tentando o derrubar por diversas razões.


For Merlin's sake, no Mundo Mágico Potteriano não tem Forças Armadas!! Quer coisa mais liberal e anárquica que isso?! (Não, Aurores não são Polícia e muito menos Dementadores...)
Podemos então nos perguntar: Será que todo o furor dos fãs de Harry Potter não poderia também ter um cunho sócio-político desejado por todos?



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