Pesquisando

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Dia de Iemanjá - 02/02/2014


Coisas awesome que acontecem quando você se direciona na vida espiritual são essas que aparecem do nada. Fui saber que o Terreiro do Pai Maneco iria comemorar o dia há um tempinho atrás, mas não sabia como chegar, onde e quando, com um pouco de coragem, cara-de-pau e finalmente entrando no grupo do terreiro consegui as coordenadas e rumei pro Sul da Ilha para comemorar esse dia lindo com o pessoal da gira...

Eles postaram as fotos legais que tiraram por lá aqui nesse link: Clica cá!

Iemanjá tem história marcada na minha vida quando eu era bem pequenininha, desde os avisos de parentes sobre me banhar no Mar pra "limpar" as impurezas, até a própria imagem dela, tão calminha, serena, nesse azul celeste lindo que me atraía quando meu pai nos levava no terreiro que ele frequentava por um bom tempo lá no Capoeiras. O Mar sempre me fascinou de todos os modos, não foi à toa que quando aprendi a nadar antes dos 11 anos, a minha conexão com o mundo ficou mil vezes melhor com a água do que com qualquer outro elemento (E olha que insistem que sou de Terra por ser virginiana, but not...).

Comemorar esse belo dia foi como abrir o Ano de 2014 com a promessa de bons ventos para alcançar o Equilíbrio, mesmo que seja meio tropeçado, debaixo de um Sol escaldante, ainda não acostumada com a sensação de areia debaixo de meus pés. No link as fotos que tirei enquanto estava por lá e por Eru amado do céus de Varda, como é bom rever esse pessoal e compartilhar essa energia boa!
(Aliás, as semelhanças entre Varda e Iemanjá são muuuuuuitas...)


O dia tava quente pra caramba, eu e o Google Maps fizemos uma amizade infinita com o GPS, sendo que metade da minha bateria foi embora devido a isso. Nunca fui ao Sul da Ilha, muito menos sabia onde era o Campeche, só sei que nem o lindo cobrador do TILAG-TIRIO sabia onde o campeche era e me deixou em um ponto 2km ANTES do que eu deveria soltar.
(Por que sempre falo "Tílégui?! Damn you WoW por influenciar meu vocabulário xDDD)

Claro que não desejei uma disenteria pro cara, pois era um dia especial. Emanações ruins pra fora, bons fluidos pra dentro, um estalo veio e resolvi levantar meu polegar pra cima: pedir carona era a única chance de chegar a tempo sem fritar debaixo daquele sol.

Peguei uma caroninha bacana com umas gurias que entenderam minha aflição, hehehehehe, soltei no local, fui andando e logo comecei a perceber que o dia seria de boas novas. Logo encontrei o pessoal do terreiro montando as tendas para abrigar o pessoal da engoma e as meninas Vera e sua amiga Márcia - que fiquei conversando o tempo todo e foi uuuuuuuber awesome saber que budistas também são cristãos (??? yep viva tudo isso!), que existem xamãs na Ilha, que ela se interessa por Tanatologia e que tem opiniões muito esclarecedoras sobre o chakra do Plexo Solar.


Quote do dia: "Às vezes você não sabe que já tem tudo que precisa, mas continua procurando por mais." - Márcia. Bang! Bem lá no ego questionador! Foi bom de ter uma prosa boa com ela, pois muita coisa que busco está muito ligado ao controle de mim mesma (O de saber meus limites, o de explorar o que posso conquistar sem intervir na vida dos outros, o de querer aquilo que posso e mereço ter), mas quando ela deliberou sobre o Plexo Solar não ser só o Equilibrio, mas o Poder em todo seu... ahn... poder, fiquei boquiaberta D:

Quando eu dizia que queria dominar o mundo era para impressionar as novinhas, tá? Não tava levando isso a sério, mas aí ao recapitular a minha guinada acadêmica sistemática - soooooooooooo fuckin' wants Doutorado que cês não fazem ideia - aí entendi que o conceito também prevalece. Auto-reflexão, a gente pratica por aqui.



O ponto alto pra mim na Umbanda é a parte musical de toda a ritualística - enquanto a cantoria básica de centro espírita me parecia passivo demais - não tem como ficar parado quando a engoma começa a vibrar os atabaques, cantar os pontos e fazer improvisações muito legais no ritmo. Mesmo com o vento soprando alto, não tinha como abafar o batuque e as palmas, tava lindo, lindo demaaaaais!

Fiquei feliz de saber também que o pessoal que me dava carona no começo do ano passado já fazia parte ativa das atividades do terreiro e muita gente nova apareceu. Bater palmas foi pouco, a maioria dos pontos eu não lembrava, mas whatever! Cantar com o coração é a melhor coisa do mundo!


O pessoal da praia que transitava por ali não achou estranho nem ofensivo, muitos pararam e sentaram para observar, para receberem um pouco das vibrações, a Márcia que estava ali conosco, conhecia a gira pela 1ª vez e estava encantada, eu particularmente estava totalmente uma bolinha de pura empolgação, além de ser a reunião mais legal do ano, era o dia de agradecer a minha Mãe Protetora.

O porquê disso? Bem, assim como citado ali em cima - a influência familiar desde pequena, a imagem que a linda Rainha dos Mares teve sobre mim desde cedo - a consulta de Obi saiu que sou filha de Oxóssi (Orixá das Matas, caçador, solitário, responsável pelo Conhecimento teórico e prático da tribo? Srsly? Tava bem na cara hehehehe) e filha de Iemanjá. O mais engraçado é que ao perceber nas características das filhas de Iemanjá, maternidade vem em primeiro lugar... A minha questão no dia foi: WTF eu ser mãe? (Sempre vem na cabeça, né?), mas aí a mãe-de-santo me explicou que era com tudo que eu procurava manter na minha vida. A Maternidade não seria o cuidado com filhos, mas sim o cuidado com o que/quem eu amava. Fofo, meio enigmático, mas fofo.


Quando anoiteceu as velas colocadas em todos os cantos em volta do círculo dos médiuns trouxe aquele clima tão familiar a minha pessoa, a lua tava no começo da minguante e grande pra caramba, quando olho para cima: as estrelas estão mais perto do que aqui no Norte, dá pra ver Orion, o Caçador, nitidamente e tive a impressão de conseguir fazer o contorno de Sirius lá nos esquemas. Tenho que voltar a estudar as constelações novamente...


A oferenda no barco de Iemanjá foi enviada nas ondas do Campeche - que são bem mais vorazes que as do Norte, a água é fria e o cheiro da areia é diferente, tantas coisas que se deu para aprender em uma tarde só! - e os médiuns foram lavar as guias, eu já havia dado meu mergulhinho no começo da tarde, aproveitado o Sol pra pegar uma vitamina D, mas senti direitinho o que a água me dava para lembrar. Ali que começara toda minha caminhada de descobrimento, era ali que eu deveria fazer meus votos de renovação.



Na volta, carona com a Ph.D em Zootecnia na UFSC Cibele veio com um papo super animado sobre a desmistificação dos Exús: o meu assunto favorito ever! Fomos papeando enquanto víamos a fileira para a Lagoa da Conceição aumentar com boas trocas de experiência acadêmica - o quanto de oportunidade que esses bibliotecários perdem dentro de federal, eita... Mas também, não tem iniciativa dos manda-chuvas de lá de dentro, nisso que dá!

O bom de passar uma tarde assim, com a perspectiva de um ano melhor, é que voltei para casa exausta, cheia de areia nos pés, cabeça e alma lavada com água do Mar e uma vontade insana de ficar a deriva, só ouvindo o som das ondas...

Tudo muito bão, tudo muito bem, bora colocar a teoria em prática! 2014 é ano de mudança, mas também é ano de estabelecimento de Equilibrio aqui nas quebrada.