Pesquisando

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

[conto] Projeto Feéricos - Nomes

Título: Nome (por @_brmorgan)
Cenário: Original - Projeto Feéricos.
Classificação: 14 anos.
Tamanho: One-shot ( + 3K palavras)
Status: Completa.
Resumo: Às vezes nomes não fazem diferença na vida das pessoas.
Personagens: Mirela Gauthier, Monique (Mona) Gauthier, mendigo do Arges, Walter McDougal, Philippe Gauthier, Christopher Gauthier.
N/A: Quis imaginar um pouco do cotidiano da família Gauthier da querida feérica Mona e veio dessa forma. O primeiro encontro entre família e enamorados.

Estranho era essa, a criatura humana.

Sentiam pena de si mesmos o tempo todo e quando pecavam à mostra dos outros, precisavam de permissão para conseguir atravessar a humilhação. Indivíduos de todos os tipos de pensamento, conceitos e credos, às vezes lembravam que existiam coisas além deles mesmos e o visitavam na estação.

Os poucos hóspedes de grande risco.



A consciência pesada era o que levava a maioria, admitiam erros, penas, castigos e crimes, alguns apenas chegavam, soltavam do vagão, viam que ele estava ali sentado esperando por algo que nunca ia vir e ao lado dele choravam. Muitos choravam. Okay, certo, todos choravam. Até aqueles que achavam que arranjar confusão com um mendigo bêbado sentado em uma estação de metrô abandonada e fora da Realidade deles.

Alguns deram boas lições sobre a modernidade que ele perdia lá fora, outros mostravam o quanto a Humanidade não avançara nem um centímetro em quase 6 mil anos de existência racional. Muitas vezes ele pensava se era bom sair dali e encarar sua pena capital, mas ao ver aqueles poucos hóspedes ele tinha certeza que o ser humano era podre por dentro, uma casca vazia de puro caos de sentimentos, reações químicas e sem essência alguma para a posteridade, como ele era para aquele mundinho escondido ali. E a sombra concordava, dizendo que seu lugar era ali, na escuridão do metrô do Arges, contando os ladrilhos coloridos que ele tanto odiava o padrão.

Em uma das vezes era a menina que sabia o caminho entre os Mundos.
Ela chegava, soltava do trem, tagarelava por minutos, ou pedia informações de forma urgente, nunca negara ajuda a ela, parte do que ele era agora era por graças a ela. Mas às vezes ela chegava tão vazia quanto ele, em um silêncio tão aterrador que o fazia beber mais goles que o devido, então ela sentava ao seu lado e ficava imóvel, encarando a escuridão.

Uma dessas visitas inesperadas nem foi em seu covil, mas dentro do vagão. Sentado em sua cadeira de costume, esparramado pela sonolência forte, engasgado de whisky até a garganta, sem forças para levantar um dedo, ele recebia passageiros que tentavam conversar com ele. Seu grunhido era a resposta principal, mas apenas uma única vez ele respondeu diretamente para um daqueles humanos imundos de alma que passavam por ele.

======
Foi em alguma manhã cinzenta de domingo (Ele sabia porque era o dia em que os vagões ficavam silenciosos) em que uma jovem mulher, bonita em sua compleição, média estatura, cabelos louro palha, grandes olhos azuis e mãos nervosas ofereciam dois potes grandes de comida suculenta dentro de uma sacola. Havia mais coisas dentro da sacola, mas ele não se deu o trabalho de saber o que era, pois como a atendeu, assim ficou: esparramado no banco de sempre, olhando a janela do vagão passar pelas luzes modernas do subterrâneo e iluminar seus olhos esverdeados de vez em quando.

Ela falava sobre algo de alguma igreja, sentia pelo gesticular e o discurso que não era a católica romana que estava tão acostumado - alguns ali gostavam de pregar a palavra de um deus onipotente que nem ele lembrava que existia, e isso o enjoava de tal maneira que seus pensamentos tomavam forma no vagão e expulsavam a pessoa insolente com um grande solavanco na máquina - mas para essa jovenzinha, deixou falar por um tempo até dar o primeiro grunhido, e pela primeira em sua vida como vigilante do Arges não foi um grunhido de hostilidade.

A jovem sentou-se ao seu lado, sem se importar se ele tinha um cheiro desagradável de suor, sujeira e bebida alcoólica fortíssima, se estava molhado pela chuva da madrugada, a garrafa de whisky dentro de uma sacolinha bem segura junto ao seu corpo, sentou-se, colocou a sacola com a comida e outras coisas perto dele e ficou em silêncio esperando a próxima estação.

Ela não deu adeus e foi embora como de costume. Era uma hóspede então.

- Sei que você não costuma conversar muito… - ela começou com a voz baixa, mirando concentrada na linha a sua frente - Talvez nem esteja muito interessado no que vou falar… - e deixando um sorriso tomar seu semblante preocupado, ela murmurava sua confissão: - E-estou grávida, sabe…? - a primeira frase saiu como um alívio, lágrimas teimavam em escorrer pelos seus olhos tão expressivos. - De novo. Não é nosso primeiro, houve algumas tentativas, nunca davam certo… E… Eu quero que dê certo… Quero ir até o fim, quero ver meu bebê nascer… E os médicos, eles podem ser tão odiosos às vezes! - ela exclamou em voz baixa, virando o rosto para o encarar. - Eles falam coisas tão ilógicas! E sabem como destruir um sonho em poucos momentos lendo uma folha de papel e dói… - ela disse direcionando a mão cerrada em punho perto do coração - Eu quero o meu bebê…
- Médicos são estúpidos… - ele opinou com a voz embargada de álcool e garganta dolorida.
- São sim! D-disseram que o meu menino… - segurando o ventre em um gesto protetor - Meu menino não ia completar o 7º mês… Quem são eles pra me dizerem que ele não vai conseguir?! - o mendigo virou-se um pouco em seu desconforto e olhou para o ventre avantajado da mulher, não percebera que ela estava grávida. Admoestou-se em silêncio por perder esses detalhes. - Quem são eles para dizerem que ele não é um guerreiro? Que vai ganhar essa batalha?
- Como sabe que é menino?
- Vi no ultrasom semana passada, estávamos curiosos. - ela respondeu com um pouco mais de vivacidade mesmo em uma torrente de lágrimas. O mendigo se endireitou na cadeira, colocou sua garrafa entre as pernas para não deixar o conteúdo cair no sacolejar do trem e tirou uma das mãos trêmulas do bolso do casaco maltrapilho e cheio de remendos, aproximou a mão do ventre da mulher e esperou que ela o desse permissão com uma troca de olhares. - O que está fazendo?
- Vendo se é mesmo um menino. - ele respondeu apenas, os olhos miúdos piscando várias vezes por não acostumar com as luzes, a jovem franziu a testa com estranhamento e medo, mas viu que a mão não iria encostar em sua pele, apenas ficar um pouco perto do ventre, como se quisesse captar alguma coisa.

O mendigo ficou ali por alguns minutos, olhos fechados, fungando várias vezes, pigarreando, mão inerte no ar, pairando sob o ventre da grávida e mexendo com os lábios de vez em quando. A mulher o olhava atenta, precavida caso ele tentasse qualquer coisa pervertida, percebera que a mão que estava a poucos centímetros de sua barriga gerando vida tinha um anel prateado de pedra única roxa encravada no metal, o único dedo que não parecia tremer em uma mão suja, machucada, atrofiada nos dedos mindinho e anular e nodosa por toda a parte das costas segurava a jóia, como uma lembrança dos dias de abundância do morador de rua.
- Ela é difícil de ler… - ele disse roucamente mudando a posição da mão para o lado do ventre da grávida. - Os pensamentos estão muito difusos pra uma criança como ela…
- É um garoto, vimos no ultrasom…! - protestou a futura mãe.
- Ela é uma garota de lindos cabelos como as da avó e será saudável como uma guerreira, isso pode apostar.
- Você é um homem peculiar. - a jovem mãe indagou.
- Minha esposa falava que eu era maluco. - ele respondeu automaticamente. E com outro olhar pediu permissão para tocar onde a mão estava pairando, a mulher não sentiu nenhuma maldade vinda dele, mesmo que fosse um mendigo sujo e de sanidade questionável. Ele tocou a mão com o anel no ventre da jovem e ficou ali por alguns segundos olhando bem para ela. A jovem não aguentou o olhar dele e baixou os olhos para sua barriga. - Ela será uma menina com muitos talentos, mãos delicadas, pernas firmes, irá aguentar muito em seus ombros, mas será a pessoa mais feliz do mundo se tiver o apoio de quem a ama.
- Você só disse isso para me deixar mais tranquila…?
- Não, para você parar de reclamar. Gerar uma vida é uma dádiva dos deuses e você está perdendo o melhor disso choramingando com um mendigo…
- Você é um homem rude, sabia? - o mendigo deu de ombros e voltou a sua posição anterior.
- Apenas prestaria atenção na data, ela vai chegar antes do previsto. - fechando os olhos e pigarreando no grunhido para que ninguém o incomodasse.
- Qual é seu nome…? - ela perguntou receosa.
- Meu nome não interessa se não vai fazer grande diferença na sua vida, Mirela. - A jovem futura mãe se levantou devagar, equilibrando-se com firmeza nas barras do metrô e o olhou.
- Interessa sim. Estou tirando comida da minha mesa e te dando de comer. - o mendigo olhou para a sacola e estalou a língua de forma desinteressada.
- Caridade por consciência pesada não me alimenta mais…
- Você realmente é um… rude… - a pausa entre as palavras foi para ela se encaminhar para a porta de saída do vagão e dar uma última olhada nele. - Deixei algumas coisas aí dentro também, faça como quiser, que a paz de Cristo esteja contigo, irmão… - ele grunhiu grosseiramente e voltou a fechar os olhos.
- Não sou teu irmão, mulher… - ele murmurou para sua garrafa e tomou um longo gole - Não sou nada de ninguém…
- Meu nome é Mirela Gauthier, seu mau educado. - ele não respondeu nada, o vagão foi diminuindo a velocidade para chegar a estação do bairro central do distrito de Bayonne. Ela deu um passo para frente com cuidado, e ouviu ele exclamar com uma tosse seca.
- Liam, o Terceiro! - e o vagão fechou as portas para ir para outro destino.

A mãe de Monique Gauthier agora estava ali, na sala de estar, observando o quanto 17 anos se passara desde aquele encontro no metrô. O homem tão tímido e arredio ao lado de sua filha vivaz e empolgada em introduzir o “namorado” para seu irmãozinho mais novo a encarava do mesmo jeito que anos atrás, debaixo de um rosto que não era dele, vestido com roupas de cárcere e rudeza no falar.
O pai de Mona não gostou nem um pouco do rapaz, apertou sua mão, o encheu de perguntas desconcertantes, ele sabia mentir bem, sabia como dissimular bem, sabia ler as emoções do pai exaltado muito bem, mas saberia ele que ao sair daquele vagão e ir para casa se aninhar nos braços de seu jovem esposo policial de Bayonne, ela receberia a notícia que a ultrasonografia estava errada? Sabia ele desde antes que Mirela entraria naquele vagão?

A jovem Mirela acreditava em milagres, acreditava que Deus colocava as pessoas no caminho das outras como forma de aprendizado, amor e compaixão. A Mirela de agora, mirando o semblante tão diferente do homem que predisse que sua filha teria os cabelos ruivos da avó, mãos delicadas e pernas firmes, acreditava em Destino, algo superior a qualquer Mistério Divino. Sorriu gentilmente para ele quando Mona o apresentou:
- Mãe, esse é o Walter… Ele é meu namorado. - e a firmeza das palavras de sua filha era tão convincente! Saberia Mona que ele estava mentindo? O que uma mãe poderia fazer em uma hora dessas? Afastar o lobo de perto de sua cria?
- Muito prazer, Madame Gauthier… - ele disse com a mesma voz de antes, só mais atenuada. Ele não cheirava mal, não exalava exclusão, a mão que pegou a sua com cuidado estava limpa, de unhas bem feitas, dedos saudáveis, o anel prateado com a pedra roxa.
- Chame-me de Mirela, rapaz. - ela disse calmamente. Ele não envelhecera. 17 anos atrás ele continuava com a mesma forma, o mesmo rosto. Ele deu um piscadinha gentil para a mãe de Mona e beijou a mão que pegara. O pai, tão ciumento e zeloso, já vinha por trás e interrogava sobre o emprego do homem misterioso, quanto recebia, onde trabalhava, com quem se associava. Ele respondia calmamente, seguro de si, olhando para Mona de tempos em tempos, segurando sua mão com os dedos entrelaçados, apertando de leve, sorrindo para ela, fazendo careta de admiração para Christopher que mostrava seus desenhos de barcos e piratas entre uma pergunta cáustica e outra.

O jantar fora tenso, a conversa se resumira a seu marido ditando as regras da casa - e ameaçando por tabela o rapaz misterioso que se ele fizesse algo diferente do esperado, levaria uma bala entre os olhos - a mãe estava surpreendentemente calma. Calma por saber de parte da verdade, aquele homem misterioso era o mendigo de anos atrás, alguém que ela ajudara por acaso porque se sentia com a consciência pesada por não fazer caridade aos pobres. A gravidez de Monique trouxera tantas reviravoltas de emoções e dilemas morais, que o único alívio era distribuir comida aos necessitados.
- Esperem um pouquinho que só vou trocar de blusa… - Mona disse vermelhinha, envergonhada por derrubar o molho de salada na camiseta por comer como uma esfomeada. Sua menina estava emagrecendo, será que não estava se alimentando bem? Será que aquele homem ali não cuidava bem dela? Mas seu bebê parecia tão feliz, tão serena, tão… completa. Algo emanava dela quando olhava para o tal Walter, pareciam feitos um para o outro.
- Quem mandou ser desastrada, mana? Hahahahahahaha - ralhou Christopher aproveitando a visita para contar vantagem. - Cê não se importa da mana ser toda atrapalhada, não?
- Ela não é tão desastrada assim, rapaz… - desconversou Walter analisando dois desenhos do filho mais novo de Mirela e Phillipe Gauthier. - Ela só estava feliz de comer a comida da mãe de novo… - e olhando para Mirella - Ela só sabia falar disso a semana toda da viagem…
- A Mona tem alguns probleminhas, rapazinho. - alertou o pai gravemente, mas ao abrir a boca para continuar, Walter balançou a cabeça.
- Nós todos temos, Monsieur Gauthier. - a cara do delegado de Bayonne foi se tornando escarlate, a mãe já sabendo da eminente explosão de cólera do marido, pegou a mão do homem misterioso e o levou para a cozinha.
- Phillipe, sirva um pouco de whisky para nós? Com esse inverno, é a melhor forma de se esquentar antes de dormir. - antes do marido poder protestar ela adicionou - E um pouco daquele chocolate que Mona gosta tanto? Está ali no armárinho.
- Obaaaaaa! Chocolate!! - exclamou Christopher.
- E você, meu jovem rapaz… Irá me ajudar com a cozinha. Preciso de braços fortes para tanta louça… - Walter a seguiu intrigado, mas sorriu largamente quando viu que Mona desceu as escadas de blusa nova e um cheirinho de morango mais perceptível por todos na sala. Ela passou por ele, o rodeou por um tempo e roubou um selinho sonoro para então ir a sala ajudar o pai não derrubar a bebida no tapete.
- Hmmmmm, chocolate!! - ela exclamou quase no mesmo tom de Christopher.
- Walter…
- Sim, madame… - ele respondeu arregaçando as mangas da blusa social e preparando a esponja e o sabão líquido para lavar as louças, separou as mais pesadas (panelas, vasilhames e potes) de um lado e os mais delicados juntou cuidadosamente no outro lado da pia de mármore.
- Liam, o Terceiro? - o sorriso educado de Walter morreu um pouco, concentrado na água que corria na pia.
- É uma longa história.
- Estou vendo que é. 17 anos. - a mãe cruzou os braços querendo uma explicação, ele suspirou exausto.
- Não quero que a senhora pense que estou…
- Você está.
- É complicado.
- Dê-me uma razão para não ir ao meu marido, dizer quem você realmente é e te ver sendo expulso daqui a tiros?
- A senhora realmente acha que ele acreditaria? - a pergunta pegou a mãe de surpresa. Os olhos esverdeados que eram pálidos pela embriaguez de 17 anos atrás agora refletiam qualquer luz que alcançavam eles.
- Quem é você?
- A senhora se importa com isso mesmo? - Mirela pensou um pouco e mais um pouco, a água corria e a louça era lavada com maestria e de uma forma quase… metódica.
- Se você machucar a minha filha, eu juro que…
- Eu não sou aquele moleque da casa ao lado. - ele disse com certa rudeza que ela conhecia. - Não sou nenhum desses aí que fingem sentir alguma coisa por alguém para contar vantagem.
- Então quem é você, Liam, o Terceiro?
- Alguém que a senhora não vai confiar por eu ser eu…
- Então creio que falarei ao meu marido sobre sua vida desonrosa… - ela saiu de perto dele e foi para a sala, não antes de sentir a mão gelada dele em seu braço.
- Monique me salvou de um lugar mais escuro que a própria Escuridão, ela me trouxe luz quando eu achava que todas haviam se encerrado pra mim. Eu era aquele bicho asqueroso que você viu e ela me limpou de toda a sujeira que estava aqui, ela me fez ver que há esperança para tudo.
- Pela última vez: quem é você?
- Meu nome não interessa se não vai fazer grande diferença na sua vida, Mirela. - ele repetiu a frase de 17 anos atrás, como um fantasma.
- Fará sim. Está olhando aquela menina ali? Ela é minha filha, meu fruto, meu bebê! - ela exclamou baixinho, relembrando do dia em que o abordou no metrô com a mesma angústia. - Tudo que ela preza nesse mundo é Amor e se você destruir isso…
- Eu a amo, madame, Monique é o meu coração.

Mirela o olhou, nunca vira nenhum homem se expressar daquela forma sobre um amor. Christopher gritou na sala, pulando pelo sofá e indo para a cozinha com o pacote de chocolate balançando na mão.
- Demorou, perdeu!! Hahahahahahaha!
- Chris, volta aqui!!!!!!! - Mona resmungava com um pouco de chocolate na boca, mas querendo mais. O pai dela bebia a segunda dose e se sentava perto do fogo da lareira, pensativo. - Manhê, ele pegou meu chocolate! - disse Mona manhosa, isso fez que a expressão corporal de Walter mudasse completamente, de uma posição defensiva e desesperada para um bobo apaixonado.
- Chris, o que eu falei sobre pular no sofá?
- Que não pode, mãe… - o menino respondeu cabisbaixo tendo o chocolate confiscado de sua mão, tirando um pedacinho para Mona e depois guardando no armarinho sob o protesto dos dois.
- Então trate de arrumar a bagunça que fez pulando ali. - apontando para o sofá amassado e com a manta protetora toda fora do lugar. O menininho foi para a sala arrumar a sua bagunça e depois começou a perguntar coisas para o pai sobre fogueiras e feriados - Mona, não exagere no chocolate e ajude o rapaz a secar o restante da louça. - disse com muita autoridade - E eu vou ver o que seu pai está bufando lá na sala. - virou-se para Walter e o fulminou com um olhar severo. - Se eu ouvir alguma coisa fora do comum, você está de castigo, mocinha.
- Mas mãe…! Eu não fiz nada!! - revoltou-se Mona injustiçada, Walter baixou a cabeça em sinal de trégua, sabia que ali no lar dos Gauthier era a mãe de Mona que ditava a harmonia.
- Estou de olho em vocês… - Walter bateu continência, Mona fez biquinho de entendimento para a mãe, mas escorregou a mão por dentro da blusa social do futuro marido e o arranhou as costas.
- Abre a boquinha.
- O quê?
- Abre essa boca logo. - Walter obedeceu sem saber e sentiu os dedos de Mona colocando um pedaço do chocolate em sua boca, a olhou com carinho e viu que ela passava a ponta dos dedos, marcando a cicatriz redonda debaixo de seu lábio inferior.
- É um gostoso chocolate… - ele disse mastigando bem o doce e sentindo o paladar apurar com as sensações aguçadas que possuía.
- Quero te beijar muito, você não tem noção… - ele riu-se com a boca fechada, ainda mastigando o doce e roçou a ponta de seu nariz nos cabelos dela.

- Não confio nesse sujeito.
- Ele a ama.
- Isso não é resposta pras minhas perguntas.
- E você me amava há 20 anos atrás quando foi me tirar da casa de meus avós…
- Aqueles tempos eram diferentes...
- Creio que o tempo não passa e nada muda, meu querido Lipe…
- Jardineiro, sei… - o pai grunhiu, tomando mais do whisky, mas Mirela tirou o copo da mão dele e o beijou no rosto com certa intenção. - Não vai me convencer a gostar desse sujeito… Ele não me inspira nem um pouquinho de confiança…
- Eu sei… - e abraçou o marido de lado, encostando o rosto no ombro largo dele, seu olhar se voltou para a cozinha, onde Mona e Walter estavam abraçados, em uma valsa lenta, tão próximos um do outro em um abraço, falando algo que ninguém mais escutava. O modo como Mona encostava a cabeça no ombro do rapaz misterioso era da mesma forma que Mirela se sentia confortável e segura com seu Phillipe. Tudo fazia sentido agora: era o Amor.
- Mãe, terminei, tá bom? - perguntou Christopher puxando a blusa da mãe. Mirela inspecionou o sofá a procura de algum desleixo do filho e o beijou na testa.
- Sim, sim, querido… Agora está tudo certo… Está tudo certo…
$(function(){$.fn.scrollToTop=function(){$(this).hide().removeAttr("href");if($(window).scrollTop()!="0"){$(this).fadeIn("slow")}var scrollDiv=$(this);$(window).scroll(function(){if($(window).scrollTop()=="0"){$(scrollDiv).fadeOut("slow")}else{$(scrollDiv).fadeIn("slow")}});$(this).click(function(){$("html, body").animate({scrollTop:0},"slow")})}}); $(function() { $("#toTop").scrollToTop(); });