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terça-feira, 21 de abril de 2015

omoide no maanii [1 de 3] - a animação

Casa abandonada: ótimo lugar para se passear no verão.
[Edit 15/08/2015] Essa postagem será separada em 3 partes, essa aí embaixo da animação, a segunda será sobre a Trilha Sonora e a terceira e última sobre o livro que baseou as duas primeiras.

Para checar as postagens em ordem, segue:

[x] Animação - [x] Trilha Sonora - [x] Livro




Tá na hora de desidratar lentamente, minha gente! E nem precisa ser com 12 minutos de filme rodando... Okay Omoide no Maanii, que ganhou a tradução entrega-enredo de "Lembranças de Marnie" em Portugal, e aqui como "As memórias de Marnie" animação do Studio Ghibli do final do ano passado e com uma trilha sonora de cortar o coração mais duro, gelado, de pedra com Priscilla Ahn nos vocais e melodias tristes o tempo todo. Sim, é desse filme que estou falando.

A animação é baseada em um livro de 1967 da escritora britânica Joan G. Robinson, "When Marnie was There" (Tradução: Quando Marnie estava lá - um título BEM melhor), um misto entre infanto-juvenil e mistério. Até aí tudo bem porque nos trailers lançados desde ano passado a tendência era pensar que haveria algo sobrenatural no meio (A escritora era conhecida por seus livros tratando de temáticas mais delicadas como morte, família e fantasmas/bruxas, então dá pra tirar alguma conclusão daí!). Fui fuçar pra saber mais do enredo na época (E porque estava desesperadamente atrás da trilha sonora, gezuuuuuuis Priscilla Ahn ferrando com corações de menininhas da Clamp com aquela voz) e acabou que o spoiler maior do filme foi descoberto.


Como sou imune ao poder dos spoilers, não me deixei afetar pelo detalhe na época. Até porque Studio Ghibli é Studio freaking Ghibli, eles podem pegar a história mais batida do mundo (sei lá, Pocahontas?) e transformar em animação e eu vou chorar até dizer chega mesmo assim...

Já sabe né? Debaixo do link, spoilers e impressões sobre essa animação magnífica.

[Editando: quem quiser baixar o livro tá aqui - [Formatos: .E-Pub & .MOBI - idioma: inglês]
Se você tem problemas de saúde aos 12 anos de idade e mora no Japão da Era Moderna, o mais seguro para se fazer é te enviarem para o interior para viver com tios que você nunca viu na vida. Bem típico de histórias assim antes da II Guerra Mundial. Crônicas de Nárnia se baseou nesse tipo de enredo e foi bem sucedida.

Assim começa Omoide no Marnie, com uma protagonista menina chamada Anna, completamente alheia as pessoas ao seu redor, curtindo o mimimi adolescente e tendo explosões de humor de não-compreendida. Para escapar do mundo estranho que a hostiliza (ou ela pensa que é hostil), ela mete a cara no caderninho de desenho e fica ali por horas até aliviar a tensão maluca de ser esquisita (Pelo menos é o que ela acha que é) e aí abre o primeiro questionamento do filme: a questão de se refugiar na solidão.

Anna tem problemas de saúde e as pistas que o filme vai dando são de um trauma psicológico bem profundo, sempre remetendo a lembranças do passado que ela não consegue captar direito. Os sonhos com a época em que vivia com a avó (senhorinha muito gente boa que a criou desde bebezinho e morreu antes dela completar  anos) e de uma menina misteriosa chamada Marnie vão seguindo suas noites. Ansiedade, prostação e mudanças de humor são comuns na menina tão quieta, mas o comportamento indiferente que ela tem com sua mãe adotiva - Anna chama a Sra. Preston de tia - é um dos traços fortes de que essa menina tem que fazer uma auto-análise boa pra fugir de alguns monstros.

Primeira aparição de Marnie. Aparição, né?
Até aí tudo bem. O vilarejo perto do Mar parece tudo que a menina queria e mais um pouco, nada de contato pessoal com as pessoas, totalmente invisível e podendo fazer o que quer sem a interferência de pessoas a julgando pelo seu modo ninja. Anna é uma pré-adolescente com problemas de aceitação, sempre se subestimando ou se rebaixando por não ser adequada, essa é a linha de narrativa para a menina: ela não se adequa, ela não entende o porquê, ela se refugia na solidão.

No vilarejo há uma mansão perto da praia, de frente para o principal parte do local onde Anna gosta de passar o dia e desenhar, isso já a chama a atenção, assim como a presença de uma menina que costuma aparecer na janela do quarto do 1º andar: Marnie.

No primeiro encontro, quando Anna foi a pé até a casa e viu tudo abandonado já dava pra respirar entrecortado e dizer: "Não, não, just fucking não, sai logo daí", mas aí lembrei que é Studio Ghibli e eles não vão assustar a quiançada com enredo de Silent Hill (Yep, deu vibes de Alessa Gillespie quando a Marnie deixou o barquinho pra Anna ir até ela). Com o cenário mais pitoresco ever, a amizade é firmada. Sob a luz do luar e uma promessa de manter segredo entre as duas. Ótimo!

Eu comecei a desconfiar que Marnie era um Poltergeist, I mean, tava na cara que a guria não poderia ser real, assim real desse mundo. Se consegue se manifestar fisicamente, consegue controlar objetos de longe, tem um local demarcado para assombrar (A bonita casa do Pântano) e hora certa para aparecer, é prato cheio para uma ligação direta para uma visitinha dos Ghostbusters.

Se um fantasma começa a interferir nos teus sonhos, procura um xamã/benzedeiro/pai-de-santo, mizifia, porque o bicho tá pegando. Beleza, dica dada sobre o assunto (E se você já jogou ou leu Wraith - the Oblivion SABE do que Poltergeist são capazes), eu ficava falando com o monitor a cada momento em que as duas se encontravam: "Foge! Corre! Dá no pé!", mas para minha felicidade (E extirpando o angst) até que a amizade transcorreu sem incidentes...

Acontece que aí percebi numa coisinha tola no traço das 2 protagonistas: era o mesmo.

O mesmo formato de rosto, o mesmo nariz, queixo, o porte físico, menos a cor dos olhos... Hmmmmm... Já indo um pouco mais além: Anna tá com uns probleminhas de isolamento e aceitação, certo? Será que Marnie não é uma projeção da mente dela? Algo como se projetar em uma forma diferente para ter uma visão do todo? Em uma parte em que as duas confidenciam seus medos, Anna manifesta que gostaria de ser Marnie por ela ter pais e gente para cuidar dela, assim como Marnie diz que gostaria de ser Anna por não ser vítima de maus tratos. A fantasminha camarada também tem problemas?! Eita nóis, esse caldo vai render... 

E aí num flashback de infância antes de ser adotada pela tia Preston, Anna aparece no cantinho em seus poucos aninhos com uma boneca nas mãos, super parecida com a Marnie!! Yep, tá indicando caso de alucinação visual aew, minha linda!

Deixando a cientificidade de lado, fui acompanhando, com o coração na mão, esperando a música Fine on the outside tocar a qualquer instante, mas nada. Tudo bem, porque já na metade do filme tive que me reabastecer de água porque já havia deixado lágrimas caírem sem eu saber o porquê. (Okay, eu sei porquê, é só que não estava tão fecking aaaaaangst até aquele momento, é um filme triste gente, vamos ser honestos...)

De boas aqui no meio do nevoeiro...
Talvez porque a Marnie me lembre a Lenore, talvez porque o filme todo me lembre de muitas coisas, talvez porque esperar a bendita música tocar me faça querer bater a cabeça na mesa com muita força - mas o que dizer? Enquadro-me em perfil masoquista emocional, logo preciso sentir a dor antes de ter o momento catártico e me livrar de certas lembranças.

E sério Anna?! Se você encontra com alguém no meio de um nevoeiro, simplesmente NÃO VÁ com a pessoa e jure jamais contar sobre ela a ninguém. Pela etiqueta de boa vizinhança com almas penadas: não prometa nada, não faça pactos, não dê bola para possessões - dá probreeeeema!

A história vai ficando no suspense, com encontro entre as duas - adoradores de shoujo-ai estariam pulando de alegria agora, just kiss her alreaaaaady, uma cena fooooofa de dança entre as duas após a festa na casa da Marnie e pronto, a vida ficou colorida no lado pink da Força, maaaaaaaaaaas lembra do spoiler maior?!

Depois não digam que não avisei.

Anna demonstra um carinho especial por Marnie, mas muita coisa estranha acontece. Destaque para a pintora da praia que também já viu a Marnie uma vez (eeeeeentão!) e o piquenique ao luar com as 3 perguntas com episódio de ESQUECER de coisas uber importantes sobre ela mesma pra acordar horas depois com uma Marnie alegando que ela desaparecera (Oh a bichinha fazendo teleporte é?). E a festa? Total anos 20.

Pronto, confirmou: a guria tá morta. E te assombrando Anna, DÁ O FORA CACETE!

Mas aí, mais uma vez preciso me lembrar de 5 em 5 minutos: é Studio Ghibli, não tem terror psicológico no curriculo deles (Tem?! Túmulo dos Vagalumes pode ser considerado terror psicológico?! Porque lembro de assistir antes dos meus 17 anos e ter ficado traumatizada por um tempo...).

Até então me coloquei como espectadora que aceita o enredo dado. A guria tá morta, a outra a vê, as duas tem uma amizade muito fofa, logo será a redenção de Marnie pra seguir a luz e Anna resolver os problemas de auto-aceitação. Beleza, isso me contenta. Consigo viver com isso. Manda a ver que eu aguento!

SÓ QUE É MÓDAFÓCA STUDIO GHIBLI E NUNCA É ASSIM!!

A cena mais emocionante, com certeza...
Se há um top list de plot twist mais bem escrito e arranjado, o de Omoide no Marnie ganha em disparado. Sério! Não sei como é no livro (Tou atrás dele também), mas conseguiram fazer com que a história que estava previsível para redenção de fantasma/resolução de problemas da protagonista escalar em TROCENTOS MILHARES de feelings em poucos minutos de narrativa.

E aí então o gato Walter deitou no meu colo, mordeu meu braço e não parou de incomodar até eu parar de fungar. É, Studio Ghibli, vai fazer a quiançada chorar assim lá no Castelo de Howl...

Aquele momento que faz TODO SENTIDO a música-tema ter esse seguinte verso:

So I just sit in my room
After hours with the moon,
And think of who knows my name.
Would you cry if I died?
Would you remember my face?

Resumo de todo esse post, esqueça o spoiler máximo, ele não serve para NADA na trama. Aliás, creio que se mesmo que as pessoas souberem do spoiler não vão estar preparadas para o final que o filme aprontou. Muito, muito, mas muuuuuuuito bom!
E agora vou ali me enterrar no meu travesseiro e chorar mais um pouco.
(Damn Studio Ghibli, srsly?!)


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