Pesquisando

quarta-feira, 1 de abril de 2015

os glimpses professorísticos da Biblio

As pequenas coisas que a Biblioteconomia me proporciona trazem um esclarecimento de muitas dúvidas que me comem viva a durante o dia.

Já disseram que a curiosidade mata conforme a sede ao pote da sabedoria se torna raso. Na maior parte do tempo tenho essa impressão que não é suficiente para me manter em cheque (comigo mesma), mas faz algum sentido quando há o elemento surpresa no meio. Eu sabia que o curso iria exigir parte de mim que talvez eu não pudesse reaver (a Letras comeu minha escrita criativa e empacotou numa forma vazia), mas ao sentir nos corredores que há alguma luzinha de esperanças para novas aventuras, abraço cuidadosamente para não me escapar.

Então quando vejo um calouro dizendo com toda veemência que escolheu o curso porque queria - não por descuido, segunda opção, falta do que fazer, etc - isso reafirma a minha própria existência no curso.

Essa powha tem jeito. Querendo ou não, resmungando ou não, mudando de gestão, ideologia ou sistema, tem jeito. Conversar com pessoas que compartilham um modo de avistar o mundo com relativismo positivista também ajuda bastante a não me sentir deslocada. Por mais fatalista que possa ser, sei que há alguém com idéias mais maravilhosas e prontas para colocá-las em prática por Amor a sua contribuição ao Universo. Isso eu respeito tanto quanto qualquer religião, credo, moral ou valores mostrados nessa vida.

Quando você se torna acético ao mundo ao seu redor, ter um glimpse dessa parte do milagre da racionalidade me deixa genuinamente feliz. A gente faz a mudança antes por dentro, certo? Hoje estou feliz, são com as pequenas coisinhas da Biblio que me encontro como pessoa de verdade.

TL;DR; porque faz tempo que essa postagem tava para sair e fatos mais interessantes aconteceram...



Desde que me conheço como gente tenho uma atração absurda por professores. tanto positiva quanto negativa, minhas experiências com esses seres de imensa paciência e tão sofredores me manteve bem afastada da ideia de algum dia me tornar como um deles (Exponencialmente isso deveria ocorrer na família Rex-Morgan, a maioria dos tios/primos rumou ou está rumando pro mesmo destino docente). O temor pela disciplina exagerada, o desdém pela falta de interesse, a pontinha de esperança ao ver o esforço inigualável de se importar com o estudante.

Tive meus momentos de "professora" em meu estágio na Letras, mas nada foi tão gratificante quanto sentar com os melhores que já tive e discutir sobre o que é ser esse ser social de imensa responsabilidade - estamos falando de vidas aqui, vidas jovens que podem ser influenciadas por eles ou não, todo cuidado é pouco! - devo citar alguns aqui no post, pois merecem de coração os meus sinceros cumprimentos por me fazerem perceber que há sim uma vaguinha pra mim no Céu (E lá tem pão?), algum dia posso ser professora da Biblioteconomia sem medo algum de ser feliz (Mas mal paga, óbvio), andar tranquilamente no departamento onde me assumi e talz...

Em 1 ano e meio de Biblioteconomia no antro vil e maléfico de Cthulhu destacou-se a figurinha de três pessoas muito especiais que me deram uma força muito bacana para continuar no curso, apostar em meus talentos naturais de criticismo e pesquisa beirando o obsessivo. Todas elas mulheres, bibliotecárias de carteirinha da C.R.B., cada uma com uma área de especialização que me fascinou desde o começo, mesmo eu sendo noobie e não fazendo ideia de onde eu tava me metendo.

(Devo colocar uma ressalva aqui, mas no curso de Biblioteconomia é dificil ver um professor do gênero masculino ser realmente bibliotecário. A maioria é oriunda de outros departamentos como Engenharia da Produção, Administração, Direito, Engenharia e/ou Sistemas de Informação. Nem devo dizer que aqueles que trocam o usuário por cliente me fazem querer correr na direção oposta...)

Okay, certo, 1ª fase! Essa noobie aqui estava ansiosa e empolgada com a 2ª graduação e a volta a rotina acadêmica, junto comigo veio uma professora substituta que parecia tão insegura quanto nós ali assistindo Fundamentos da biblioteconomia. Como  passar do tempo percebeu-se que a senhorita manjava muito desse mundo de bibliotecas aí fora e admirar a vontade de desafiar paradigmas foi automático. E porque ela é carioca. E porque ela é muito gente boa.

A fessora A.C. me mostrou as possibilidades incríveis de se fazer algo que presta dentro de uma biblioteca, especificamente, ela abriu os olhos de muitos daquele semestre que havia vida inteligente fora da Universidade, e elas poderiam estar na forma de pequenos humanóides em formação, com problemas de aceitação social e enfurnadas em um sistema educacional beirando ao esquizofrênico. Fessora A.C. me impulsionou a repensar minhas ideias sobre Biblioteca escolar e Educação em si, muitos dos preconceitos que eu possuía da Letras se esvaíram quando notei o quanto o lugarzinho dentro da Escola poderia ser uma das melhores maneiras de incentivar a leitura, escrita e produção de cultura. Abracei a oportunidade vinda no estágio com todo meu coração e não me vejo em outro lugar a não ser dentro de uma Biblioteca Escolar.

Fessora A.C. não aceita que a chamem de fessora, logo acabou se tornando uma amiga de longas conversas sobre filosofia, artes e tudo que se possa imaginar sobre transformação social. Se há alguém que eu confiaria minha vida acadêmica seria à ela e pelo jeito será, daqui há 1 ano e meio estarei em TCC, não vou pensar duas vezes em perguntar se ela poderá ser minha orientadora.

Já a fessora A.B. não está mais professorando - uma pena, pois mal consegui pegar alguma disciplina com ela, apesar de matar aulas para assistir Gestão da Qualidade só por saber que ela estava dando aula na turma que mais tenho afinidade - mas deixou sua marca no meu intuito maluco de ser profissional da Informação na área educacional. Ela foi a primeira pessoa que vi em minha vida na Biblio a me dar boas vindas a um estágio. Pode parecer exagero (E acredite, só fui perceber o quanto foi importante pra mim um tempinho depois), mas na 1ª semana de faculdade fui atrás de estágios, apareceu um em uma Biblioteca Escolar de um instituo federal bem importante daqui e lá fui eu correr pra enviar curriculo, esperar resposta, aceitar a entrevista e me deparar com uma pessoinha tão simpática e de sorriso tão bonito. Fui recebida tão bem mesmo admitindo que não tinha experiência alguma em bibliotecas a não ser a de leitora compulsiva, mas fui apresentada a toda a estrutura do local, de qual seria o possível trabalho e como o ambiente escolar era.

A pequena tour no espaço me fez ter noção do que eu poderia fazer. E as palavras dadas pela A.B. fizeram toda a diferença mais lá na frente, ainda fazem, vão continuar fazendo. E o curriculo Lattes dela é excelente, desculpa, mas fangirling é o que não falta aqui nesse projetinho de bibliotecária caótica...

A bailarina L.C. já chamava atenção nos corredores da Biblio, andar leve, sorriso feliz, sempre disposta a responder a pergunta dos estudantes, ela se tornou um xodó para todos que estão por lá no departamento. Das poucas vezes que conversava com ela quando estava no estágio do laboratório da Biblio, a cortesia e polidez dela me intimidava, mas ao mesmo tempo era fascinante de se observar. Como sendo a coordenadora da disciplina de TCC, L.C. se tornou a senhora do "sim" e "não" ali do nosso canto, quando a galera desespera com TCC é com ela que tem que recorrer.

Mas não foi isso que me chamou atenção nela, a criaturinha graciosa dá Linguagens Documentárias e Classificação, duas matérias teóricas, técnicas, que costumam ser um bocado dificeis de se compreender sem estar praticando. Quando dava para matar algumas aulas na quarta eu ia direto pra turma com a afinidade maior e também pegava umas aulinhas de Classificação de carona, foi interessante. Amei a forma como L.C. explicava as definições, resolvia os exercícios práticos, auxiliava os estudantes. Ela joga muitas situações reais de bibliotecas nos trabalhos, logo fazer a ponte com o que provavelmente vai acontecer é o ponto chave de eu amar tanto as aulas dela.

E ela falou a palavra semântica e folksonomismo na mesma frase uma vez. COMO NÃO AMAR?!

Todos os professores que já passaram pela minha vida fizeram alguma contribuição para o que sou agora academicamente e profissionalmente, mas essas três em especial tomaram uma partinha do meu coração devido certos detalhes que ela mostraram. Um simples detalhinho que faz todo sentido ao ser jogado na mesa: elas têm Amor pelo que fazem.

E transparece isso durante as aulas. A convicção em se passar um bom conteúdo e algo extremamente relevante me deixavam com mais e mais vontade de ser professora, mesmo indo contra a minha índole de jamais pisar em sala de aula... Devo muito do que sou agora para essas 3 moças aí, querendo ou não.
$(function(){$.fn.scrollToTop=function(){$(this).hide().removeAttr("href");if($(window).scrollTop()!="0"){$(this).fadeIn("slow")}var scrollDiv=$(this);$(window).scroll(function(){if($(window).scrollTop()=="0"){$(scrollDiv).fadeOut("slow")}else{$(scrollDiv).fadeIn("slow")}});$(this).click(function(){$("html, body").animate({scrollTop:0},"slow")})}}); $(function() { $("#toTop").scrollToTop(); });