Pesquisando

quinta-feira, 11 de junho de 2015

[sonhos estranhos com detalhes] bibliotequeiros, a aula de tanatologia e a senhorinha



Para a sessão de sonhos intermináveis de hoje - praticamente a madrugada pra manhã toda - tive um mini-curso frustrante de extensão em biblioteca pública, fui ministrar uma aula de tanatologia pra uma turma de residentes e conversei um bom tempo com uma senhorinha já conhecida.

Here we go Morfeu que hoje o estágio noturno foi produtivo!


Mini-curso de extensão em bibliotecas públicas? Okay, curso no qual eu estava exaustivamente a procurar com uma outra jovenzinha mais velha onde a sala do curso se encontrava. A frustração maior era de estar morrendo de fome, mancando ainda (nada doía, ainda bem) e a guria não parecia aquietar o facho em minuto algum (E eu sinto muito pessoas que me pegaram na melhor forma da ansiedade em pessoa).

Depois de rodarmos o prédio bizarro da DEBEC (Ali na Ferreira Lima¹ que era uma faculdade de Medicina e o laboratório de anatomia é onde fica a biblioteca central agora), ela cansou, sentou nas escadas e me disse que não queria ser mais bibliotequeira. Eu ri muito na hora e ela ficou mais nervosa ainda, sumiu entre os corredores e eu ali, com fome.

Fui para a saída/entrada e ia atravessar a rua para ir ao Hippo pra comer alguma coisa (Sim, isso tudo existe IRL, por isso nem desconfiei que era sonho), a jovenzinha muito íntima chegou puxando minha mochila e já me dando bronca por eu ter saído sem avisar. E sim, ela tinha comida, good nomz. Sentamos ali fora na Ferreira Lima mesmo, comendo tortinha de limão e morango, dividindo a garrafa com suco de sei lá o quê e uma conversa incomum sobre o futuro dos bibliotequeiros.

A expressão me fez rir de novo, mas dessa vez ganhei um tapa de leve no ombro. Algo me disse que usar essa piadinha recorrente não tinha muita graça.

Dali foi do nada pra um auditório (Que eu pensei que era o curso finalmente!) e pelo jeito eu era a professora temporária ou visitante, não sei, de uma aula de Introdução a Tanatologia pra uma turminha de residentes. Não parecíamos estar em um Hospital, mas todo mundo ali tinha o ar de cansado, ralado, sofredor, corintiano, e tudo mais. Um dos estudantes estava debruçado na cadeira da frente e me perguntou se tinha como dar as aulas no período da noite. Respondi que estávamos no período da noite (Sei lá se estava!) e a galera caiu na risada.

A aula foi boa, aliás. Tinha slides dos mitos fundadores para o bendito nome Tanatologia e uma cartilha do SUS rodando entre eles sobre cuidados na Morte - quem providenciou isso, eu lá vou saber?! - tinha um cara mais velho no meu lado direito, grisalho, meio carequinha, com óculos que às vezes intervinha nas discussões e cheguei a conclusão que ele deveria ser o professor da discicplina, ou o coordenador da coisa toda. Ele era super gentil com todo mundo e me ajudou com os slides. O incrível é que eu sabia de tudo que estava falando - que obviamente não vou lembrar de coisa alguma aqui agora - e que sim, as pessoas pareciam ter ido com a minha cara e didática nula.

Alguém lá no fundo perguntou se ia ter lista de chamada e eu disse que memorizaria os rostos de todo mundo ali até o final do curso. Não, não teve lista de chamada, e sei lá se o tiozinho de óculos ia passar, só sei que terminei, deixei o pessoal comentando alguns casos corriqueiros da residência e fui fechar os slides pra poder sentar e escutar os "causos"... Aí achei que tinha acordado!

Só que eu tava nos fundos de uma casa humilde, com uma montoeira de coisa na varanda, uma máquina de lavar parecida com a minha, algumas cadeiras de praia no chão batido de terra vermelha, alguns animais circulando por ali - identifiquei um filhote de cão, um gato, tinha uma ave diferente de crista (Não era galo), e outros animais que eu não conseguia colocar nome ou achar algo parecido porque... eu sei lá! 

Eu estava com o corpo grudado (yeeeeeey paralisia do sono em sonho rules!!) em uma das cadeiras de praia carcomidas, não conseguindo me mover, ou falar direito, a visão estava boa, a audição um pouco perturbada - do outro lado da casa humilde tinha alguém ouvindo axé music no último volume e isso atrapalhou pra cacete o diálogo - torta de limão na ponta da lingua.

Módafóca srsly que ainda tou seguindo o mesmo sonho?!

A velhinha tinha o rosto quadrado, aparência de gente da roça, meio curvada pela idade, vestidinho simples de corte único, cabelo cortadinho bem retinho abaixo das orelhas, mais grisalhos que pretos, me olhava bem lá dentro mesmo, de não desviar olhar e saber bem que eu faço isso. Ela parecia uma cabocla (!!!) pelo jeitão, e entender o que ela falava era o grande desafio do sonho. Já é um custo entender e guardar o que as pessoas nos dizem nos sonhos, imagina alguém que está falando com você, diretamente olhando para você e o nervosismo de estar sendo disgnosticada por alguém mais velho?

Ainda não conseguia me mover até entender algo do que ela dizia: era algo sobre os animais ali. E aí percebi que a ave com crista que não sabia o que era, virou uma cobra de escamas cinzas e amarelas. Frodeu né? Mas por incrível que pareça, não fiquei com medo, mesmo ali sentada paralisada, não ligaria daquela coisa me morder, não sendo na mão tava ótimo. A senhorinha pediu pra eu acordar, porque a cobra ia atacar logo, obedeci, só que não funcionou de primeira. O bicho deu o bote e foi no quadril, doeu um pouco, mas apenas a afastei com a mão quando senti que podia me mexer um pouco. Nisso a véia começa a falar para eu entender... Uma mão aqui, por favor?

Ela disse que conhecia a menina e que ela era da região. Oh ótimo quanto mais vago melhor... Mas que menina? A menina do bibliotequeiro lá em cima?! E depois com algumas frases abafadas pelo axé music arerê do outro lado (E eu de olho na cobra se recuperando do meu tapão), ela falou que não conhecia a menina não, mas que os "dela" já tinham a visto uma vez e eu... WTF? A vida não é fácil quando você percebe que tá dormindo dentro de um sonho, né?

Aí a cobra me atacou de novo e foi no braço esquerdo, arranquei o bicho com a mão direita e a obriguei abrir a mandíbula pra sair os dentinhos afiados, nada lindo de se ver. Nessa de pressionar a garganta dela, a bicha ficou mole na minha mão e só deu tempo de me afastar quando vi que a tinha estripado sem muita dificuldade. Foi feio, MUITO feio! Dali já fiquei apavorada e pedi desculpas pra senhorinha - sei lá se a ave/cobra era de estimação! - ela estava toda calminha na minha frente com um papagaio que mudava de cor o tempo todo e imitava o que ela falava, hehehehehe.

O susto passou e aí a nonsense de tentar entender o que ela dizia, imperou. Com essa de ir ao lado da senhorinha pra ouvir o que ela falava, do nada veio o: "Levanta!" e acabei erguendo meu corpo da cama aqui em casa. Yep, powha de sonho lúcido ficando cada vez mais comum.

¹ Esse local em especial me traz boas lembranças, desde o começo de um rascunho para a locação do Projeto Feéricos, e também como um lugar que consegui curar parte da minha insanidade temporária antes da Biblioteconomia, quem diria?