Pesquisando

terça-feira, 28 de julho de 2015

Bibliotequices - 14k lá em Veranópolis (RS)


Peralá que tem fundamento!!


Estreando uma sessão que já deveria estar aqui faz tempo, já que a quantidade de absurdos que vejo dentro da Biblioteconomia está ultrapassando os limites do aceitável para nós, cultistas de Cthulhu. A incoerência é tanta que creio que devemos acrescentar mais um dado de Pontos de Babaquice com os de Sanidade.

Então a Bibliotequices será um espaço bem raso nesse poço de desinformação que nos permeia na sociedade moderna com as babaquices cometidas por diversos agentes ligados a essa linda e maravilhosa e suprema profissão que decidi canalizar dentro desse meu coraçãozinho rude, sarcástico e extremamente crítico.
O motivo de tanta revolta (Sim, tenho esse direito, caso não saibam, estou me formando pra ser um deles e definitivamente a única coisa que quero fazer com a Tecnocracia, é dinheiro). A notícia foi essa aí embaixo.










Posted by Página Cab Ufsc on Terça, 28 de julho de 2015





Então, eu odeio quando isso acontece. De com força (sic).

Já trabalhei em ONG e sei como é uma politicagem ferrada para cargos, contratações e terceirizados, sei como é estar nos bastidores, esperando vir a verba de algum lugar milagroso not so milagroso hello para manter as coisas funcionando e estar pelo menos dando o básico de serviços para a população que precisa da ONG. E acreditem, é gente como a gente, sua vizinha, vizinho, a tia/tio prima/primo do seu amigo/amiga da esquina do bar do seu Bartolomeu. É tipo que nem eu e você, que talvez antes de ter entrado no curso de Biblioteconomia ou faculdade que fosse e nem tivesse onde ir para saber que raios o que uma biblioteca poderia oferecer. Talvez você soubesse, mas hey! Sabe a tia/tio do vizinho/vizinha do primo/prima do Zé Botinha? Pois é, esse/essa não sabe e é pra isso que bibliotecas comunitárias servem: para democratizar a leitura em lugares onde o poder público não chega ou não tem o mínimo interesse de chegar. Ou seja, tapar buraco da ineficiência do Estado.

Eu gosto disso aqui [x] , desse trem aqui também [x] e rio bastante com essa aqui [x], sempre bom voltar e ler de cabo a rabo pra entender como esse po(l)vo consegue ser altamente incoerente.

(TL;DR - desabafos momentâneos, porque às vezes é preciso)

Aí temos a Lei Federal linda que impõe que em qualquer unidade de informação DEVE haver um profissional bibliotecário para administrar - nos limites estabelecidos e pormenores e tralalalala lelelê, mais de 5 mil título? Menos de 8 mil? Tem isso, tem aquilo? Tem estantes? Tem sala de estudos? Oh que chique tem uma televisão velha com um video-cassete capengando? Que maravilha! Esquece que tem gente, ser humano, homo sapiens, circulando pelo local, não importa se os pormenores não forem atendidos sumariamente, esquece desse detalhe menor que o pormenor, esquece...

Ótimo, leis são legais! Leis são sensacionais! Mas aí tem um Conselho que fiscaliza, certo? O nosso é da região 14, CRB, supervisionado pelo CFB, o Conselho Federal, hierarquia faz parte do pacote. Tem que haver alguém pra estar de olho se a lei está sendo cumprida.

É um país democrático, tem que haver um órgão específico para tratar disso com responsabilidade, imparcialidade e a missão de fazer a sociedade entender que "Hey, sabe por que toda biblioteca deve conter um bibliotecário dentro dela? Porque eles são preparados por anos para fazerem isso tudo funcionar direitinho. Yep, isso mesmo: um profissional especializado em disseminar informação e atender gente, seres humanos, homo sapiens com uma devoção tão exótica que a gente fica até com medo de divulgar muito sobre isso." - e sabe por que tem que ter o Conselho pra verificar se a lei tá sendo cumprida? Porque secretamente há um plano de se educar melhor as pessoas no nosso país sobre a importância da leitura como forte instrumento para construção da cidadania e direitos básicos de convivência social. Tipo, algo muito, muito, super secreto, muitos desconhecem, pessoas deveriam saber, oh se deveriam... E supostamente é tarefa do Conselho se certificar disso. Senão não haveria fiscalização se a Lei fosse absoluta e cumprida e tudo mais...

(Deu para entender como as coisas funcionam num espiral aqui nos esquemas? Okay, continuando...)

Mas o que o incrível órgão específico faz? Já leram a notícia aí acima? Beleza, porque é um #Facepalm épico ler uma coisa dessas e deliberar: por quem estou sendo representada? (Futuramente serei)

Ao invés de entender que a lei foi escrita para GARANTIR que haverá o bendito bibliotecário na unidade de informação, não, é preferível multar o local (público, privado, o que seja) e simplesmente fazer os administradores da ONG pesarem o dinheiro versus projeto de incentivo a leitura. Quem será que vai ficar na balança no final das contas?

Tipo custava usar o sistema judiciário para mandar uma advertência, pressionar pra abrir edital para contratação de um bibliotecário, dar um prazo e DEPOIS multar se não cumprissem? Custava? Deve né, e deve ser chato pra caramba mexer com a burocracia ao se ver um propósito tão nobre... O de aplicar multas, não o de manter uma biblioteca comunitária funcionando sem bibliotecário.

São essas atitudes estranhas, contraditórias e altamente mercenárias que me deixam com a cara de tacho quando alguém apóia a ação punitiva do CRB dessa forma, seja lá onde nesse país. Gente, isso não é bonito para mostrar serviço, é tirar as poucas oportunidades que uma comunidade pode ter de um local de referência por conta da burocracia mal resolvida e mal entendida de órgãos superiores. É usar o sistema pra desqualificar um ideal e um princípio (O de abrir a biblioteca, mesmo sem ter um bibliotecário? Afinal de contas, estamos tratando de gente, seres humanos, homo sapiens aqui né? Ou é de quantidade de títulos, estantes e falta de informação/vontade das duas partes?)

O que adianta ir ao local, ver a irregularidade, já puxar o talão de multas, levar pra Justiça e não acompanhar se o local pelo menos tentou articular a vinda de um profissional da informação pra cuidar do trem todo? E se não conseguiu (Por desinformação, ou falta de interesse ou seja lá a desculpa esfarrapada), fazer entender que isso é LEI FEDERAL e DEVE ser cumprida quer queira ou quer não. Custa dar informação, custa fazer campanha de conscientização, custa fazer o papel social de fiscalizar se a comunidade está sendo bem atendida com a biblioteca comunitária, mas que é realmente necessário ter um profissional capacitado e enquadrado nas funções? Ou é mais baratinho, sem muita "dor de cabeça" aplicar a multa, deixar pro Judicial resolver e partir pro próximo "desavisado"?

(Porque tem muitos, tipo MUUUUUUITOS desavisados nesse país)

Isso não me parece fiscalizar, de assegurar que locais assim estarão munidos de bibliotecários, dá aquela impressão amarga no lado esquerdo do estômago de que o órgão que nos representa (Bem, a mim, algum dia irá) tá mais pra coletores de impostos do que representar os profissionais que são socialmente engajados no movimento de se levar a informação onde é necessária (FYI: essa é a tarefa primordial de um bibliotecário, sabe? Não precisa ter um PhD ou ter sobrevivido ao incêndio de Alexandria pra ter noção disso).

Eita Lelê, eita lelê...