Pesquisando

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

bibliotequices - o caso dos pronomes possessivos

E aí aparece isso na timeline (E não consigo me conter para fazer o carão e chiar...).

Gente, bora parar com noção de propriedade? Até onde sei, não somos objetos de consumo pra isso. Tenso pra caramba esse trem...
(Que tal valorizar quem trabalha nas bibliotecas e cuidar do espaço para o bem comum? Parece mais sei lá... humanitário...)



Todo mundo tem um médico que chama de "seu", se contrata um advogado, logo vira o "meu advogado"...e por que não o "meu bibliotecário? :)
Posted by Mural Interativo do Bibliotecário on Segunda, 21 de setembro de 2015

Esse trem de coisificar nossxs bibliotecárixs tem cara de capitalismo marxista e acreditem, é a coisa mais tensa que a gente pode conceber na sociedade. 

Primeiro porque você perde a concepção do "eu" em você mesmo, já que muitos gostam de se identificarem como "bibliotecárixs" não como outra categoria. Eu sou uma filhadaputinha dessas, tou até pensando em usar como orientação política e sexual: "bibliotecária", acaba englobando um conjunto de valores tão complexo que dá nó na cabeça do interlocutor - good, vairy good...

Segundo porque se somos mercadorias para serem tomadas e chamadas com pronomes possessivos por seus respectivos donos, vamos retroceder aquela época linda antes do Renascimento em que os bibliotecárixs eram realmente tratados como isso: meros guardiões de livros, mais mercadoria na estante do que realmente operante. 

Alguém aí viu/leu O Nome da Rosa
(É do Umberto Eco e ele é awesome! E vocês deveriam ver, porque ele é o linguista mais gente boa desse Universo)

Então, vai saber o quanto a vida é dispensável naquela época linda - e como agora está quase na mesma importância.

Plus: quando você usa esse maldito pronome possessivo é automaticamente anular o papel social de educador e profissional da informação que tanto tentamos manter desde Alexandria. O princípio também vai pra "meu advogado" ou "meu doutor", isso não era legal lá anos atrás quando só certa camada alta da população poderia "possuir" coisas. É tipo ferrar com nosso lema. Não quero ser "sua", quero ser de "todo mundo", porque É ISSO que a minha profissão se pauta, ajudar todos sem ver fuça de ninguém. 


E mais importante, terceiro porque se é pra ser chamada de "minha" por alguém, eu JÁ SEI quem vou pedir, como pedir e porquê pedir. Entra no mesmo esquema de "raros momentos em que pessoas podem me causar dor deliberadamente".
(BTW: estou disponível para ser disciplinada, bejas)

If you know what I meeeeeeean...