Pesquisando

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

docência de(s)cente - aquele lugarzinho especial


Resolvi separar um tópico para o BIBLIOTEQUICES para falar especialmente da carreira docente que estou me preparando para me enfiar. O DOCÊNCIA DE(S)CENTE vai estar tagueado para quando esse assunto for abordado.

Como primeiro post, bora ranting about uma coisa que já está incomodando faz tempo no curso.

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Nesse percurso acadêmico cheio de absurdos, há de imaginar que em algum ponto da linha cronológica de acontecimentos da minha vida de escriba do porquê eu ter recusado terminantemente a não seguir a docência na PUC. 
Até porque não construíram a Estrela da Morte com as centenas de milhões de denheros coletados dos pobres estudantes ferrados. 

A licenciatura vem me ensinando muitas coisas, inclusive o de não subestimar as pessoas, por qualquer motivo que seja. O indivíduo pode ser o mais estúpido possível lá fora das quebrada, isso não me dá razão para desabonar sua personalidade e caráter (Até porque não pago suas contas e não me interessa tua vida). Mas se a didática for ruim, meu camarada, cê tá condenado com carteira há VIP para Minos para passar a eternidade no Tártaro no pior castigo possível formulado para sua conduta profissional dentro e fora de sala de aula. 

Na minha sincera opinião, professor que não dá a mínima para as suas aulas e só está preenchendo lugar merece ter uma chance de assistir as próprias aulas no repeat, em uma cadeira velha de dentista sem ergonomia alguma, preso por linha de pipa coberta com cerol. 

Porque é essa a sensação que tenho após sair de aulas assim, em que se percebe claramente que o caboclo não quer nada, está ali ocupando o tempo e prejudicando os estudantes (e se não o sistema educacional funcionar). Esse tipo de profissional está na minha lista de "erros que não cometerei quando estiver na docência". Entendo que para muitos doutorandos o caminho para conseguir um cargo estável no ensino superior é passando pela docência, isso é magnífico, pois ensina muitas lições de humildade e alteridade, mas os mais velhos de casa parecem não entender que eles estão formando gente que vai fazer diferença lá fora. 
Os de mais de 25 anos de casa que digam. 

Como a seriedade do assunto não me permite dar nomes aos bois (fica mais interessante fingir que ninguém sabe de quem especificamente estou tratando nesse post) vou continuar a dissertar com o simples cenário:

Paredão de fuzilamento. 
Cerca de 60 estudantes a cada intervalo de 1 ano. 
O pelotão de fuzilamento está com as armas prontas, só falta alguém para dizer "Fogo". Adivinha quem é que dá a ordem?! 

A visão fatalista da educação é entendivel quando percebemos a seriedade do assunto. Somos instruídos como agentes sociais de mediação de leitura, informação e cidadania. Os professores são habilitados/especializados em nós ajudar a construir os significados de nosso percurso acadêmico, seja incentivando ações educativas para nos doutrinar (e vou usar esse verbo mesmo com o peso dele na frase) ao sistema de controle educacional vigente ou nos desafiar como indivíduos em nossa imensa elasticidade pedagógica e social. 

E tem sempre o fdp que é provável um zé mané qualquer e adora o som de sua própria voz repetindo: FOGO!! ATIRAR!! 

Então vamos lá!
(Post longo sobre como não tenho mais paciência em aturar professor que deveria estar pescando, não lecionando)

Cê que sabe se vai clicar ou não...

Mas o que motiva um velho docente de outro departamento que parece não se interessar pelo resto do mundo a não ser a sua divina matéria a assombrar nossas notas? O que motiva no mais profundo sarcasmo que um indivíduo seja capaz de tanto estrago pedagógico? Dou três razões aqui (poderia ser mais e ficar dissertando pro resto da noite) 

  1. peitos (ou bundas, depende da preferência); 
  2. busca da redenção;
  3. sadismo/megalomania acadêmica;
  4. Menção honrosa: "ninguém me quis no meu departamento, fui jogado em outro como bucha de canhão". 
Razão número 1.
Se voltarmos a nossa ótica para o princípio da libido postulada pelo pegajoso Fróide, a essência do ser é fazer coisas que o satisfazem para encontrar sentido na vida. A libido como catalisador dessas motivações traz benefícios para a criatividade e vontade humana. As Artes, a imaginação, o sonhar, tudo isso vem da libido: "a pulsão de vida". O desejo, a vontade de se reproduzir e perpetuar a espécie também está ligada à essa pulsão de vida, mas se o ID toma conta das quebrada é por um motivo: autopreservação. 

O dito docente parece carecer de tal freio psicológico, tanto que foi expulso do departamento de Psicologia por usar sua figura de autoridade sociológica para SEMPRE mencionar temas com denotação (sim de, não conotação, é explícito) sexual ou de gênero. Sem contar a indiscrição nas olhadas nos bustos das colegas, na falta de fala que o acomete ao ver uma estudante levantar e caminhar pela sala. Se uma lição de disfarçar o caráter predador foi ensinada durante sua vida, esse docente em especial perdeu todas as aulas. 

É constrangedor pra quem está sendo observado com tanto afinco, tanto para quem vê. Vergonha alheia está no limite e sou a favor de tratamento de choque no sujeito. 
Reacionária e puritana eu? Psicologia expulsou, o Serviço Social também tá com o mesmo problema o departamento dele sequer quer notícias e já duas turmas nossas reclamaram da conduta antietica do sujeito. Imagina!! 

A razão 2 é rara em departamentos de universidades, são aqueles casos em que a pessoa faz uma mancada tão grande que ninguém vai aceitar desculpas. A redenção se dá assim, em passos desajeitados e errôneos, até lembrar ao pobre mortal que há certos pecados acadêmicos que não são perdoáveis. Voltamos ao item 1 e verificamos que o desvio de conduta pode ter causado isso e o ciclo continuar num loop eterno. 

Enquanto para os gregos davam pra dar um jeito com a hýbris, a jornada e a catarse, carece ao distinto "cidadão de bem" o esclarecimento que se redimir de sua conduta ética-profissional falha não é continuando o mesmo comportamento com os atos falhos. 

O item 3 é um problema recorrente em nosso curso. Dives que não querem dar aula pra graduação, professores despreparados para suas designações de disciplinas, lideranças que sonham em ter tanto poder e toda a atenção, mas que no final entram em contradição e são ignorados. Uma série de fatores faz alguém querer estar dentro de sala de aula para exercer o poder de seu ego sob os estudantes.

A menção honrosa "ninguém né quis no meu departamento, fui jogado em outro como bucha de canhão" está virando frequente no Departamento de Ciências da Informação, já que os docentes de outras áreas costumam não entender bem o que a gente faz ali dentro. Tudo bem aplicar teorias de administração, marketing, empreendedorismo ou até de estatística, eu sei que isso vai nos servir pra alguma coisa no futuro, mas assim como tudo no mundo, há um limite.

Por exemplo: eu não sei da onde um engenheiro de produção pode conceber a conexão entre o fazer bibliotecário e a gestão de um motel. A não ser que no estabelecimento citado haja um sex shop. Ou uma biblioteca de literatura erótica. Mas aí você vai para o x da questão e pergunta mesmo: Por que raios um motel teria uma biblioteca?!

Ops! Mais importante! WTF GESTÃO DE MOTEL NA GRADUAÇÃO?!

É disso que estou falando. Ou gritando. Ou dependendo do caso, enviando emails a torto e a direito tentando compreender o porquê de eu ser obrigada a aturar um velhote tarado durante 72 horas no semestre para simplesmente chegar ao final da etapa e concluir que foram 72 horas perdidas e infrutíferas. Por que tenho que silenciar ao ver que o papel de professor dele não está sendo cumprido conforme as leis táticas do ensino.

O meu Ego tá pulsando, o ID já montou diversos cenários de desejos reprimidos contendo homicídio culposo com cortes de folhas de livros amarelados e tortura psicológica, mas hey! O Superego é que tá se debatendo aqui dentro, ao ver o ESTRAGO que o camarada está ocasionando no nosso curso AND para as pessoas que são obrigadas a serem lecionadas por ele.

Porque ao se portar dessa maneira - leviana, sem ética e claramente sem compromisso profissional algum - dá na cara que o caboclo tá maluco. Ou com algum problema. Ou simplesmente não dá a mínima, talvez seja esse conjunto de coisas que o faça entrar na categoria de pessoa fora da Razão - o que pode muito bem ser algum tipo de perturbação mental vinda do sujeito.
(Mas se a Psicologia o expulsou, agora acho que nem a terapia adianta mais)

Não é possível ter 25 anos "de casa" e planejar uma aula como se fosse ao toilet. Não me cabe nessa minha cabeça diminuta que alguém com um domínio legal da matéria que está dando prefere agir como um babaca com todos e dar a impressão que o curso é um saco para os calouros. Para mim é inconcebível ficar quieta enquanto há pessoas minando mais de 40 anos de curso e 50 anos de profissão. Não dá para ficar calada quando uma coisa dessas acontece.

Então para isso que serve as entidades de representatividade da categoria! Para isso servem os instrumentos de medição de ensino na rede pública de ensino! Para isso que serve a powha da Ouvidoria e escrever um email enorme informando o constrangimento dos colegas de turma, as incoerências na conduta, a falta de didática, a molecagem. Porque isso para mim é molecagem, não é caveira não!
Tirando os capitão nascimento da vida, a revolta sobe pelo sangue e vai para a zona de raciocínio operante. Não tem como não querer enforcar o sujeito.

Até então o camarada deu uma respostinha meia boca, vaga pra baraleo para dizer que pegou sua máquina do tempo para nos falar que ninguém ficaria de recuperação no dia 1º de julho. E que dia 09/12/2015, amanhã as notas de todos estariam disponíveis em uma folha afixada na sala onde estudamos. MESMO APÓS termos discutido isso na sala de aula que NÃO QUERÍAMOS nossas notas divulgadas assim, mas sim da maneira mais transparente possível - usando o Fórum fechado da disciplina, por email, o que fosse.
(Yep, a insanidade tá rolando solta nas jogadas de dado no departamento)

Só sei que eu não sou obrigada.
Mesmo.

[EDITANDO APÓS 1 ANO] - adivinhem? O cara além de continuar dando aula pra gente, vai voltar pro Serviço Social. Parabéns! Ouvidoria não adiantou de nada, pois... bem... eles querem número né? Então é preciso ter um número maior de estudantes traumatizados e prejudicados pedagogicamente para a Universidade fazer alguma coisa.
Eu fico intensamente mais feliz por saber que as pessoas que estão lendo essa postagem é por conta da postagem longa e editada por motivos assim, ~ahem censurados~ então, povo. Não adiantou muita coisa, abriu os olhos de muitos, mas na prática? Nope, ele continua dando aula.