Pesquisando

sexta-feira, 11 de março de 2016

bibliotequices - descartes (não é o filósofo iluminista)

Oi, eu sou Ranganathan e gostaria de 5 minutinhos para falar das minhas 5 leis...

This guy de óclinhos e todo roxo nesse desenho básico de uma das fotos deles tirada nos anos 50 é o Patrono da Biblioteconomia (O da Letras é David Bowie e isso ninguém me tira).

Ele fez muita coisa bacana durante sua vida bibliotequista lá na Índia, escrevendo livros sobre procedimentos técnicos, classificação, organização e um tiquinho sobre a ética e código de conduta des bibliotecárixs. Ranganathan NÃO ERA engenheiro, mas era matemático, o véinho foi na raça estudar Biblioteconomia na College University e desbravou muitas descobertas e teorias até o seu tempinho na estante da Vida acabar.
(Porque assim como os livros nossos, tudo ao nosso redor tem prazo de validade.)

Uma das coisas bacanas do Ranganathan é de ter criado 5 princípios norteadores para o curso de Biblioteconomia, seus aprendizes, para a área e para aqueles que estão chegando sem saber o que raios fazer. Essas 5 Leis (descritas aí em cima e repetidas aleatoriamente nesse blog para motivos de mensagem subliminar devidamente programada) literalmente cobrem QUALQUER situação em que podemos nos encontrar nesse caminho.

É óbvio que algumas áreas que interagem com a gente não sabem dessas regrinhas - olááááá pessoas da T.I.? A nº 4 é feita especialmente para vocês com seus softwares meia-boca de gestão de centros de informação... - e aos poucos a nossa categoria também esquece de algumas coisinhas, tipo a regra nº 5: a biblioteca é um organismo em crescimento.

Sendo um organismo, é de se presumir que esteja vivo, instável, dinâmico, em pleno movimento mesmo que a 2ª Lei do Newton seja bem leeeeenta. Mas aí vocês pensam: OMFG LIVROS ESTÃO VIVOS?! - e eu digo: urrum, eles estão. As bibliotecas estão em constante movimento, e não são lugares estanques. O trem não é um lugar, entende, é tipo um espaço-tempo (Vai estudar Física poxa! Altas coisa bacana pra pirar o cabeção). E se um espaço-tempo precisa de eterna constância devido as leis do Universo, é óbvio que se você deixa uma biblioteca estática, ela vira museu. Ou depósito de livros. Só o movimento constante de fazer empréstimo, devoluções, consultas nas estantes já é motivo suficiente para dizer que a biblioteca é dinâmica, tem vida e constantemente está em crescimento.

E aí vamos lá falar de descartes.
(A ação de descartar coisas, não o filósofo do "Penso, logo existo.")

Enquanto tem gente sapateando com sapatinhos de estalinho sobre descarte - ai meldeozo não pode fazer que é pecado! - já dou logo a ideia de que se não vai ser vir pra unidade de informação, serve pra gente maluca fazer uns trem bem legal. Sempre tem. Ou vender pro reciclável e ganhar uma graninha pra comprar acervo novo pras bibliotecas que não tem recursos financeiros próprios - como as escolares e as comunitárias.
Vai sem dó e piedade! A lei do MEC bunitosa ESQUECE que tem lugar aí por Brasil afora que está com uma biblioteca minúscula abarrotada de livros velhos, que professor algum tem paciência de olhar se é bom ou não, aluno nem quer saber e bibliotecário? Hello? Desde quando temos bibliotecários suficientes nessa equação?!

Pense em um livro como uma árvore mastigada, cuspida e prensada para servir de suporte para seja lá o que você escrever. Mesmo sendo uma árvore morta, o livro ainda possui qualidades da árvore de onde foi cortada. As páginas tem fibras entrelaçadas, essas fibras vão se quebrando, emaranhando desordenadamente, queimadas pelo sol, molhadas pela chuva, vento, ar condicionado, tempo, manuseadas de forma agressiva pelos usuários, pelas máquinas, pelos carimbos e cola branca e tudo mais. Isso vai desgastando o bichinho até ele ficar quebradiço ou rasgar ao meio. Ou pior! Ser vítima de hospedeiros muito muito chatos!

Traças, piolhos de livro, baratas, roedores, são alguns exemplos de coisas que não podemos tolerar dentro de nossas bibliotecas. Sem falar nos lindos seres invisíveis como ácaros, micróbios, bactérias, micro-organismos e tudo mais que se alojam nos belos encadernados empoeirados. Urrum, estou falando sim daquelas enciclopédias antigas que ficam fazendo peso e volume em uma biblioteca que já possui outros recursos atualizados para pesquisa e consulta (internet, edições atualizadas, livros didáticos, acervo especializado, etc). Sim é aquela maldita prateleira ali de obras de referência que está em destaque, mas NINGUÉM toca porque é onde estão os livros MAIS caros do acervo.

Méh.

Foi-se o tempo de enciclopédias, okay? Foi-se. Aqueles trambolhos de mais de 20 volumes eram considerados símbolos de status e pouca informação continham para quem realmente precisava fazer uma pesquisa apurada. Eu dou mais respeito para atlas desatualizados do que enciclopédias. No atlas pelo menos eu posso fazer a comparação antes e depois, na enciclopédia? Posso abrir uma de 1987 e outra de 2007 e ver o mesmo conteúdo lá, apenas mudando algumas palavras ou verbetes.
(Sim, eu fiz isso para uma disciplina no semestre passado e fiquei chocada ao ver que a tão linda e notória Barsa mantinha as MESMAS informações sobre verbetes históricos, só acrescentando mais acontecimentos quando era necessário)

Isso não me parece uma gestão democrática da informação.

As 2 grandes empresas de enciclopédia aqui no Brasil são donas de conglomerados que cuidam de dicionários, compêndios, portais online e editoras de livros didáticos. Quem garante que as informações e não estejam viciadas em um ponto-de-vista unilateral e arbitrário? Já encontrei em um dicionário de 1983 do MEC (olha só a importância) em que a definição da palavra "ÉTICA" tinha em um dos seus verbetes a explicação: "ser patriota." - pode?!

O que fazer com esses trambolhos então? Já havia falado sobre o assunto das enciclopédias - e as dores no coração de dó de certo apresentador/comentarista de programa globístico ao meio dia - e como podemos fazer o melhor para as bibliotecas.

UPCYCLE - ou reciclagem para cima (???) de livros \o/
É minha obsessão favorita desde então.

Para quem tem as manhas nas artes de destruir coisas e transformar em coisas aproveitáveis (Acho que todo poeta deve ter isso com relacionamentos), livros são lindos para se fazer peças intrigantes de apreciação eterna. Se você tem um fraco por livros e tudo relacionado a isso, melhor ainda, porque aí pode catar aqueles que tão acabadinhos e fazer Arte neles de um jeito só seu.

Sem medos de ser feliz, porque quem é falido e universitário precisa de ideias tanto para casa quanto para o local onde vai passar boa parte do tempo na universidade - no meu caso o Centro Acadêmico em que estou inserida.

Algumas ideias para o upcycle em casa:

Cabeceira de cama de casal - fonte Dishfunctional Designs
Esse aí tou pensando em pegar uns dicionários Michaelis que tenho em casa e não uso faz tempo. Aí alguém diz: "Ai Bruna, doa pra quem precisa." - olha bunite, se eu soubesse quem precisaria de 4 volumes de quase 400 páginas cada um de um dicionário de inglês de 1988, eu já teria ofertado. Acho mais sacanagem ainda doar algo que está deveras desatualizado não só no idioma dos yankees, mas como pode causar confusão linguística para quem precisar. Então, nope.

Ah! Para sua informação (proteja seu traseirinho): dicionário também entram no balaio das enciclopédias. Tá pensando que a Lingua Portuesa é estanque?! Aaaaaah mizifio, vai falar isso pra um Linguísta pra ver a reação do caboclo...

Cama de livros!!!! - fonte Pesquisa do Tumblr para Upcycling Books
Para casa, ainda estou pesquisando formas de se conservar os tomos para que não possam pegar bichinhos ou coisas do tipo. Li em alguns lugares que é ideal passar uma camada de cola impermeável ou algo para conservação de móveis rústicos/demolição. Edito essa parte aqui quando descobrir o material certinho.

Agora o que interessa: o que fazer no local de trabalho? Ou como aproveitar aquelas coisas horrendas que sobram a cada final de ano por falta de vergonha na cara do MEC em regulamentarizar logo uma Lei clara, específica e favorável a NÃO ACÚMULO de livros didáticos em bibliotecas pela simples razão que - NÃO SOMOS DEPÓSITOS DE LIVROS!!

Vamos lá:
Mesa para leitura - fonte: Artists Helping Children
Outra ideia ótima para os mais odiados na minha lista de coisas a se odiar nessa vida (São, poucas, mas válidas.) - livros didáticos caem como uma luva aqui. Só dar uma lixada nas bordas e tchanan! Para quem não tiver mobiliário suficiente para os pequenos em biblioteca escolar, essa é uma alternativa barata (???) para poder suprir a demanda. Aqueles Vade Mecum com atualizações a cada ano em biblioteca especializada jurídica? Então...

Plantário/vaso/hortinha - fonte: Blog KRRB
Eis um exemplo de upcycle que JAMAIS tinha passado pelas minha cabeçona. Reduz espaço com vasos de cerâmica, perigos de acidentes com crianças ou animais domésticos e hey! Fica tão hipster que dá pra tirar foto e publicar no Tumblr.

Balcão de biblioteca - fonte: Twisted Sifter - bônus para isso aqui!

Desculpem-me os administradores que algum dia serão meus superiores nas bibliotecas da vida, mas no meu contrato de trabalho vou pedir para incluir essa cláusula sobre um balcão desse jeito. Claro que o trem vai pesar pra caramba e a logística é tensa para mover, mas seria minha única exigência de cara. #SorryNotSoSorry

Claro que tem uns camarada que levam o upcycling para outro nível de garbo e elegância, tiro meu chapéu para quem tem as manhas de fazer esculturas em livros como esses abaixo:

Navio esculpido em livro - fonte: Jodi Harvey-Brown

Holy sheep-balls que para fazer isso tem que ter muita paciência e tentativas, mas o que mais me admira é quando tem uns maluco metido a doido que fazem os mínimos detalhes dentro do miolo como esse aí embaixo:

Brian Dettmer em The Golden Scope
Esse cara em especial é que me chama mais atenção, Brian Dettmer é nova-iorquino e procura fazer esculturas não apenas pelo prazer da Arte, mas também de dar "vida" novamente a livros que não são mais usados - dicionários, enciclopédias, compêncios, etc... - a galeria de esculturas dele pode ser visualizada aqui [x].

Há mais exemplos para upcycling abaixo:

Organizador de mesa por All Women Stalk

Banqueta feita de revistas em The Art of Up-cycling

Mesa de centro em Creative Spotting
Para bibliotecas, árvore de Natal com aqueles que tão na fila de espera para doação/descarte:

Árvore de Natal em Canvas Factory

Recado dado para descartes. Nóix semo probri, mas semu limpinhu ^______~
(E criativxs, beleza?)
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