Pesquisando

domingo, 6 de novembro de 2016

[bibliotequices] mobilização estudantil - sentido literal

Existe uma lei bem legal da Física que diz quando uma corpo se mantém em inércia ou em movimento retilíneo uniforme, ele permanecerá ad infinitum desse jeito. Óbvio que isso acontece no vácuo, se desconsidera a gravidade, as forças de atrito, as outras leis do tio Newton, a de Murphy, aí sim forévis parado ou no movimento. 

Então quando os estudantes não fazem nenhum movimento na inércia em que se encontram, nada andam, porque Newton, né? Não é tão difícil de decifrar o que tá acontecendo no campus, na cidade, no estado, no país. 

Mais cortes e medidas drásticas do golpinho temerístico e a inércia tá aí. 
Primeira Lei de Newton seguida com fervor! 

Ato falho meu, porque... engenharia \o/

Aí cortam subsídios de permanência pros estudantes, prejudicam a progressão de carreira dos TAEs (Técnicos Administrativos em Educação), dão ultimato pros professores que pra aposentar só quando eles estiverem com pé na cova. Concurso público? Esquece, governo não vai gastar com isso mais. Chama terceirizado que a coleira é mais curta e dá pra manipular a cordinha com mais facilidade. Congelamento de gastos com um teto tão absurdo de baixo que o jeito vai ser alocar recursos de um lado pro outro. 

Então, você, coleguxe fofuxe que acha que não vai ser atingido porque o curso de Biblioteconomia é imune as mudanças da sociedade, péssima notícia: um técnico ou alguém com notório saber vai tomar o seu lugar. 

E vai ser mais cruel, porque quando você estiver na metade do curso e tiver uma crise existencial individual do porquê raios tá fucking fazendo ali, servindo de panaca e cobaia pra um corpo universitário estagnado, a pergunta primordial será!? 

Vão me empregar com esse preparo que tive? 
Sou suficiente para o mercado de trabalho lá fora? 
Tenho certeza absoluta de minhas habilidades para levar minha carreira adiante? 
Como assim vou aposentar com 75 anos e sem direito a nada?! 

E aí tá todo mundo na inércia. 

No caso, a inércia fez esse lolcat continuar
 a girar, girar, girar, girar e girar

Pelo menos é lindo ver isso na Biblioteconomia da UFSC, onde há uma contrariedade de forças que sequer deveria existir em primeiro lugar. Um Departamento que não assegura os próprios interesses acima dos demais nem deveria estar constituído. 
(Sim, não é papo de coxinha reaça não, a lógica nas Federais é unir uma panelinha, defender o próprio curso/Departamento com os dentes e que se ferrem os estudantes. Eles conseguem direitos pra gente de acordo com o que as lideranças desses lugares acham mais vantajosas) 

E os estudantes? Inércia. 
E Happy Hour. Porque tem que ter.
Pão e circo e "me passa de semestre". 

Quando se abre um espaço em conjunto para discussão, problematização, questionamento e solução, por que há uma apatia quase mórbida dos estudantes e da classe? 

Mais de 40 anos de Biblioteconomia e o que se pode recolher de depoimentos? Somos neutros, apolíticos, insira outros adjetivos aqui. 

Por que não falar das ocupações nas escolas secundaristas? Da depredação do nosso ensino, extensão e produção científica? Do fato que a possibilidade dessas medidas drásticas do governo interino temerário pode acarretar mais dano a vida futura de um bibliotecariozinho de m**** como eu e você? Porque devíamos agradecer a Deus, a Propriedade e a Família que estamos cursando uma faculdade federal e não pagamos mensalidade,certo?

Será que a inércia nos leva a essa cegueira? E nem é da Razão, porque a bendita da hýbris conheço bem e ela até que nessas horas ajudaria mais que essa cegueira social do curso. 

Mas vamos aos feelings, porque parte de mim quer ver o mundo pegando fogo enquanto rio até dizer chega ou de dar uma de Didi Mocó e fazer isso aqui embaixo:



Inércia. 
É isso que tenho visto na Biblioteconomia desde que entrei há 3 anos e no Movimento Estudantil que está tentando caminhar para conscientizar esse povo do curso. 

Apatia. 
Porque abrir diálogo e questionar o mundo a volta é muito muito penoso, difícil e incrivelmente horroroso. 

Neutro. 
Porque de acordo com nosso Código de Ética do Bibliotecário (E lembrando mais uma vez, gente, essa legislação NÃO É aplicada em estudantes de graduação em Biblioteconomia, logo não somos obrigados a seguir determinações que não viabilizam a nossa realidade estudantil) bibliotecário tem a obrigação de ser neutro, íntegro e proteger a profissão de qualquer mácula, calúnia ou parecido. 

Frouxo. 
Porque lugar de estudante é calado e ouvindo professor enviar conteúdo goela abaixo e não questionar. 

Desinformado. 
Porque nunca sabemos quem somos, como somos e porque somos. Apenas estamos. E estamos por aí, vagando por ambientes lotados da academia, sem estrutura alguma, aceitando qualquer migalha de informação dada, mesmo as tendenciosas, as manipuladoras. 

Somos um curso inseridos na Ciência da Informação e não pesquisamos. Não buscamos as fontes, não nos colocamos como protagonistas. 

O que vi acontecer essa semana no centro onde me encontro foi o prego para fincar no caixão que se encontra nossa atuação estudantil dentro da Biblioteconomia: a Pedagogia e Educação do Campo pararam e ocuparam o espaço, estruturados de maneira coletiva, decisões acatadas no coletivo, opiniões discutidas no coletivo. E o incrível curso nosso? 

Não pode falar. 
Não tinha o que dizer. 
Não sabia como se posicionar. 

Por quê? Você pergunta, eu respondo: nos atrasamos demais em não opinar, em não ter pensamento crítico, em não nos posicionarmos como protagonistas de nosso presente e futuro. 

O que senti ao levantar da Assembleia da Pedagogia e olhar para um hall lotado de pessoas preocupadas com seu futuro e o bem estar da sociedade com o mínimo de respeito foi uma certa euforia. De ser parte desse momento histórico, mas não poder participar ativamente na linha de frente. 

Por quê? Porque não é meu papel ou de ninguém decidir o que a Biblioteconomia UFSC se pronunciar com a ocupação e manifestação de insatisfação de 2 cursos que historicamente estão mais engajados na luta por um Brasil melhor do que um bando de ovelhas indo para o matadouro como nós. 
Exceto esse cara, esse cara é uma figurinha carimbada do curso e teve a ideia genial de usar uma ferramenta institucional para se expressar contra seja lá quem e o que seja. Um lado meu diz que ele estará expulso do curso até próximo mês, mas o outro lado que louva o Caos, well done, dude! Well fucking done! Eu jamais teria coragem de pensar numa tr0llagem dessas por falta de coragem, de parafusos a menos, de medo da retaliação, das ameaças e do meu psicológico ir pro brejo, mas você? Você merece um abraço pela ideia genial! Mas não abraço tua causa, ok? 

O que estamos fazendo então para reverter? Dialogando, chamando, instigando o pensamento crítico dos estudantes, a favor da paralisação e ocupação ou não. Os que se abstém da discussão também. Respeitamos todos, porque não me parece bacana obrigar ninguém a qualquer coisa. Chamamos os colegas para a roda de conversa sobre tudo isso que já deveríamos ter começado a falar desde agosto e o governo ilegitimo. Antes mesmo quando oscilações escandalosas faziam com que nossos direitos lá no final de 2014 fossem rechaçados. 

Se é para estar juntos #TamosJuntos. Se é para conscientizar o povo da Biblio com o mínimo que temos, iremos. Se for para aguentar paulada de Choque de Retorno vinda de argumentação legislativa de instâncias que NÃO QUEREM que pensamos ou expressamos o que nos aflige, eu aguento. 

Se for para ser taxada de "desocupada" por liderança que não oferece um ambiente de diálogo saudável ou de segurança para os estudantes por seu perfil explosivo e amedrontador, se for para ter exposto por colega de área mostrando meu perfil no Facebook com minhas opiniões ou até mesmo esse blog para uma classe de 1ª fase, que seja. Se for pra usar sarcasmo e vestir uma máscara como eles mesmos nos ensinam com essas táticas. Adivinha? Eu aprendo rápido. 

Se entrei nesse curso pra descobrir meu Amor pela Vida e o Conhecimento, então é nesse movimento retilíneo uniforme que vou me manter. Se vão me barrar por isso, ótimo. Não tenho nada a perder, o curso terá com a omissão e apatia visível em seu corpo estrutural. Mais de 43 anos de curso estagnado, mais 20 de congelamento de qualquer forma de crescer e fazer acontecer. 

Parabéns pra você que não concorda com o que escrevi aqui sobre nosso curso de Biblioteconomia e o que ser bibliotecário representa na sociedade. Você está no caminho certo, está questionando, está se colocando como protagonista de NOSSA história nessa universidade. 

Ps: quem quiser conversar na boa comigo sobre tudo o que está acontecendo, compartilhar ideias, construir soluções juntos, tou mais que disponível. Mas já avisando: 2 testemunhas, papel assinado com celular gravando e uma dose de ceticismo com o café amargo. Essas foram as ferramentas que vocês me mostraram durante 3 anos de convívio, e pelo jeito não há problema algum em usar.