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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

[conto] erros de comunicação NSFW

Título: erros de comunicação (por BRMorgado)
Cenário: Original - Nova Orleans.
Classificação: 18 anos. (Cenas insinuantes, menções de BDSM).
Tamanho: 2.783 palavras
Status: Completa.
Resumo: um quarto no bairro francês, uma discussão de relacionamento no quarto ao lado, um teste com mobiliário novo.
Disclaimer: É possível ou não fazer parte desse outro conto aqui. Conteúdo abaixo do link NÃO É apropriado para menores de 18 conforme as tabelinhas de classificação indicativa de filmes/seriados/livros e tudo mais. Então se não gosta dos temas acima, esqueça, vá ler outra coisa, pule de postagem. Não me culpe de corromper vossa mente ou que fui uma má influência.

Trilha sonora: "Ne me quitte pas" interpretada por Aurora Nealand & the Royal Roses



As usual: NSFW, quase, assim não tanto. Mas tá avisado.

A discussão era preenchida pelo som abafado do jazz rolando nas ruas ali embaixo. Nova Orleans era assim, não importava a hora que fosse, sempre havia música tocando em algum lugar. Nesse caso, perto da janela onde estavam, avenida principal no bairro francês, de casas tão antigas quanto a cidade crescente, a Big Easy, e de histórias bem escabrosas para se contar em uma noite só.

O som do clarinete, trompete, trombone e percussão destoava um pouco do ambiente. Mesmo com a melodia invadindo o espaço do quarto enorme e de coloração quente e avermelhada, havia uma discussão na parede oposta a cama era alta.

" - Você sempre com essa desculpinha esfarrapada!!"

" - Não precisa gritar comigo! Não tenho nenhuma obrigação contigo!!"
" - Se você tivesse culhões não estaria..."


A mais nova bufou impaciente e desistiu de apertar as tiras de couro que estavam penduradas em uma armação de metal bem fixada na cama pesada de madeira sólida.
 - Não tem como... continuar com essa... Gritaria... Afffff!!
 - Tudo bem pra mim... - comentou a pessoa mais velha verificando os pulsos presos nas tiras de couro.
 - Não pra mim. - respondeu a mais nova com um olhar indignado, bufou novamente e inspecionou o seu trabalho pela metade.

" - Se as coisas vão ser desse jeito, é melhor você..."

A pessoa mais velha cerrou a sobrancelha em confusão por não entender o restante das palavras tão altas soando pelos corredores.
 - Essa é a 4ª ou a 5ª DRs deles...? - perguntou a mais velha ainda de ouvidos atentos na discussão, a mais nova deu de ombros, tirou um fio solto de sua blusa de yoga já desgastada pelo tempo e girou os olhos em puro tédio.
 - Tou cansada desse povinho medíocre...
 - Oh, falou a dona da razão... - debochou a mais velha se ajeitando como dava de joelhos na cama, braços acima da cabeça, punhos amarrados pelas tiras de couro na estrutura metálica. Já estava há 10 minutos nessa posição.
 - Quer começar uma DR aqui agora? - a mais nova ameaçou com a paciência já esgotada, a pessoa mais velha riu-se em deboche.
 - Não, não, só de ouvir eles, já me dá vontade de dormir...

" - Mas você prometeu as sextas comigo!!"
" - E-eu não p-posso mais me c-comprometer...!!"

As duas pessoas se olharam em estranhamento. O tom da conversa estava ficando um pouco além do estabelecido que aquele local ofertava. Uma palavra foi ouvida com mais ênfase e a cara da mais nova se contorceu em horror. A mais velha sufocou o riso, os ombros já adormeciam com a falta de estímulo, pigarreou e mexeu bem com o pescoço para livrar a sensação de desconforto pela posição.
 - Como podem...? Eles podem...? - perguntou a mais velha com um certo estranhamento na voz.  - Achei que as regras eram bem acertadas.
 - Algumas garotas não sabem estabelecer os limites. - explicou a mais nova voltando a ter o ar superior e voltando a aprontar as tiras e regular a altura da corrente da estrutura metálica com a altura da pessoa mais velha ajoelhada. - Confortável?
 - Nunca. Você sabe, minhas costas... - respondeu de imediato, foi a vez da mais nova dar um sorriso debochado. A discussão do outro lado da parede agora escalava aos gritos e palavras ferinas de uma briga de casal.
 - Ora, ora, uma velha coroca... - respondeu a mais nova, recebeu um olhar sério da pessoa mais velha, sabia que o combinado era não esse, tratar a pessoa com quem tinha as quartas-feiras à noite por gêneros binários era uma das proibições estabelecidas, naquela cidade sulista era o único local que conseguia ter uma liberdade de ter esse tratamento neutro - É que tem gentinha que não sabe seu lugar... - murmurou ao se aproximar mais do corpo da pessoa mais velha e verificar a tensão nos ombros e o ângulo dos braços para o alto.
 - Cê acha que eles estão tipo... fazendo uma cena...? - perguntou a mais velha, a seriedade do deslize gramatical indo embora e respiração entrecortada pela aproximação. Isso sempre acontecia mesmo nas "horas de teste" e a mais nova adorava saber o poder que tinha sobre a situação.
 - A Mistress histérica está caidinha pelo coroa. Admitiu isso ontem pra Madame.
 - Oh isso é... bem complicado. - um certo clima desconfortável pesou entre as duas - E o que acontece se...?
 - É proibido. Negócios são negócios, prazer é prazer, vida particular é lá fora.
 - Sim Senhora... - a mais nova acatou a expressão sem notar no olhar carinhoso da pessoa mais velha, saiu da cama e deu uma olhada geral em tudo ali.
Realmente a estrutura metálica recém adquirida e adaptada para a cama era resistente. Não queria ter problemas com os clientes homens, com a possibilidade da segurança ser ameaçada por um problema na logística.

Óbvio que teve que chamar a sua pessoa mais velha para cuidar dessa parte chata, inclusive testar o novo mobiliário para ter certeza que poderia incluir em seu pacote extra de dominação/submissão.
Observando bem cada detalhe de seu trabalho, desde a colocação do encaixe das correntes, a escolha das tiras de couro (com costuras extras para marcarem melhor a pele sensível dos pulsos), a disposição da cama para ficar bem no centro de tudo, a visão que sempre a encantava como Senhora daquele quarto. Tinha a capacidade de fazer alguém de 1,98m, ali, a sua disposição, em completa submissão. Amava muito o seu trabalho, mas só percebia mesmo o quanto isso a deixava eufórica quando dividia esses momentos raros de "preparação" com uma das suas pessoas favoritas.

Suspirou de seu feito, de sua posição de poder, sua ilusão amarga de achar que a discussão lá do outro lado da parede não a atingia. 

- Está perfeito... Mas não ainda satisfeita... Está fazendo um bom trabalho, docinho. - Gesticulou em direção do seu objeto favorito de afeição, com poucas palavras de apreciação e agradecimento conseguia o que queria em poucos segundos. Podia sentir o excitamento da pessoa mais velha dali onde estava. Uma mistura de promessas para o uso da instalação no dia marcado da semana e a curiosidade entusiasmada de alguém que amava as coisas mecânicas mais do que tudo. - Se mexa. Bem forte. Quero ver se isso aguenta. - mandou, dando a volta e indo para perto da cama.

 - Avisando que se isso cair, quem vai pagar a conta do Hospital é você... - riu a mais velha, forçou primeiro as tiras de couro, girando os pulsos e dando alguns puxões para baixo.
 - Você é do Hospital, você que pague a conta. - a mais velha abriu a boca para protestar animadamente.
 - Cê sabe que tou fazendo um favor pra ti né? Poderia ser mais delicadinha... - provocou a mais velha dando um puxão brusco, a estrutura metálica não saiu do lugar, as correntes fizeram um barulho que desligou o momento com a música jazz alta lá fora, os gritos do quarto vizinho. 

A Senhora do quarto Rouge perdia a noção do tempo quando ouvia o delicioso som de correntes metálicas arrastando, o couro sendo forçado aos poucos. O arfar do esforço, a tensão de músculos que subia dos tendões do pescoço para os longos braços de sua pessoa favorita nas quartas.

Em um impulso, pulou na cama e grudou na pessoa mais velha, puxando seus ombros para baixo, a fazendo se ajoelhar mais, a tensão nos braços aumentando e provocando um grunhido de esforço feito para se manter no lugar. As correntes tilintaram novamente, e nenhum movimento suspeito veio da estrutura acima. Estava tudo seguro e pronto para ser usado. Empurrou novamente o corpo enorme em seu poder para trás, a pessoa mais velha perdeu um pouco do equilíbrio, outro grunhido com um arfar mais alto ao tentar se apoiar nas pernas para conter uma possível queda no colchão duro com a capa especial que fazia um barulho característico de borracha. Poderia deslocar um ombro ou colocar o joelho já maltratado em posição ruim.

 - É, parece que aguenta sim... - respondeu a mais velha entredentes e a respiração entrecortada.  - Queria fazer mais alguns testes de resistência, talvez ver as barras ali em cima... - opinou a mais velha com um olhar crítico para a estrutura metálica e se esquecendo do que realmente estava acontecendo ali. A mais nova mordiscou o lábio inferior e umedeceu-o com a ponta da língua, o tilintar das correntes a fazia sair um pouco da caracterização, dava corda para a dominadora inconsequente e natural de sua índole forte. Mas negócios eram negócios, vida particular era só lá fora. Pelo jeito os dois do quarto ao lado não sabiam mais a diferença entre limites, deveres e contratos. - Cê tem a contato do cara que fez isso né? Porque se der algum problema, tem como... O que foi...? - a mais velha tagarelava por um descuido de sempre: quando se interessava por algo ou alguém, não conseguia calar a boca sobre. 
 - Nada. Gosto de como você fica desse jeito... Sem resmungar que estou pegando pesado, que sou uma senhora bem tolerante... - a mais velha fez uma carinha de adoração fingida.
 - Aaaaaw, a Senhora está sendo fofuxa de novo. Que coisa linda!
 - Você trata de calar essa boca, senão adianto a punição da quarta por aquela sua indiscrição na festa. - a mais velha riu alto e deu outra puxada brusca nas tiras, nada se moveu. Grunhiu de dor, pois uma pontada desceu de seus ombros para um ponto sensível em suas costas.
 - Eu nem fiz nada demais... - disse em uma voz denunciando o desconforto de estar ali por muito tempo. A mais nova sentiu uma pressão subir de seu peito para a garganta, trancando as palavras que ia falar, já que a discussão lá no quarto ao lado seguia para um embate sentimental de "quem devia mais para quem".
 - Do jeito que você é, nem vou poder estrear a cama contigo, né?
 - Foi mal aí, mas esse é o meu limite. Assinamos um termo com isso, não? Sem restrição de movimentos na posição vertical? Quer que eu ligue pro meu médico? - a cara de desdém da mais nova fez a mais velha sorrir amarelo.
 - Tá sentindo o quê? - ela perguntou endireitando a posição da mais velha e indo desamarrar as tiras devagar para não perder o momento de proximidade fora do schedule de trabalho.
 - Problema nem é a coluna não, é bem ali no estômago, repuxa os pontos, sabe?
 - Urrum... - a mais nova concordou olhando para baixo no mesmo tempo que a mais velha disse "pontos", ao levantar a cabeça rapidamente para voltar a desamarrar, bateu com o topo de sua cabeça no queixo dela. As duas fizeram um barulho semelhante de dor. - Oh merda! T-te machuquei?! - ela esganiçou, deixando o lado dominador de lado por um momento. Suas mãos foram para o rosto da mais velha, verificando se havia a machucado.
 - Mordi minha língua... - concluiu a pessoa mais velha fechando os olhos em apreciação a dor imprevista.
 - Ótimo, não preciso da sua tagarelice por um tempo... - o sorriso trocado foi breve.
 - E como é que vou usar a minha língua para outras atividades com você?
 - Oh, não tinha pensado nisso... - a discussão lá fora chegava ao ápice com o barulho ocasional de coisas sendo jogadas e gritos de "VAI EMBORA DAQUI!!" da vizinha de quarto e colega de trabalho na Casa. - Mas ouvi dizer que saliva ajuda na cicatrização...
 - Troca de salivas, por exemplo...? - respondeu a mais velha roçando a ponta no nariz na orelha esquerda da mais nova, era o ponto fraco dela e isso não parecia ser uma boa hora para medir forças. A mais nova deixou-se levar pelo carinho, os breves beijos perto do queixo, na testa e a distância nula entre elas predizia muita coisa.
 - V-você precisa voltar agora...?
 - Tenho um corredor pra completar perícia...
 - Deixa isso pra lá, fica.
 - Não vou estrear essa cama contigo. Já tou com dor.
 - Você reclama muito, velha coroca... - provocou a mais nova recebendo um beijo molhado e exigente. - Reclama demais...
 - Reclamo é...? - sussurrou a mais velha subindo o beijo pelo seu rosto e sentindo a respiração da mais nova acelerar, se não estivesse amarrada já estaria tirando aquela blusa de yoga do corpo de sua Senhora.
 - Você já tem uma lista de punições pra quarta, quer começar agora?
" - VOCÊ NÃO ME AMA, NUNCA AMOU!!" - O grito ecoou no corredor e  tirou a concentração das duas, uma das tiras de couro foi desamarrada, o braço da mais velha foi automático para a cintura da mais nova, acariciando devagar os quadris e descendo para o bumbum.
" - VOCÊ É UM IDIOTA POR PENSAR QUE AMO GENTINHA COMO VOCÊ!!"
" - Senhor, peço gentileza que se retire do..." - uma terceira voz foi ouvida.
" - ESSA VADIA ME DEVE MUITA COISA!! LARGUEI MINHA FAMÍLIA POR..."

O palavrão alertou as duas a se separarem um pouco, ambas olhando para a porta do quarto e desejando todas as pragas contra o cliente não-satisfeito.
 - Ahn... Senhora... quer dizer, bem ahn... tem como me desamarrar? T-tá ficando tarde e...
 - Oh sim, sim! - respondeu a mais nova rapidamente indo para o braço esquerdo ainda para o alto, o direito acariciava agonizantemente seu corpo, as pernas perdendo o equilíbrio, a impressão conhecida de estar tão molhada que talvez não fosse cumprir as determinações da Casa com um cliente. - Consigo com mais rapidez se você não ficar me distraindo...
 - Ops, desculpa, não acontecerá novamente... - a mais velha disse redobrando atenção entre as coxas da mais nova, mas falhando no gemido ao sentir como a mais nova reagira até então.
 - Mentira tem perna curta... - acusou ela, tentando se separar do corpo quente e tenso pelo test-drive.
Uma batida forte na porta do quarto acordou as duas do beijo já sendo preparado.
 - Reunião urgente na varanda. - disse a voz poderosa e única da Madame. - AGORA!!
 - Então...
 - Então... a cama aguenta... - concluiu a mais velha descendo o braço e fazendo movimentos com os ombros para o sangue voltar a circular direito nos músculos.
 - S-sim, aguenta... - concordou a mais nova, se afastando de vez e esperando a mais velha sair da cama, amarrando os cadarços do tênis furado pelo uso, e ajeitando a camiseta social.
 - Viu como engenharia de submarinos adianta pra alguma coisa?
 - Você sequer seguiu essa carreira! Para de se gabar! - provocou ela jogando a jaqueta jeans que a mais velha usava em seu rosto. - Vamos, tenho que ir ver o que aconteceu.
 - Acho que foi bem óbvio o que ocorreu aqui... - a mais velha levantou-se e sem querer a mais nova olhou para cima para poder alcançar as lentes dos óculos que a mais velha usava, aros de tartaruga. - Me dá notícias até quarta? Com a trapalhada toda da Central, não sei se quarta...
 - Falo sim. - a mais nova não deixou ela terminar. Abriu a porta do quarto de cor vermelha e esperou ela sair. A Mistress colega de trabalho soluçava no corredor, sendo escoltada por outras garotas que se identificavam com a prática sadomasoquista da Casa. A mais velha passou pela porta, virou-se rapidinho para falar algo, mas foi interrompida novamente: - Não deixa a gente chegar a esse ponto, ok? - desabafou sem pensar.
 - N-não Senhora... Fica tranquila, não irei passar esses limites...
 - Okay...
 - Beleza então.
 - Me liga quando chegar no IML...? - pediu a mais nova sem pensar novamente, esse hábito de querer saber se estava tudo bem se intensificara quando a mais velha pedira que ligasse mais vezes para conversar das vivências naquela cidadezinha tão provinciana.
 - Beleza... Tenha um bom dia. - ajeitou a jaqueta nas costas e desceu as escadas. A Senhora foi até a janela, verificar se a outra havia saído e notou que o grupo que tocava o jazz antigo ali embaixo já desfazia os instrumentos e guardavam seus pertences. Viu a mais velha cumprimentar cada músico, falar um pouco mais com a da clarineta, rir alto e sair andando pela rua principal.

Bateu a cabeça levemente no batente da porta.
Estava perdida, em silêncio e sem poder falar com mais ninguém da sua angústia de ter se apaixonado também. Logo seria ela gritando pelos corredores se não fizesse alguma coisa.

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