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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

[bibliotequices] paranoia de primeiro mundo

Enquanto aqui nas terras tupiniquins estamos lutando bravamente pelo direito de ter bibliotecas escolares em todas as escolas com profissional bibliotecário em seu lugar (Lei federal 12.244 garante isso até 2020) e levantando forças pra manter as Bibliotecas Parque abertas para atender as comunidades mais carentes de nosso país, na terra do tio Sam a preocupação são outras:

1) FBI dando guidelines (Ou manual de instruções) para escolas de ensino fundamental sobre conter potenciais terroristas/extremistas juniores (tem lista de idades dos últimos atiradores em lugares públicos e guess what? Adolescência efervescente!) - podem estar infiltrados nas bibliotecas, lendo alguma literatura considerada subversiva ou de cunho nada feliz (imagino o quê deve estar nessa lista)

2) paranoia imensa da administração Trump tocar um f***-se na sagrada liberdade de expressão e sair catando tudo quanto é dado de usuários da rede de bibliotecas para uso indevido (literalmente uma caça as bruxas) - tão chamando isso de #Trumpageddon, algo como Armageddon do Trump. Medidas drásticas de bibliotecas de renome? Transferir toda a database pra outros países, como o Canadá. Ou apagar os registros, tudinho, pronto, benza Maria.

3) como as corporações e suas doações podem estar (Hahahahahahahahahahahahahahahaha) manipulando bibliotecas e bibliotecários a entrarem em um ciclo vicioso de contenção de informação ao decidirem o que vai pro acervo ou não. (insira mais risadas aqui)

E gente achando que temos que inovar que nem os yankees. Que pensa que estar no mesmo patamar deles vai ser a revolução no cenário da Ciência da Informação, no avanço das bibliotecas e unidades de informação. Gente que segue tão cegamente aos gurus americanos do marketing, gestão e empreendimento pra tentar enfiar a forma na prática brasileira ou latino-americana e servir um bolo pronto recheado de incríveis cenários de modernidade, infraestrutura e consolidação ideológica globalizada. É bem lindo isso.

Eu leio esses trem e a única coisa que me vem na cabeça é: venda descarada de discurso de ódio.
E o modo mais fácil de se conseguir isso é injetando em lugares que já se estabeleceram como referência para a sociedade. Bibliotecas são importantes na Educação dos norte-americanos, isso é um fato desde muito tempo.

O que o terrorismo ideológico causa nos EUA é o que a gente aqui no Brasil tem de menos. Bibliotecas não tem importância, não fazem parte do pilar educativo de nossa nação.

E aí vai a questão: mesmo com recursos, visibilidade, profissionais qualificados, universidades cooperativas, informatização de acervos, cultura do "Informação é para todos!!", será que aqui no Brasil estaríamos nesse caos paranoico como lá fora?

Isso dá pra se repensar bastante no pra que servimos aqui nesse cenário de bibliotecas decadentes, qual nossa função primária na sociedade, pra quem estamos servindo, pra onde queremos ir.

Entre deixar uma biblioteca nos trinques, qualidade de primeiro mundo, pra cair nessa paranoia f***** ou manter nesse ritmo em que estamos, fico com o atraso tecnológico primitivo.

Evoluir, pra mim, tá parecendo custar muito caro na consciência ética de uma nação.