Pesquisando

domingo, 19 de março de 2017

[contos] lacrimosa


Então entre 2000 e 2005 fui formulando uma personagem para RPGs esporádicos de Harry Potter e escrivinhanças pelas interwebs chamada Anna Danwells. Sim, é o meu email pré-adolescente também, obrigade por notar. A "Doida de Pedra" fez parte de um dos meus momentos raros de inspiração completa para a construção de um universo novo dentro de outro. Praticamente dei vida pra criatura literária, desde o nascimento até seu envelhecimento, ela é completinha [x] [x] [x]. E nunca mais mexi nela.

Estava a resgatar emails desde 2005 e acabei parando em um rascunho para ela já crescida e senti essa irresistível vontade de postar aqui. Então se tiver coisa errada, enredo fraco e o escambau, é porque não tinha ainda as manhas, tá? Continuo não tendo, mas melhorei desde aquele tempo (Ou talvez não, sei lá!).


Título: Lacrimosa (por BRMorgan
Cenário: Mundo Mágico Potteriano (J.K. Rowling). Universo Alternativo.
Classificação: 18 anos (violência, PTSD, morte, underage, smut). 
Tamanho: 3.143 palavras
Status: Completa. 
Disclaimer: Os eventos desse fic se passam entre lembranças de 1998 e a dita "realidade" em 2005. Universo Alternativo, Voldemort ganhou, Potter morreu, Dumbledore também, Snape continua vivo e velhaco, McGonagal é diretora de Hogwarts, muita coisa tá trocada!
Personagens: Anna Danwells "Doida de Pedra" Rowan (OOC), Evelyn Avery (OOC), menções de Jennifer Lindstron (OOC), Lorde Voldemort, Narcissa Malfoy, Harry Potter.
Resumo: A mais recente professora de Defesa Contra as Artes das Trevas em Hogwarts conhecida como Rowan "Louca de Pedra" delibera quais são suas metas no mundo sombrio que o Mundo Mágico esconde das pessoas. 

Debaixo do link tem fanfiction velhaca! Sério! De 2005, e caramba, ao revisar esse texto vi como era minha escrita há 12 anos atrás *rindo muito* *rindo mais* - ah! A minha Anna Danwells é essa pessoinha awesome aqui, tá? Qualquer semelhança, não é coincidência.



A vida era um grande teatro. 
Fingir ser alguém um dia, fingir ser outra em outro dia ou no mesmo, enganar as pessoas com seu comportamento obsessivo e excêntrico, amedrontar aqueles que mereciam com sua raiva aparente, rir com os amigos em Hogsmeade, cantarolar sozinha com o vento e avisar aos seus alunos o quanto o mundo era cruel e frio lá fora. 

Tudo isso circulava a mente insana de Anna Danwells Rowan agora, presa em seu mundinho cheio de tijolos de pedra que Hogwarts trazia para ela, tijolos iguais e uniformes, magicamente feitos para trazerem o calor naquele dia de chuva torrencial na Escócia. Uma única vela iluminava seu rosto e seu reflexo na janela do último andar da Torre Central ao lado da de Astrologia, via o movimento dos alunos lá embaixo, pequenos pontos pretos que brincavam com as poças, que escondiam namoricos, que viviam felizes sem se importarem com o que viria... 

E sempre viria alguma coisa...

E viria, pois ele ainda estava vivo em algum lugar esperando voltar de seu casulo. Ele sempre voltava, sempre a incomodava e sempre iriam se confrontar. O mal era extirpado com uma faca de dois gumes, tanto para ela quanto para a comunidade bruxa. Dois eram os da profecia, mas nenhum realizou o que lhe fora predestinado, um vivo, um não. Os dois morreram ao duelarem, duas vidas ligadas por sofrimento e varinhas. Harry Potter e Thomas Riddle III ou Lord Voldemort como ficou conhecido. Um deveria morrer, um deveria sobreviver, era o que a profecia dizia e o afortunado no destino foi a não-vida de seu parente distante, ele vencera - com muito custo e ela sorria disso, pois sabia que o velho não seria páreo para a nova geração - e o garoto que sobreviveu uma vez, sucumbira com um dos piores feitiços inventados pelo o Lorde das Trevas, "Lacrimosa", a gota do veneno mais potente à sua disposição bem na ponta de sua varinha.  . 

Maldito Salazar Slytherin e a inteligência fora do normal...

A chuva aumentava a cada batida de seu coração e saber que o garoto que poderia trazer a esperança de todos de volta estava morto, o mundo não se tornara sombrio ou devastado pelo império de terror prometido por Aquele-que-não-se-devia-nomear, mas sim uma inquietude vigilante a cada ataque contra trouxas, atentados contra os defensores da liberdade e livre expressão, o Ministério se tornara obsoleto e poucos pontos resistiam contra esse regime contraditório de não-ordem e progresso. Lorde Voldemort instalara uma anarquia, não uma tirania - e muitos não sabiam lidar com isso. Danwells tomara sua providência, não só sua, mas a honra de qualquer um que era do sangue de Sonserina. Manter a honra da família, do sangue, do legado custe o que custar. Sanidade, confiança, lealdade, tudo poderia ser trocado por essa dívida de honra do sangue.

"Como era morrer pelas mãos ansiosas do inimigo?" foi a pergunta de Lorde Voldemort ao Potter, o garoto invencível, o predestinado, o excepcional aluno em Defesa Contra as Artes das Trevas de Lupin. O pilar de uma nova era. Lord Voldemort não teve resposta suficiente, pois ao rir deliciado pelo seu mais cobiçado assassínio e trovejar para seus Comensais que ainda estavam vivos ao seu redor naquela noite de 22 de outubro de 1998, Danwells esqueceu que era da família, esquecera que era do mesmo sangue dele, que a mesma mente perversa e astuciosa estava em suas veias, o preconceito e os desgostos, o abandono e a vingança. Não desta vez. 

"Como foi morrer pelas mãos ansiosas do inimigo?", ele perguntou ao seu mais perigoso inimigo e Potter e nem Danwells não responderam, pois a espada cravejada de rubis de Godrico Griffindor atravessara subitamente o peito do ser mutante à sua frente e não fora ela que desferira o golpe, fora o garoto, em seu último suspiro de vida, matara o inimigo.

O resfolegar, o sangue rubro escuro escorrendo de sua boca e fendas nasais de um ser réptil e grotescamente parecido com uma maldita cobra. Odiava cobras. Amava furãozões. Tinha um, até o Lord matá-lo e não era só um furão de estimação, era uma animago, sua Auror favorita caída ali no chão, o rosto lívido, sem vida, sem olhos. O desgraçado os retirara para escarnecer da melhor auror do Ministério. 

O golpe foi rude, a mão que segurava a espada caiu no chão em espasmos e um corpo convulso se preparava para dar seu último susto. Potter se foi, mas a essência ficava, as lembranças e a luz. Mas ela não conseguia ver que luz vinha de um garoto mirrado e morto de 18 anos. Ela tinha 21 anos agora e mal sabia o que fazer naquele instante mortal o que poderia fazer. 

O ser inumano ria guturalmente e um dos seus comparsas (Não lembrava quem, deveria lembrar, sim, lembrar e caçar o desgraçado até os confins do mundo e fazê-lo pagar por aquele momento de sobriedade e lucidez) a pegou pelo colarinho de sua jaqueta, a levantando do chão lamacento, respingos do sangue imundo escorreram em seu nariz e rosto, se enojou e se apiedou com a cena. 

A loucura era algo horrível de se presenciar. 

"Ele morreu? Está morto?" ele perguntou alegre quase num delírio, quem caminhou em direção do menino que sobrevivera uma vez foi a matriarca da família símbolo de sua casa, Narcissa Malfoy verificou o corpo inerte e contorcido do rapaz, assentiu gravemente e trocou olhares entre os Comensais. O Lord das Trevas ganhara a batalha. O corpo de Jennifer Lindstron estava ali, jogado na lama, a encarando sem olhos, testemunhando postumamente a cena decisiva do controle do poder no Mundo Mágico. Tudo que ela construíra desde sua juventude desmoronando aos poucos. Não seria trágico se a única pessoa que se importava com aquele cadáver ali não estivesse erdendo rapidamente a lucidez e o controle do próprio corpo.

O mundo era louco, as pessoas eram marionetes e aquele senhor de idade, se vangloriando por seu feito mínimo de matar um rapaz de 18 anos, era o novo chefão de tudo. Nada mais fazia sentido. Não sabia mais em que acreditar...

O Lorde das Trevas dava seu discurso inaugural com sorriso maléfico e serpentino, a língua bifurcada tremia ao proferir palavras de encorajamento para genocídio e caos. Isso parecia fazer sentido naquele momento.

" - Acredite em você e ninguém mais... O sangue mostra as nossas falhas e nossas metas..." - alguém suspirou em seu ouvido (O bom que funcionava ainda), olhou ao redor e não viu ninguém por perto ou tão perto para falar assim daquele jeito. Sua cabeça estava latejante e os olhos perseguiam quem dissera as palavras sussurradas. Não deixaria mais nenhum detalhe escapar. Ali estava a sua meta, se decompondo no chão, rosto distorcido pela morte torturante. 

Extirpar o mal com uma faca de dois gumes, um deles iria vir em sua direção algum dia.
Tirou a varinha do bolso interno do casaco e aprontou sua mão, as raízes encantadas da sua varinha de figueira sufocante negra cobriram seu punho esquerdo e pressionaram o poder mágico que emergia de seu coração. Em um instante mágico e indissolúvel, ela viu sua vida desde pequena, desde que conhecera a verdade, como fingira que não sabia, como sorria sem precisar sorrir, mentia sem precisar mentir, fingia ser outra pessoa para contentar as outras. A meta era essa, o sangue mostrava sua falha. O poder esverdeado tomou conta do ar e seus cabelos molhados em sua fronte sibilaram por alguns momentos e então estava tudo feito. 

" - Avada Kedrava!!!" - ela gritou em plenos pulmões e disparou o feixe de luz sobre um comensal bruxo pêgo de surpresa pelo golpe. Muitos olhos assustadiços e vidrados aos seus, o momento de silêncio absoluto quando o Lorde das Trevas levantou a mão para cessar os movimentos de revide contra a acompanhante da auror mais odiada do Ministério. O comensal atingido fora Dolohov, fugido de Azkaban anos anteriores e que Lindstron tentara prender diversas vezes, mas sem sucesso.

Para Danwells, observar o momento lentamente se desenrolar era como o abrir de um presente de Natal, vagarosamente sentindo o corpo inerte e frio como pedra, o sangue parar de fluir e aqueles olhos claros perdendo a vida, o poder de trazer a Morte à alguém invadindo seus sentidos e sufocando todas as emoções que poderiam subir à tona agora, o poder de retirar algo que não era seu. O poder.
A sua adorada auror ali perto não tivera a mesma sorte, por um segundo desejou que tivesse matado Lindstron, tivesse sentido isso, esse poder correr seu corpo como uma espécie de batizado macabro: quem mais amara no mundo morrera por suas mãos. Poético, se não trágico. Patético. Amor não mais existia ali, não no cadáver dela sendo cobiçado por um grupo de lobisomens leais a Voldemort. O cadáver perdera a essência e as lembranças ficavam. Traíra seu único e verdadeiro amor. Pela primeira vez matara alguém na sua vida. Poético, insanamente trágico. 

O gesto com a varinha repetiu-se em direção sobre o cadáver de Lindstron, somente foi parar quando as raízes da varinha penetraram em sua pele avisando o quanto ela havia se esgotado magicamente, mas queria continuar, desejava matá-la até as lembranças, matá-la daquele mundo cheio de rancor e ódio que foi criada, matá-la da vida das pessoas honestas e bondosas daquele mundo, matá-la de si e de seu sangue. Não sentir mais o poder de retirar aquilo que não a pertencia. Jennifer Lindstron retirara o que ela mais guardava para si durante todos esses anos e agora ela se fora para sempre, levando tudo que Anna Danwells era. Só sobrara a "Doida de Pedra", e assim a chamariam por muitos anos a frente.

" - Rowan, está no horário do almoço, vamos embora..." - disse outra voz murmurada ao seu lado, voz invisível, essa que a perseguia em diferentes tons, jeitos e acompanhados de alguma coisa que a fazia ter certeza que sua mente fora fragmentada naquele dia na colina.

A chuva continuava...

E agora ela voltava de suas lembranças, alisando distraidamente o seu bolso direito, era onde ficava o anel que queria dar à Jennifer Lindstron quando a encontrasse, queria dizer a sua auror preferida, sua mestra, sua melhor amiga, que conseguira se formar em Ethoon com louvor e estava pronta para manter a ordem e a paz no mundo mágico. Aquele anel significava tudo o que ela sentia por Lindstron, honra, coragem, amor, paixão, devoção, lealdade... 

E tudo se fora em uma só noite. 

- Professora Danwells. - disse o Professor Severus Snape para sua antiga aluna, era difícil para ele conter o orgulho ao se rebaixar ao extremo de tratar sua aluninha problemática há anos atrás de "professora". - A reunião com o Conselho terminou e gostaríamos de ter uma palavrinha com você...

Ela o acompanhou escada abaixo e viu do alto das escadas a quantidade de alunos que se agrupavam no Salão Principal. Era hora de encarar as marionetes do imenso jogo de insanidade que a realidade pregava nos que habitavam esse novo mundo sem certezas. Caminhando altivamente para a mesa dos professores, fez sua caminhada de sempre, com os alunos murmurando entre si o que acontecia para a sessão solene antes do jantar. Professora McGonagall estava em sua cadeira de espaldar alto e os olhos cansados a fitavam com um sorriso amigável. Respeitava a Diretora de Hogwarts e a temia. Uma dupla insegurança que a deixava em crise por algumas horas antes de descer para servir de "professora" para os alunos não tão assíduos da única escola de bruxaria que continuava com suas aulas mesmo com o clima tenso lá fora. Mas tudo isso que ouvia poderia ser uma mentira, tudo poderia estar errado e ao contrário - talvez lá fora fosse tudo diferente e colorido e ensolarado e Jennifer Lindstron estivesse viva e tudo isso, tudo isso mesmo era um sonho, um pesadelo bem longo e cheio de cortes que não conseguia acordar. Era isso que Danwells se sustentava agora, suas pernas eram regidas pelas as leis da gravidade, mas sua mente era governada por uma só emoção: paranóia. 

- Atenção, alunos! - pediu Minerva McGonagall com autoridade, muitos alunos se sentaram e prestaram atenção. - Convoquei-os aqui para uma sessão solene. Hoje, o Conselho dos Professores elegeu o mais novo diretor da Casa Sonserina, já que nosso colega, professor Snape irá se aposentar. - muitos murmúrios aliviados e algumas reclamações da mesa da Sonserina. - É com muito prazer que apresento aos alunos de Hogwarts: Anna Danwells Rowan, a nossa professora de Defesa Contra as Artes das Trevas é a mais nova diretora da Casa Sonserina a partir de hoje. 

Muito silêncio no salão, nenhum músculo foi movido e os alunos estavam estupefatos, esperavam que Snape ficasse naquele cargo até o fim da vida dele. Os alunos da Grifinória foram os primeiros a baterem palmas com entusiasmo, Richard, Kathryn e as gêmeas Isabel e Angelina, gritaram em côro: 
- Dá-lhe tia Danwells!!! - os alunos aos poucos foram aderindo aos aplausos e até a Sonserina se juntou ao grupo maior.

Anna Danwells se sentia o centro do mundo louco, onde a colocavam como peça-chave na Casa mais odiada de todos os tempos. Ela deveria controlar agora parte dos filhos dos inimigos da ordem e da paz, filhos dos assassinos de 1998, filhos e netos dos Comensais que mataram e torturaram pessoas que eram queridas e caras para ela. O sangue ferveu em seu rosto e ela pensou que iria desmaiar, os professores batiam palmas, os seus antigos professores batiam palmas para ela. E no canto do salão, lá estava ele. Severus Snape aplaudindo com receio e um meio sorriso de derrota, aquilo fazia seu coração se contorcer. O desgraçado ajudara o velhote a ascender ao poder há 12 anos atrás e agora deixava o cargo para ela. 

Na mesa da Sonserina, um olhar chamou atenção do seu, era a misteriosa e perfeita aluna do 7° ano, a húngara Evelyn Avery, bisneta de um maldito Comensal que não conseguira sair de Azkaban a tempo da grande fuga em 1994, a garota ruborizou um pouco, mas manteve seu olhar de desafio para a professora.

- Vamos à comemoração? - anunciou Minerva com energia e o banquete foi servido. Danwells voltou seu olhar para a Diretor da Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts, comendo as batatinhas fritas primeiro antes de ir para o prato principal. Snape a encarava debaixo das sobrancelhas grossas, ele sabia, ele queria que isso acontecesse. Paranoia.

A noite ainda estava chuvosa, o vidro embaçado pelo o ambiente ameno que a lareira proporcionava em seu aposento na Torre Central, os livros estavam jogados no chão, assim como alguns objetos, as colchas estavam amarrotadas e se mexiam conforme os movimentos de dois corpos nus e ofegantes em cima da enorme cama da Professora de Defesa Contra as Artes das Trevas. A aluna gemia e prendia seus braços na cabeceira da cama, a professora a beijava com volúpia e intensidade. Os cabelos escuros de Rowan espalhados pelo lençol verde musgo, as mãos de Evelyn agarraram os travesseiros com bordados dourados, um gemido sufocado e arrastado, o tensão do último instante prazeroso e doloroso. 
- Professora...!!! - suspirou sem se conter e teve seu rosto beijado por Danwells completamente exausta.
- Sim...?
- E-eu... Já está tarde... - respirando como podia. A professora levantou a cabeça e a encarou com desejo no olhar. 
- Eu sei...
- E-então... P-posso ir, senão posso ser...
- Expulsa? - riu Danwells com malícia. - Acho que da minha Casa não...

E como era bom mover os cordões das marionetes, como era bom saber que os outros estavam em seu poder, como o desejo por Lindstron era aplacado com uma simples aluna, que não haveria nada que fizesse seu coração sentir mais prazer do que submeter a herdeira dos Avery ao seu lugar de serva e amante... A garota estava em seu completo domínio e fazia de tudo para manter aquela vida secreta por noites e mais noites. 

- Professora Rowan... Quer dizer que posso dormir aqui por hoje...? - dizendo isso num fio de voz, Danwells sorriu pelo canto dos lábios e brincou com os dedos de Evelyn por um tempo, a garota estava se recuperando do calor e do cansaço, mas visivelmente suscetível para mais diversão proibida ali dentro daquele quarto selado com todos os tipos de feitiço. Paranoia.
- A paranoia rege a mente daqueles que viram a verdade... - disse ela para si mesma, a aluna não entendeu e se aproximou com cuidado. - Feliz é aquele que é cego. Afortunado é aquele que não discute. Merecedor é aquele que serve e não o que é servido... 
- Professora, o que a senhora está falando...?
- Servatis a periculum, servatis a maleficum... - disse uma prece em latim que conhecia desde pequena, a aluna meneou a cabeça para beijá-la apaixonadamente, ela se sentou na cama e a olhou por uns instantes. - "Livrai-nos do perigo, livrai-nos do Mal." - a garota sorriu, sabia que sua mestra era desequilibrada mentalmente. Evelyn sabia do histórico da sua professora favorita e sabia da aversão que a família tinha da auror mais fabulosa após Jennifer Lindstron que o Ministério produzira, queria descobrir cada segredo íntimo e usar contra aquela mulher louca quando pudesse ter a oportunidade. 
- Venha aqui... Não quero ficar sem meu beijo de boa noite... - disse a garota com um tom erótico na voz. Danwells se levantou rapidamente sem corresponder o pedido, vestiu seu robe escuro e foi para a janela do seu alojamento, a garota estranhou e tentou chamá-la de novo para a cama. - Dannie, deixe essas coisas para lá... Quero muito... - e foi interrompida por uma Danwells soluçante e imensamente triste. - O que foi professora? - levantando-se da cama e se cobrindo sua nudez com um lençol. 
- Nada não... - chorava Danwells com desespero, encostada na janela, cobrindo os olhos com as mãos. Algo estava errado e se tudo fosse previsível como ela sempre calculava, a garota iria tentar confortá-la.
- Meu amor... - Não chore... - beijando seus cabelos compridos e a beijando calmamente. - Tudo vai ficar bem, é só me contar o que houve... Pode confiar em mim... - e Danwells podia ver dentro dos olhos daquela criatura estonteante e irresistivelmente sedutora o que havia em seu interior podre e cheio de rancor. Abraçou a garota com todas as forças que seu coração mandava e chorou um pouco mais... Marionetes... Todos marionetes imersos na grande paranoia que regia o mundo dos loucos.

A vida era um grande teatro. 
Fingir, enganar, amedrontar aqueles que mereciam, mentir, pois o mundo era frio e cruel lá fora. 
E principalmente dentro do coração de uma garota vingativa.
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