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sábado, 19 de agosto de 2017

[bibliotequices] sejemos frangos maix otra veiz

Sejemos frangos: biblioteconomista não é mágico, muito menos onipotente. Então quando houver dúvidas, consulte um profissional da área.

Estava a se discutir sobre o ambiente sistêmico de pluralidade em que um bibliotecário pode atuar e o martírio de entender que não somos obrigados a saber de tudo um pouco (Hello?! Neurociência explica?! Freud não? Para de recalque que você não é enciclopédia humana.), mas somos obrigados a saber quem sabe.

Ou ter um uma pista sobre como conseguir tal informação.
É pra isso que a gente serve socialmente.

Então se eu viro a chefia imediata de uma unidade de informação, é provável que seja obrigada a entender que as decisões são de minha alçada e com o meu aval, mas não tenho obrigação alguma em executá-las eu mesma. É isso que a galera não tá sacando e acaba que é isso que tanto bibliotecário quase dá piripaco de tanta função acumulada.


No sentido prático da carreira, se eu não sei fazer um planejamento estratégico que valha a pena gastar meu tempo e dinheiro da organização, vou pelo menos indicar alguém que saiba. Colaborarei com o indivíduo, aprenderei algumas coisas se isso for relevante e essencial pro meu trabalho, mas não preciso ganhar título de mestre Jedi na coisa.

Assim como vocês não precisam saber WTF são aqueles números de chamada nas etiquetas, ou que operadores booleanos são coisa linda de Ranganathan e muito menos decorarem relação estante/prateleira/livro. Amiguinho, você não é obrigado a nada, muito menos eu.

Pra entender o universo é preciso doutorado em Física Quântica?! Pra saber que estou amando alguém, preciso ser cardiologista pra entender como o bombeamento de sangue no meu corpo está diferente do normal? 

A cisma que tenho com gerenciadores de acervo é por conta disso. Não preciso entender programação, engenharia reversa (apesar de ser um awesome assunto), as teorias mais profundas e escabrosas da área da tecnologia da informação, eu sei quem pode fazer isso por mim, não preciso tirar o emprego dele, o mínimo é entender a linguagem que ele usa para se comunicar com e ver se aquilo que ele tá produzindo é bom o suficiente para minha demanda.

Se por acaso eu tiver talentos extras em outras áreas (goddess bless), ótimo!!! Vai na boa, usa e abusa das mad skills, mas pelamoooooor não se mete em compreender que bibliotecário pode e deve ser tal coisa quando não é.

Nóis não semu.
Num mexe com quem tá quieto, sô.

Essa confusão de identidades fragmentadas é que arruína muito em nossa atuação, é preciso ser muito para se conseguir resultados razoáveis. Não precisa ser assim, até porque se você se cobrar demais, sua cabeça explode. A minha já foi com a fucking Letras ao entender como a organização da linguagem pode ferrar com toda a construção/destruição de realidade de um indivíduo.

Então não fucking cisma com essas coisas.
Tem gente pra isso.
Tem povo pra te ajudar nessa.
Nossa tarefa é construir/constituir a rede, criar elos, integrar saberes, ensinar as pessoas a não entrarem em pânico.
Eu não tou em pânico.
Tá todo mundo calmo aqui.

Interdisciplinaridade.
Transdisciplinaridade.
Multidisciplinaridade.
Essas palavras tem mais sentido na prática do que colocadas à toa em artigos científicos, planos de ensino, aulas expositivas.
(A gente sabe quando essas palavrinhas mágicas tão ali só pra enganar, ok?)

Bibliotecário não é educador?
Todo mundo é culpado até se provar o contrário?
Até onde sei não sou contador.
Não sou psicólogo.
Não sou administrador.
Não sou cientista da informação.
Não sou técnico de alguma coisa.

Já viu médico operando com pá de pedreiro? Engenheiro botando prédio de pé com palito de sorvete? Advogado citando livro de culinária em processo criminal? Não?
Pois então, não vou organizar a sua informação fingindo que o Outro não existe. Isso se chama Parnasianismo Acadêmico e deixamos de lado nas carteiras da faculdade por uma razão: a gente tá servindo ao Outro, é ele nosso norte.

E acredite: tem uma porção de gente que pode fazer aquele maldito gerenciador de acervo funcionar do modo que seja mais fácil de mexer. Mais rápido pra atender o público. Dá sim. Existe open source pra quê? Existe os chuchus da TI pra quê?! É com eles que precisamos conversar, não nos apropriar de seu universo.

Assim como não precisamos ser encharcados até os ossos pelas outras áreas como se a nossa fosse insuficiente. Aqui nóis colabora, não explora, não rasura, não rasga, não apaga com corretivo da supremacia mercadológica pra satisfazer uma parcela de poucos. Nóis é paz e amor e compartilhamento de vivências pra um bem maior e comum.

Sejemos frangos.
Admitemos nossas franguesas e fraquezas. Reconhecemos nossas falhas, e perdoai-nos de nossos pecados, livrai-nos do mal, amém?

Chuchu beleza?
Ah, mais outra coisinha pra não esquecer da problematização: Bibliotecário não é educador, tá?