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sábado, 28 de abril de 2018

[bibliotequices] tô estudando prá saber ignorar

[Essa postagem foi feita no Facebook após um dia nada promissor sabendo das peripécias da vida acadêmica de certo departamento de certo centro de certa universidade de megazords. E aí foi juntando tudo que já presenciei no Movimento estudantil dentro do dito lugar e plim, saiu isso aí. Ah! o título é um pedaço da letra de "Tô" do mestre Tom Zé.]

EDITANDO: O Chico de Paula da Biblioo entrou em contato comigo e postou o meu texto no Portal no dia 8 de maio. Tou super feliz por isso, a Biblioo é um dos principais sites referência sobre Biblioteconomia :)

A insônia não costuma ser minha amiga, mas de vez em quando ela aparece, e joga assim na minha cara uma pergunta muito horrível: até quando a gente vai parar de formar gente acéfala e insensível com os problemas da profissão?

O que me faz perder o sono durante esses 4 anos de Biblioteconomia é de saber por A + B que estamos formando um bando de gente sem noção política ou preparo crítico para entender o quanto a profissão é uma responsa do caramba. O quanto a gente faz diferença. O quanto aquela besteira de "conhecimento é poder" é levada à sério por quem comanda as engrenagens.

É de perder o sono sabendo de bancada de professor proibindo participação estudantil em espaço de direito dos discentes, garantir status e reputação, mas não qualidade de ensino pros graduandos. E aceitar passivamente isso, como se nada tivesse acontecido (Sorria e acene).

É de passar mais um semestre vendo outra formatura e torcendo que pelo menos metade ali cumpra o tal do juramento (Que precisa ser reformulado, pelamoooor) e seja bibliotecário, e não reprodutor de ideologia do comodismo, ou tome aversão pela profissão, ou virem cães de manutenção do sistema.

É de às vezes estar na aula, olhar ao redor e me perguntar: será que isso tudo vale a pena? Esse espetáculo? Essa encenação de que tá tudo bem, porque lidamos com a informação (mentira, lidamos com gente, a informação é uma ferramenta do nosso trabalho), logo o futuro é nosso. Essa invencibilidade imbecil.

É de ainda lembrar de conversa de corredor com tapinha nas costas pedindo para não mexer com isso (pensar demais sobre a graduação, a situação de nosso curso, a sanidade de nossos colegas), porque não é da minha alçada. Seguir a hierarquia. Sit, junto, sentado, calado.
(Sim, tive coragem de citar Kelly Key.)

O que me faz perder o sono em 4 anos de Biblioteconomia é ver que tem gente tão legal fazendo algo substancial e não podendo voltar pra universidade pra dizer como foi e como uma ação de bibliotecário pode mudar a vida das pessoas. É saber que esse pessoal sequer quer voltar pra esse lugar tóxico que tem se tornado com tanto estrelismo, disputa de egos e invisibilidade de temas extremamente urgentes e relevantes pra sociedade.

E quando tem conta atrasada e dilemas existenciais, também perco sono. 
Mas esses motivos ali em cima? São os que não dá mais para engolir e deixar quieto. Continuo perdendo o sono, fazer por onde tá vindo...