Pesquisando

quinta-feira, 28 de junho de 2018

[interlúdio] aquele perdão secreto

Créditos: Arte de Ner-Tamin.
Hey você, você mesmo que sei que não dei braço a torcer, não escutei, não delimitei fronteiras do onde começava o nos para o eu e você.
Você que sei que não vai escutar, também não irei falar, silêncio é a nossa arma secreta de vidas passadas em profundo eco. Vivemos pela vida de outros?

Vivemos por nossas vidas por um período de tempo, esse que o silêncio afogou aos poucos, lembranças ocas em superfícies cristalinas.

O orgulho, o rancor, o amor, tudo dissolvido em galões de água turva acumulada em chuvas e tantos trovões.

O silêncio que nos tornou um fio tão quebradiço que quebramos, relações, afeições, paixões, em prantos. Silenciosos, mas prantos, que o orgulho alcança com finos dedos ossudos, velhos e cansados, espremendo qualquer suco que tenha dado alegria as nossas vidas conjuntas de duas vidas em conjunto

Hey você que não irei mais repetir o nome sem antes engolir em seco, trancar a garganta, arder os olhos, ranger de dentes, batimentos cardíacos contidos. Hey você que não pôde ser real e assumido, comprimido, estrangulado, sufocado por tudo ao redor de nós e que nunca foi feito para durar mais que segundos.

Hey você que não verei mais, mas cisma em assombrar meus sonhos, o canto do meu olho cansado, meus pesadelos paralisados, fantasma vívido de alguém que em uma chance impossível entre dois universos infinitos teria sido perfeito.

Teria
Haveria
Podia
Deveria
Pretérito mais que perfeito assombrando vidas de uma vida que aqui se afogou em águas do temor, do ardor, do esquecimento.

Hey você que algum dia sei que irei ver novamente, mas não lembrarei, ainda guardo uma pétala de uma flor
Uma canção escondida no violão
(e enterrada no meu peito até virar pó) 
Um tempero de uma vida que podia 
Um perdão secreto que jamais sairá de meus lábios 
Nem dos seus