Pesquisando

domingo, 14 de outubro de 2018

Reeditando a redigitação

Parece que o inferno astral do aniversário ainda não foi suficientemente doloroso, logo perdura. 

Conseguir lidar com pequenas coisinhas manejáveis está ficando cada vez mais difícil. Então meu corpo vai fazer o quê? Cair no sono de imediato e dane-se o que estiver acontecendo. Infelizmente no mundo real não dá pra se armar contra quedas súbitas de sono e bater cartão para Morfeu. 

Acontece. 
Deve ser algo aí da fisiologia que não dá pra entender muito bem. 

Estou reeditando a redigitação faz um bom tempo, como naqueles meados/miúdos estranhos entre 2011/2012 em que sobreviver era imprescindível pra provar alguma coisa de concreto em meus planos. Sobreviver pra se sentir de novo. 

Apatia é uma das piores coisas que eu desejaria a alguém. O não sentir transbordando aos montes, inundando um terreno que algum dia foi sua vida. A forçassão de barra tá sendo impecável, se tá adiantando? Apatia tá respondendo. 

A sede por café também. 
E aquele prédio abandonado ali perto da Matemática? Já mudei a rota essa semana, apenas seguir o caminho mais rápido pra chegar mais cedo e não ter que pensar que o prédio não tem muretas de segurança ou sequer outro empecilho. Infelizmente 4 andares, não passo desse fio de raciocínio... Até aí sou permitido a teorizar. 


Tive um sonho estranho e com detalhes hoje, não os escrevo mais, pois não encontro vontade de escrever coisa alguma (e eis aqui, voltando a reeditar algo que escrevi mês passado, antes se entrar nessa espiral estúpida de ideias horríveis), mas era com alguém que convivia quase diariamente e sofria agudamente daquilo que não fui diagnosticada ainda (ainda ainda ainda). E da pessoa que via nos altos e baixos, creio que tenha sido os baixos que mais a amava. 
(E aí chega a grande conclusão que sim, se houve algum tipo de amor ínfimo que fosse, foi por ela, no modo mais embaraçoso e desastroso possível). 

Nos baixos era que entendia um pouco de sua vontade de viver, mesmo não demonstrando se queria se livrar dessa existência, das poucas vezes que a questionei do porquê ficar na cama por dias a fio sem ter energia suficiente para levantar, as respostas não me eram tão simples de aceitar. Todos nós temos os dias ruins. Algumas pessoas apenas têm dias ruins, e isso assusta. 

Nos dias ruins intermináveis de prostração, lembro vagamente de descer e subir dois morros atrás do mínimo de conforto que a nossa amizade me fazia sentir (e talvez a ela também, não tenho mais certeza) para encontrar alguém que eu começava a amar intensamente, sem forças pra sair da cama. A única parte dessa história é que eu não estava no meu juízo 100%, porque um estômago sem comida e irish coffee não combinam com alguém que se mantém no juízo perfeito como algo beirando ao fanatismo. E o baque desse contraste, os altos e os baixos, o meu e o dela é que me fez reconsiderar o porquê somos feitos para nos conectar com outras pessoas. 

Quando se está no fundo do poço a constante é apenas ver os tijolos na altura dos olhos e a lama soterrando seus pés. Quem tá lá em cima vê o quadro geral, mas mesmo assim não entende o padrão de tijolinhos e da sensação de estar afundando a cada segundo. Até cobrir pescoço, atingir narinas, sufocar aos poucos. 

O sonho estranho e com detalhes foi o de revisitar aquele dia, eu de um lado da cama pedindo pra ela levantar, fazer alguma coisa, qualquer coisa, ela dizendo (é a voz, essa não consigo esquecer por mais que peça ao cérebro para deletar qualquer resquício) que não tinha energia nem para fazer isso. Mas rindo da minha cara parcialmente bêbada em minha empreitada fora do juízo em beber café misturado com whiskey e praticamente correr por um morro de quase 5 km de distância entre minha a casa e a dela. 

Sonhei também que naquele dia o lugar onde estávamos afundava em uma chuva absurda e invasões. Na minha ignorância de não perceber o sonho como algo tangível, embarquei na viagem: um arpão me furou no ombro esquerdo e me arrastou para longe dali. E para cada guinada, o rastro de sangue me seguia. E a dor não estava ali. Apatia. Era quase se eu comungasse para que o arrastar do meu corpo ao chão fosse um atestado de que ainda tava vivendo. 

Acordar na madrugada, na mesma hora, 02:53 já virou rotina. Virar na cama, mudar o travesseiro, inverter a ordem das cobertas. Chuva. Respirar direito e fundo pra saber se não é novamente mais outro sonho de ter acordado quando não se acordou ainda. Pesadelos estão mais comuns no meu repertório noturno que os sonhos comuns. Quase sinto falta de sonhar com a vida real. Quase. Essa semana troquei realidade pelo onírico ao perguntar algo e ter certeza da pessoa que nunca havia falado aquilo. Não naquele plano de existência. 

Maravilha. 

Voltar para o mesmo lugar do pesadelo depois das 5:15... E perceber que era um sonho mesmo, o do arpão, o da dor na hora de ser guinchada pra fora de um lugar que já me causava alguma forma de dor. O não sentir nada depois. O ombro intacto, as roupas não tanto, muita gente em uma confusão de pânico geral, encontrar um abrigo. 
(Afinal, de quem eu tava fugindo mesmo? Aquele arpão afiado não era algo a se considerar como ameaça?) 

Tem muita terra nesse lugar, beira de estrada, abandonado, como aquele prédio que vivo desviando da rota na vida real. A chuva tá piorando, ninguém ainda se decidiu sobre procurar abrigo, é respirar fundo, encarar que é um sonho e o mínimo a ser feito é esquecer de onde estava "minutos" atrás e avisar pra todo mundo entrar. Pelo menos ali estava mais quente. 

Fico na entrada esperando. Está muito frio, mas ao mesmo tempo tá suportável. Minhas mãos no escuro estão esfoladas. Ótimo, maravilha, o pesadelo que mais me apavora desde criança volta de novo e a sensação? Aquele desespero de querer acordar, porque se sabe que está sonhando, mas não quer passar por esse trauma novamente. Não quando sei que uma das mãos está realmente estropiada quando acordar. Enfio as mãos nos bolsos, protegendo sei lá o quê, como se fosse adiantar algo. 
(chega um ponto da vida que as cicatrizes não vão dizer coisa alguma e não darão mais lições) 

Acordar mais uma vez, tremendo de frio e medo de ter perdido um pouco da Razão que nos habita quando estamos fadados as tramas de Morfeu. Acordar extremamente cedo e atordoada por mais um pesadelo. A dor no ombro esquerdo tem explicação, comprimido entre colchão, corpo de bruços, um travesseiro pesado. A mão esfolada de mordida de gato assustado com um rasgo reaberto. Não há sangue, mas pulsa e a vontade de chorar é imensa, mas não será de grande ajuda. 

Virar na cama, ajeitar as coisas na cama, verificar a hora 07:08 e pensar se vou lembrar dessas horas quando tiver a mesma rotina noturna amanhã. No final de todas as coisas a gente sabe quem nos protege do pior. Porque poderia ser pior. De diversas maneiras bem piores.