Pesquisando

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

compartimentando personas

Heeeey meu 2º morador favorito do Hades¹!
Em meu mundinho ideal pessoas entenderiam que sim, dá para compartimentar vivências como a gente guarda comida em tupperware e só abre quando precisa ou tá com fome.

O que sou na vida real (IRL = in real life) não é a mesma coisa que sou nas interwebs que também não tem nada a ver com o que sou quando estou jogando MMORPG e gezuis amado barbosa da silva, não confundam com meu eu-lírico, muito menos com meu fazer bibliotecário.

Compartimentar caracteres e estados de vivência faz um bem danado, cês não sabem como. Primeiro que delimita sujeitos e discursos, dá a vantagem de prever como certas situações irão se desenrolar - sabe aquele papinho de "papéis sociais", bem isso - e o mais importante pra integridade da minha pessoa: separar público do privado.

Porque infelizmente nesse antro vil e maléfico de Cthulhu - também conhecido como bolha acadêmica da universidade dos Megazords ou qualquer outra instituição em que te fragmenta ao ponto de quebrar e dissolver, mas quer que você continue em um pedaço só para fingir que tá de boas nessa confusão - pessoas não aprenderam ainda separar o público do privado. E eu tento, juro! Todos os dias vigiando qualquer derrapada pra não confundir ou interpretar falta de profissionalismo com falta de semancol. Faço a minha parte, como uma pessoa treinadinha desde quiança a não vacilar nos escorregos do misturar as personas e acabar causando mais outra situação embaraçosa.
(Podia dar um exemplo explícito aqui? Podia, mas acho que os bafões acadêmicos devem virar lenda urbana naquele espaço tão elitista de certo centro que abriga certo departamento de certa universidade... aaaaaah vocês entenderam aí!)

Assim como os lindos, civilizados, politeístas e xenófobos gregos faziam, separar o público do privado descomplica tantas coisas que pelo jeito a galera do Iluminismo esqueceu de resgatar junto ao Parnasianismo e o Narcisismo Acadêmico. Separar essas duas tipologias de personas é essencial para a manutenção de uma saúde mental intacta.
(Aliás, fun fact: a persona é o papel social do ator do teatro grego, eles costumavam usar máscaras para separar quem eram de verdade, do personagem e do eu-lírico ali expressado. As pessoas não entendiam bem quando alguém interpretava um papel no teatro, às vezes confundiam o ator com o personagem que ele interpretava e rolava uns bafões do tipo, literalmente levar a sério a interpretação e alguém da plateia ir lá tirar satisfações com o ator como se ele fosse o personagem. Fantástico!)

Então vamos falar de personas e separação de público e privado e como isso faz bem?
Não sei quanto a vocês, mas é bom dar uma revisitada em todas as máscaras que guardamos toda vez que temos que nos submeter a situações sociais que nos impõe diferentes meios de se comunicar e de existir.
(Tá na hora do mindfuck de final de semestre?! Táááá sim!)

Debaixo do link: se não tá a fim de dar uma olhada para si mesme, nem clica.
(Mas tá sendo engraçado descobrir que na verdade meu perfil profissional é de extrema filhadaputice burocracia por simples gosto de querer complicar a vida de quem vive prejudicando os outros)

Persona IRL = In real life - modo privado. É ligado quando boto pijamas e me entoco em meu quarto.
No modo privado sou um ser bem chatonildo, monótono e sem graça. A constância de uns 20 anos pra cá é contínua, digo pelos meus pijamas e gosto musical duvidoso. Não há nada de interessante a se descobri, sério. Me comporto como qualquer pessoa branca, classe média, com pressões psicológicas autoinfligidas por uma adolescência reclusa e em cidade do interior. Me contento com pouca coisa e não espero nada do mundo, até porque não quero que o mundo espere algo de mim ou de qualquer pessoa. Essa persona deseja muito que por uns momentinhos possa ter um silêncio aliviador aqui dentro da cachola e às vezes consegue isso antes do sol nascer, quando a insônia das 03 da manhã chegou ao ápice. Essa persona está constantemente cansada e não gosta de falar em terceira pessoa, é muito esquisito. #ProntoParei



A persona pública nas interwebs, aí é outra história, porque quando entrei aqui era tudo mato. E mato sem cachorro, um completo caos sem regras e no máximo seguindo até a regra 47 da Internet². A premissa dos anos 90-2000 era jamais revelar quem você era de verdade, nada de nomes verdadeiros, endereços e muito menos idade, consequências vinham com certas revelações. Então nas interwebs costumo ter mais sarcasmo e errar gramaticalmente de propósito, porque não tenho obrigatoriedade de ser "alguém" aqui nesse espaço virtual que NÃO existe materialmente. Não defendo meus ideais de IRL na Internet, porque é perda de tempo por dois motivos bem simples:

  1. faz mais efeito fazer isso atrás de um balcão de biblioteca ou entre as estantes.
  2. tr0lls, tr0lls everywhere.
Favor não confundir anarquia com terra sem lei e regras, pois há uma diferença enorme entre consciência coletiva de mútuo respeito universal pelo bem estar do próximo e a completa falta de ética e moral que se vive nas interwebs. Se os milênios conseguiram compilar e absorver regrinhas básicas de convívio aqui, parabéns. Só não espere que todos que habitam os nós da grande teia obedeçam mansinhos.

A persona privada caracterizada pelo meu eu-lírico é um probleminha à parte, porque se depender dele estaria constantemente bêbado, sendo boêmio, escrevendo canções de escárnio ou baladinhas de amor platônico e provavelmente morrendo de tuberculose em alguma taverna de quinta categoria, chorando as mágoas por não ter feito diversas coisas (inclusive ser responsável e sei lá, feliz, casado, com algum tipo de código de honra absudo). Acredito que o ser miserável seja autodestrutivo e se manifeste com mais intensidade com miligramas de etanol na circulação sanguínea: o que acontece raramente, beeeeeeeem raramente. Ele não presta, okay, apenas pra escrever criativamente e falhar epicamente na vida romântica.
(E que insiste em querer ter uma e puxar a persona IRL pra sofrer as consequências no lugar dele, camarada bacana, esse vinhado. Ele só sossega com umas palmadas bem dadas e/ou quando se assusta com o mundo. É um dramalhama, alguém leva ele pra passear?)


Agora na persona do fazer bibliotecário tem aquela parede bem rebocada de profissional ainda para ser e um ser rancoroso burocrata que consome café como se fosse água. Tá lá, não tem como negar, como um comichão insano que não pode ser coçado, essa persona é aquela que se puder não facilitar a vida de quem não facilita a vida dos outros que quero e preciso facilitar, vai ser um inferno.


O fazer bibliotecário também se manifesta acadêmicamente e usualmente está pist00la com a incoerência que vê e ouve, é comum estar no limiar da frustração e da agitação quando estou trabalhando, porque quero que as coisas corram bem, estejam certinhas, com tudinho no lugar e só chegar e aproveitar. Mas há pessoas que não gostam disso acontecendo e acabam me frustrando mais ainda e acabo desejando piriri e desarranjo estomacal para todas elas, sem exceção. Até pra quem eu gosto e quero bem, mas não fucking atrapalha o meu serviço, você não sabe o quanto me dedico de coração nesses esquemas pra tudo estar minimamente satisfatório pras pessoas aproveitarem, afinal é pra isso que decidi ser bibliotecárie: pra servir as pessoas e a sociedade, não é pra enfeite ou pra status. Não é pra estrelinha, nem pra ganhar elogios, é fazer meu trabalho bem feito, todo mundo ficar de boas, não há nada para se ver aqui, circulando, circulando...

O fazer bibliotecário também é crítico pra cacete e altamente conflitante, porque há essa parte de mim que quer que TODO MUNDO NESTA POWHA DE EXISTÊNCIA tenha chances mínimas de Educação, Saúde e bem-estar, mas tem outra parte que VAI com certeza atrasar a vida de caboclo que não quer aceitar o inevitável.
(Ascensão intelectual da classe trabalhadora? Revolução Social? Autonomia do cidadão em situação de risco?)

Quando tentam me tirar das caixinhas montadas, há duas reações possíveis:
1) p00tiade até as tampas, prontinhe pra morder a jugular de quem atrapalha o fluxo (mas não pode, porque violência não resolve nada nessa vida);
2) uma calma absurda, uma caixinha cheinha de burocracia, regras, legislações, fatos científicos e paciência de sobra pra explicar pra confundir mais ainda.

Óbvio que há pessoas e pessoas, mas é comum ter o brotamento de pessoas que só querem atrapalhar o fluxo das coisas, não acrescentar coisa alguma. Para elas, o fazer bibliotecário é munido de frieza e textão intelectualóide pra não entender mesmo. Se é pra abusar do discurso, que seja na norma culta e com registros em tudo. Recibos e autenticação em cartório.

Queria ter vergonha dessa personalidade, mas é ela que me mantém viva e resistindo. Por isso a amo tanto. Sinceramente ela é a que mais chama atenção, algo que não gostaria nem um pouco, já que ficar nos bastidores é mais engraçado (Oh os fantoches e suas amarras em volta dos próprios pescoços) e sem tantos danos na sanidade.

Ah! a sessão Bibliotequices é total essa persona. E quanto tá destilando traça conta sistema acadêmico, yep, a bichinhe tá furiose.

E há pessoas que parecem tirar a persona monótona do cantinho dela pra viver um pouco (o que denominam de "você precisa sair um pouco, conhecer novas pessoas...", o que pode ser um erro depois que completei 30 anos. Dica para posteridade: apenas não. A Morgan IRL é uma velhaca que trocaria uma vida cheia de aventuras e intrigas por uma cama aconchegante e silêncio. 

Ou sei lá Nutella.
Definitivamente ela venderia a alma por Nutella.
E paz na mente.
E um emprego digno na referência.
E gatos que não fazem xixi no colchão.

Mas como a vida não é perfeita, e as máscaras precisam ser trocadas a cada nova situação social, me mantenho nessas.

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Aquelas notas de rodapé bestas:
¹ - O 1º morador é meu titã favorito (Não, não é o Arnaldo Antunes...), Prometeu, o zé que catou o fogo dos deuses e deu para os pobres humanos burraldos.

² Quer saber sobre as regras esdrúxulas da Internet? A Encyclopedia Dramatica tem a listagem de todas!!