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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

[contos] Seguir a Corrente - perfil de Isobel Atwood Wayland

A intenção era de construir a personagem protagonista que estou escrivinhando em Seguir a corrente, adaptei as perguntas do Tumblr Wordsnstuff.

Essa é a parcial ficha de Isobel Atwood Wayland, uma jovem de 24 anos que estuda na Universidade Miskatonic e trabalha em um laboratório do Departamento de Ciências Naturais.

(Fonte: Propnomicon)

Como você gosta de passar seu tempo livre?

Descobrindo velhos e novos livros sobre botânica e zoologia que posso conseguir. Em Arkham há poucas livrarias você se tipo de literatura, e já li quase todos das bibliotecas da Miskatonic. Quase todos, não tenho permissão para a coleção de obras raras. Ainda. 


(Debaixo do link, mais perguntas e mais imersão)



Qual é o seu relacionamento com seus familiares imediatos?

Não tive muito tempo com meus pais na Nova Inglaterra, eles são pessoas do campo e queriam que eu tivesse uma educação melhor que eles. Tio Howie me criou desde pequena, a referência que tenho de família é ele - mesmo sendo esquisito e recluso em seu mundo acadêmico - e Mademoiselle Sidonia, a governanta da casa de meu tio, tudo que aprendi sobre modos que toda mocinha em minha idade precisa, veio dela. 
Envio cartas periódicas para ela e livros de romance, ela os adora. 


Se você herdou uma grande soma de dinheiro, como abordaria isso?

Não saberia bem o que fazer. Talvez pagar meus débitos com a Universidade e meu tio, ir para alguma expedição ou pedir transferência para Trinity College, o inventário de espécimes marinhas deles é espetacular!
Mas duvido que isso vá acontecer, meus pais não possuem muitos pertences e se sustentam com o que plantam durante o ano. 


Com quem você está mais próximo em sua vida?

Eu diria que tenho alguma proximidade com meu tio Howie. Ele é uma pessoa reservada, veja bem, não gosta muito de demonstrações de afetividade, mas é compreensivo comigo e se importa com meus estudos. 
Minha colega de quarto, Taima, (o nome dela todo é difícil de pronunciar, acredite, já tentei fazê-la me falar para não ofendê-la, mas ela parece não se importar de chamá-la assim... 
Oh sim, ela! Desde outubro do ano passado estamos dividindo o quarto e os afazeres. Ela parecia ser alguém extremamente intimidadora quando a conheci, mas é apenas a forma em como ela tem que lidar com seu trabalho diário. 


Qual é a sua lembrança mais dolorosa?

Um acidente que tive com pouca idade, lá em Algiers. Escapei por pouco com vida, mas infelizmente as pessoas que estavam naquela balsa no Mississípi morreram tragicamente. Soube alguns anos atrás que houve mais um sobrevivente, mas não tentei buscar essa história de novo. Ainda tenho pesadelos horríveis com esse dia. 


Qual é a sua lembrança mais feliz?

Quando tio Howie me mostrou a primeira impressão do manual de espécimes peculiares marinhas de Providence que nós dois catalogamos durante os primeiros anos aqui na Universidade Miskatonic. Meu nome está na capa e dentro do livro como autora principal. 
Confesso que chorei um tanto ao ver aquele livro pronto. 


Descreva sua experiência em um sistema educacional, se houver.

Felizmente fui levada para viver com meu tio Howie, um senhor estudado e renomado na magnífica Universidade Miskatonic e desde pequena ele me incentivou a seguir os passos acadêmicos de brilhantes cientistas que frequentemente visitavam a mansão. Madame S. (não posso dizer o sobrenome, é uma pessoa conhecida) foi minha inspiração para seguir o caminho das Ciências Naturais, sua fascinação com a vida dos seres vivos me contagiou se tal forma que senti que era esse o meu chamado. 
Estudei em casa como muitas garotas de minha idade (e sortudas, se assim posso dizer) com Mademoiselle Sidonia, ela tem uma formação incrível em música erudita e tudo que se relacione com sons. Devo a ela a aprendizagem em alguns tópicos que muitos pesquisadores aqui de UM não costumam dar atenção, como vibrações, oscilações, movimentos geotérmicos e aquáticos e como influenciam a vida marinha em determinados lugares. 
Estou em meu quarto ano na magnífica Universidade Miskatonic, muito feliz e satisfeita aprendendo tudo que posso no Departamento de Ciências Naturais, setor de Biologia Marinha. Tenho predileção por zoologia de espécies peculiares e também gosto muito de trabalhar com os pesquisadores apressados da Oceanografia, são eles que trazem as melhores amostras para nosso laboratório e nós incentivam a testes de todo tipo. 


Qual é o seu maior medo e por que você tem tanto medo disso?

Tenho medo de tempestades. O som de trovões na verdade, é algo desde criança, mas acho que há algo devastador em como a Natureza nos avisa que somos nada quando ela decide mostrar sua fúria. 
O medo de águas profundas estou trabalhando arduamente toda semana, pratico natação no time dos Miskatonic Squids e creio que não sinto mais aquela aflição ao ver água ultrapassando minha cintura quando estou na piscina ou na praia. 
Devo dizer também que tenho medo de estar perdendo o juízo por conta de meus pesadelos repetitivos, os relatos de ex estudantes daqui que vão para o asilo Arkham são perturbadores. 


Até que ponto você acredita em ódio?

Esse sentimento é algo que se nutre quando não há mais como evitar de sentir coisa alguma. Usualmente destrói vidas e amarga a sabedoria. Aprendi desde cedo a não me entregar a essas emoções. 


Até que ponto você acredita em amor?

Vide resposta acima: são a mesma emoção, mas em tormentos diferentes. 


Qual é a regra pessoal número um que você tem para si mesmo?

Sempre desconfie de tudo. Ser cientista é basicamente isso. 
Oh! Não dormir de barriga para cima. Tenho pesadelos muito vívidos assim. 


(Fonte: adaptada da Manchester Art Gallery)


Se você viu uma foto sua, qual é o primeiro lugar que você olharia?

Se minhas mãos estão a mostra. Elas são minha ferramenta de trabalho, devem estar expostas. 


Como você descreveria a si mesmo?

Uma pessoa fora da curva de vivência do restante. Estou onde gostaria de estar, fazendo o que quero e sendo reconhecida por isso. Não é toda garota que tem esses privilégios. Um tanto reservada, mas curiosa, gosto de saber como as coisas funcionam. Não tenho paciência para interações com outros colegas a não ser que sejam sobre trabalho. Eu durmo um bocado (risos) e me preocupo com meus afazeres. Entendam, eu gosto do meu trabalho, é onde me encontro como pessoa! 
Não tenho grandes devaneios de casar, ter família e ter uma vida como as demais, tenho satisfação em ser uma pesquisadora e apenas isso.


Como os outros descreveriam você?

Oh já é recebi a avaliação psicológica desse ano com um tenro "Ambiciosa, fria, calculista, inibida emocionante e levemente instável." - pra mim já informou o bastante. 


O que você acredita ser sua maior fraqueza?

Minha curiosidade. Ela sempre me leva em caminhos nada agradáveis, mas igualmente incríveis pelas descobertas. 


O que você acredita é a sua maior força? 

A minha curiosidade, apesar de me levar a caminhos nada agradáveis, ela que me salva e me traz as diversas oportunidades de descobrir um lado da vida que poucos de minha vida poderiam sequer imaginar que existe. 


O que faz você sair da cama todos os dias?

Taima acordando subitamente e pulando da cama (quando ela decide dormir na mesma cama que a minha) ou o apito do guarda-luzes no começo da manhã. 
Sinto dificuldade em acordar quando está muito frio, meu sarcástico tio Howie já me acusou de ter genes de um urso, assim como ele. Nós não funcionamos muito bem nas primeiras horas da manhã. 
(Mas se essa pergunta for sobre motivação, eis novamente eu falando de minha curiosidade. Novas descobertas! Novos enigmas a se decifrar!) 


Qual é o maior desafio que você enfrenta todos os dias?


Ser uma jovem estudiosa na Universidade Miskatonic costuma ser algo que não me sinto bem ainda. Os pesquisadores são deveras intolerantes e pedantes quando uma garota os supera em suas observações e descobertas. Viver sob a sombra do nome que minha família construiu aqui na Universidade Miskatonic também me irrita particularmente, parece que há expectativas que sei que não irei cumprir, mas há outras formas incríveis de se atingir sucesso e satisfação pessoal e acadêmico! 
Ser subestimada é algo que me persegue desde muito nova. Acho que o fato de sobreviver a um naufrágio me torna alguém especial nos olhos das outras pessoas - algo que atribuo a superstição delas do que realmente achar que é algo extraordinário. 


Se você pudesse dar uma mensagem ao seu eu mais jovem, qual seria?

Não entre naquela barca. 
Coma mais na venda de pães do French Quarter. Nunca mais consegui voltar a minha cidade natal quando vim morar com tio Howie. 


O que você mais quer?

No mínimo? Ser doutora em Biologia Marinha. No máximo? O céu é o limite. Ou as profundezas do Mar são desconhecidas. Não sei porque disse isso, mas parece fazer sentido.