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sábado, 12 de janeiro de 2019

[bibliotequices] o probrema da Ficha Catastrófica-oooops-Catalográfica


Já começando 2k19 com Bibliotequices?
Mas claro que sim!

Porque a zoeira never ends, os questionamentos nunca terminam e fazer piada infame da própria desgraça faz parte :)

Tudo começou com esse meme maravilheeeeenho postado nos feicibuqui:

Página Bibliotecário Bem Humorado

Da sessão "Coisas inúteis de bibliotecári@ que ninguém precisa saber, mas que são importantes pra essa máquina continuar funcionando - parte 345374644."
(Essa explicação breve é para quem não sabe o que é e realmente não tá nem aí no impacto que isso tem, okay? Pra dar palpite na área escreve logo uma tese! Eu só sei questionar a relevância e a sustância de nossas ferramentas!)

O probrrrrrrrrema da Ficha Catalográfica.



(Já havia escrito sobre isso e uma forma de usar a bendita de forma funcional aqui)
Aquele quadrinho medonho que todo livro é obrigado a ter/tirar/registrar que fica no verso da possível primeira página de dentro do livro se chama "Ficha catalográfica". Ali tem informações legaizinhas como data de publicação, tradução, se o livro tem ilustradores, se tem mais edições, oh! Quem é autor? Qual nome do livro todo? O título original é qual? Óia que fofura tem ISBN (Outra coisa que não serve nada para quem não está intimamente ligado a isso, mais outro número qualquer, tipo nosso título de eleitor) e PLIM: SUPOSTO NÚMERO DE CLASSIFICAÇÃO.

Suposto...
(Chama na xinxa! Chaaaaama na xinxa que vai ter fogo no put***...)
Do tipo, pode ou não existir.
É um número que supostamente bibliotecários acham que deve ser o assunto do tal livro, mas que não necessariamente está certo. Porque há variáveis absurdas que confundiriam um astrofísico em encontrar um número que fosse assim, NOSSA ESSE É O NÚMERO DEFINITIVO. ANOTA AÍ IGOR!

Em resumo a ficha catalográfica parece algo medonho e difícil de interpretar. A porcaria NEM SERVE pra dar pista pra fazer referência bibliográfica do modo mais plausível (Again, na monopolizada ABNT lalalalala) e lógico.

Aí entramos no problema existencial da Ficha Catalográfica: ela não tem lógica alguma.
(Porque padrões seguem lógicas, não é? Ou a Lei da Gravidade parece surreal demais? Ou que 2 + 2 são 5?)


Partindo do princípio que se você faz todo um sistema arrojado de padrões de coisas e itens e isso inclui organização de livros, logo há uma lógica, certo? Certo?


Vamos considerar que seja certo? Esse é o status quo? Padronizar é organizar, organizar é padronizar. Beleza, #SqN. A Ficha Catalográfica (Ou Ficha Catastrófica como gosto de chamar) não te dá apoio algum, nem emocional, físico ou mental de se começar uma catalogação - a fina arte de se destrinchar dados sobre o livro que NÃO SERVEM PRA NADA NA VIDA DE UM SERUMANINHE FORA DA ESFERA BIBLIOTEQUERAAAAAAAAAA...

Tá vendo a lógica aí?
Não? Nada?
Pois então...

Mas inventam a Ficha Catalográfica, que na verdade é mais um selo de "garantia" que aquele livro passou por algum tipo de rigor/avaliação/intervenção de um profissional da informação. Para informar com curiosidades da área: apenas bibliotecários podem prescrever fichas catalográficas.
(Viram que usei o verbo prescrever? É que nem receita...)

APENAS BIBLIOTECÁRIOS!!
NINGUÉM MAIS!!
E AI SE NÃO FOR!! 
A GENTE TE COLOCA NA FOGUEIRA E INCINERA SEU LATTES!!

Somos meiguinh@s, não mordemos, juro.
Não quando mexem nas nossas padronizações.
Sim, essas padronizações que não fazem nenhum sentido para quem bate o olho naquele quadradinho no verso da página do livro, ignora e vai ler o conteúdo.
(Sério quem lê ficha catalográfica?!)

Ah! É também selo de garantia que passou pelo registro na Biblioteca Nacional. Pronto. Se tem o selinho da BN - que se chama ISBN quiançada, aquele outro número inútil enorme que na maioria das vezes começa com 978-85 - tá valendo. Esse livro aí é livro. É verdadeiro. É autêntico. Em uma visão mais platônica, esse aí deixou o mundo das ideias, na Caverna, esse tréco aí viu as luzes. Pode ganhar um Nobel algum dia. Que maravilha em ser registrado, nossa que lindeza.
(Que privilégio, que separatismo, que falta de consideração...)

Tá lá na Ficha Catalográfica.
(Isso fez alguma diferença na vida de vocês? Não, nada ainda? Calma que piora!)

Aí, sei lá, vai que vocês piram o cabeçote e decidem "QUERO VIRAR BIBLIOTEQUÊRO!!", tem que fazer curso de graduação antes, já avisando. Tem lei pra isso também.

E AÍ SE NÃO FAZER!! 
A GENTE TE COLOCA NA FOGUEIRA E INCINERA SEU LATTES!!

Somos gentis, não julgamos livros pelas capas, juro.
E logo na primeira etapa depois do susto - ao saber que ser bibliotecário não é só organizar livro na estante e fazer "xiiiiiiiu" pras pessoas - alguém te dá a mórbida informação que...

NUNCA CONFIE NA FICHA CATALOGRÁFICA!!!!!!!!!!!!!!!!!!


É bug na Matrix, gente.
Tilt no cabeção.
Aquele quadrinho que supostamente deveria ser padronizado - pra organizar, logo legitimado, logo legalizado, logo avaliado, logo confeccionado por altas autoridades competentes nos esquemas - não é confiável.


THE FICHA CATALOGRÁFICA IS A LIIIIIIIIIE!!!!
(O bolo também, mas se quiser pegar a analogia com game Portal, tá valendo)

Acalma aew o dedinho de teclar comentário que fica pior.
Oh sim.
E o bagulho é existencial.
É uma adaga dupla com uma mini-bomba embutida, porque toda vez que um bibliotecário faz uma ficha catalográfica é literalmente um atestado do quão competente ele é OU NÃO. E mais! Não importa se você é o catalogador mais frodástico das galáxias nos céos de Ranganathan rebolando Ranganathanga: fichas catalográficas NÃO SÃO confiáveis!!

Porque todo aspirante a bibliotecári@ de todo sistema educacional da Biblioteconomia aprendeu a entender que aquele quadrinho não serve pra nada a não ser confundir nossas mentes incautas de n00bies bibliotequeros!! Nóis não tem miolinhos e massa cinzenta pra entender como é o padrão, o lindo padrão padronizado ideal, o que nos primórdios poderíamos chamar de supercalifragilisticoespialidoso!!


A gente não tem Q.I. e evolução interna intelectual e de espírito para sacar qual é a do Padrão Universal que deve estar pairando sob nossas cabeças e somos cegos demais para ver. Ou os Illuminatti guardam de nós para não arruinarmos a configuração do Universo.

Isso é desanimador.
Mas também pode ser uma fonte eterna de piadas toscas.
Como essa do meme que compartilhei ali em cima.
(Aliás, sigam essa página que é cosamarlendadeRangs!!)

SE a ficha catalográfica não é confiável, logo ela pode ser mentira, logo pode estar toda errada, logo pode ter sido produzida e induzida ao erro, logo talvez, por que não? posso fazer piada sobre isso como fake news (que é uma piada bem chata, aliás), a ficha catalográfica não deve ser consultada para absolutamente NADA na sua vida acadêmica AND profissional.

Porque ela não é confiável.
Ela é uma patife.
Uma mequetrefe.
Bugre, sacripanca.
Ela vai roubar sua carteira e chutar seu traseiro.

Pra quê fazem ela então?!
(Resposta curta: BUROCRACIA!! E somos os cães do sistema burocrático, beijinho no ombro que aqui atrás do balcão e das enciclopédias eu não te escuto mesmo, nem que se quisesse)

Se a coisa foi estabelecida para ser padrão, por quê não confiar nela?
Então quer dizer que não se deve confiar no padrão?
O padrão é mentira também?
PERAÊ, A GENTE AO ACREDITAR PIAMENTE QUE FICHA CATALOGRÁFICA NÃO É CONFIÁVEL, TAMOS MANDANDO BANANA PRO SISTEMA DE PADRONIZAÇÕES?

Mas...
Mas...
Bicho bibliotequero não era pra ser reaça...?
Bicho-grilo?
Jurássico?
Apático?
Passivesco passivo do vale das passivones?

Quer dizer então que NÃO CONFIAR na Ficha Catalográfica estamos abrindo todo um potencial radical e anárquico de que O SISTEMA E OS PADRÕES NÃO FUNCIONAM? E tudo aquilo que um ser bibliotecário protege com unhas e dentes é um mero castelo de areia em que as belas ondas do mar irão derrubar?


Mas gente...
Tou passada, mona...
Tou de cara...

E vocês achando que a diversão nesse curso era manusear manual antiquado de sisteminha brejeiro pra dar aquela sensação ilusória de botar ordem no mundo, né?
Escreve isso aí garçom!
Ficha Catalográfica é nosso Manifesto Separatista!

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Pra quem não entendeu nada desse texto, é meramente zoeiro, tá?
Tou de brinks.
Leva de boas na lagoa.
Não me denuncia, porque estudante é peixe pequeno e não vale muita coisa na escala hierárquica da burocracia.
E não vou ganhar Nobel por isso.
Ou ter ISBN algum dia.