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Entonces... Resolvi dar uma repaginada nos esquemas do Bibliotequices - uma sessão que eu mantinha aqui desde outubro de 2015 - para or...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

dos ralos embaraçamentos

Então é o seguinte, já percebi em certos tratos sociais que (não) possuo e comparando com outros seres humanos, há essa desconfiança besta que talvez haja algum traço asperger aqui nos esquema. 

Não gosto de me precipitar, porque impulsividade ou o não ler os sinais já causaram tanto problema na minha vida de escriba que o gibi virou almanaque e espero que não façam edições definitivas dessa baboseira algum dia. E não, não confio no Doctah Google pra verificar sintomas. 

E aí algumas coisas que só percebi após passar quatro anos na área da Educação e mais cinco aqui na Biblioteconomia e tendo mais condições de pesquisa e estudo e ouvir relatos. E essas coisas eram um bocado fora do que chamam de neurotípico, ou seja, as pessoas que estão na zona de normalidade de aprendizado e psicológico. Que normalidade é essa e de onde tiraram o termômetro para ditar tal, não sei da onde tiraram isso...



Vamos fazer um trabalho bem péssimo e puxar algumas informações da Wikipédia? Como se fosse realmente confiável, mas bora lá, pois isso aqui é transitório, até ter um diagnóstico real demora pra cacete e custa caro. 
(E como o objetivo desse blog é pra me manter lúcida quando for ficando velha caquética e me esquecendo do que vivi até chegar a velhice e ah vocês entenderam! Morgan, pare de colecionar envergonhamentos, please?) 

Eu entendo piadas com sentidos diversos, as internas que demoram pra sacar, por isso peço explicações antes para poder colocar graça na pegadinha. Também sei brincar um pouco com o sentido de palavras e encaixar nas frases pra elas virarem algo, isso me requereu muito estudo e leitura, e perguntas bestas. Mas tem às vezes que entendo literalmente o que a pessoa tá falando /escrevendo mesmo. 

O que mais escutava quando criança era: "Tou brincando, Morgan!" - O que virou para "Tô zoando, poxa!" Até chegar ao ponto de "Cê sabe que não tou falando sério, né?"  em um tom de "wtf mesmo que você acreditou nisso?! Cê tem algum problema de cabeça?!
(crianças e adolescentes podem ser cruéis, gente) 

Porque às vezes interpreto tudo literalmente mesmo, não é por falta de esforço pra saber se é ironia ou não, faço piada com isso depois, pra não passar tanta vergonha ou ter que ouvir alguma das frases acima citadas. 

Letras de músicas são tensas, quando há metáforas mais elaboradas peço ajuda pro Google mesmo, apesar de eu desejar ter todo entendimento do mundo sobre figuras de linguagem, o cérebro pifa depois de um tempo. 

(And the papers want to know which shirt you wear em Space Oddity me demorou cerca de 5 anos pra ter coragem para perguntar o que se tratava, porque eu achava mesmo que era qual camiseta o Major Tom usava lá na espaço-nave dele, eu sei, ridículo. Até me darem a interpretação de que como era Guerra Fria, a camiseta podia ser a do capitalismo ou do comunismo)

Em situações realmente estressantes é capaz de eu entender ao pé da letra pelo apavoramento. E é esse um dos piores momentos da minha vida, pois interpretar literalmente o que alguém que você amava ou considerava disse em fúria NÃO É legal, já que o discurso VAI ficar grudado na cabeça por uma eternidade, mesmo que pra pessoa foi passageiro e figurado ("Não queria dizer daquela forma!" - oh well, adivinha?). 

A obsessão básica por assuntos e tópicos me é velha companheira desde sempre. Desde blocos de montar, astronautas e programa espacial, a Irlanda e sua cultura, universo fantástico onde havia um hobbit em uma toca, bibliotecas escolares, Nova Orleans, relações entre dominação e submissão, fandoms sofridos de séries, lore gigantesco de certo MMORPG... Ultimamente está sendo músicas rap na Ucrânia. Mas também tive uma obsessão estranha sobre tabus do corpo que afetavam o social, tipo profissões que sofrem preconceito por serem estarem atreladas a função desse pedaço de carne que reveste nossos ossos e que a herança judaica-cristã adora penalizar como pecado e imoral: medicina legal, radiologia, garis, catadores de lixo em aterros sanitários, andarilhos, soldados em recuperação de traumas de guerra, profissionais do sexo, usuários de opioides, comunidade BDSM, coveiros, embalsamadores, auxiliares de serviços gerais e por aí vai... 
(Damn as classes 393 e 61 sempre na cuca na hora de pesquisar) 

A imersão nesses assuntos também é um bocado obsessiva, enredos de games e livros são o que mais me prendem em exaustivamente pesquisar sobre cada detalhe e migalha até ter domínio de conhecimento de fontes/referências confiáveis daquele assunto até onde dá. A universidade me ensinou que tudo tem um limite, então não puxei demais a minha obsessão pela cidade de Nova Orleans além do que deveria. Eu nem quero pisar nas terras ianques se tivesse chance! 

Okay talvez um pouco.
Se fosse Nova Orleans, sim, pois é um dos meus assuntos favoritos.
E medicina legal, tanatologia e BDSM.

E é aí que a encrenca começa. Porque esses interesses são fora do escopo aceitável para uma conversação típica. Quando alguém introduz algo sobre rituais de morte e tabus de corpo, vou adorar sentar e prosear por horas da maneira mais objetiva possível. Mas assusta quem não tem a disposição, já recebi reprimendas por "não ter respeito" em assuntos tão delicados como a Morte, já teve gente que não se sentiu bem e pediu pra mudar de assunto. Teve gente que embarcou na teorização e foram as melhores horas de conversa que já tive com alguém.

Aí voltando ao trato social, a distância de um braço (postura "bicho do mato" como já me apelidaram quando criança, mas que a permissão de se abraçar precisa ser dada verbalmente pra não me sentir intrusiva no espaço particular da pessoa), a placa de néon na testa dizendo "não", raramente consigo descobrir quando alguém está interessado no que falo, se a pessoa não falar explicitamente que não está interessada naquele assunto em específico. 

Mas minha obsessão com a língua inglesa entre os 12 aos 17 anos me rendeu um modo de aprender a língua sem pagar um tostão em cursinho. Era eu, a vontade de aprender de qualquer jeito, as letras de músicas dos encartes e um dicionário fuleiro de 1992 na mão pra traduzir. Aliás o exercício incessante de tradução de músicas que me ensinou a ler melhor quando havia figuras de linguagem em inglês do que em português. Nessa época não dava pra jogar no Google Translator, eu perturbava muito meus professores de inglês e a tia que cuidava da biblioteca. 

Não entendo poesia.
E isso estraga pra caramba a lindeza dessa Arte. 
Demora a cair a ficha se não for muito cru e expositivo. Linguagem com firulas e rebuscada é meu pesadelo pessoal (F.U Camões e MilkShakespeare!). Vai ver que por isso ao chegar na Letras e me deparar com um método que conseguia separar joio de trigo com alguns passos foi essencialmente salvador de mais constrangimentos.
(Obrigadão Análise do Discurso!! Te amo Pechêux, tio Possenti, tia Orlandi e meu favoritinho tio Fucô) 

Quando não conheço bem a pessoa com quem tou falando, tem algumas coisas que deixo passar quando não entendi totalmente se ela reagia de um jeito ou de outro, aí entra as frases classiconas e aquele estranhamente de sempre da outra parte. Percebi que as pessoas não gostam de ser perguntadas sobre coisas óbvias, só para ter certeza dos procedimentos. Aquele acordo tácito de comunicação que as teorias adoram desvendar? Bem aí. Consentimento é sexy e creio que me aproveito demais do uso dele. 

Em relacionamentos mais íntimos ou de longa data algumas poucas pessoas já acostumaram com as perguntas absurdas que surgem em momentos nada apropriados, até entender a dinâmica e saber quando se deve perguntar ou simplesmente fazer. E o embaraço está bem presente quando antes de agir a primeira coisa que passa na minha mente é: "É agora que posso segurar sua mão? Dá uma dica visual aí pra eu não ficar sem entender a deixa?" - quando a pessoa me dá segurança o suficiente, vou perguntar isso, mas se não der, vai ser um desespero íntimo lendo algo que não tou acostumada a desvendar com uma escaneada. 

Por isso não consigo ser comediante.
Perco o timing horrivelmente. 

Lembro de uma situação ridícula que esse não trato social me deixou quando no meio de uma briga verbal acalorada com pessoa do passado (obviamente manipuladora) me dirigiu a palavra com uma ameaça de que não deveria mais estar na frente dela. O que meu cérebro começou pegar de tudo foi me afastar e ir para outro cômodo onde a pessoa não iria me ver literalmente, e já ir pro automático de que se ela não queria mais me ver, logo eu deveria sair do possível campo de visão dela, o que era sair no meio de um dia chuvoso em uma cidade em que eu não conhecia e voltar pra casa.

Ridículo porque me sujeitei a passar por esse envergonhamento em primeiro lugar, segundo porque não compreendi de imediato que não era para partir para medidas drásticas como abrir a porta da rua e sair. E isso até hoje me incomoda, porque eu ia fazer isso no automático sem interpretar as entrelinhas, mas o processo traumático de estar em um relacionamento em que a manipulação emocional era o prato principal não ajudou com o restante. 

A introversão também é uma das características. Posso até ser comunicativa quando se é necessário ser, para facilitar algum tipo de aprendizado por exemplo, mas é fucking estafante. Ou despersonalizo - como acontecia ao subir em palco e tocar durante 2 horas e não lembrar de powha nenhuma momentos depois - ou entro no modo bateria fraca, favor plugar a bateria. 

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