Pesquisando

domingo, 3 de março de 2019

mudanças do eu-lírico/bibliotequices

Entonces...

Resolvi dar uma repaginada nos esquemas do Bibliotequices - uma sessão que eu mantinha aqui desde outubro de 2015 - para organizar melhor as coisas.

Ha duas razões principais para isso:
1) que dividir eu-lírico do autor faz bem pra saúde.
2) que dar visibilidade ao que escrevo até que pode ser uma boa (ou não, quem sabe?).

Pra quem lia, foi mal, voltaram todos pro rascunho, logo estarão lá no Medium que fiz exatamente para isso. Pra quem lia pra fazer troça, aquele gif blergh pra vocês, tomar vergonha na cara não querem, né?
(BTW gradecide por me ensinarem as mesmas armas de proteção que vocês gostam de usar contra a gente que fala mais alto nessa gritaria que vocês adoram promover pra diminuir nossa profissão, nossas ideias, nosso pensamento e nossa liberdade)

Ai pra poder fazer esse esquema todo funfar, tá aqui todos os espaços do BIBLIOTEQUICES nas Interwebs:

Twitter: https://twitter.com/_bibliotequices


Minha intenção ao criar o Bibliotequices foi de princípio catártico de descarrego de encargos, em outras palavras menos rebuscadas, era pra reclamar que nem uma velha coroca.

Nunca levei a minha forma de escrever esse blog à sério (e vai ver que é isso que funciona tão bem pra mim nessa vida, o não se preocupar tanto com o que escrevo) e tagarelar sobre o curso e a carreira onde pretendo me instalar até os dias finais de minha existência tem se tornado um imenso prazer pra mim. Sim, porque sou humana e os 140 caracteres do Twitter não iam aguentar as besteiras que costumo proferir em nome da Ciência (da Informação, mas hey! Ciência)

Acabou que o Bibliotequices vem sendo uma forma também de ter uma reflexão indireta do que raios eu ando fazendo da minha vida e o pior, o que faço da vida dos outros — já que estar na linha de frente em uma biblioteca escolar é praticamente apontar a porta de entrada pra diversas coisas estranhas nessa vida acadêmica para pessoinhas que não fazem a mínima idéia de como ser adulto é algo sofrido. Divertido às vezes, mas sofrido.

Já havia escrito como a informalidade nos espaços acadêmicos tem me ajudado a compreender melhor quem eu atendo, esse olhar besta e de cientista idiota (id e ota) não trazem vantagens para a demanda que me aparece durante os dias. E chega uma hora que o beco sem saída aparece, e mesmo quem tem pouco tempo de estrada cansa subitamente devido à diferenças ideológicas entre aqueles que supostamente deveriam estar dando o exemplo e eu na ponta, tentando apreender (E aprender) tudo que posso nesse espaço curto de tempo.

(5 anos de graduação passam voando, acreditem)

Ter a oportunidade de conhecer pessoas que se dispõem a dedicarem suas vidas acadêmicas a estudar gente, ser humano de verdade, acaba me derretendo do modo mais meloso possível.

(Sim, os pompons sobem e descem no ritmo contagiante da lambada…)

Eu perco a minha frieza habitual quando vejo alguém competente fazendo um belo trabalho para a comunidade. Não só porque tenho esse fraco pela reforma interna da Educação aqui no Brasil, mas porque desejo ser esse agente volante de mudança. E quase um complexo de Messias, só que sem a parte de morrer de forma agonizante ou algo assim. Tá mais pra profeta de últimos dias com aquela placa alertando o que virá e o que a Humanidade deve fazer para ser salva.

Sim, megalomania está falando alto esses dias.

Creio que tod@ bibliotecári@ que converso tem um pouco desse “defeito”, o de querer ser mais do que é para conseguir atingir seu público de maneira eficiente, mesmo com os poucos recursos, a falta de apoio das instituições, colegas de trabalho, de profissão e do público, a briga eterna entre “Fazer porque dá dinheiro” versus “Fazer porque quer”. O fazer bibliotecário se torna um estilo de vida, incorporado no sujeito e tudo que a gente faz é porque faz parte de nós mesmos.

É uma viagem mó lôka essas coisas se for parar pra pensar.

A Biblioteconomia tem me proporcionado feelings de profundo desgosto e admiração em espaços de poucos segundos. É como apreciar um prato perfeito e perceber no paladar que o gosto está horrível. Às vezes a vontade de levantar da cama é zero, de chegar ao balcão, de abrir o sorriso, de se empolgar com o que faz. A academia come muito do nosso eu-lírico, da nossa inspiração querendo ou não, a docência (in)doscente arruína com muitas idéias, muitos sonhos, muitas ações. Aquela vontadezinha de mudar o mundo murcha a cada palavra ou atitude absurda vinda da hierarquia maior. O gosto de se querer fazer algo para mudar a vida das pessoas não se torna fardo (Antes fosse!), mas sim daqueles cafézinhos adoçados com o pior tipo de aspartame do mercado. Cê sabe que não vai ter problemas de saúde com poucas calorias, mas por Odin de saias! Como é horrendo aquele gosto que sobe.

Aí saio de uma palestra incrível com apresentações de trabalhos maravilhosos que tentam desvendar as nossas incertezas como profissionais. Gente que se importa com o que fazemos, como fazemos, porque fazemos. Gente que vê nas dificuldades de cada um de nós atrás do balcão, ou entre as estantes, ou no processamento técnico ou até mesmo em lugares inusitados de atendimento e dizer no tom mais amigável possível: “Eu, você importa. Sua voz também tem importância. Você gostaria de falar comigo?”

Isso é extremamente válido. Essa escuta produz profissionais e estagiários mais aptos a aguentarem o tranco mesmo com tantos problemas. Esse esforço de nos colocar como protagonistas de algo maior (e é gente, como é!), faz todo sentido pra gentinha sem noção, tagarela, com imaginação fértil como eu se sentir bem com o que faz. De ver futuro para o que tá fazendo, de não parar mesmo com as adversidades.

Eu me sinto honrade por conhece essas pessoas mais de perto, além dos muros invisíveis da universidade, além dos referenciais teóricos, as cátedras imaginárias, os títulos pomposos, os discursos furados querendo nos convencer que somos invencíveis. Não somos, somos invisíveis e é isso que a Academia deveria estar tentando reverter enquanto é tempo.

(E há pessoas fazendo esse trabalho lindo de nos colocar no protagonismo, isso é ótimo!)

Aos trancos e barrancos, a esses profissionais queridos, docentes, amigos, futuros orientadores de uma galerinha do barulho que vai aprontar mil e uma confusões, vão meus créditos para essa coluna que comecei do nada por uma demanda interna (Pseudo-bibliotecária de referência é fogo viu?).

O Bibliotequices tá aí há 5 anos, mas já vislumbro vários posts sobre a área que possivelmente possam fazer alguma diferença na vida de alguém.

(Nem que seja para traduzir em palavras a reclamação de alguém, nem que seja por isso!)

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