Pesquisando

segunda-feira, 22 de abril de 2019

tudo tem seu limite

Há uns 2 anos atrás sofri ameaça direta de violência física dentro do curso que amo. Motivo? por estar dentro do movimento estudantil e por querer abraçar o mundo como dava. Sem arrependimentos aqui, mas o damage sofrido não foi recuperado, e acho que fiquei meio caolha no processo.

E por não poder me deslocar sem ter um ataque de ansiedade dentro do busão ou andar depressa mais do que as pernas podiam ou ficar insistentemente olhando por trás do meu ombro na vã impressão que o doido ia brotar do chão e fazer mesmo o quanto andou gritando em caps lock, eu imaginava a minha reação se isso realmente acontecesse.

E isso me rendeu cenários nada bonitos de se imaginar, gente.
Não dê munição para uma imaginação já fadada a noiar sobre pequenos detalhes da vida.
Novos limites tiveram que ser estabelecidos, pro meu bem físico e pra minha sanidade mental já fragilizada não ir pelo ralo. Ir pra conchinha foi restaurador, mas sair dela tá sendo estranhinho, pois a impressão que tou tendo é que a força empregada em manter algum controle sobre meus impulsos (E os tenho, sim, e eles são destrutivos em diversos modos) valeu a pena até certa margem de erro.

Eu sei, é sobre placas tectônicas, mas tem a ver com bordas e tals

Tive a ajuda profissional de pessoas capacitadas, tive o apoio de pessoas que me amam, mas principalmente tive que relembrar mais outra vez, novamente, de novo, que o que me alimenta é o que me mata, então dar comidinha pros monstrinhos já encarcerados beeeem lá nos fundilhos foi proibido. E é difícil, porque eles rugem bem alto junto com o bode balindo preso na perna. Às vezes eles cantam e eu sigo a cantoria, mas nesse tempinho de recuperação e sumiço de qualquer coisa aproximada ao que fazia antes foi como entrar em uma câmara suspensa com gás apático e com permissão para sair algumas vezes.

(Debaixo do link os afastamentos e os limites necessários para convívio pacífico)


Por muitas noites pensei que seria o último dia em que iria deitar minha cabeça no travesseiro, pra no dia seguinte começar a rotina novamente. E fuck, foi a rotina que me salvou. Me manter longe da rotina do curso fez bem, mas também fez péssimo: não reconheço mais ninguém das fases anteriores e pouco sei do que tá acontecendo que pode prejudicar os outros (Aaaaaaaah a novela do SEDE continua, monamis). Abraçar o mundo como dava não é mias opção, decidi só dar uns cutucões com a ponta do pé e ver se tá vivo ainda.
Voltar a morar com a mãe também foi restabelecer todos os limites já pré-estabelecidos.
Engolir meu orgulho também.
Ter mais paciência também.
Enxergar oportunidades nas caquinhas feitas também.

Me afastei do movimento estudantil, associativo e me tornei aquilo que chamam de ativista de Facebook. Eita, é uma boa progressão, né?
Até porque o plano é se manter viva nessa existência por um tempo suficiente para fazer algo de bom com meu diploma de Biblioteconomia, não ao contrário - desperdiçar minha vida em um poço sem fundo e sem Samara.

Fiz a besteira de tentar me juntar a pessoas que estavam na mesma frequência de conversação que a minha (já disse em voz alta que a comunidade LGBTQI+ não me é confortável em diálogo, mas sim a de poder me expressar com mais suavidade e seguramente na BDSM? pois então... aí existem humanes e eles costumam estragar algumas coisinhas...) e fui fazer a famosa tabelinha de hard e soft limits que acho que todo mundo nesse mundo deveria fazer alguma vez na vida.

Aprendi a apreciar umas coisas fora do convencional do meu padrão já nada convencional. Fui assistir novela, fui aprender a fazer bolo, fui ler sobre assuntos desinteressantes e triviais, desacelerei para não me deixar cair de novo. Conheci boas pessoas que me suportaram nos piores dias e também me suportaram nos bons dias em que eu tinha que suportá-las (Via de mão dupla né?) e mesmo com a recorrência de pesadelos regulares mensais e aquele medinho absurdo de perder o controle em local público por conta da ansiedade nas tampas, tá indo.

Não tá perfeito, mas tá indo.

I mean, podia estar pior, eu poderia estar sofrendo de disforia como no começo de tudo e/ou sendo silenciosamente oprimida aqui dentro de casa, mas não. O apoio veio do lugar onde achei que não ia mais encontrar (Apesar que em outros lugares/pessoas sequer vou me aproximar mais, tudo tem seu limite). Os limites foram sendo atualizados com sucesso. Ainda tem os ajustes, porque não consigo dissociar algumas coisas da profissão e meu lado anarquista, mas tou aprendendo no estágio obrigatório a colocar uns tijolinhos transparentes em uns muros necessários.

Até porque eu preciso trabalhar daqui a pouco.
E preciso terminar a graduação.
E preciso não pirar nesse meio tempo com as mudanças que virão daqui alguns meses.

E sim, Assassin's Creed Odyssey tem me ajudado a não me frustrar com as eminentes explosões de humor que venho fantasiando (E vão ficar lá no reino da ilusão, porque levar isso pro mundo real não será feliz.)


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