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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

o terror da leitura de estantes

Esse é o usuário que eu costumo lidar
[EDITADO: E hoje não teve jeito, vou ter que fazer a bendita da leitura (18/09/2015)]

Tudo começa com uma pesquisa estranha de um estudante que está sendo bem sério quanto ao seu pedido:

" - Quede o livro que eu pedi outro dia?"

Eu, em minha memória seletiva apenas para coisas aleatórias (Abençoa Loki nos esquemas), devolvo a pergunta pro pequeno:

" - Você se lembra como era o livro? A capa, a história?"

O tiquinho de gente cruza os braços e aponta para um lugar específico na estante onde o livro deveria estar. Um livro preto, com letras amarelas bem forte que contava a vida de um passarinho e quase não tinha letras. As informações passadas pelo menino ajuda no filtro aqui, dá até para jogar no Google e tentar a sorte!

Então após perder metade do horário de visitação do pequeno procurando o livro, me dou por vencida, pergunto se ele não gostaria de pegar outro livro e que irei com certeza ir atrás do bendito. Isso virou uma questão de honra!

Uma lenda muito propagada nas bibliotecas escolares é que os nossos usuários não sabem o que querem. O que mais recebo de perguntas aqui no balcão é sobre características de livros ou seus assuntos. Eles sabem o que quer, apenas não colocam nome naquilo que querem.

(Maaaaahoooooiêêêêêêê serviço de referência, fuén-fuén)

Diferentemente do público adulto pesquisador - que vai te enrolar até dizer chega com o tópico a ser estudado, pois nem eles mesmos sabem o que querem da vida - o público escolar juvenil tem uma avidez na hora de cavucar as estantes. Chega a ser excruciante essa recuperação de informação no modo antigo, demorado e cheio de becos sem saída. O livro preto de letras amarelas sobre a história do passarinho não foi encontrado até agora, mas tenho certeza que já o vi percorrendo as estantes do infantil...

A habilidade inerente ax bibliotecárix - memória eidética - me foi conquistada com a quantidade de livros que eu tinha que decorar dentro da biblioteca do Silvio Lobo, agora aqui, se tornou uma questão de vida ou morte. Ou leitor ou não-leitor.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

#eunaBiblio - dilemas com livros "não indicados" aos estudantes

Quando eu fazia Letras no antro do Papado da Tradicional Família Mineira, uma frase que me fazia querer dar facepalm extremo era a tal da:
" - Eu tenho xx anos de tal coisa." - como se fosse propriedade para se convencer alguém sobre qualquer argumento.

O dilema básico de barrar livros para alunos que pegam títulos que os outros acham que eles não vão conseguir ler me dá um nó no estômago. Sinceramente, às vezes tenho que bater boca com professor para poder deixar claro o ponto de vista de uma forma democrática, transparente e livre de biblioteca:

" - Se pegou o livro é porque tem vontade de alguma coisa aí envolvida."



O negócio de não ver capa, nem cara é meu lema pessoal aqui na biblioteca, não vou deixar que o ensino tradicional ferre com as possibilidades inúmeras de alguém - seja lá quem for, idade ou capacidade intelectual - ler um livro, qualquer livro.

O véio Ranganathan  (Esse carinha indiano aí da figura, yep, ele é o patrono da Biblioteconomia.) não escreveu as 5 leis da Biblioteconomia à toa. E as 2 do meio dá margem pra diversas interpretações para o ofício:

"A cada livro, o seu leitor" - livro não tem faixa etária, classificação indicativa e pelamor, não tem que fazer estante de acordo com a idade dos estudantes. ISSO É SACANAGEM! É como taxar algo que supostamente nem deveria existir pra ser taxado. Já é um puta absurdo muitos estudantes NÃO TEREM condições de acesso a leitura em suas casas, vizinhança, família - e aí a instituição onde deveria ensinar a eles a importância desses espaços e de cultivar o máximo possível da capacidade autônoma deles se virarem sozinhos e saberem fazer escolhas na vida - e agora me vem com essa?!

"A cada leitor, o seu livro" - se o guri quer pegar a powha do livro, pega uai! Ah não sabe ler em letra desse tamanho? Não sabe ler?! Tá em processo de alfabetização?! Não tem habilidade intelectual pra texto de complexidade desse jeito? Só pega livro pra se mostrar pros outros?

Dude, e daí? Será que não pensam que o estudante pode muito bem estar construindo um ideal de identidade (E até de grupo) carregando o bendito do livro (Yeah modafóca que carrega a Bíblia por aí e não entende merreca nenhuma do que estão falando nos versículos? Sorta of that!). Que talvez em casa tenha um irmão mais velho ou mãe/pai/avós/tios que leiam para ele, e hey! Por que não, gente, por que não o estudante vem aqui, nessa biblioteca, talvez a ÚNICA referência de local de leitura, e pegue o bendito do livro para seus familiares?!

Será que não pensam nisso não?

Tá certo que tem uns estudantes que deixam mofando na mochila, que colocam banca pra fazer bonito com a turminha, mas sério? Sério? Vou entrar em investigação individual de cada ficha de alfabetização de cada estudante pra saber "O que ele deveria ler"?!
Esse não é meu papel, aliás, o meu único dever aqui é mediar a leitura pra esse povo, não atrapalhar o processo.

O "tenho 30 anos de ensino" não vai me convencer que talvez 29 anos deles talvez o educador tenha sido domesticado par criar alunos - etimologia da palavra "aquele sem a Luz" - e não estudantes. Ofendeu o discente? Deveria. Me ofendeu? Sim (Não estou escrevendo que nem uma louca à toa), mas pelo menos faço o esforço de relevar todas as possibilidades que essa criança de cerca de 10 - 11 anos que pegou Amanhecer da Stephanie Meyer tenha tido para querer ler ESSE livro.

Aos 11 anos eu já lia Edgarzinho Allan Poe, tá? Não seria justo privar seja lá quem for de conhecer a literatura - qualquer literatura, boa, ruim, informativa, sem noção, fadinhas disfarçadas de vampiros, whatever - dessa forma. Isso pra mim é crucial para uma biblioteca escolar ser um espaço de livre acesso.

O mundo lá fora da Escola já vai se encarregar de ferrar com o psicológico do sujeito, deixa ele pelo menos desfrutar essa noção de seguridade nos livros, poxa.

Sim, estou revoltada pra caramba.