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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

bola de canhão



Stones taught me to fly
Love taught me to lie
Life taught me to die
So it's not hard to fall
When you float like a cannonball
(Lisa Hannigan cantando Cannonball do Damien Rice)

Crescer é uma coisa bizarra que acontece com cada criatura desse universo, não tem como escapar mesmo com síndrome de Peter Pan que seja. O trem das células e elasticidade dos tecidos? Bem isso.
Sobreviver ao processo é legal se encontrar uma lógica nesse negócio todo, alguém tão centrada na powha do funcionamento total das engrenagens como eu fico feliz de ter essas pequenas demonstrações do Universo de "Hey amontoado de átomos insignificante que acha que tem crânio propenso para abrigar um órgão primitivo com capacidades únicas de raciocínio, você é um amontoado não tão idiota assim!".

A descrição da fala do Universo é linda, porque dentro da minha cabeça soa como o Morgan Freeman, logo precisa ser mais longa.

Perder meu tempo na adolescência trancadx no meu quarto, escrevendo incessantemente sobre personagens que encaravam a Dona Muerte como algo trivial anda me ajudando em muitas coisas que estão seguindo um rumo inesperado.

domingo, 6 de março de 2016

coisas que a gente não fala

"Anjo da Morte" por Evelyn De Morgan (1897)
A Morte, assim como qualquer coisa que envolva o Corpo acaba se tornando um tabu tão fechadinho numa redoma de adamantium que poucas pessoas que já conheci nessa vida de escriba se sentiram à vontade para sentar e conversar por horas sobre isso. Eu como boa pesquisadora desde que me entendo por gente, acabei me interessando por esse negócio (o corpo e tudo que vem envolvido nessa temática) por razõesmeio extracurriculares da minha própria natureza questionadora.
(Sabe o negócio de: "como funcionam as coisas?", então, o corpo humano pra mim é a caixinha cheia de engrenagens mais perfeita e misteriosa que já botei os olhos)

Tem gente que tá acostumada com essa perspectiva nefasta - gente que já viu a Dona Muerte de perto ou que teve experiências próximas com a perda de parentes, amigos, etc - e conversa de boa, mas mesmo assim sinto que o assunto não é lá bem tratado como deveria.

Já havia mencionado aqui no blog sobre algumas coisinhas sobre isso e como afeta diretamente a minha forma de ver o mundo, mas quando acontece muito perto, o mundo meio que para e revejo uma porção de coisas que estão erradas. Porque é exatamente isso que a Morte causa nas pessoas vivas: o questionamento incessante de que não estamos vivos completamente.

Para ler mais sobre isso tem esses links aqui [x] - [x] - [x] - [x] - [x]
Tem essa animação irlandesa MUITO legal: [x]
Emilie Autumn trata dessa temática com maestria: [x]

Alguma hora tudo isso que chamamos de corpo biológico vai parar de funcionar. Algum dia toda a energia que mantem essa estrutura intricada vai falhar e será mais um nome na lista da Dona Muerte. Às vezes o processo será apressado por inúmeras razões, medo, dor, culpa, tristeza, e por aí vai. E é aí que o tabu se torna mais afunilado, porque ninguém fala sobre suicídio.

Não sei da onde vem tanto terror pelo tópico, mas pelo que entendo em ler algo nas pessoas é que elas não exteriorizam esse pavor sobre suicídio. Por muitas vezes quem se mata é menos vítima do que culpado. A dor que fica remoendo as pessoas que ficaram para testemunhar esse ato de profunda responsabilidade - porque se matar está entre ser algo extremamente são e lúcido em certas circunstâncias, ou algo não-planejado e espontâneo. Fazer isso de forma abrupta e sem motivo algum é o que mais aflije pra quem fica. Da mesma forma que muitos classificam suicídio como na etimologia da palavra do latim, sui, "próprio" e caedere ou cidium: "matar", mas na minha teorização todos os dias estamos praticando um ato suicida contra nosso corpo.

Querem exemplos? Hábitos que prejudicam a normalidade de funcionamento do organismo: bebidas alcóólicas, drogas, cigarro, hábitos alimentares, falta de exercício, estresse demais, problemas psicológicos, ter uma carteira de habilitação...
(Oh vocês sabiam que acidentes de carro matam mais que armas de fogo no mundo inteiro? Então quem está atrás do volante pode ser considerado um suicida/homicida em potencial do que uma pessoa que possui porte de arma de fogo)


quarta-feira, 22 de julho de 2015

sonhos estranhos e com detalhes: La Muerte

Para comemorar mórbidamente o post 566 desse blog guardado por entidades inanimadas, submersas e sonolentas nas profundezas do Mar-sem-fim, o assunto veio a calhar.

Muerte Blanca
Muerte Blanca (Photo credit: Wikipedia)
Eu respeito a Morte, a Morte é legal, é sensacional. A única coisa que a gente tem certeza nessa vida (Nem mais os impostos, señor Franklin!), a inesperada esperada notícia que todos vão ouvir algum dia. A Morte me fascina de jeitos peculiares, desde sua compreensão nos povos antigos até os dias atuais de pura confusão e nonsense. Mas quando se sonha ou vivencia demais, dá um nó danado na cabeça.

A Morte com M maiúsculo, pois é seu lugar incontestável ser a dominante entre tantas divindades. Onde termina, onde começa, o ciclo está ali com a mocinha vestida de capuz escuro, cadavérica e carregando a foice na mão. Alguns a vêem com esses olhos caricatos de a Ceifadora, já eu costumo ter sonhos inusitados com ela de mochilinha rosa das meninas superpoderosas e andando num triciclo de plástico da Estrela. Não saberia como explicar essa imagem que tenho da linda dama sempre pontual, mas algo me fascina sobre a figura daquela que tantos evitam de mencionar por acharem que seja mau agouro e tudo mais.

Celebrada e afastada em diversas culturas, a Morte traz um bocado da História da Humanidade em sua formação como aquela que é responsável pelo seu último suspiro, tudo de certa forma em nossa sociedade é ligada a ela: I hope I die before get old, o verso tão famoso do The Who não falava da fuga adolescente de se querer viver jovem para sempre, mas sim de reconhecer que a juventude acaba e a velhice precede a esse estado irrecusável. Na Irlanda (Ainda chamada Eire) antes da romanização de ritos, era comum ver famílias inteiras desenterrando os mortos mais recentes, darem uma voltinha ou uma dançadinha com eles e depois colocá-los no caixão de novo. Na Índia se banham com as águas turvas do Ganges, lotada de restos mortais em cinzas de pessoas falecidas. Na Inglaterra Vitoriana colocar moedas acima dos olhos de um morto era sua garantia de travessia para o outro mundo, na Grécia Antiga o pagamento era feito com uma moeda debaixo da lingua, o símbolo máximo do Cristianismo, Jesus Cristo, ressuscitou da Morte após 3 dias e assim vai e vai e vai.

Inúmeros exemplos de como a vida é permeada pela fuga contra a Morte é ilustrada bem nas teorias de Freud sobre libido, pulsão de morte e de vida. Muito do que passamos em nossas vidas são experiências entrelaçadas com o morrer diário. Estamos mortos a cada instante com a mudança de células em nosso corpo, a Arte, a Violência e o Prazer estão ligados à Ela igualmente.

Medicina Legal sempre me chamou atenção (Tanatologia era meu tópico favorito de correr atrás), cuidados e prevenção ao suicídio fizeram parte da adolescência trash de pesquisa intensa, pensar na Morte nunca me foi tabu, nunca me foi vergonhoso, mas expressar isso com clareza para o exterior pode parecer insensato. Alguns dias atrás postei uma animação irlandesa CODA sobre essa temática, tão delicada em sua composição que me trouxe bons momentos filosóficos sobre como é esse processo de nascer, crescer, desenvolver, morrer, renascer. Não é a toa que um dos meus cenários favoritos de RPG se trate justamente de pessoas que encaram a Morte quase todos os dias.

(Para posts que já argumentei aqui, vide aqui, aqui e aqui também)

Não encaro a Dama Branca como um monstro horrendo que deve ser mantido à distância, ao contrário, ter um diálogo aberto sobre a Morte (E qualquer outro tabu social que impomos nas nossas vidas) é saudável para se ter uma vida mais sã e salva. Assim como creio que se falarmos mais sobre Ela para nossas crianças, não vai ter tanta gurizada desmiolada fazendo coisas sem noção para provar que são adultos, né?

Ter sonhos com Ela costumam ser esporádico, mas semana que se passou foi diferente. É a quarta seguida vez que sonho com a Dona Muerte (Yep, é como eu a chamava no sonho). Impávida e nada colossal - ela era baixinha, aterrorizante, mas vairy vairy cute and tiny - se aproveitando do ensejo de minha mente lesada e levando essa beeeeeesha lôca aqui a ter mais impressões estranhas dela.

Já havia tido um sonho parecido, com a mesma personagem, só que ela era a Nêmesis linda do meu s2. Claro que nesse veio a inovar, já que se é para ficar ao lado da Muerte durante um sonho inteiro e sentir aquele comichão de questionamento vir a cada 5 segundos, o sonho a seguir consegue ser mais maluco que o anterior.

Debaixo do link, a doidice master que me acompanha já faz uma semana.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

[videos] CODA - animação irlandesa

Não, não sou eu final de semestre, é o protagonista de CODA
Desde que conheci o cenário de Mago, os Adeptos da Virtualidade sempre foram meus favoritos - dããããn hello? - mas uma Tradição que me chamava atenção demais era o Eutanatos (O plural é assim? Espero que sim).

Toda a questão da Roda, do começo, meio e fim, renovação, retribuição, karma, darma, tudo isso me interessou desde muito cedo e é difícil ver cinema ou tv ou jogo tratando o assunto Morte com a devida sensibilidade. O pavor que temos da Primeira parece estar enraizado no nosso DNA desde os primórdios, os avanços de pesquisa que já fiz sobre o assunto nas diversas faces que a Humanidade A coloca parece ser muito... intimidadores.

Tem um rapaz lá no interior de São Paulo que escreveu um conto extremamente emocionante sobre o encontro com a Dona Muerte, e que por muito tempo me fez deliberar como a ironia da Sua existência começa quando termina. O primeiro encontro vai ser o último e guess what? Será o mais íntimo encontro que teremos algum dia. Infelizmente o Blog dele saiu do ar e não consegui recuperar o link (Vou lá encher o saco dele e pedir pra publicar em algum lugar, k?).

Aí pelas interwebs da vida, encontrei isso na timeline do grupo de Mago o Ascensorista¹ no Facebook e achei divino... Oh peraê, não divino, mas assim... tipo... algo parecido.




A animação se chama CODA - Santo Google explica - foi produzida na Irlanda, foi mencionada no Oscar desse ano (Mas nada muito sério) e tem a dublagem de Brian Gleeson (Filho do Brendan "Olho Tonto Moody" Gleeson) e Orla Fitzgerald (Tia, sua voz é linda!!). A produção tem como personagem principal uma alma perdida por aí que tenta barganhar com a Dona Morte pra não ir ver a luz branca e talz. Achei incrivelmente bem feita devido a pureza da mensagem... Vai ver, não vou dar spoilers...

A última vez que sonhei com a Maria Maricotinha Ângela dos Feéricos era algo parecido (!!!), só que numa calmaria danada com a mochilinha rosa e de triciclo. Estranho ver como alguns sinais na vida e nos sonhos podem nos levar para outros cantos inimagináveis...

¹ Essa piadinha infame nunca fica velha...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

[Feéricos - contos para sonhar] os escorregadios: Kristevá Todd

Título: Feéricos - contos para sonhar os escorregadios: Kristevá Todd (por BRMorgan)
Cenário: Original - Projeto Feéricos.
Classificação: PG.
Tamanho: 471 palavras.
Status: Completa.
Resumo: Diálogo entre alguém e a Morte de triciclo.
N/A: Um pequeno rascunho que veio e acabei deixando de lado. Mas aí depois ao pensar nele, fiquei: hmmmmm acho que vai me servir para a posteridade. [Editando: Atualizado 11/09/2016]
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Eis um corredor extenso de uma instituição qualquer.
Poderia ser de uma escola, universidade, hospital, escritório, o que for.
Antigo é o prédio, velhas são as edificações, enferrujadas são suas portas e janelas, há muita areia acumulada em muitos cantos e rastros por todo chão.
Nesse corredor extenso há uma única porta aberta.

Atrás dessa porta há um armário de limpeza qualquer, com estantes improvisadas com produtos de limpeza, algumas vassouras, esfregões e rodos já desgastados pelo Tempo. Uma enceradeira velha e descascada, galões de desinfetante de cheiro forte de limão, luvas de plástico amarelas penduradas em alguma estante. Sentada ao chão está uma pessoa que podemos identificar como "Visitante".

Do lado de fora desse espaço pequeno, no corredor sem porta alguma a não ser essa, está a Morte, personificada como a famosa ceifadora, vestida de grosso manto escuro, o capuz cobrindo a caveira angular, de protuberantes ossos em alguns lugares da bochecha e mandíbula projetada para frente com grossos caninos, não como uma caveira humana, mas de animal exótico. Sem olhos, ela observa, com sua foice pendurada nas costas, sentadinha em um triciclo infantil de cor rosa choque, encarando a porta como se estivesse ouvindo atentamente a pessoa visitante.
 - Você colocando dessa maneira parece bem mais fácil de entender... - continuou a pessoa visitante para a Morte de triciclo. Sua voz estava abafada por estar no fundo do closet de limpeza, mas isso não impedia do diálogo seguir normalmente. - Desculpe-me, mesmo... Tá tudo bem... O importante é que sei agora, né? - a Morte concordou com o seu capuz movendo para cima e para baixo no rosto cadavérico. - Agora sei o que fazer com o restante do meu tempo.
 - Apenas não se precipite. - avisou a companheira das últimas horas.
 - Não, não irei. Quero fazer direito, eles confiam em mim.
 - Não quer nem pensar em uma escapatória?
 - E por quê eu faria isso? Tem jeito? - a Morte de triciclo deu de ombros, a foice pendurada em suas costas mexeu um pouco.
 - Talvez dê certo. Alguns tentaram.
 - E foram felizes?
 - Infelizmente não sei. Apenas sei que tentaram.
 - Difíceis de pegar?
 - Escorregadios.
 - Não quero te dar trabalho. - um fio prateado escorregou do cabo da foice e foi serpenteando devagar até o fundo do armário, enlaçando calmamente a perna da pessoa visitante. Ela estremeceu sem entender o porquê ter tal laço frio.
 - Nem eu. - estremeceu a pessoa visitante sem saber o que falar. Suas memórias estavam ficando falhas novamente. Tinha pouco tempo agora. A Morte pega impulso em seu triciclo rosa-choque e pneus de plástico desgastados, mas antes que pudesse arrancar, a menina se moveu dentro do armário de limpeza no corredor de extenso de uma única porta.
 - O que acontece se um dos escorregadios conseguir?
 - Fica difícil de prever. Muitas coisas mudam, novos horários, pouco tempo para adaptar a carga-horária.
 - Se precisar de alguém... - a pessoa visitante deu de ombros ao dizer isso.
 - Com certeza não irei te chamar. - respondeu a morte de triciclo, apertou bem as mãos no guidão do triciclo, pedalando algumas vezes no extenso corredor de uma única porta. A menina colocou a cabeça para fora da porta, assistindo a ceifadora ir esvoaçante pelo corredor. Suspirou de cansaço, de tristeza, de impaciência.

Olhou para aquela porta que dava acesso ao corredor. Tudo parecia tão diferente agora que sabia o que fazer. Poderia tentar mais uma vez, não é?

Ser um escorregadio não estava nos planos dela.

Fez uma lista mental do que deveria fazer ao acordar:
Encontrar a bruxa solitária.
Conversar com a ninfa das árvores.
Socar o rosto do marinheiro.

Ia colocar algo a mais na lista, muito importante, não poderia esquecer, algo a ver com alguém que vinha das cavernas geladas quando sentiu a fisgada leve. O fio prateado em sua perna era puxado aos poucos, apertando seu tornozelo, aquilo estava certo? Era para ser... assim?

Seu corpo foi derrubado ao chão com violência e bruscamente, o fio prateado estrangulando o que tinha por dentro, levando o que tinha que levar, deixando apenas um invólucro vazio e sem memórias do passado, de sua missão e de seu futuro.

...

Kristevá Todd teve sua admissão no Hospital da Metrópole aos 9 anos de idade com um diagnóstico inconclusivo entre amnésia retrógrada e forte trauma infantil. A dosagem de remédios aumentou quando completou 13 anos de idade.

Esqueceu da lista.
Esqueceu da companheira das últimas horas.
Esqueceu de saber quem era.

Não sonhava mais.
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