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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

[bibliotequices] biblioteconomia ufsc ocupa ced

BIBLIOTECONOMIA UFSC OCUPA!

Em uma atitude inédita e histórica dentro da Biblioteconomia, uma Assembleia legítima chamada de estudante para estudante finalmente decidiu os passos do movimento estudantil no curso. 
SIM para apoio, respeito e adesão a Ocupação do CED mobilizada pelo @OcupaCed.
NÃO para paralisação das aulas e atividades acadêmicas.

E é assim que o curso onde escolhi com consciência e orgulho se posicionou.

É oficial agora, entrará para História desse Centro negligenciado pelas instâncias, pelo poder público, pela sociedade, que nos posicionamos, nós abrimos a boca, nós saímos de nossa desvalorização mesquinha de categoria, resolvemos em coletividade FAZER ALGUMA COISA.

E tenho certeza que haverá muito trabalho a fazer, muito a planejar, muita paciência, sabedoria nas atitudes e palavras, muito a se resgatar como pessoa constituinte de um coletivo em prol de uma causa que inegavelmente irá nos afetar como estudantes, trabalhadores, docentes e como cidadãos.

O curso de Biblioteconomia tem cerca de 43 anos instalado na UFSC, um curso que percorreu caminhos tortuosos, com diferentes formas de se abordar a tecnologia, a informação, a integração com outros cursos, o elitismo intelectual de status, para um esvaziamento de significado na luta por direitos da categoria e por tudo que ela representa DENTRO E PARA a Universidade. 
(Arts et Scientia - Artes e Ciências é nosso lema, pesquisa, extensão e ação é o mote atualmente usado)

Os estudantes decidiram ser solidários a causa da Ocupação, acordando em Assembleia legítima que o respeito pelo movimento também não ficaria no papel, mas o de nos ajudarmos mutuamente para conseguir a garantia de nossos direitos.

É mobilizando e enviando emails aos professores e coordenações para realocação das aulas? Sim, deve. 
É cobrando através de abaixo-assinados, petições, notas de repúdio enviadas as nossas lideranças do Departamento e na Direção por condições MÍNIMAS de infraestrutura para a realização das aulas? Sim, devemos.
É informando ao colega de classe o quão importante somos quando unidos, como classe estudantil, como classe bibliotecária, como comunidade que compõe uma rede científica DENTRO E QUE TRABALHA PARA essa Universidade? Sim, devemos ter consciência disso.

Respeito, conhecimento, solidariedade, alteridade e cidadania: é para isso que estamos ocupando esse lugar como futuros bacharéis em Biblioteconomia na UFSC, futuros profissionais da Informação no Brasil. Entendam bem isso.

A Assembleia de hoje é histórica e está registrada em cada palavra, levantar de mão, opinião proferida e voto que demos. Votamos democraticamente por um rumo de luta e não omissão em nosso curso. Cansamos de ficar calados, de dizerem que já ingressado domesticados, doutrinados a sermos neutros, omissos, ocultos, apolíticos. A Assembleia de hoje provou o contrário, manteremos nossa firmeza nas propostas e ações.

Não falo como Bruna, não falo pelo Centro Acadêmico de Biblioteconomia da UFSC, não falo pelo Grupo de Acadêmicos de Biblioteconomia da Associação Catarinense de Bibliotecários - falo como estudante de graduação, um reles número nas estatísticas, 6 dígitos de matrícula, portadora de título eleitoral descartável, base da produção científica DENTRO E PARA a Universidade, um indivíduo qualquer que a sociedade insiste de me chamar como cidadã, mas que os interesses não contemplam o bem estar comum.

Os estudantes de graduação em Biblioteconomia apoiam a Ocupação, dizem não a paralisação de aulas, vamos resgatar nossos direitos e não sermos obrigados a ouvir: "Eu não sabia", "ninguém me disse nada", "Isso não é da alçada de vocês" - temos voz sim, estamos em passos cuidadosos sim, sabemos com quem e o que estamos lidando. Nós sabemos e não compactuamos com o silêncio do restante dos cursos, dos departamentos e setores que ainda não se pronunciaram no CED.

Nós, estudantes. 
Respeito, alteridade, conhecimento, cidadania. 
É pra isso que tô aqui e ninguém mais me tira. 
(E retiro o que disse sobre ir pra Museologia, vocês, todos vocês, cada colega que foi na Assembleia me deu a plena certeza: é aqui que devo estar)

Pronto, acabou, agora ajuda aí a galera a pensar em uma forma bacana de apresentar nosso curso na Ocupação, como somos, quem somos, quem pretendemos ser, Biblioteconomia é bacaninha? Como ela pode ajudar a a Pedagogia e a Educação do Campo florescer? Quais contribuições podemos dar?

Estamos pela primeira vez em história de curso tomando as rédeas do nosso processo pedagógico, mas isso exige muito trabalho, muita paciência e mais cautela ainda.
Tem gente querendo voltar com a ditadura, para esse povo, comam batatas. 

Faz bem e faz mudar de ideia.
 




http://www.dpu.def.br/images/stories/arquivos/PDF/cartilha_ocupacoes.pdf

domingo, 6 de novembro de 2016

[bibliotequices] falácia do perder o semestre

Bora lá que a gente AMA números, certo? Números é que são legais para enfeitar as coisas, estatísticas e dados e índices e a vida acadêmica segue sem o devido pensamento crítico sobre isso...

43 anos de Biblioteconomia na UFSC são:

Semestres = 86
Meses = 516
Semanas = 2.244
Dias = 15.706
Horas = 376.938

A gente gasta 8 semestres para se formar no curso (Uns a mais, mas hey!). 8 semestres em 86 semestres de história da Biblioteconomia na Universidade.

E estamos preocupados com o final do semestre. Com ESSE final de semestre em específico. Se não vai ter aula ou vai, se vai ter greve ou vai. ESSE semestre. De 86 semestres já de curso! 8 semestres de graduação! É justamente ESSE semestre que é mais importante - e obviamente não podemos perder ESSE semestre. Os outros não.

Não é sobre perder semestre, entrar em greve ou não, ocupar ou não, ser aprovado ou não: É o se posicionar ou não.

É por perceber em 8 semestres que passamos aqui, contribuindo para a produção científica da Universidade, formando bibliotecários, professores e pesquisadores que temos uma cultura muito familiar do profundo silêncio constrangedor.

Não é pelo semestre, ESSE em específico. É por 86 semestres que a classe e o corpo estudantil não se posicionou ou teve voz suficiente para ter maturidade (ou vontade?) política para discutir coisas como: Cidadania, Direitos básicos, Sociedade, Educação, Direitos da Classe, Respeito, Ética e Solidariedade.

(Contem os semestres em que foram abordados esses assuntos durante os 8 semestres - contei! 2 semestres, 2 aulas em específico mais meia aula interrompida, pois docente quis falar sobre as manifestações de setembro)

86 semestres, pra mim, é muito tempo para acordar de uma neutralidade. Não é 1 semestre, é pela aparente passividade de 86 semestres.

Se pronunciem.
Se posicionem.
Se organizem.
Se mobilizem.
Discordem.
Concordem.
Tenham argumentos em seus posicionamentos.
Questionem.
Sejam protagonistas de suas vidas acadêmicas nesses 8 semestres.

(Não deixem a história do curso afetar seus sonhos, suas expectativas, suas chances de fazer um mundo melhor, mas não ignorem o fato de que por anos ninguém aqui dentro se manifesta sobre coisa alguma. Por medo, por juízo, por interesses, por motivos escusos, não sei, mas 43 anos é muito tempo pra continuar em silêncio)