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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

a rotina

Rotina é algo que prezo para o funcionamento bom de meu sistema nervoso. Se não houver schedule pra alguma coisa durante os dias, posso pirar na soda em intervalos curtos, as férias estendidas pioram com a sensação de "everyday is exactly the same", mas algo me diz que se eu pedir para ter a vida de antes, vou querer pular no Mar daqui e morrer congelada. Mas o que aprendemos nesse tempinho de hiatus + esperando o calendário de coisas que devem acontecer:

  1. Ganhar pontos de skill em Cooking: orégano ruleia em qualquer coisa, Guinness na carne é divino, brócoli no microondas igualmente e tenho alergia leve a Curry (Mas tou comendo mesmo assim!);
  2. Incrível como o silêncio é perturbador depois das 2h da manhã;
  3. Buscar informação FORA da nossa esfera é sempre bem-vindo, mesmo se a fonte for duvidosa, apenas vá pela informação e a procura;
  4. A Federal é sim um antro vil e maléfico de Cthulhu, porque tem as cartadas certas de deixar qualquer calouro maluco com a indecisão no Calendário Acadêmico e o Sistema do CAGR que nunca obedece aos simples comandos de aponta e clicar;
  5. Nunca mais dormir de bruços e com a boca aberta: a mandíbula fora do lugar agradece;
  6. Acreditar no poder do Fandom, ele ajuda nas piores e melhores horas;
  7. Fazer uma retrospectiva de eventos que culminaram em certa realização/fracasso é uma boa para interpretar perda/ganho de signos e significados durante a vida;
  8. Cultivar plantas é um bocado trabalhoso;
  9. Paz de espírito é mais fácil de ser alcançada quando há paz mental. Isso sim é difícil de conseguir.
  10. Ainda terei problemas de social awkwardness com meu fascínio instantâneo por mulheres altas, morenas, de óculos e com alguma tatuagem à mostra *suspiro* 
Para a quote, aconteceu no começo da semana passada ao falar que ia pra Biblioteconomia e o elogio da pessoa: "Que bonitinho." - até hoje tou tentando entender a entonação disso aí. Suspeito que nem saiba o que raios é. Anyways, o que importa é que sei e eles nem vão notar quando eu finalmente dominar o mundo.
*dedinhos cruzados*

Se me perguntarem o que eu andei fazendo durante esse tempinho, dou uma vaga dica:


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Metas de vida

Poucos sabem, mas minhas metas nessa vida eram:


  • Estar casada até os 18. (Sempre achei aos 14 anos que o ideal era isso)
  • Passar no vestibular antes dos 18.
  • Sobreviver a Graduação até os 24.
  • Sair da Conchinha do Gary antes dos 25.
  • Passar dos 27 sem nenhum dano do Clube dos 27.
  • Não perder as estribeiras. (Já perdi)
  • Não entrar em pânico até de noite. (Já entrei logo depois de acordar)
E assim segue os dias. One foot in front of the other foot.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

a questão da felicidade instantânea transparecendo

Depois que você vai ficando velha é que percebe nas diferenças mínimas entre um conceito e outro. Felicidade por exemplo é algo muito difícil de se distinguir devido a diversos fatores. Você pode estar feliz por motivos nobres ou não, ter feito algo de bom pra Humanidade e se sentir grato, ou feito maldade e tido sua pequena revanche contra o Destino, pode muito bem só ter acordado de bom humor e pretende se manter assim pelo resto da semana até encontrar algum motivo sério para se preocupar com alguma coisa, ou simplesmente se afundar mesmo na preocupação e na ansiedade para poder "apreciar" o momento trágico mesmo.

O grande problema é quando você é educado para seguir os grandes heróis da Grécia Antiga, esse sentimento de "felicidade" por gratuidade é mais controverso ainda, porque nada vem de graça e definitivamente sentir felicidade grátis não é algo louvável para um guerreiro/soldado/herói/lalalala. Esse dilema me pegava sempre no traseirinho por ter essa percepção estranha de Realidade em que a Felicidade mesmo está totalmente atrelada a gratuidade do serviço legal do destino na nossa vida, só não percebi isso até então.



O se sentir culpado por estar feliz é clássico principalmente se souber que há pessoas ao nosso redor que não estão felizes coisa nenhuma e pouco de nossa felicidade irá afetar efetivamente as vidas delas (Até pode prejudicar conforme o grau de intensidade da conexão discada entre mundos e afinidades. Sim pessoas são filhas da puta assim mesmo, graças a Eru!). Então se sentir culpada por estar feliz por absolutamente nada sempre foi um mote que tive que aguentar por um bom tempo. Isso e as perguntas, ficar feliz costuma acarretar dúvidas nas pessoas. "Por que você sorri por qualquer coisa?", "Por que está tão radiante?", "Como você consegue ver o lado bom das coisas se o mundo tá todo errado e você supostamente deveria consertá-lo pelo menos um pouco?", "WTF você tá bem se tá toda ferrada dentro dum poço abraçando a Samara?" (Para essa tenho resposta: A Samy precisa de Amor também) são essas perguntas bobas que costumam passar pela minha cabeça ou ser ouvidas quando a felicidade instantânea costuma aparecer de modo bem diferente da normal - a felicidade cautelosa de olhar por trás do ombro a cada 5 minutos para se certificar que não receberá uma bela panelada do Destino gritando seu nome e dizendo: "Entrega erada! É pra outro pobre coitado!".

Evito ao máximo de demonstrar qualquer coisa até para fugir das perguntas idiotas ou das marcações insensíveis em perceber que finalmente, depois de um bom tempo, consegui me livrar do fantasma do "Se não der certo, tudo vai desmoronar.", porque não vai.

Tem uma pilha de contas para pagar aqui na mesa, não sei como vou pagá-las até final do mês, mas tou feliz por tê-las comigo. Quer dizer que elas existem para validar a realidade que vivo, não? (Tecnocracia chatonilda!) Se não fossem essas contas, eu certamente não estaria aqui, correndo atrás de meus sonhos para conseguir algo que preste de minha vida que era, foi, e substancialmente não continua sendo tão vazia e sem sentido. Todo mundo chega ao ponto de exaustão, o meu já deveria ter ido há uns anos atrás, mas chegar agora foi bom e perceber que depois de alguns anos essa culpa maledeta tá dando espaço para uma felicidade boba, segura e gratuita tem me deixado mais aliviada.

Afinal de contas: o que eu tenho a perder? A minha Sanidade já foi embora no 2º semestre de 2004 mesmo.

domingo, 7 de julho de 2013

Hora da tagarelação

Cerca de 10 anos atrás quando comecei a blogar (meados de 2003 para 2004), não tinha muita noção do que textos enormes poderiam causar, ainda mais com coisas descabidas que me vinha a cabeça aos 16/17 anos. Bem, as coisas descabidas continuam vindo, mas transpô-las para um blog era algo que eu fazia sem temor algum, mais como uma escapatória/cano de escape do que realmente levar à sério que escrevia.

O primeiro blog foi hospedado no Weblogger do Terra - como a vida era linda com HTML puro e layout copycatiados, adaptados e noites perdidas em um 486 rodando Windows ME fazendo o trabalho todo - e eu era bem feliz por lá. O primeiro layout que lembro era dos Beatles, Yellow Submarine (A animação) porque eu simplesmente AMAVA ver aquele filme quase todos os dias e me divertir com as maluquices do quarteto de Liverpool em Pepperland.

O segundo que me lembro e que ficou marcado forévis in my memory de peixinho dourado era o dos Registros, algo fofo com uma casinha pintada de fundo, um cenário bonitinho artístico e tudo bem cuidadinho. Eu tinha mimo naquele layout tanto que não me lembro do porquê trocar para uma versão mais dark.
Parte da Haryel foi nessa brincadeira de escrever mais do que poderia mostrar - as caixas cheias de papelada de fanfiction e versos ficarão seladas até alguém demonstrar interesse em velharias - e por um bom tempo eu escrevia o que dava na cuca.

Quando passei no vestiba da PUC em 2004 o fluxo de idéias foi acalmando para dar lugar as frustrações diárias de universitária. Aquela famosa premissa de pensar na época de antes e sorrir com carinho tudo que eu ganhei, conquistei e criei, foi meio hardcore por conta das mudanças de pensamento idealista, mas esse período na roça de Betinópolis, com o blog ativo e postando quase todo santo dia era a salvação para muitas horas de pensamentos só para mim mesma.

Uma coisinha que anda me incomodando mesmo esse tempo para cá é que o fluxo de postagens minhas - mesmo que seja papo furado como esse - diminuiu pra cacete e isso me preocupa intensamente porque de certa forma é como se eu estivesse deixando a corda afrouxar demais.

Boa parte da pausa e hiatus forçados e mimimis para não postar tanto mais é porque eu estava com medo. Medo de voltar a me expor tanto em palavras - mesmo que desconexas e louvando Loki, amém hermanitos! - mas aí veio o efeito colateral: não consigo viver bem sem ter esse suporte praticável de escrita sem fim em um espaço internético.

Entonces, tão avisados: postagens nada a ver é aqui mesmo. Inclusive os sonhos descabidos que tenho quando tou estagiando lá nos Palácios de Morfeu. Não sei como vai ser agora já que tenho uma outra visão da coisa toda do que 10 anos atrás, mas bora manter a confiança em pé. Ela precisa mais do que nunca se manter de pé depois de tanta pancada da vida, né?

Odeio, mas escuto: Oasis.

Post "basiquinho" sobre algo na vertente do "tenho vergonha, mas escuto".

Não gosto de Oasis, mas escuto. Esse é o ponto a se tratar.

Quando a MTV era MTV mesmo - com vídeos de música que se chamavam "clipes" - e o ano era de 1997, eu em meus 11 anos e meio gostava de me concentrar em Literatura e música, juntar as duas coisas era rotina e acabei fazendo isso um hábito para exercitar a memória conforme a leitura progredia.

Os melhores livros lidos naquela época em que eu só devia me preocupar em qual era a merenda da escola (Estava na 6ª série do Ensino Fundamental no estilo antigo tá? Sei lá que ciclo que é agora), quais livros iria conseguir terminar até o final da semana e passar nas provas bimestrais. Também tinha essa preocupação sobre manter minha sanidade em estado perfeito, mas isso é para outro post.

Foi nessa época que descobri três autores que me influenciaram pacas em minha escrita pro resto de minha vida:

1 - Agatha Christie: a Rainha do mistério engendrado, manipuladora de leitores.
2 - Edgarzinho Allan Poe: oh Lenore! Lenore, te cortaram da tradução! Fernando Pessoa fiodazunha!
3 - Sir Arthur Conan Doyle: Sherlock Holmes foi o melhor detetive ever!

Quando você vive em uma cidadezinha de interior em que pouco da adolescência latente te interessa e você não consegue extravasar coisa alguma, é melhor descontar nos livros e na escrita, né? Por anos pensei dessa forma: escrita é terapia e assim sempre será, amém!


eu e o marinheiro


Como atividade dominical, resolvi levar meu marinheiro favorito lá pra Praia dos Ingleses e ter um encontro com ele. Como o coitado ama o som do Mar e dá uma de filósofo quando vê gaivotas pairando loucamente no ar em busca de qualquer coisa para comer, resolvi que dividir um cachorro quente seria o bastante para ficarmos de boa ali perto do Grande Mar.

Claro que temi pela integridade de meu cachorro-quente de recheio duplo e a eminência de um ataque gaivotístico, então após degustar o lanche (Que esfriou rapidamente, aquela praia faz um frio tremendo) fui dar uma andadinha perto das águas de Iemanjá acompanhada do serzinho miserável que fica me cutucando o tempo todo para visitar mais as areias e as ondas.

sábado, 29 de junho de 2013

#2con(c)sertodesabafo

Porque o primeiro foi o de postar uma figurinha bonita do Caronte navegando em seu barquinho do Estige com o Sr. Hades de carona e deixando os pontinhos para serem ligados.

Entonces...

Sabe quando alguém te cobra muito algo que mesmo que você tenha prometido a tal coisa, é quase impossível realizar no exato momento em que a pessoa quer? Pois é, na minha linda e defeituosa educação de "faça de tripas, um coração e veja se consegue sentir algo com isso" me dá essa sensação eternamente chata de que a via é de mão única. Mesmo que isso seja errado de sentir por estar pedindo demais por uma situação pouca. Ou não. São os poucos que realmente percebem que às vezes posso ter uma possível perna quebrada, um bolo cozendo debaixo dos meus pulmões, uma dor aguda no baço, algo assim, que me impossibilite de SEMPRE aquiescer as promessas feitas?

E tipo: não moro tão longe assim, tá? Nem no fim do mundo e muito menos (E como eu desejava!) sou cigana ou nômade. Cansei de correr atrás da estrada quando me chamam, tá na hora de esperar sentadinha. #prontofalei

E se tem alguém aqui que passe por babaquinha e presunçosa, que seja eu primeiro, porque né, a via é sempre de mão única mesmo com um beco sem saída.

sábado, 8 de junho de 2013

Sobre equipamento de sobrevivência e insinuações freudianas

Vai ser um post rápido, mas incomodado.

Uma das coisas mais absurdas que ouvi durante minha graduação em Letras foi que uma das representações mais clássicas do poder masculino de fecundação - a.k.a. objeto fálico - estava nas armas que os personagens da Literatura Fantástica e Medieval usavam.

Cajados, varinhas, cetros, espadas e por aí são de acordo com a psicanálise freudiana como uma extensão da virilidade do homem que empunha a tal arma. Alguns mais agressivos outros nem tanto, mas tá lá, o objeto fálico em forma similar ao órgão reprodutor masculino enfeitando tantos contos e histórias de contos de fada e grossos exemplares da Literatura que tanto amo.

Eu, como mulher, me senti um pouco enojada ao ouvir tal teoria sendo difundida na Universidade, mas como já haviam me dito antes: graduação é terra de ninguém e todas suas convicções serão testadas ou apagadas. E por ter uma clara ideia de minha opção sexual já estabelecida, fiquei com mais enjoo pela menção de algo que supostamente deveria ser honroso para um guerreiro, mago, Rei, acabar se transformando em um objeto que projeta sua libido e sua satisfação sexual. I mean, batalhas épicas podem ser facilmente explicadas não pela perseverança em um ideal, pela coragem ou honra, mas sim pelo simples desejo de se reproduzir incontrolavelmente?

Foi por isso que Joana D'Arc morreu1? E tantos mártires honrados de suas missões? Nhé? Nhé, né? Em uma sociedade globalizada pelo Patriarcalismo é comum termos esses exemplos de objetos fálicos por aí, mas nunca desisti de procurar referências para possíveis equipamentos mais "neutros" nessa ciranda maluca de representações estranhas.

Respeito o arco-e-flecha, o dardo e também a besta, pois não dão muita margem para 2ª interpretação apoiada na concepção de que tudo que o Homem - seja ele homem ou mulher - cria é para satisfazer os profundos instintos de satisfação sexual. Extensões de membros me irritam, assim como Freud.

E mais uma vez, a minha infância vai por ralo abaixo...

1 - De acordo com o The Smiths foi por culpa da boca grande que ela tinha.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

conversações com a parede - parte 1

"Tou muito distraída, mas a cachola tá vazia."
"Não tem como separar uma unidade da outra."
"Não tive tempo para pensar nisso." - mas teve. Só não quis racionalizar para não sofrer mais.
"Vou soltar um ponto antes pra poder colocar as coisas no lugar."
"Não deveria ter lido sobre a Deep Web, o Google é meu pastor e agora a curiosidade vai me matar."
"Falando muito, né? É, eu sei. Conversar com as paredes não funciona mais."
"Não tive tempo para pensar nisso." - isso é o que mais me incomoda.
"Deixa que com o tempo tudo se resolve." - eu acho que já esperei demais.
"Error xxxx-x entre em contato com o Suporte da Blizzard para obter mais informações." - yeeeeey mais outro motivo para NÃO PENSAR em nada!
"Deveria estar estudando, não aqui."
"Yeeeeeeeeeeeeeeeeey Defiance e Warehouse 13 na mesma semana!!!"
"Não tive 'tempo' para pensar nisso." - é daí que nossa má fama é disseminada.
"Tchutchu-tchururururu-tchutchu-tchurururu... *cantarolando New York, New York do Sinatra*"
"Rain drops keep falling on my head, lalalalalala tchutchu-tchururururu-tchutchu-tchurururu... *emenda com  New York, New York*"
"Não é remédio. Tem que ter via de troca. Nada é só mão única." - becos sem saída costumam ser.
"Qualquer dia, a gente marca."
"Tou à disposição."
"Não acredito que tenho que corrigir o português de um poema. É o cúmulo do grammar nazi! Matar o lirismo com vírgulas, períodos perfeitos e correção de ortografia!"
"What the fuck just happened...? I'm floating high, but I'm always down, floating high (always down)."
"Bora falar de turbinas de aviões?! Tchutchu-tchururururu-tchutchu-tchurururu... *cantarolando New York, New York*"

Hey Kittie, alguma opinião válida?


quinta-feira, 18 de abril de 2013

breve momento de interlúdio entre um tiro e outro



Alguém muito sábio uma vez me disse que o coração não deveria ser nem de longe o órgão que representa as nossas emoções. A bagunça toda vai para o estômago e dali jamais sobe ou desce. Esse mesmo alguém me ajudou formular a teoria da pedra no meio do caminho (conforme o post aqui). Parte desse post vai ser deliberando a teoria da pedra e esse sonho chato que tenho desde novinha.

Às vezes tenho esse sonho voltando no looping, o mesmo campo, a mesma névoa, o mesmo silêncio, o mesmo som abafado de um estampido violento, o mesmo eco, a mesma dor. Mesmo ela não sendo minha necessariamente dizendo. No sonho é de outra pessoa, e quando ele cai é como se uma parte de mim fosse junto para o limbo que o espera. Nunca é bom saber que parte dele vai ficar em mim, mas nenhuma parte minha vai verdadeiramente alcançá-lo, ele é um mistério para mim, é aquilo que as pessoas vêem, mas não consigo enxergar quando fico olhando demais no espelho (E são poucas vezes,espelhos me apavoram). É frustrante, é doentio, é humilhante.

Saber que você poderia pelo menos ter feito alguma diferença e no grand finale ter a surpresa de que um ato egoísta foi a melhor solução para a situação.

Me incomoda bastante ter que acordar com essa sensação de que o sonho está me avisando de uma coisa que não admito querer sentir. Mesmo que seja produto nato de meus passeios oníricos, esse sonho em particular anda me perturbando por um bom tempo. De acordar no meio da noite e ficar encarando o objeto mais perto de mim para poder me concentrar que não estava ainda sonhando. Particularmente a Realidade dos sonhos me é tão familiar e palpável, às vezes me confunde. Nas vezes em que acordava no meio da noite, tendo certeza que estava mais protegida e salva possível, a dificuldade de me concentrar nesse processo de "acordamento" aumentava quando eu olhava para o lado.

E não doía tanto. Demorava o período entre "acordar" e voltar a dormir, mas não doía.

Agora, assim como o sonho que se repete - e o estampido, e o silêncio que vem depois - meio que se manifesta fisicamente de uma forma bem conhecida. Há dias em que acordo como se tivesse levado um tiro certeiro no estômago, um tiro bem de perto do pulmão esquerdo, bem ali no baço e quase dá para sentir o cano da arma robusta e enferrujada (possivelmente de algum século passado) encostado na minha pele. O que parece me queimar por um tempinho antes do despertar, me deixa com essa sensação absurda que o tiro imaginário atravessou o meu corpo, destruiu tudo que tinha ali dentro, deixou estilhaços e com certeza levou tudo embora quando abriu o buraco.

A única coisa que posso fazer é me levantar e me concentrar que a Realidade aqui não é como nos sonhos - lá pode doer mais, pode ser mais realista, pode até ser mais apavorante - mas a sensação de ter sido baleada continua pelo resto do dia, enquanto estou lúcida e desperta. E sei que vai demorar a passar, vai demorar a ter a limpeza geral e o estancamento e os pontos e os dias de resguardo e a restauração dos tecidos e talvez uma lição aprendida - sempre espero pela lição, acima de tudo - mas é mais ou menos isso.

Se alguém me perguntar, direi com toda a certeza que meu corpo sente: é como levar um tiro. Não sei como explicar como posso saber disso, mas é bem parecido.Preciso reaprender a fazer pequenas intervenções cirúrgicas novamente.

John Lennon tava certo: Happiness is a warm gun (Bang bang shoot shoot!).

segunda-feira, 25 de março de 2013

Diálogos parte 1

- Hey there, how's hanging...?
- Ha, ya know... Just hangin'...
- Yeah, but I heard it's tough to... ya know, "hang".
- It's cool... It's not like someone ripped out my chest, took away my heart with a hand full of glitter and throw around in the mud only to watch how mad dogs eat it all up... No offenses,btw...
- No, no, I'm cool with that... But glitter? WTF?
- I'm trying to convince my subconscious that everything was magical and stuff...
- Even the gore parts?
- Specially the gore parts... *silence*
- There's anything I could help?
- Sure! D'ya has a time machine or something?
- Nope.
- Great, gimme sum tea and cookies and I'll be fine...
- Sugar coating the gore again?
- Nah, just doing the fucking usual...
- And that would be...?
- ...

sábado, 8 de dezembro de 2012

Um futuro próximo com zumbis em Floripa

Este post foi escrito sob a influência delirante de um calor horrendo de sensação térmica acima dos 40°, qualquer opinião expressada aqui está condicionada ao simples fato de que a autora estava morrendo de medo do Dia Z chegar e estar com metade do cérebro derretido

Todos nós sabemos que algum dia vai chegar o Dia Z, certo? Não adianta reclamar, dizer que o Apocalipse chega antes, quatro cavaleiros montados e blablablá, arrebatamento e sei lá, a Skynet invadindo o mundo inteiro com uma Revolução das Máquinas. Zumbis. Anota aí: É isso que vai acontecer.
E depois o resto possivelmente. De preferência tudo ao mesmo tempo ou seguindo uma ordem aleatória.

Okaaaaaaaay, sobrevivi a uma situação bem tensa ontem - 07 de dezembro de 2012, marcarei essa data como início de treinamento de sobrevivência - com os combinados: SEM LUZ e CALOR DE MAIS DE 35°. Estamos bem na premissa, beleza, por que o terror começa agora.

Desde de manhã no dia 07, os picos de luz estavam a me incomodar, até receber a notícia que algumas quadras mais a frente - onde minha irmã mora com sobrinhos e o marido - a luz havia acabado. Tudo bem até então, explicaria o porquê da luz ir e voltar por aqui. Aí caímos numa discussão linda sobre como a CELESC - Companhia Elétrica de Santa Catarina - é uma das empresas mais eficazes em atender chamados de emergência quando a luz cai. Mas para atender, meus amigos, não para solucionar o problema.

Como haveria de sair para o Norte da Ilha - apenas para lembrar, moro na Palhoça, cidade metropolitana da Grande Florianópolis, isso me renderia cerca de 2h30 de ônibus num dia ferrado de calor - saí de casa mesmo sem energia elétrica, não me faria falta mesmo, e me muni da garrafinha d'água gelada. Estava certa que aguentaria o calor de 32° que já assolava por aqui.