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terça-feira, 6 de setembro de 2016

[conto com angie] os escorregadios - prelúdio


Créditos: http://www.openbooktoronto.com/events/diaspora_dialogues_presents_short_history_change

O pesado livro em uma mão, a caneca cheia de vinho na outra.

"Heresia!!" diriam seus ancestrais, por estar bebendo perto de conteúdo tão antigo e sagrado, mas do jeito que se encontrava na cadeira de madeira que aquela biblioteca reservava para pesquisadores, a admoestação dos antigos não surtiria tanto efeito. Melhor estar confortável com o gosto de vinho barato e o metálico de 2 balas dentro de seu sistema digestório que obedecer velhas regras.

O rosto com hematomas na linha do queixo e subindo pela bochecha, enfeitado por uma breve cor esverdeada da lenta circulação sanguínea comum de seu corpo semi-morto, a camiseta branca que usava como uma armadura empapada de manchas de sangue, sujeira e estilhaços. Remendos feitos à mão em um torso machucado pela pólvora e a tempestade. Os pulmões voltaram a funcionar lentamente após tossir parte do tecido queimado pelo tiro certeiro em uma cavidade vazia.

A mão do vinho virou uma página em pressa de ler a próxima frase, os hieróglifos indecifráveis para sua cultura (e quantas tinha!), mas que de alguma forma faziam sentido. Ali deveria conter algum sentido para o que passava, a angústia de viver sem respostas, a dor de estar entre os vivos, mas se sentir menos viva que aqueles que se diziam mortos.

Era uma linha tênue que constantemente não se aplicava ao seu estado atual.