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domingo, 21 de janeiro de 2018

o funkodélico anos 90 ouvindo Fernanda Abreu

Vi um doc bacana no Canal Arte 1 - "Nas Nuvens" - sobre a produção dos primeiros álbuns da cantora carioca Fernanda Abreu e fiquei hipnotizade com a narração do processo criativo do Liminha e da Fernanda nos anos 90. Um mundo antes da Internet e sem leis de copyright sobre samples em música autoral.

Não tem o doc inteiro nas interwebs (Estreou em dezembro do ano passado, logo...), mas abaixo tem um trechinho da conversa dos dois.



Ver o doc me remeteu a muitas lembranças bacanas do começo da adolescência trash, reconhecer o quanto o álbum "Da Lata" fez diferença no gosto musical que fui curiosamente buscar depois. E esse álbum de 1996 foi o 1º CD (compact disc) físico que comprei. Tocava ele em um system da Toshiba com altas caixa de som de madeira que depois consegui juntar mais outras 2 de uma antiga vitrola. Não era dolby surround, mas pô, era a gambiarra de uma criança de 12 anos que amava o baixo das melodias.

Esse conjunto estava no quarto que dividia com minha irmã mais velha (6 anos a mais) e ficou ali até ser movido para a cozinha, já que era nosso maior espaço para fazer coisas.
(Aliás, me fez perceber o quanto as cozinhas mineiras são enooooormes comparadas as daqui de Floripa. A minha antiga costumava ocupar 2/4 da casa e a sala era mínima)

O trabalho que ela desenvolveu foi incrível e valorizo pra caramba a mistureba criativa dela com as ideias mirabolantes de gravações do Liminha. Em uma das passagens, disseram que gravaram as buzinas de "Garota Sangue-Bom" rodando as principais vias com um aqueles gravadores com fitinha, e pedindo pro pessoal ao lado buzinar. Depois iam pro estúdio e emendavam com máquina de sample que nem existia no Brasil, botavam base do baixo no meio, jogavam cavaquinho, batucada de escola de samba (O famoso grupo da época Funk'n'Lata) e batidão funk e plim! Era assim Fernanda Abreu!

Não lembro de alguém fazendo a mesma coisa que ela naquela época (Ed Motta não era a mesma coisa, gente, era música de rico.), com as poucas informações que chegavam na roça onde morava, menos ainda. A MTV era nossa única fonte boa de música estranha, mas que nem a Fernanda? Nope, ninguém ganha de Kátia Flávia.

E era uma mulher cantando, sabe? Isso fez uma diferença total em como fui enxergar a música produzida no Brasil daquela época. Anos 90 tinha muita gente bacana, mas poucas levavam versos para retratar a mulher como poderosa, dona de si e o modo carioquês sem ser sexista. Tá, tem o Fausto Fawcett, mas tira ele da composição e tudo fica feliz.
(E obrigade Wikipedia por informar a data de aniversário dela, virginiana phodaaaaaaaaaaaaaa!!!)

O álbum todo tá aqui, só clicar e ser feliz, ou ouvir pela 1ª vez o que raios era o cenário musical inusitado no Brasil dos anos 90.




E "Jorge de Capadócia" de 1992 né? Oh letra foda! Jorge Ben Jor era um artista que meus pais tocavam até furar o disco na vitrola, ouvir novamente com essa roupagem groove/funk foi aqueles momentos de mindblow. Mãe desenterrou os vinis dentro do armário, tava lá a música original.

Aliás mãe me lembrou que tem umas raridades naquele armário. Tem um ao vivo da Rita Lee que minha irmã insistia em ouvir, e outro do Lulu Santos. Quando o system chegou lá em casa ficou revezando os vinis de antes, o "Da Lata" e "Bridges to Babylon" do Rolling Stones, mas aí esse é assunto para outra postagem :D

Lembrar das letras do álbum sem saber como também me é um mistério. Fui ouvir "Tudo vale a pena" e meu coração bateu bem forte aqui na caixa torácica, a carioquice que tá no sangue, mas pouco praticada, sobe devagar quando ouço os versos "Seus santos são fortes, adoro seu sorriso, Zona Sul ou Zona Norte, seu ritmo é preciso. Tudo vale a pena, sua alma 'não-é' pequena.", parece besteira, mas esse verso cantado é de levantar a alma de gente morta-viva, sabe?
É algo que eu imaginaria a Angie de Feéricos cantarolando dentro do busão para animar geral após um dia inteiro de trabalho ou caçada.

Ps: "É hoje!" vai ser meu tema de formatura, quiriduns! Oh se vai!

(to be continued...)

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Corpo alien-ado


São onze e vinte da manhã, sol já a pino, calor entorpecido, joelhos moles, mochila cheia de livros didáticos inúteis, mais livros da biblioteca, mais uma pasta com letras de música, o caderno de 20 matérias, um walkman quase despedaçado no plástico que o reveste, coberto por muita fita isolante, um par de fones de ouvido que não supre a vontade de estourar um tímpano com o que está tocando na fita cassete de 60 minutos (a de 90 faz a rotação ficar lenta), tudo que dava pra gravar na rádio local. 

Possivelmente onze e quarenta, caminhada de mais de 20 minutos atravessando avenida, subindo morro, moletom preto. Enquanto colegas de turma usam jeans e camiseta prata enfrentar o clima louco da roça brejeira onde está enterrada há quatro anos, prefere o moletom, enorme, duas vezes de si, capuz, é 33° graus naquele dia. 

Escondida em plena vista. 

Essa cena meio que volta a minha memória quando encontro um adolescente enfurnado em casacos mesmo quando está um sol de rachar - e por morar em um estado onde o frio é tenso, isso acontece às vezes na primavera e verão e parte do outono. Enquanto ouço galera achar um absurdo a atitude antissocial do dito adolescente (esse código de vestimenta que é um porre), eu me lembro como era esconder meu corpo por debaixo daquele tecido quente mesmo arriscando uma desidratação básica ou insolação ao me encapuzar com camadas de tecido para manter meu corpo intacto dos olhares dos outros. 

Porque o olhar do outro incomoda, rasga qualquer tecido, o julgamento, o desejo, a repulsão, a comparação (essa me foi a mais desesperadora possível no padrão do binarismo de gênero), a submissão. 

Essa última que mais me aborrecia, internamente eu não suportava a ideia mínima de que meu corpo serviria para alguém além de mim mesme.

domingo, 4 de junho de 2017

como aumentar sua produtividade científica com playlist trash anos 90

Sério.
Tentei 6 playlists diferentes, a única que funfou para botar a cabeça para trabalhar a favor da Ciência foi a famosa Pop Nostalgia.

Viva o Trash dos anos 90!!



Oh Brian, Brian, e eu achando que ia casar contigo...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

os embalos da adolescência nos anos 90

Voltando a fazer a listinha das 20 coisas para se escrever quando estiver em um bloqueio de escrita e adivinham o que apareceu nos itens que não havia feito ainda?

Write about the highlights of your adolescence.
Escreva sobre os altos de sua adolescência.

Aumenta o som aí que o pop-trash-anos 90 vai começar a tocar!!



Se você é criada em uma cidade que é um ovo, com uma cultura extremamente tradicionalista, recheada de preconceitos, cobertura de família de roça com direito a coronelismo, pode ter certeza que vai ser uma pessoa revoltada com o sistema vigente de alguma maneira.
(Yoooooooooooo feck dah system!!)

A cidade era Betinópolis, região metropolitana de Belzonte em General Chicks, o ano era 1995 e tudo mudou quando fui morar nesse vilarejo-brejeiro durante 17 anos de minha vida. Passar o resto da infância, pré-adolescência, adolescência hardcore e começo da adultice foi como um pesadelo bem longo e refinado de coisas interessantes. Minha capacidade de tolerância com cidades pequenas foi pro brejo (Com a vaquinha e o mato sem cachorro) ao viver tanto tempo por lá.

Maaaaaaaaaaaaaaaaaas a minha adolescência foi um tanto habitada por muitas coisas boas e ruins. Só vou falar das tosqueiras aqui na postagem.

Debaixo do link: música dos anos 90, muita coisa tosca, muita frustração, hormônios dentro do armário aaaaaaaand coisas estranhas acontecendo.