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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Vamos falar de café?


O liquido supremo do colonialismo...

A única coisa (não pessoa, a única pessoa que sinto falta tá muito bem guardadinha, muito obrigade) que sinto falta substancialmente de MG é a comida. Pois o modo de fazer comida mineiro é um trem muito intenso de se explicar. Mas o que foi mais pesaroso deixar - além do maravilhoso queijo mineiro - foi o café.

Entendam, Minas não tem café birubiru como esses que encontramos nos supermercados, lá o trem é em grãos, torrado e moído na hora. Tinha uma banquinha no meio da praça central que fazia isso há décadas e o preço era totalmente justificável. Aquele cheiro de café ficava pelo meio da praça até nas narinas mais tenazes. Era convidativo demais pra resistir.

Eu e mãe, antes de sermos mórmons (caso não saibam a religião mórmon não tolera a ingestão de qualquer bebida com cafeína por preceitos de conservação do corpo e toda umas parada ligada com saúde, refrigerantes com cafeína igualmente), consumíamos uma boa quantidade por dia, então a pedida era 2kg e durava pra um mês certinho.

O processo de fabricação naquela banquinha me fascinava, assim como estabeleceu um padrão na minha vida de escriba, café bão é café torrado na hora e tem uma diferença crucial no paladar, dá pra sentir a textura diferente dos costumeiros e o gosto era mais forte.

Para fazer uma comparação, quando a gente queria tomar café mais fraco, era o Melitta normal, bem mais caro e difícil de encontrar nos supermercados da cidadezinha onde eu vivia. Ter o Melitta em casa era quando sobrava grana no final do mês e alguém conseguia ir na capital pra pegar mais barato.

Mas aí existia aquele tipo de café que era o líder de mercado, chamado 3 corações.
Blergh.
Apenas blergh.

Nos 17 anos vividos lá, esse café reinava nos cardápios de qualquer buteco, padaria, restaurante, supermercado. O problema era que ele era mais ácido que o torrado (e mais barato) e quando a gente fazia com coador de pano o cheiro não era o mesmo.

E cês tem que entender de uma vez sô: o ritual do café só é estabelecido quando o cheiro faz as pessoas terem aquele momento de pseudo-orgasmo sensorial e automaticamente relacionar o bendito cheiro com algo que as anime para o momento.

Café moído e torrado na hora era brilhante pra fazer isso.

Na escola o café não era ralo, costumava ser forte e quente, na canequinha azul básica, eu enchia com metade de água em temperatura normal, pegava meu punhado de biscoito de maisena ou Maria e ia pro recreio. 9 anos nessa rotina, estudando sempre de manhã, ganhando resistência imunológica aos efeitos da cafeína e caindo no sono dentro da sala de aula mesmo assim.

No terceirão adotamos a dieta sem cafeína. Para mim não fez muito estrago, já que café era só uma vez por dia, naquela hora do recreio, minha mãe tomava mais e seu modo de fazer era algo curioso: tinha que ser lama-café.

Mas o café era 3 corações. Eu perguntava, não tinha como não. Isso se tornou uma constante na hora de pedir aquele café, pra não ter erro ou me prepara psicológicamente pra bomba ácida estomacal.

Aqui no sul há marcas boas, outras birubiru e com essa de pílulas de máquinas de café muita coisa mudou, mas nada é igual o lindo pacote quentinho de moído e torrado na hora.

O Melitta vem sendo nossa escolha em casa, porque está num preço razoável de se pegar e o consumo baixou de 2kg mês para no máximo 500gr. A maior parte do café que consumo é na universidade e infelizmente o povo não sacou que tem café birubiru MAIS saboroso que o blergh ali mencionado.

Tive a sorte de experimentar o Melitta Gourmet em grãos uma única vez e quase abracei a cafeteira de tão amorzinho que foi nas papilas de gustativas.

Oh saudade do moído e torrado forévis.

domingo, 23 de agosto de 2015

meu precioso paladar

É, eu sei, andei pulando um domingo aí, mas é que me desliguei do Universo após a primeira semana de aulas e hoje é dia de 20 coisas para se escrever quando estiver em um bloqueio de escrita.

Fui fazer as contas desse trem aqui, só vai acabar em metade de outubro, oq ue é bom! Vai ter o que escrever até dizer chega!

Hoje é o papo de: Write about the sense (sight, sound, smell, touch, taste) you treasure most.
Escreva sobre algum sentido (visão, audição, olfato, tato, paladar) que você ache mais precioso...

PALADAR!! MODAFÓCA ALWAYS!!

Por quê?! Oras! Na minha restrita lista de regras estúpidas que inventei para pdoer sobreviver sem perder tantos pontos de Sanidade, o gosto por comer e beber é algo que me mantem muito bem, obrigada.

Meu paladar não é aguçado, mas é bastante exigente. Por exemplo, não vou querer alguma coisa qualquer, assim do nada, vai ser algo muito bem específico. Então se geral tem vontade de comer frango, eu vou querer frango à passarinho com um leve toque de azeite de olivas e orégano com cebolinha. É péssimo, ainda mais quando você NÃO TEM dinheiro para certas luxúrias nomnominísticas que às vezes me acomete.

Desde criança tinha essa mania de ir experimentando as coisas aos poucos, comida era rigorosamente ajeitadinha para combinar uma com a outra pra não dar erro na hora da mistura, por muito tempo não comi feijão com arroz por achar a mistura sem graça e nada atraente, mas foi juntar feijão com macarrão e minha lingua deu saltos de felicidade latente. Comida salgada é o que eu mais gosto, dificilmente estarei reclamando de estar com fome por algum doce.

A não ser chocolate. Isso é imperativo de estar com vontade de comer chocolate quase o tempo todo.

Mas com bebidas costuma ser coisas doces ou que lembre algo doce. Minha atração por vinho foi chamada com sorvete no meio, e a Tequila tem que ser com Nutella ou sem chance de manter um estado normal de consciência. café com leite frio é meu favorito, com mais de 3 colheres de açúcar pra entupir tudo de vez (Com açúcar mascava fica mais gostoso). Não tomo cerveja nem a pau, minha única exceção é Guinness por conta de ser stout (Mas tenho uma vontade enorme para sentir o gosto de outras stouts sem ser Guinness), o Milkshake de Baunilha do Eddie's foi a perfeição pra mim quanto a bebidas geladas, ninguém consegue imitar. A mistura de chá mate com chocolate, morango e caramelo do Rei do Mate também está entre os primeiros colocados, a bebida mais awesome que já bebi foi o famoso Tea-licious Riston, mas estou esperando o momento certo - quer dizer o dinheiro sobrando certo - para fazer essa receita maluca de Nutella + Bailey's e Leite:

The Baytella ou Nuttailey's por Shartlyn...


(Essas duas criaturas ruivas fazem parte do elenco de Carmilla e tem ideias
ótimas para comida que só pessoas sem a mínima condição de cozinhar
poderia fazer sem causar um incêndio)

A minha memória pro paladar é boa pra caçamba, já que há muita coisa linkada com o simples fato de estar com algum gosto na boca (Bom ou ruim): tipo primeira vez que fui na Liberdade? Yakissoba do viaduto. Aniversário de 24 anos (frutiiiiinha, bichoooona), tequila e Nutella, arroz com feijão e não gostar? Quando rasguei meu queixo na queda da bicicleta. Miojo sem tempero? Problemas em casa e irmã aguentando a barra pra não me mostrar o estrago. Goiabada e queijo? Casa de avó em Minas, última vez que vi meu avô vivo. Trio bacon do Burguer King? Nunca mais repetir por intoxicação alimentar. Bala de maçã verde? Gincanas da escola com a Bruna A. Tentativa de peanut, butter jelly time? Manhãs preguiçosas na casa da Ammë D. Batata assada e recheada/lotada de queijo, catupiry? Tentativa bem sucedida de cozinhar! - tudo tá muito nítido pra mim quanto ao paladar, o restante é uma porcaria.

E a coisa engraçada que deu para perceber durante a evolução do meu costumeiro almoço de passarinho (Eu não costumo encher o prato e prefiro repetir do que desperdiçar) é que muito disso vai pro reino dos Sonhos, constantemente sonho que estou comendo coisa gostosa e nomnomnomz inusitados.

Esse papo todo me lembra desse filme que vi com a Eva Green e totalmente eu teria um colapso nervoso sem ter o paladar.