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sábado, 11 de março de 2017

[interlúdio] pune e ação

A semana foi estafante. 
Engolindo vários anfíbios. 
Tensão de coisas não resolvidas. 
Expectativas de coisas realizadas. 
Ansiedade, minha amiga, sempre presente.


Vim dormir no sofá. O desconfortável sofá. 
Ação punitiva para delito menor meu, pensar demais, culpando o corpo demais, achando que a redenção é amargar o tecido vivo pro intelectual calar a boca.
Uma atitude bem barroca nos moldes do "peco o dia inteiro pra de noite rezar fervorosamente pra ter redenção".


O sofá é rude. 
Minha cama, meu lugar favorito por vários motivos, fica em terceiro plano.

Aqui no sofá deito, sem pestanejar quanto ao envolvimento em querer punir meu corpo ativo. 
Deixar essa máquina inquieta virar submissa. 
Ter controle de novo, através da dor, nem que seja mínima, da torturinha de dormir em local inadequado (hello busão my old friend) e sofrer por alguns dias de desconjuntamento dos ossos e músculos.

No sofá tenho pesadelos.

Não é novidade que os tenho (na cama ou não), estão comigo desde sempre, mas no sofá é o novo elemento. O pesadelo que deveria ser o aprendizado, me alerta de uma coisa: ao me punir para diminuir minha ação, estou literalmente fazendo o que mais morro de medo - me apagar.


O pesadelo é um recorrente, encontros aleatórios com pessoas que não devo ter mais contato pelo bem de minha Sanidade. Tudo ocorre como num script de cinema, as falas encaixadas, as situações corretas, a não ser por essa inquietante aflição que me acomete e me faz fazer o oposto do que eu faria no mundo tangível. Eu choro, esperneio, imploro, me arrasto, perco meus medos, destruo meu orgulho, me entrego sem problemas. Eu não tenho medo de sentir.

Esse é o pesadelo recorrente. 

O se deixar sentir - seja raiva, tristeza, paixão, decepção - maximiza a sensação nos sonhos. 
Lá me sinto menos culpa que aqui. 
Uma culpa que nem deveria existir. 
Uma vontade louca de escapismo que não posso fazer aqui. 
Os sonhos são coisinhas inconstantes fabricadas por anjos, certa banda folk já cantou. 

De anjos já me cansei e não os legitimo como meus protetores.
(Tem panteão melhor, sério. Mais qualificado e de confiabilidade comprovada)


A dor? 
Essa sim é real aqui também (e nos sonhos), ela me resguarda de muitas coisas. 
Ela me ensina mais. 
Ela gera inquietação que me movimenta mais. 
É a dor. Não outra coisa.

Queria parar de sonhar com você. Queria convencer meu cérebro que as lembranças contigo são uma ilusão delirante que tive em momento específico da vida. As expectativas do futuro eram só fabricadas. Não lembro mais da sua voz. Ou da cor dos teus olhos. Não me recordo mais se você tem o toque quente, as mãos suaves, o sorriso esmagador. 
Eu. 
Não. 
Me. 
Lembro.


E acordar com a dor pune e ativa no sofá me lembra que isso era quem eu era e não quem deveria ser. Hoje fico com a dor nas costas, a sonolência, mas com mais certeza de que tudo que era pra ser foi em vão. Ou não era para acontecer mesmo. Nada dura pra sempre mesmo.
Isso me anima. 

Mas ter pesadelos no sofá não.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

[poesia] sem título

Talvez vá chegar esse dia, em que a troca de olhares seja diferente
O gosto no paladar não mais acrescente
Enquanto uma alma está pronta pra se entregar
A outra queira dizer que não há mais nada
Que o mundo lá fora é sua morada
E que não há nada aqui dentro que a prenda no corpo

E quando esse dia chegar
Espero dessa vez ser apenas espectadorx
Não mais notar que o brilho nos olhos abrandou
Na verdade, gelou
Para um pálido cinza nevoento que não quer espera nada

Porque é isso que talvez esse dia seja
Quando se está totalmente preparadx para dizer o que mais importa
Para as palavras serem trancadas pra sempre antes
De subir pela garganta, encontrar os lábios
Sussurrar com a certeza de que fez o certo

E esse dia, espero que seja, eu esteja
Apenas na plateia, vendo o desenrolar
De um conto de fadas que poderia ser perfeito
Quando uma alma quer se doar com o que tem
E a outra que prefere ignorar

Talvez o dia chegue e as palavras jamais saiam
Se engasguem entre os pulmões e ali fiquem
Sem cano de escape, cirurgia ou exorcismo
Para que na próxima vez (Se tiver) seja breve
Não vá além do que deveria ser
Não se atrever a ir longe demais quando não se sabe o caminho direito

Talvez vá chegar esse dia, em que outra alma irá fazer companhia
Na figura curvada de 97 anos, cadeira de balanço e dentadura na gengiva
Ou na pequeneza em quatro patas, focinho gelado e longos cochilos
Talvez chegue, talvez não. Talvez nem tenha existido, ou tenha sido em vão

E esse dia, espero que seja, eu esteja
Apenas de soslaio de olho, cara enfiada em um miolo
De um livro bem grosso e interessante
Pra eu dar a devida atenção ao que é mais relevante
E parar de pensar por um instante que contos de fadas existem

terça-feira, 10 de março de 2015

E no intervalo do estágio

Creio que autocontrole se atinge com maturidade. Sempre achei que estar sempre no controle de mim mesma era a melhor forma possível de me manter adulta nas convicções.
Aí certas coisas acontecem e percebo o quanto separar o momento de disciplina do momento de possuir é importante a ser feito.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

tipico dia de se arrepender de ter acordado


Bitchy day, mas até agora suportável.
Ter pesadelos muito reais pra mim é perda de bom humor imediato desde que acordo.
Ruim é ter que acordar, fazer todo o jogo semântico de convencer o cérebro que: "Nope, nope, não é a realidade." e apontar os itens que realmente são estáveis na Realidade mesmo.

O que mais aperta é tentar lembrar se fiz/falei a tal coisa mesmo ou é só o cérebro sacaneando novamente com a minha cara. Entre ficar na dúvida ou não, preciso voltar a milhares de coisas que remetam se o delito foi feito - inclusive ler emails antigos, históricos de conversas e obviamente entrando num espiral ferrado de más recordações misturado com boas lembranças.

ÓTIMO!
Tá tudo ótimo.

Tanto de gente me dizendo pra deixar pra lá, pra não me corroer em pretéritos-mais-que-perfeitos, mas tá russo, vairy russo.

Olha, nunca pensei que depressão iria fazer desfragmentação do meu HD mental e jogar coisas na lixeira permanentemente, porque tá foda de memorizar o que foi sonhado/esperado do falado/feito.

Te odeio coração, te odeio.
Bombeando sangue demais com oxigênio extra pro meus miolos e me confundindo toda.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Indagações sobre assuntos delicados

A vida é uma caixinha surpresa, já nos provou Joseph Klimber sendo o peso de papel nos Correios em algum sketch de comédia.

De certa forma a estação está sendo propensa para mudanças radicais em todos os âmbitos.

Estranho é ver o mundo com outros olhos - e aí venho me perguntar no meio de uma palestra se esse não é o meu olhar verdadeiro, aquele que não foi domesticado pela cobrança social, familiar, acadêmica, talvez o olhar que precisava ver a luz.

Mais estranho ainda é saber que provavelmente alguém que eu considero muito mesmo conhecendo pouco esteja em um estado parecido ao meu.

Recebi a notícia de terceiros, fone mais ou menos fidedigna por ter mais contato com o meio em que a pessoa vive e a saída repentina dela desse meio, meio que me deixou com a interrogação de: "E eu não faria o mesmo?"

A pessoa em questão se privou de 2 coisas que ao meu ver eram muito importantes na vida dela, alguém excelente no que fazia e incrível no que produzia. Sinceramente eu entro de vez em quando em certa página comprobatória da superioridade intelectual da pessoa e fico babando pelos títulos, pela contribuição científica, por ser awesome naquilo que ama.

Queria enviar e-mail pra essa pessoa, dizer alguma coisa que pudesse lembrar a ela que parte de quem sou agora - pseudo bibliotecária de escola por decisão - foi por causa dela.

Que aquela entrevista cheia de tremores nas pernas e ideia alguma do que eu poderia fazer ali me deu ânimo para o que escolhi seguir de coração e convicção.

Não sei como seria se ao enviar um e-mail poderia ajudar muito, mas também não tenho certeza do que exatamente pode estar acontecendo com a pessoa awesome pra enviar mesmo.

De qualquer forma, há coisas nessa vida que não pode deixar pra outra hora, demorar demais pode significar perder tudo é ao questionar a interrogação novamente "E não seria o mesmo que eu faria?" - penso: gostaria de receber palavras totalmente random quando estivesse no fundo do poço abraçando a Samara.

Não custa nada.
Pode valer alguma coisa.
Talvez (vamos torcer e cruzar os dedos) mude alguma coisa.

Sim, sou otimista quando tou no meu pior.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Conclusões da semana numa terça

Acho que faço mais estrago sóbria do que se estivesse bêbada ou sob efeito de drogas.
(Porque, olha, não é possível...)
Edit: yep, sim é possível. Agora é calar a boca, engolir o choro é consertar a bagunça que sobrou.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

[video] Precious - Depeche Mode

Era para ser novo.
Por que então tou sentindo o gosto amargo do controle novamente?




Angels with silver wings
Shouldn't know suffering
I wish I could take the pain for you
If God has a master plan
That only He understands
I hope it's your eyes He's seeing through

quinta-feira, 1 de maio de 2014

só para constar: transferência na psicanálise

Quando acreditam que a mudança interna de paradigmas que travam a evolução de qualquer experimento com traumas relacionados a co-dependência seja a transferência afetiva, Freud podia estar certo, mas...

Entendamos: se era para haver algum tipo de transferência, ocorreu em passado próximo, não em presente atual. Para se ter uma transferência afetiva tem que haver o ciclo vicioso de ações. Se o ciclo foi fechado, vamos dizer, no mesmo momento em que a situação foi extirpada de qualquer tipo de volta (E um dos protagonistas desse ciclo foi sucinto em cortar tal relação de duplicidade de caminhos e o outro soube imediatamente que a 3ª parte envolvida não iria se contentar com o retorno do ciclo), logo não há transferência. C'est fini.

O que podemos concluir?
Que a palavra "transferência" referida pela pessoa apenas está ocorrendo, pois possivelmente faz parte do territorialismo natural dela. Não de minha ousadia.
Pessoas: cada vez mais subestimando a minha capacidade de ter inteligência emocional suficiente para conceitos freudianos!

Esse post foi felizmente criptografado para referências futuras.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Possível insight

E se toda vez que te procuro nos outros for mais uma prova que na verdade você está mais perto que imagino?

Dá uma mão aew Destino! Coloca mais uma peça nesse quebra-cabeça!

terça-feira, 25 de março de 2014

carta ao babaca chamado coração

Prezado Coração meio molenga e emocionalmente ignóbil,

Sei que tens dificuldades para entender a lógica ideal para o mundo aqui fora funcionar direitinho e não ter tantos tropeços ocasionais, mas você já está passando dos limites.

Não me importo de ficar horas e horas fantasiando sobre pessoas impossíveis que possam cruzar a minha trilha e me arrebatarem em uma paixão tão violenta que provavelmente cairei de imediato. Realmente não tenho problema algum com isso (Até porque as probabilidades disso acontecer diminuíram desde o ano passado), mas me vir com aquela de repetir o mesmo erro novamente?!

Estás maluco?
Entediado?
Endemoniado?
Sem nada o que fazer?

Trata de colocar essas bombinhas hormonais aí em seu lugar e tratar de bombear sangue direito pro resto desse corpo mal nutrido de guloseimas para ativar a seratonina que te falta. Faça logo antes que eu dê um aviso terminal, antes que eu te desconecte da rede e te deixe congelado aí nessa gaiola que parece não te conter.

Entenda: você tem uma única missão - bater regularmente - e apenas. Não precisa me colocar nas suas berlindas com o malandro estômago e o sonhador, romântico e melancólico baço, eu não preciso desse tipo de companhia, não necessito estar "antenado" com o resto das reações que vocês produzem, eu não sinto dor e não vai ser agora que você vai reabrir aquela pasta no mainframe pra me fazer funcionar além da capacidade, ter um colapso nervoso e me desligar de vez.

Não adianta que não vai conseguir.

Atenciosamente e te mandando pros quintos dos Ínferos por obedecer piamente Afrodite, seu órgão vendido, puxa-saco de terceira linha,

xx Cérebro xx

domingo, 23 de março de 2014

a procura

Só para constar: eu sonhei com você hoje.
Você está do mesmo jeito como eu te conheci quando era criança, sem mais, nem menos. o rosto me pareceu mais nítido, o sorriso está mais radiante, os olhos claros e ao mesmo tempo escuros também me fizeram ter ecerteza que você é real.
Possivelmente também é exatamente o que as cartas me descreveram um dia. Terei mais certeza quando fizer mais estudos sobre - se Tarot é a manifestação mais lógica que consigo perceber na Espiritualidade, então talvez seja uma boa saber no que estou mexendo antes de criar expectativas (novamente).

Sei também que você tem o pavio curto e não leva desaforo pra casa, se irrita fácil com muita enrolação e odeia que façam hora com a sua cara. Perfeito, porque sou exatamente a pessoa mais indicada para não atrasar o processo caso algum dia nos encontrarmos. Tá certo que desentendimentos irão ocorrer, mas acredite, consigo ser bem paciente quando a causa vale a pena esperar.
(E já que tive que esperar uma vida inteira antes e mais 27 anos nessa, creio que é sim algo que se valha a pena muito esperar para acontecer.)

Soube também que nós já nos trombamos por aí nessa vida aqui, brevemente, talvez tenha sido tão breve que nenhuma de nós duas percebemos o que era, e isso meio que me assusta e me alivia ao mesmo tempo já que o que as cartas disseram estavam de acordo com essa premissa.

Só queria dizer que ainda não coloquei a placa de neon certa na minha testa, talvez por precaução e/ou por medo, de qualquer forma, voltar pra conchinha não será uma opção até 2015, então quando o Destino (E a Lady Murphy que adora brincar com ele) decidir de vez, sei que vai acontecer.

Mas só para constar mesmo: sonhei com você hoje.
E era você mesmo.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

[poesias] Aviso a uma criança sorrateira.



[N/A: Não, não sei rimar.]


Cuidado criança, cuidado
Pular fora da água pode ser perigoso
Fique na superfície, fique no raso
Onde nada te puxa para o fundo
Nada puxa para fora
O Nada faz o teu berço mais confortável

Alguns preferem expressar seus medos
Outros preferem mantê-los guardados para ocasião
Alguns crêem ao separarem o que sentem do que pensam
Que joio é diferente do trigo, mas tudo é a mesma coisa desde então

Quando seu corpo está submerso, mas seu rosto ainda para fora
Pernas miúdas se debatendo dentro da água
Narinas para fora, respirando o máximo de ar que puder
"Eu escolhi viver, eu escolhi viver" - repita esse mantra então

Cuidado criança, cuidado
Passear no escuro sem guia não é fácil não
Ficar parado na escuridão pode ser pior ainda
Onde nada te puxa para o fundo
Nada puxa para fora
O Nada faz teu berço mais confortável

Some prefer to cast their demons out
I'd love you to keep yours ready to drown

Caminhe em passos apressados, em passos ritmados
Não olhe para o chão lotado de padrões
Mantenha a cuca fresca com músicas sem refrão
Não olhe para o chão sujo cheio de padrões
Não faça contas de quantas torneiras fechou
De quantas chaves passou antes de fechar a casa
De quantas janelas você trancou

"Eu escolhi viver, eu escolhi viver" - repita esse mantra então
"Eu escolhi viver, eu escolhi viver" - repita esse mantra então

Cuidado, criança, de quem você não lembra mais o rosto
De quem você se educou a não ter mais gosto
O pensador é a pior de nossas faculdades
Nascido pra fazer maravilhas, mas único que não sente dor
Esquece daquilo que não te pertence
Fica só com o que você conquistou


Cuidado criança, esse é o último aviso.

(Senão o único)
Apenas esqueça.
Ficar na água é mais saudável
Do que voar perto do Sol.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

momento fangirl: tom hiddles-hips-don't-lie-tom

Discutíamos sobre o porquê amar o Hiddles, além de ser quase uma moça de tão doce, gentil e criativo que ele é, me veio o pensamento: "Ele rebola muito bem!"



Então tá certo: Luv 4 Hiddles!!


Que Freya me abençoe, algum dia quero ser como ele no requisito de rebolagem.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

[interlúdio] recado a alguém em particular

Gosto de ser otimista em certas ocasiões, quando se precisa dar uma palavra amiga para poder elevar os pensamentos da pessoa que está escutando/lendo. Isso me parece certo, me parece digno de fazer, não me custa nada.

Mas às vezes eu costumo praticar alteridade demais.

Me coloco nos pés das 3th parties envolvidas em processos, gosto de pensar como elas reagiriam com certas notícias, como suportariam as consequências de certos atos, como seriam após a avalanche de mudanças tão radicais efetuadas por uma pessoa que não necessariamente tem controle da vida dessa pessoas, mas que são fundamentais para a continuação de suas vidas.

Então ao me recolher ao silêncio dessas questões, o de perguntar: "Será que é assim que o Universo quer que aconteça? Será que é assim que o karma será dissolvido? Será que se fosse eu, eu sobreviveria se alguém escolhesse o meu destino por mim?"

A resposta sempre será uma incógnita.

sábado, 4 de janeiro de 2014

[interlúdio] there's nothing I regret, except

There's a few things I regret in my life:

To not hold your hand when I have opportunity
To fall asleep beside you when I shouldn't
To not stay awake to listen what you've might said
To not hug you everytime I could 
Sometimes I wish I could trust anyone else like a I trusted you


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

[conto] conversações com alguém em particular


Os biscoitos delicados se esparramaram do pratinho decorado com entalhes prateados para o chão de cascalhos, pétalas de ipês roxos e areia fina e perfumada. As mãos desajeitadas que deixara cair o complemento daquele chá costumeiro antes do anoitecer não conseguiram alcançar o chão e limpar a bagunça feita, o nervosismo aparente da pessoa mais alta, suja e de aparência maltratada pelo tempo não deixava sua coordenação motora muito boa.

Quem apanhou os biscoitinhos delicadamente foi sua eterna musa, donzela tão afável e fagueira que o acompanhara desde criança quando ainda era uma pequena criança inocente no velho Eire. As mãozinhas delicadas da ninfa recolheram os fragmentos dos biscoitos finos e os colocaram de volta ao prato de onde haviam caído. Após um breve momento de silêncio constrangedor, o gesto convidativo da ninfa para o pratinho decorado foi aceito com um rápido gesto, mãos desajeitadas que trituravam o alimento, levando todos os biscoitos diretamente a boca. De boca cheia e mãos descoordenadas por muito tempo atadas às costas, mãos que não serviam mais para fazer absolutamente nada que prestasse quando era vivo, apenas o agarrar grotesco e trêmulo em cima do alimento que o serviam para aliviar sua doença.

A ninfa, graciosa em seu jeito de ser, perfumada naturalmente com uma fragrância de morangos e vinho branco, sentou-se a frente dele, serviu uma xícara de chá para si e em um pote de madeira entalhada serviu o de seu convidado inesperado. O suspiro satisfeito dado pela linda filha da Grande Floresta chamou atenção do mais alto - desconfiado do jeito que sempre fora - agora tentava se lembrar como era o comportamento de um gentleman que fora antes. Seu rosto quadrado e muito desfigurado dos séculos de castigos corporais, sol, tempestades de areia e destroços tombou para um lado, decifrando aquele suspiro vindo dela, a pessoa que mais confiava dentro de seu coração.
 - Não seja tímido... Vamos, beba... - ela anunciou indicando o chá servido no pote. Ele titubeou na resposta corporal, poderia estar delirando novamente como muitas vezes delirara em sua prisão. Poderia ser uma armadilha e aquele pote fosse o seu passaporte para o tormento temporário de muitas dores infligidas e que seu corpo cansado jamais se acostumava. - Ou poderia ser só chá de morango, Annami... Vamos... Beba…
 - O nome é Willian... - ele resmungou pegando o pote como conseguia e surpreso ao ver a mágica feérica tomar conta daquele objeto emadeirado se encaixar exatamente nas curvas nodosas de suas mãos atrofiadas. O segurar na mão esquerda estava firme pela primeira vez em 125 anos, um sorriso surgiu debaixo da barba espessa e irregular, lábios ressequidos alcançaram a borda do pote e beberam todo o conteúdo sem derramar uma gota fora, um risinho amigável vindo da ninfa encheu seu coração de novas energias.
 - Você pode mudar de nome, de rosto, até de corpo, mas para mim sempre será Annami... - ela bebericou o seu chá com uma fineza impecável, ele recuperando um pouco das forças, forçou os ombros para trás para ficar ereto na postura, mas os ossos doloridos de estar sempre nessa posição no cativeiro, o fizeram mudar de ideia. Curvado ficou, mas entendeu que deveria se portar como um moço de família, como um cavalheiro, estava na presença de uma melíade, não poderia se envergonhar com suas maneiras primitivas. - Você pensa demais... - ela disse pegando um morango açucarado e retirando um pedacinho da pontinha. Com a destreza de uma elemental da terra (E mais por ser uma criatura travessa), apontou o fruto no nariz do homem turrão a sua frente e o acertou em cheio.

domingo, 27 de outubro de 2013

[video] Tio Dave Patrono Bowie - The prettiest star

Essa música foi umas das primeiras que ouvi do Tio Dave, apresentada por uma pessoa igualmente maravilhosa. Eru abençoe os dias que virão e não apague as marcas nas trilhas que já foram percorridas.

Que assim seja, aserehe ra de re, Námariê, utererê, muito pó de pemba, axé e luz azul.
Ah! PUDIM!
I hope you're doing great, and happie b-day!



sábado, 31 de agosto de 2013

cartas, lots of cartas

Ainda as tenho. Bem guardadinhas em um envelope enorme com um cartão impossivelmente mais enorme ainda, elas estão lá, em tinta azul, com a caligrafia bonita e redonda, com muitas palavras. Muitas.

Por um bom tempo eu as evitei para não me lembrar demais - essa benção de memória boa para detalhes jamais foi encaminhada pela minha pessoa, às vezes desejo ter uma amnésia total e só lembrar do meu nome - mas as palavras escritas estão lá, grafadas para sempre nessas cartas já amareladas, tão cheias de recordações - e não tenho coragem de me ver longe delas.

Quando você passa muito tempo se correspondendo com uma pessoa, acaba criando uma rotina de co-dependência de assuntos, algumas dessas cartas continham mais de 5 páginas, narrando literalmente um diário semanal de duas pessoas separadas por mais de 420 km e 21 horas de viagem. Estranho foi ver como consegui abrir a pasta com as cartas e dar um fim nelas como elas deveriam ter, a memória que tenho desses anos de trocas de correspondências são como flashes de lembranças, nada muito sofisticado, felizmente naquela época (Quase 14 anos atrás) não havia tomado para mim a irritante habilidade de relevar as palavras escritas acima das faladas - agora, brutalmente, faço o contrário.

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