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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

divagações sobre a letra de Miss You Love

Tem essa música do Silverchair que a Globo fez o favor de colocar e uma novela teen aí e distorcer o sentido ao dá-la para um casalzinho apaixonado. Lembro bem que não gostava muito dela por esse motivo, mas ao comprar o Neon Ballroom de 1999 e ler a música no encarte, entendi que Miss you Love era uma letra com trocentos temas para se explorar, mas tudo com uma mesma essencia: wtf serve o Amor? Esse álbum me fez ter respeito pela banda e a inigualável awesomeness lírica do Daniel Johns.

Interessante ver é que nessa época o Daniel estava com a Natalie Imbruglia e as canções mais awesome dela saíram na mesma época que esse álbum - okay, não confundo eu-liricos nem a pau, mas algo como poesia em forma de música acaba sendo tão intimista quanto achamos que possa ser.

O álbum abre com Emotional Sickness - que pra mim é uma maestria mais fodástica do angst heroínico - e Miss you love logo em seguida.



The thing is: we don't fucking need to feel this to survive. Mas precisamos para nos civilizarmos, sermos ditos humanos, com toda a carga emocional impregnada nesse corpo defeituoso, sem upgrade e provavelmente em declínio pela quilometragem usada.

Miss you love pode ser interpretada no sentido do amor comercializável entre indústria da música e os artistas - aqueles que supostamente deveriam fazer Arte por Amar e não ter isso como um produto pra venderem.

Fala igualmente do Amor no modo incompreensível de se lidar emocionalmente/psicologicamente, do amar e se machucar por causa do Amor mesmo que não haja retorno algum favorável, o modo tumultuado de se doar e de receber no processo de paixonite aguda, como o angst teenager que se instala após se perceber que não há escapatória.

O refrão-título mostra essa dimensão de não se conseguir viver sem isso mesmo não necessitando muito. O trocadilho no encarte de "and I miss USE Love" é intencional.

O fato de ser uma balada não ajuda muito na ambiguidade que a música traz para o clima, particularmente acho Daniel escolheu bem as cordas de fundo pra ilustrar essa valsa que Miss you love vai levando. A guitarra que aparece no segundo verso já vai acostumando a gente com o "teenager angst" para acalmar novamente na valsinha doentia que os violinos produzem com o.piano.

Lembrem-se, não é música com letra romântica, assim como todo o Neon Ballroon

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Pedi Pepsi, me empurraram Coca-cola.

Vamos ver se não estou tão maluca assim para entender a lógica do mundo capitalista/patriarcal/ocidental:

Se eu vejo alguém entrando num comércio e perguntando se tem Pepsi há algumas possibilidades de interpretação para o pedido:

1 - a pessoa não localizou ou está com preguiça de localizar a Pepsi;

2 - a pessoa viu a Coca-cola ali, ela SABE MUITO BEM da Onisciência do líquido desentupidor do Capitalismo, que tem uma geladeira da Coca em TODO LUGAR que a pessoa vá, mas ela NÃO VAI trocar Pepsi por Coca por alguns motivos:

a) Pedir Pepsi é uma forma de se rebelar contra o sistema e não seguir o padrão pré-estabelecido;
b) Pepsi é mais açucarada, tem gosto melhor e custa menos que a porcaria da Coca-cola;
c) a pessoa é viciada em Pepsi (acontece!).

3 - a pessoa quer variar hoje. Se ela perguntou por Pepsi é porque está implicitamente marcado que ela NÃO QUER Coca-cola (já que essa é pedida padrão da grande maioria).