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sábado, 23 de setembro de 2017

[bibliotequices] a ideia que ninguém teve

(Essa postagem é regada de chá de semancol e sarcasmo. Não vistam a carapuça. Sério. Faz mal pro ego e pros cinco dígitos na conta todo final do mês. Nem precisa se importar muito com o futuro profissional de mais de 20 pessoas)

Todo mundo tem aquela ideia que ninguém teve. 

Então se em um mundo hipotético talvez uma disciplina que essencialmente fala sobre acessibilidade e inclusão fosse tratada com mais seriedade fosse ministrada por alguém consciente do papel do bibliotecário na cidadania plena das pessoas com quem convive, tenho certeza que passaria o semestre todo pedindo trabalhos de campo e relatórios em forma de diário dos alunos sobre experiências de alteridade com o Outro. 

 - Passar um dia todo sem falar, apenas utilizando vocalizadores. Apresentar um trabalho com ele. 
 - Passar uma aula inteira com tampões de ouvido, se comunicar por libras ou apenas pelo celular.
 - Usar uma cadeira de rodas durante o intervalo, verificar como os espaços onde habitamos mais tempo estão preparados para receber cadeirantes. 
 - Se não tem cadeira de rodas, muletas. Enfaixar um pé com algo pesado e andar por aí.
 - Fazer trabalho de campo em dupla, um colega vendado durante cinquenta minutos, vão à uma biblioteca. Escrever sobre as percepções de como se conseguir informações dessa forma.
 - Fazer trabalho com amigo míope com mais de cinco graus sem óculos e ler textos com lupa. 
 - Apenas usar sites que tenham opção de acessibilidade por um dia inteiro. Escrever sobre como foi.  
 - Ir ao museu da universidade dos Megazords e acompanhar uma turma com necessidades especiais ou de diferentes faixas de idade. 
 - Visitar ao núcleo de idosos da mesma e passar uma tarde na sala de leitura deles, atendendo a galera.
 - Assistir uma aula com o pessoal que cuida dos graduandos que apresentam algum tipo de necessidade especial ou dificuldade intelectual. Trocar umas ideias com eles, pelo menos. 
 - Ficar uma semana inteira em biblioteca escolar de comunidade em risco social atendendo a garotada.
 - Ir em uma aula de libras e interagir com a galera, se permitido.
 - Chamar o atual professor de libras para participar da aula.
 - Dar a aula em libras com alguém traduzindo ao mesmo tempo. 
 - Usar os recursos visuais como Instagram, Facebook, YouTube para tentar se comunicar apenas através da Internet.
 - Passar um dia inteiro com um bloquinho na mão e escrevendo o que vai falar nas conversas.
 - Se voluntariar em uma biblioteca de penitenciária.
 - Mapear se a comunidade onde você vive tem o mínimo de acessibilidade para os moradores e se os locais de serviços público ofertam inclusão em suas atividades.

Bem isso. 
Mas assim como todo mundo, essa é a ideia que ninguém teve. 
Nem tou dando dica.
Estudante só sabe reclamar mesmo.
E apontar defeito.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

essa é a minha vida de cdf since 1986

Apenas para dizer que eu AMO voltar a ter aulas, porque o ambiente universitário é coisa que me relaaaaaaaxa (irmã Selma feelings).

E agitar pompons para professoras que não só admiro como quero tudo de bom nessa vida é muito, muito bom. É a perspectiva de que posso ter diálogo com elas sem firulas que dá esperanças na vida bibliotequera. São esses os exemplos que a gente pode levar pro resto da carreira e criar lacinhos fofuxos de dominação mundial via bibliotecas.

No evento em que fui hoje sobre algo que me fez refletir sobre o que raios faço todos os dias desde 2013 e quero fazer o resto da vida, foi overload de pompons internos, tipo cheerleader mesmo gente, não vou negar.



Quando é pra dar apoio pra quem me inspira todo dia, pode apostar que farei de um jeito esquisito. Ou sei lá, sair no meio da palestra pra abraçar muito a pessoa que me ensinou sobre a importância de uma gestão focada no serumaninho do que em dinheiro. E que foi muito muito muito gentil comigo em tempos difíceis de superação de crises existenciais sobre o curso (já tive duas esses 4 anos, firme e forte nas estantes!).

Aí a minha mestre Jedi senta no fundão e já me enche de orgulho por ela estar ali compartilhando as ideias e que sim, vou poder sentar e conversar sobre trocentos planos para o futuro.

E a pessoinha mais sorridente e awesome que senta ao meu lado e que me dá aula desde começo do ano que não faz ideia do quanto me ajuda a fazer o que mais amo nesse mundo (Biblioteconomia) de um modo em que posso ter certeza que não tou fazendo bobagem, não tou errada por pensar fora da caixa, que querer fazer um mundo mais legalzinho não é ideia de jerico, por me dar uma força (mesmo não sabendo lalalalala) quando me vejo fora dessa universidade, atuando na profissão que escolhi pra mim.
(A única decisão própria acertada na vida, lembram?)

A cerejinha do bolo é receber um abraço de esmagar as juntas e um presentão incrível e do coração da molieeeeer virginiana mais interessante e idealista que conheci - obrigada ACB por isso - me vejo muito nela e também presto bem atenção no que ela faz pra ter uma base de como continuar nessa vida de escriba.

É muito pompom pra quem não consegue conter o fangaling quando precisa. É mazomeno assim:


Apesar de saber que não posso transparecer o quanto fico em um estado de euforia frenético quando vejo tanta gente awesome que me inspira tanto, escrevo essa postagem mesmo assim, porque sério? Desde a Letras aprendi a valorizar meus docentes decentes como eles merecem, só faço em silêncio pra não me chamarem de cdf.
(Tá, pode chamar de teacher's pet também... Nem ligo mais, há coisas na vida que a gente esquece de agradecer por essas pessoas pertencerem a um continuum espaço-tempo mesmo que o nosso e expressar gratidão da forma mais sincera possível vem sendo minha resolução desde que saí da primeira graduação.)

Obrigadão pessoas lindas, vocês sabem quem são. E prometo não causar muito distúrbio ao agitar os pompons!
(Onde será que vende um par desses hein?)

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

futurismo docente sonolento

Queride eu daqui alguns anos com doutorado em alguma área bizarra, 


Você dará aula. 
E pessoas dormirão no meio da explicação. 
E colocarão sua aula como prioridade mínima na lista de coisas a se fazer. 
E provavelmente estarão espiando o celular a cada 5 minutos. 
E pedirão pra sair mais cedo, pois não aguentam muito o assunto que você tratará com tanta felicidade.


Para os dorminhocos, dedico essa carta futurista docente.
Quando você ver aquele aluno cabeceando de sono, lembre-se que um dia foi você naquele lugar, desmotivado, sem energia reserva, drenado pelo trabalho, a jornada dupla, a falta de vontade alguma em querer absorver conteúdo algum, um mero autômato, veículo passivo de audição nada discreto em sua manifestação.

Leve incenso, use mais vermelho, use a tática Abelardo de dar aula, cutuque o colega estudante com delicadeza, lembre-o que estás ali pela aula assim como ele também. Se o problema persistir, toca a vida sem se importar, a aula precisa ser dada mesmo, não se preocupe caso haja uma plateia morta, há outras formas de se chegar aos estudantes sem passar a perna. 

Créditos do gráfico aqui [x]




terça-feira, 8 de dezembro de 2015

docência de(s)cente - aquele lugarzinho especial


Resolvi separar um tópico para o BIBLIOTEQUICES para falar especialmente da carreira docente que estou me preparando para me enfiar. O DOCÊNCIA DE(S)CENTE vai estar tagueado para quando esse assunto for abordado.

Como primeiro post, bora ranting about uma coisa que já está incomodando faz tempo no curso.

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Nesse percurso acadêmico cheio de absurdos, há de imaginar que em algum ponto da linha cronológica de acontecimentos da minha vida de escriba do porquê eu ter recusado terminantemente a não seguir a docência na PUC. 
Até porque não construíram a Estrela da Morte com as centenas de milhões de denheros coletados dos pobres estudantes ferrados. 

A licenciatura vem me ensinando muitas coisas, inclusive o de não subestimar as pessoas, por qualquer motivo que seja. O indivíduo pode ser o mais estúpido possível lá fora das quebrada, isso não me dá razão para desabonar sua personalidade e caráter (Até porque não pago suas contas e não me interessa tua vida). Mas se a didática for ruim, meu camarada, cê tá condenado com carteira há VIP para Minos para passar a eternidade no Tártaro no pior castigo possível formulado para sua conduta profissional dentro e fora de sala de aula. 

Na minha sincera opinião, professor que não dá a mínima para as suas aulas e só está preenchendo lugar merece ter uma chance de assistir as próprias aulas no repeat, em uma cadeira velha de dentista sem ergonomia alguma, preso por linha de pipa coberta com cerol. 

Porque é essa a sensação que tenho após sair de aulas assim, em que se percebe claramente que o caboclo não quer nada, está ali ocupando o tempo e prejudicando os estudantes (e se não o sistema educacional funcionar). Esse tipo de profissional está na minha lista de "erros que não cometerei quando estiver na docência". Entendo que para muitos doutorandos o caminho para conseguir um cargo estável no ensino superior é passando pela docência, isso é magnífico, pois ensina muitas lições de humildade e alteridade, mas os mais velhos de casa parecem não entender que eles estão formando gente que vai fazer diferença lá fora. 
Os de mais de 25 anos de casa que digam. 

Como a seriedade do assunto não me permite dar nomes aos bois (fica mais interessante fingir que ninguém sabe de quem especificamente estou tratando nesse post) vou continuar a dissertar com o simples cenário:

Paredão de fuzilamento. 
Cerca de 60 estudantes a cada intervalo de 1 ano. 
O pelotão de fuzilamento está com as armas prontas, só falta alguém para dizer "Fogo". Adivinha quem é que dá a ordem?! 

A visão fatalista da educação é entendivel quando percebemos a seriedade do assunto. Somos instruídos como agentes sociais de mediação de leitura, informação e cidadania. Os professores são habilitados/especializados em nós ajudar a construir os significados de nosso percurso acadêmico, seja incentivando ações educativas para nos doutrinar (e vou usar esse verbo mesmo com o peso dele na frase) ao sistema de controle educacional vigente ou nos desafiar como indivíduos em nossa imensa elasticidade pedagógica e social. 

E tem sempre o fdp que é provável um zé mané qualquer e adora o som de sua própria voz repetindo: FOGO!! ATIRAR!! 

Então vamos lá!
(Post longo sobre como não tenho mais paciência em aturar professor que deveria estar pescando, não lecionando)

Cê que sabe se vai clicar ou não...