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quarta-feira, 20 de março de 2019

eu julgo professores silenciosamente

[Essa postagem não serve pro Bibliotequices, mas tem a ver com a graduação]

Eu julgo pessoas silenciosamente.
E tenho uma predileção absurda por pessoas que decidem ser docentes - por acidente, por amor ou por obrigação. Queria muito me livrar dessa intensa opinião forçada goela abaixo por minha educação exemplar na universidade dos stormtroopers, mas infelizmente acontece.

Então.
Eu sei.
Não adianta fingir que não aconteceu.
Eu sei.
Já passei por todos os estágios de pânico, desdém, infelicidade, euforia, enfrentamento, conflito,  o que pode se intitular como enfarto pedagógico quando se trata de docência.
Eu sei.

E sinceramente gostaria de desaprender essa powha, porque não me ajuda em nada quando estou como estudante e subitamente observo a didática de professores. 
E quando elas funcionam.
Ou não.
Usualmente capto quando elas NÃO funcionam e aí reside o problema ético da minha 2ª graduação: falo na cara dura que a pessoa deveria estar pescando, jogando xadrez ou sendo feliz FORA da sala de aula ou fico em silêncio julgando silenciosamente?

Última opção forçada na disciplina.
Parece menos desastrosa.

A figura do docente em uma sala de aula nos parece absoluta quando estamos nos percalços da vida escolar, a palavra do professor é sempre a mais alta em hierarquias que não entendemos ou não querem que entendamos, e sim, há toda uma maquiagem linda cultural que da porta pra dentro a sala é do docente.
Supostamente.
Tou aqui verificando o senso comum, gente.
Estudante passivo tem a obrigação de escutar e assimilar. 
Esse é o senso comum. 
Aí você passa 3 anos e meio em uma licenciatura que te desconstruiu tudo, destruiu conceitos e te fez questionar até a escolha de verbo que docente usa no modo preferencial.

Acontece.
Eu sei.
As marcas linguísticas dizem muito sobre um docente.

Eu era a pessoa que dava aulas de alfabetização pra turmas lotadas de jeans surrado, tênis sujo de lama, camiseta meio amassada e um cotovelo ralado ou cabelos desgrenhados, porque eu fazia questão de passar o recreio com a criançada no pátio pulando corda e fazendo meu trabalho de educadora.
Dali dava pra tirar "n" motivos do porquê criança problema nº 1 era atrasado em saber identificar as letras (ela só se alimentava direito na escola), porque criança introvertida nº 2 tinha explosões de humor quando pressionada (problemas de visão não identificadas pela família), porque criança nº 3 gritava dentro da sala de aula e causava transtorno por brincadeira (porque em casa era maltratada de diversas formas).

Vida de professores não é fácil.
A muralha tá ali pra construir e não ver, mas quando ainda conserva um pouco da infância em você, não tem como virar a cara pra esses silêncios ou esses gritos. Aí vamos para a faculdade, onde supostamente deveríamos ser a nata da sociedade civilizada e um bando de babacas elitistas. Privilegiados do baralho. Gente mesquinha e sem emoções. Somos mais um número. Mais um currículo lattes. Mais uma cabeça vazia pra preencher com teoria falha. Mais outro com canudo que não vai fazer diferença no mercado de trabalho sujo e cruel da vida real.

O que enxergava naquelas crianças, adolescentes e adultos (EJA) vejo nesses seres quase superiores por terem uma cadeira na carteira e na frente do quadro no ensino superior.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

abandono à favor de algo edificante.


Então.

Assucedeu-se que para valorizar a minha integridade e saúde mental, resolvi abandonar uma famigerada aula.

A medida drástica se deu devido motivos extremamente importantes que deveríamos discutir mais vezes entre os discentes e docentes. Tipo mansplaining, gaslighting, maninterrupting, anacronismo, falta de responsabilidade social.
A famigerada aula tinha um potencial incrível de fazer a geração da Biblio e Ciências da Informação de contribuírem - mesmo que em menor escala - com as questões de acessibilidade e inclusão digital/social dentro do curso. Temos diversos problemas nesse requisito devido a infraestrutura do centro e do campus, mas com uma disciplina dessas seria promissor realizar um trabalho de campo nos diversos órgãos que o campus possui para facilitar e otimizar a vida de quem antes não era nem cogitado em estar ocupando uma carteira no ensino superior.

Mas aí o que ocorre?
Aquele erro crucial incrível que nós gamers chamamos de #EPICFAIL ao termos um exemplo de o mínimo de didática possível para instigar os estudantes a se aprofundarem nesse assunto. Ou se interessarem. Ou sei lá. Pensar nisso já me causou muitos problemas em anterior experiência. 

Não estou pedindo life changes, apenas fingir.
Sorrir e acenar. 

Desconhecer os órgãos da universidade que promovem Acessibilidade foi o mínimo, o pior foi receber a resposta ao questionar sobre se conhecia os locais (no próprio centro HÁ uma fucking Coordenadoria de Acessibilidade e Inclusão FFS) de que se eu mandasse por email com todas essas informações, ele daria aula sobre elas. 

Detalhe: pros de cinco dígitos na conta todo final do mês, beleza. Legal mesmo é ver a turma de bocós não aprendendo nada edificante pra vida de bibliotequeros. Sim, pessoas, vocês são bocós e estão se prejudicando por não saberem se organizar direito. Por não buscarem seus direitos. Por não levantarem a mão e questionar. Eu sou bocó também. Eu desisti. A bocosidade também me pertence.

Dali já sabia que minha Sanidade não merecia ser minada por incoerência. Dali não apareci mais na aula, e dali minha vida acadêmica foi se tornando bem mais feliz e aceitável. O problema é: com um registro de Frequência Insuficiente não tenho mais direito a estágio na dita universidade no próximo semestre. Se eu pensei bem antes de fazer isso?
Eu sei meus limites.
E os gatilhos.
E igualmente a morosidade das instâncias.
E a desorganização estudantil que meus colegas parecem sádicamente propagar quando algo assim acontece (botar o seu na reta por uma causa de urgência não, arruinar com ensino de qualidade, yep, bora lá!).

Então você que passa por esse aperto em alguma fase do curso de Biblioteconomia da universidade dos Megazords, não se preocupe: proteja a sua saúde mental primeiro.
Pelamoooooor, mantenha sua integridade mental.

[Editando porque olha só final de semestre!]