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domingo, 25 de novembro de 2018

[eu não sei fazer poesia] pensamento trancado

Pegar ônibus com todo mundo sentado. 
Passar na catraca. 
Sentar no fundo, por achar que é o único lugar onde não vão te incomodar.
Sentir dor no ouvido, não tirar o fone do ouvido.
Beber café - não pode! - porque constantemente está em estado de cansaço.
Não responda ao comentário TLGBQfobico na rede social de quinta categoria.
Sorrie e acene.


Pensamento trancado em apenas uma coisa, pra não deixar outras coisas piores virem ao mesmo tempo. 
Não ouvir músicas tristes. 
Perceber nos detalhes bacaninhas da vida acontecendo na sua frente. 
Escrever. 
Não lembrar tanto, apenas escrever. 


Respirar fundo pra oxigenar o cérebro. 
O oxigênio que é um dos fatores de oxidação dos ossos, tecidos, órgãos, não pensar nisso. 
Será que todo mundo tem esses pensamentos? Dentro da sala, no trabalho, no trânsito?
Pensa em como 
É estar trancado em um lugar-corpo que nunca te pertenceu, não mais cabe, não se contém. 


Contém 250mg de dipirona e tantos miligramas da droga legal de escolha para a dor nas costas. 
"Você usa drogas?" 
Viver já não é um barato loko o tempo todo?
Com a respiração e o oxigênio oxidando, enferrujando tudo?
Com direito as bad trips ocasionais que parecem não terem fim até atingir o fundo do poço. 


É lá que tudo se encontra 
O ilegal, o não-pertencimento, o corpo contido, o não merecer, as pequenas aflições diárias, todas acolhidas em detritos daquilo que poderia ser uma vida básica e em paz. 
Nunca foi. 
Nunca é. 
Oremos um bocado que seja. 
Amém. 

quinta-feira, 1 de março de 2018

[eu não sei fazer poesia] máquina de lavar



O processo do esquecimento é como uma máquina de lavar bem usada
E que as roupas novas são batidas demais e acabam perdendo a tonalidade
Aquele jeans que encaixava direitinho pode encolher ou alargar
A camiseta favorita manchar por culpa de outra colocada indevidamente
Rasgos, torces, aquela meia que some misteriosamente



Aliás péssima hora de comparar memórias com roupas, mas fazer o qué?



O cheiro do amaciante fica até determinado instante
Bem breve
Na primeira saída se vai e mistura com
Os odores da vida terrena coberta
De poeira, sujeira, fuligem
Assim como as memórias, dependendo do sabão usado
Memórias somem, dão lugar a esse borrão alvejado
Um alvejante errado



O ritmo constante da batida do motor até engana
Assim memórias construídas e alimentadas diariamente pela rotina
O zumbido, ruído, rangido se torna o mesmo
Aí desanda com o erro crucial do uso concomitante de alvejante
Ou aqueles produtos mais chiques
Tira-manchas
Tem como tirar manchas de uma memória?



A mancha é maquiada em algo que a química resolve,
mas não o que o tecido tece
O tecido, aliás, é o mais prejudicado



Esse tecido roto que achamos o mais potente
Tem mais manchas maquiadas que o costumeiro
Alvejantes memoriais
Começa por pequenos detalhes, uma data
Apagando aos poucos uma impressão que deveria durar mais um pouco
(mais outra lavagem e retrolavagem)
Um toque, um cheiro, um sabor, o grunhido do motor?
Persistente, até se tornar algo ambiente
Faz parte do seu sistema, mas é alienígena pro seu corpo



O som da voz se esvai por último
Como se desse o ultimato do botão de enxaguar
E das memórias lavadas nessa máquina de lavar
É quase certo que não recupere mais a elasticidade das lembranças
A voz é a última
Dissipando qualquer outra lembrança produzida em bolhas de sabão e cheiro inebriante de amaciante
Memória centrifugada
Uma pena, viu?



O tecido retirado da máquina
Estendido amarrotado no varal da vida



Péssima ideia comparar memórias e pessoas com roupas a lavar

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

[eu não sei fazer poesia] trabalho não nos dignifica, nos autentica

O que seria de nós metros de músculo,
nervo, ossos e sinapses, embalados em quilômetro de pele rasa,
eriça, fraca, falha em poucos segundos destroçada
sem o menor esforço...?

Faço das minhas palavras as últimas a ouvir,
tampem os ouvidos se assim querer,
querido eu,
antes eu,
anteriormente eu,
cúmplice eu.

"Aprenda com os erros dos outros,
aperfeiçoe onde não acertaram,
conserte isso e aquilo!",

O simples clamor do labor a cada segundo de uma vida erroneamente eterna quando se coloca coração demais no trabalho e pouco onde ele acha que pertence - e é sempre onde os Outros acham que deve pertencer.
O trabalho não nos dignifica, nos autentica.

Como um preço de supermercado,
estampado em nossas testas,
prontos para sermos consumidos,
o valor de cada troca é diretamente proporcional
ao esforço exigido,
tantos esforços por tantas etiquetas,
olhe só isso,
hoje,
meu amigo terreno,
hoje estou em promoção.

sábado, 7 de outubro de 2017

[eu não sei fazer poesia] espetacular cenário barroco

Descobri duas coisas sobre mim mesme nesse último semestre:
1) não sei escrever poema em estado diferenciado de consciência.
2) escrevo essas coisas aí embaixo quando estou nessa situação relatada acima.
(No caso remédios para dor muscular que yaaaay derruba-capota-estágio de contraturno com Patrão Morfeu)

Assim como na quinta fase tive o dia da divisão de águas (referência bíblica btw), percebo que vivo num espetacular cenário barroco.

Comecemos então, arrãm.
Céu e Inferno
Milagre e danação
Oração e maldição
Aquele anjinho na direita
Diabinho na esquerda
(sempre da/na/da esquerda)

É pecar o dia inteiro pra
De noitinha se ajoelhar e rezar
Trocentas ave-Maria, meu pai nosso
De cada dia é esse?!

É tipo, pisar num terreno macio
Pra escorregar em pedra maciça
É um quase rococó do avesso
Pra garantir, levo um terço
Um terço de hora pra entender
Qual exatamente é a minha punição

Tem dia certo pro barroco assentar
Não precisa de muito esforço
É só esperar

Obviamente esse post foi intensamente inspirado nessa música da Clarice Falcão enquanto estava em posição quase fetal em carteira escolar acadêmica. Mas a gente releva, porque paciência é algo precioso

terça-feira, 15 de agosto de 2017

[eu não sei fazer poesia] soltas cobra-ideias

Menos mais um dia
Menos inspiração
Deuses não deram as musas o privilégio
De serem donas de seus próprios desejos
A mão inútil que não escreve
Não cria
Não-vida
Acorda nervosa, punho de ódio de noite
Sonâmbula, distraída de dia
Rabisca um verso ali e aqui, pragmatismo
Arrasta a caligrafia, determinismo
Garrancha alguma hipocrisia, mimetismo

Os deuses não deram asas as cobras por ser uma péssima ideia.
Já ideias soltas foram uma ótima solução.
Às vezes tocando em nossos rostos como veludo, para depois
Ah depois no rasgar pele-carne-osso com suas escamas porosas.
Asas felpudas não são garantia de bondade
Ideias soltas são como anjos disfarçados dos piores demônios que guardamos num dedo
De prosa ou outra
(Um dedo não)
Outra mão

A mão que não escreve
Que não produz
Que cheia de dedos cerra um punho
Serrar meu punho seria um alívio em horas como essa
De ideias soltas
De anjos felpudos
De demônios guardados

Cobras essas que cobram por mais vítimas
Em suportes de papel, barro ou telas lúcidas em plasma
Entupidas de veneno, a respingar, no alto de nossas cabeças,
Esperando as próximas vítimas
Infligindos pequenas mordidas
Lacerações de intensa agonia
Menos mais um dia
Um pulo, um bote, uma constrição

Deuses não deram aos homens a graça
Desprovidos de entender as musas
Roubaram o fogo e trouxeram a desgraça
A caixa com os males do mundo não é aberta por ninguém
Não há caixas, não há faixas, apenas cobras
De asas felpudas, ideias soltas de demônios guardados

A mordida parece leve no começo
Como anestesia aplicada direto na dor
Não se cria nada sem destruir o Outro
Não se consegue prosseguir no caminho sem tropeços
Tropeçamos
Tropegamos
Trepassamos

Os deuses não deram asas as cobras por ser uma péssima ideia.
Já ideias soltas, ah essas cobras-ideias, foram uma ótima solução.

domingo, 30 de julho de 2017

[eu não sei fazer poesia] Aluga-se


Quando tenho tempo para esticar as costas dentro do busão
e levantar o olhar para a paisagem lá fora,
o que me deparo é essa realidade
bem diferente que a gente tem aqui no chão. 

Da imensidão de construções na beira mar
com suas fachadas estonteantes,
para mais adiante termos mais desses construtos
mini-jaulas-gaiolas-com-redes-grades,
alumínio em janelas,
varandas lotadas de roupas a secar,
aluga-se

Dentro das gaiolinhas,
pessoinhas vivendo um padrão acima da maioria. 
Pequenas caixinhas
de concreto para pessoinhas. 

É dar um upgrade no Purgatório.

terça-feira, 25 de julho de 2017

[bibliotequices] canção de escárnio


Fiz uma canção de escárnio pra quem mais amo.

E para momento literário fofuxo, deixo a definição de canção de escárnio, ok?
(Sim, vai ler na Wikipedia, tou aqui pra repassar a informação, não pra dr aula de Literatura.)

A gente vive numa caixinha, povo.
Não vamos negar.
O mundo lá fora é tão vasto e cru que é óbvio que irei ficar confortável em um lugar só e não cuidar de selvagens dentro das escolas,
Selvagens atrás das grades
Selvagens enfiados no mato nos confins do Brasil.

Não sou assistente social.
Não sou explorador aventureiro
Não sou babá de ninguém
Não sou como esse povinho aí

Nasci da elite mais refinada da erudição europeia,
Vim fugido pra essa terrinha abençoada em que tudo nos dá
A falta de culhão de monarquia atrasada culturalmente
Filho de herdeiro, de fubá, de sinhá
Achando que ser doutor é o topo da cadeia alimentar

Claro que na cadeia alimentar, toda espécie tem sua evolução.

Se ontem eu digeria burocracia pra escovar os dentes com os dicionários,
Hoje sou obrigado a virar jurássico,
Empoeirado com essa moçada que adora desconstruir paradigma com bisturi tecnológico.
Mas meu amigo, paradigma é temporário,
Sempre se eu fui paradoxo
Até que prove ao contrário
Ou "seje menas" nessa canção de escárnio

Faço parte de uma "profissão em extinção"
Computadores chegaram revolucionando a forma de obter informação?
Continuo aqui.
No mundo a Internet mudou a configuração?
Continuo aqui.
Inventaram outra nomenclatura pra designar o que faço (só que com mais bytes, mais outros termos científicos que você quiser adotar).
Continuo aqui.

Sobrevivo.
Tenho lei e tudo.
Escolas de louros espalhadas no país,
Escola que limpa mouros, esses não entram aqui
Escolas que higienizam ensinando algo que dizem que ninguém mais precisa
(tem a Wikipedia e Doutor Google agora)

Formo uma minoria de elite, branca, especialista em qualquer coisa que sirva no momento.
Conhecimento de tudo para servir de nada
Gratuito? É de graça, com a minha salvaguarda
Educo neutralidade em cada passo que ajudo o pupilo dar.
A lei me garante.
Os decretos também.
Minha imparcialidade se confunde com apatia que é só um reflexo do meu comodismo.
E ainda assim, continuo.

Desde Alexandria.
Desde a primeira dinastia.
Desde a primeira vez em que a escrita esteve presente na sua vida.
Continuo.

Sabe por que não faço mais que deveria?
Por que alguém vai fazer por mim,
Essa molecada com as fuças grudadas em tecnologia.
Esse é o desejo deles, não meu.
E eu continuo.

A quem sirvo não é pra todo mundo,
Não é pra ser,
Que meus teóricos preconceituosos, sexistas, machistas,
Crias de um sistema de manutenção permanente do patriarcado,
Estejam mais certos que qualquer outro de outra área.
Perpetuo os manuais sem averiguar as pistas
De uma violência muda, surda e cega

Conhecimento é poder.
Informação é a única realidade.
Eu tenho a chave.
E eu continuo.

Mude os termos, as nomenclaturas, as ementas, as leis, os decretos, os códigos, os anseios, os afetos, o chão a lamber, mude, se mude, faça upgrade.
Eu continuo.

Um monumento em homenagem a inércia.
Eu continuo
Te encarando como esfinge, dando a charada e penalizando seu mínimo erro.
Eu continuo
Devorando seu fígado, e você acorrentado
Eu continuo
Sendo a pedra que se precipita no alto do penhasco infinitas vezes
Eu continuo
Um diploma, um canudo, um juramento me habilita
Eu continuo mesmo assim.

Você, você faz reformulações, reedições, renovações.
Como todo organismo deve ser reinventado para se legitimar nessa sociedade desigual.
Eu continuo, não permaneço, óbvio!
Mas aqui, continuo.

Eu continuo! (tá me vendo aqui?)
A profissão que será "extinta" daqui alguns anos
O profissional que "não serve pra nada"
O "trabalhador encostado" que reclama demais
Ninguém pediu sua opinião, eu existo
(você também, caro amigo, você também)
Eu existo desde que homo sapiens começou a fazer conexão com as sinapses do sistema nervoso
Talha, cunha , argila e arconte
Pergaminho, papiro, hierofante
Continuo, tou aqui, tá me vendo?

Tudo na ordem? Tudo no progresso ?
Identidade, CPF, comprovante de residência e 2 contatos por favor?


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

[eu não sei fazer poesia] testando 1,2,3...

Faço uns testes por aí
Uns mais sofisticados que os outros
Uns mais delicados
Oa resultados costumam vir imediatos
Uns testes aí
Pra não esquecer que viver é bom, navegar é preciso
(viver não é preciso, Fernandinho?)
Faço uns testes assim bem toscos
Aprecio mais que o devido
Tenho não muitas surpresas
Mantenho os relatórios
Nunca se sabe quando se precisa dos dados perdidos
Durmo menos que antes então
Não é por falta de sono, de cansaço, de lentidão
O mundo não me deixou respirar depois do safanão
É difícil
É uma pena manter o ritmo da música
Quando não se tem mais a partitura na mão
Às vezes faço uns testes pra ver como é que é
Você sem você como qualquer um outro ser humano normal
Quando se tem poucas horas pra si mesme
Quando se tem horário pra não se reprimir
Os testes que andei fazendo
Sempre acabam quando lembro de você
É batata o resultado quando tá doendo
Não tem onde mais a ferida crescer
Já fiz alguns testes, desses de desanimar
De te tirar de dentro do meu organismo
Pro sangue afinar e calibrar o que precisa ficar
O teste bem sucedido já foi, não tá mais doendo (mentira)
Mas aí lembro que há sempre algo a testar
Uma trilha, uma pedra, um canção, um fio prateado cortado antes da hora
Faço alguns testes por aí.
Ajuda a não cair mais no real momento
Deixa a vida seguir normal, é assim quando se tem ainda um tormento
Faço testes todos os dias
Parece que são mais
É um desafio vencido do absurdo
Um controle a menos na paz
O último teste que fiz foi até eficácio
Tinha mais etílico do que glóbulos vermelhos em minhas veias
E uma pergunta repetindo na cabeça
"Por que ainda se importa?"
Não vai ser o último teste, com certeza nem mais o primeiro, provavelmente será um intervalo junto ao interlúdio aqui.
Às vezes tentar dói mais
Do que se aprende

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

[eu não sei fazer poesia] sem título

Tem três eu dentro dimim
Ume é que escreve
Outre que escarnece
Últime é uma extensão sem fim

Como três sofre junto
Que nem boi ladrão
Num mato sem cachorro
Que acabou de levar esporro
Em briga de foice no escuro

Nenhume toma jeito
Acham que no mundo tudo tem conserto
É remendo de lá, costura de cá
Um hematoma ali pra acostumar
Três vezes a dor em um
Ouve só o que vai vir

Primeiramente fora temerários
Povo inerte de posição e cabeçalho
Enfurnado em seus títulos recíprocos
Sentadinhos enfileiradinhos sequinhos
Tão certinhos de seu desempenho oh dó

Mas gritar não resolve, virar olho ou bufar
Nos corredores dos sims e nãos é preciso cortejar
A velha tradição de juntar bolinhos
Daqueles certinhos engomadinhos
De pés juntinhos torcem pra minoria enganar

São três de mim pra escolher um lado só
A ladainha deles, já sabemos de cor
Três de mim quer protestar
Vociferar, chamar em plenos pulmão
Provar por a + b esses cidadão
Tão afeiçoado ao latim do Lattes
Que a lógica esmagadora de Descartes
Não serve para o populacho não

terça-feira, 2 de agosto de 2016

[eu não sei fazer poesia] sem título 2

Talvez vá chegar esse dia, em que a troca de olhares seja diferente
O gosto no paladar não mais acrescente
Enquanto uma alma está pronta pra se entregar
A outra queira dizer que não há mais nada
Que o mundo lá fora é sua morada
E que não há nada aqui dentro que a prenda no corpo

E quando esse dia chegar
Espero dessa vez ser apenas espectadorx
Não mais notar que o brilho nos olhos abrandou
Na verdade, gelou
Para um pálido cinza nevoento que não quer espera nada

Porque é isso que talvez esse dia seja
Quando se está totalmente preparadx para dizer o que mais importa
Para as palavras serem trancadas pra sempre antes
De subir pela garganta, encontrar os lábios
Sussurrar com a certeza de que fez o certo

E esse dia, espero que seja, eu esteja
Apenas na plateia, vendo o desenrolar
De um conto de fadas que poderia ser perfeito
Quando uma alma quer se doar com o que tem
E a outra que prefere ignorar

Talvez o dia chegue e as palavras jamais saiam
Se engasguem entre os pulmões e ali fiquem
Sem cano de escape, cirurgia ou exorcismo
Para que na próxima vez (Se tiver) seja breve
Não vá além do que deveria ser
Não se atrever a ir longe demais quando não se sabe o caminho direito

Talvez vá chegar esse dia, em que outra alma irá fazer companhia
Na figura curvada de 97 anos, cadeira de balanço e dentadura na gengiva
Ou na pequeneza em quatro patas, focinho gelado e longos cochilos
Talvez chegue, talvez não. Talvez nem tenha existido, ou tenha sido em vão

E esse dia, espero que seja, eu esteja
Apenas de soslaio de olho, cara enfiada em um miolo
De um livro bem grosso e interessante
Pra eu dar a devida atenção ao que é mais relevante
E parar de pensar por um instante que contos de fadas existem

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

[eu não sei fazer poesia] caídas e peixinhos


É como cair de uma muralha bem alta
Construída com todo cuidado para não ruir
Cair sem gravidade alguma, porque
Não há nada de errado em cair desse jeito certo?
Certo? Certo então

É como cair de um barco em movimento em alto mar e
Perceber que o tempo todo ele estava encalhado
Fazendo você de âncora e os
Sentimentos
Que
Nutria
Eram
As redes
De
Pesca
Com milhares de
Emoções comendo peixinhos
Coloridos, coloridinhos
Era para afundar
Mas você era a âncora e os
Sentimentos e a rede
E
Os peixinhos

É como cair sem ter algo para aparar a queda
Só um band-aid meio gasto como desculpa
Um tapinha nas costas
Um prêmio de consolação
"oh olha só como você aprendeu!"

É como cair, firme, direto, espalhando todo tipo
De seu interior no asfalto
Peixinhos lembra? Coloridinhos
E a cada fratura exposta cada nó desfeito, a rede
Ela se desfaz até sobrar apenas uma linha única
Não mais coloridinha
Não mais serve para prender peixinhos
Não serve de nada, nem para prender em volta da cintura por segurança
EPI
Só serve pra enroscar nas pernas e tropeçar
Ou em volta do pescoço para sufocar

É como cair em queda livre eles disseram uma vez
Caí uma, duas, três vezes
Não quero cair mais
Tá de boa pra essa vida não cair mais
Para quebrar a cara tem outros métodos, porque perder
O equilíbrio para cair é fácil quando se está bem de pé
Problema é quando percebe que vai cair de novo

É como cair daquela muralha ali no começo
Onde peixinho nenhum consegue entrar
Nenhuma rede fica pendurada
Nenhum coloridinho para enfeitar
É mesmo como cair.

Ruim é se erguer depois

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

[eu não sei fazer poesia] Ode ao quinto dia último

Sem um puto no bolso.


Inútil dia quinto.
Dos quintos.
Sem bufunfa.
Sem $_____$
Hinúteol.

Calendário pra quê?
Gregoriano que não é.
Dos quintos do dia útil.

*insira choro amargo aqui no final*

domingo, 12 de julho de 2015

[eu não sei fazer poesia] Era altas poesia

Era para escrever altas poesia aqui
Esqueci os versos no lavar de mãos
De uma louça e outra
Cuidado no arear de panelas
No esfregar de canecas
Entre o ralo e o sifão

Era pra escrever altas rimas por aqui
Aí lembrei que não sou poeta
Tou mais pra semianalfabeta
Nesse negócio de espremer rima com emoção

Era pra eu entrar em algum monólogo esquisito
Dispersar meus medos, traumas e faniquitos
Mas o máximo que consigo
É ficar pensando meia hora num refrão
Que isso aqui deveria se tornar uma canção
Aquelas bem bregas e tediosas, de final de festa de salão

Era pra eu escrever altas poesia aqui
Era.

Por isso odeio domingos!

domingo, 10 de maio de 2015

[eu não sei fazer poesia] ode a passivona interior


[Deu comichão, fui escrever. Agradeçam a drag dentro de mim!]

Queridona, eu sou!

Passivona-agressiva ainda por cima. 
Daquele mesmo esquema da tabelinha de psicanálise. 

Adooooooooro!

O perigo? Não, meldelz como posso?
De agulha eu fujo, de trava negativa também

Entre quatro paredes pareço ooooooutra
(ou ozotros viiiiiintchy!), 
Mas fora, total "Basic Bitch"
(Tou me graduando pra Sassy Bitch").

Não gosto de conflito, 
não sou chegada em barraco, 
evito perto de bafão muito eminente. 

Não sou zen, tá? 
Sou passivona, queridona
fico no meu canto só olhando
planejando a epopéia estomacal de alguém.

Pras zinimiga não desejo nada de ruim, 
qué esso, beeeeeesha?! 
Acredito em karma miojo, linda, 
não quero bad vibe vindo assim. 

Beijinho no ombro não dou, 
boladona fico no meio da madrugada
Pensando nas trapalhadas
Que bicha romântica pensa em final feliz
Passivona eu sou, você é quem diz

Ai deslaaaaarga-me que sou tímida
Sou novinha ainda
Porque no momento do apuro
Sou bicha de quarto escuro!

Que vergonha!
Devia já estar por aí
Cabelos ao vento puro káli kálon
Feliz, saltitante e sem adendos
Nesse contrato exclusivo que tenho com meu coração

(Okay, o último verso foi muito brega)


Queridona... Eu sou,

agressiva quando é pra ser
só me pedir que tudo pode acontecer
Mas passivona é meu default

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

[eu não sei fazer poesia] empacotou

Empacotou tudo com o mais devido respeito,
Nenhum rancor, mágoa ou remorso
Arrependimento estrangulado lá no fundo
Não transparecendo nenhum Amor

Nenhum.

Enrolou as dobras com muito cuidado
Calculou cada espaço vago
Juntou tudo que havia de juntar
Lacrou com fita durex e empacotou

Ninguém.

O embrulho ficará ali por uns dias
Observando a rotina que não existe
Mais um único pacote triste
Nenhum rancor, nenhuma lágrima

Nenhuma.

Ps: Para ouvir no repeat até dizer chega - Smile Like you Mean It do The Killers

terça-feira, 3 de junho de 2014

[eu não sei fazer poesia] Santa Ana das Negações de Cada Dia

Santa Ana das negações de cada dia, 
dê-me resiliência,
força,
fé,
e me livre da autosabotagem.

Santa Ana que sempre esteve presente,
dê-me paciência,
enquanto recito essa ladainha
e não padeço de síncope breve.


"Não se afaste demais das pessoas Não se aproxime demais das pessoas Não deixe que eles vejam Não permita que mudem o que você vê Não faca o que os outros fazem Não repita os erros de antes Não diga que vai fazer algo Não se permita chegar muito perto Não tente ficar muito longe Não tente ser como eles Não tente ser diferente deles Não fale nada Não ouça muita coisa Não preste atenção Não pense demais Não julgue demais Não deixe eles verem que você percebe Não deixe eles entrarem no seu mundinho Não quebre suas regras Não se arrisque Não se perca Não enlouqueça Não chegue muito perto Não fique muito longe Não espere muita coisa Não fantasie aquilo que não pode escrever Não hesite Não brigue Não grite Não seja o que eles esperam que você seja Não tente mudá-los Não espere muito Não fale Não ouça Não faça questão de Não faça favor de Não espere gratidão Não queira recompensa Não busque compensação Não seja o que não quer ser Não se deixe pegar desprevenido Não esqueça a toalha Não desobedeça pai e mãe Não brinca com sentimento sério Não deixe eles verem o que você vê Não importa Não a eles
Até valer a pena Até ser verdadeiro Até te fazer dizer mais "sim" do que negar Até te fazer se arrepender de todos os nãos já dados Até te fazer respirar mais calmo por saber que é a coisa certa a fazer"

terça-feira, 15 de abril de 2014

[eu não sei fazer poesia] virou rotina

Contar os cortes nos dedos
Os dedos nos cortes
Micro-pequenos-remendos
Feitos em A4, vingança da Sorte

Virou rotina
Trancafiar porta 2 vezes pra ir a esquina
Contar quantos passos de uma banda pra outra
Virou rotina, essa minha Moira
Dia de sol enluarado levar sombrinha

Mas não é que virou trivial?
Correr entre as estantes do Caos
Torcer pra nenhum inseto no comichão
Das frestas que deixei abertas no coração

Virou rotina, só pode ser
Usar outro perfume pra saber esquecer
Outro cardápio pra lembrar de comer
The nomnom the mimimis the ulala utererê

Virou rotina,isso te digo
Pensar mil vezes antes de agir como mendigo
Catando emoção pelos cantos
Vasculhando lixeiras aos prantos

Tô aqui pra isso não sô!
Tô não
Virou rotina
Fazer verso sem rima
Achar que rimar é poesia
E resmungo é heresia
Virou rotina essa minha sina

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

[eu não sei fazer poesia] Aviso a uma criança sorrateira.



[N/A: Não, não sei rimar.]


Cuidado criança, cuidado
Pular fora da água pode ser perigoso
Fique na superfície, fique no raso
Onde nada te puxa para o fundo
Nada puxa para fora
O Nada faz o teu berço mais confortável

Alguns preferem expressar seus medos
Outros preferem mantê-los guardados para ocasião
Alguns crêem ao separarem o que sentem do que pensam
Que joio é diferente do trigo, mas tudo é a mesma coisa desde então

Quando seu corpo está submerso, mas seu rosto ainda para fora
Pernas miúdas se debatendo dentro da água
Narinas para fora, respirando o máximo de ar que puder
"Eu escolhi viver, eu escolhi viver" - repita esse mantra então

Cuidado criança, cuidado
Passear no escuro sem guia não é fácil não
Ficar parado na escuridão pode ser pior ainda
Onde nada te puxa para o fundo
Nada puxa para fora
O Nada faz teu berço mais confortável

Some prefer to cast their demons out
I'd love you to keep yours ready to drown

Caminhe em passos apressados, em passos ritmados
Não olhe para o chão lotado de padrões
Mantenha a cuca fresca com músicas sem refrão
Não olhe para o chão sujo cheio de padrões
Não faça contas de quantas torneiras fechou
De quantas chaves passou antes de fechar a casa
De quantas janelas você trancou

"Eu escolhi viver, eu escolhi viver" - repita esse mantra então
"Eu escolhi viver, eu escolhi viver" - repita esse mantra então

Cuidado, criança, de quem você não lembra mais o rosto
De quem você se educou a não ter mais gosto
O pensador é a pior de nossas faculdades
Nascido pra fazer maravilhas, mas único que não sente dor
Esquece daquilo que não te pertence
Fica só com o que você conquistou


Cuidado criança, esse é o último aviso.

(Senão o único)

Apenas esqueça.
Ficar na água é mais saudável
Do que voar perto do Sol.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

[eu não sei fazer poesia] O marinheiro e o brotamento


(Poderia discorrer sobre o assunto de cunho biológico aqui, mas não, aguentem que isso é poesia #sqn)



Queria muito que não brotasses mais em minha memória
Como uma flor desbotando na terra contando uma nova história
De tantos dias de felicidade que me foram em vão

Não direi que me arrependo, não, jamais irei o dizer
Nem mensurar o sofrimento que fui capaz de sofrer
Um coração solitário era mais agradecido quando não ferido
Agora se arrasta pela amurada afora entre os sons de rangeres e silvos

Por pouco não desisti de minha consciência
Conquistada tão penosamente com muita paciência
De anos a fio sendo dono de mim mesmo
Por muito tempo vivi sem aventuras ou festejos
Pelo simples fato de estar farto de toda a contradição
(E ela sempre vem das formas mais descabíveis possíveis)

Queria que não brotasses mais em minha memória
Como fazias há muito tempo, suspirando uma linda história
De talvez um dia encontrasse um pouco de Paixão
O solitário marinheiro, tão apegado a sua Razão

Queria poder escolher o que penso que me agrada
Não revivendo lembranças aqui nesse posto de gávea
Desejando que o próximo raio caia em meu corpo e se esfaleça
Do que deliberar sobre qualquer coisa que a ti me lembra

É complicado, é complicado, dizem os camaradas
Amor de verão não é algo que se cultiva com muradas
Esses muros bem altos que minei meu coração
Devastados na primeira tempestade, na primeira oração

Queria que não brotasses mais em minha mente
O corpo cansado se mantém, mas o coração sente
Como um punhal enfeitado que se apresente
Girado em sentido horário, alvo fácil no presente

O que já foi, já foi! O que será, será! dizem os mais entendidos
Murmuro algo incômodo entre os dentes e mastigo
Toda a mágoa que apenas me restou desde então

Não direi que me arrependo, não, jamais irei o dizer
Nem mensurar o sofrimento que fui capaz de sofrer
O Amor é como um pássaro rebelde a voar
Não calcula onde e quando irá finalmente pousar

Eu aqui, no meu posto de sempre, apenas um marinheiro
Carregando meus pertences pelos portos, não ouso mais
Mensagens ocultas nos vidros das janelas? Não, nunca mais
Acompanho os passos dos outros e vejo do que sou capaz
Apenas mais um fantasma na vila
Apenas um marinheiro que não quer mais lembrar de sua sina

Que (in)fortúnio seria
Abrir as cartas do Tarot novamente
Receber a notícia dormente
Que a última chance se findou
"Fique com o que sobrou"

===xxx===
Bora dormir moçada!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

[eu não sei fazer poesia] Loki e o banquete dos deuses

[originalmente postado no Tumblr como resposta para uma pergunta da Asgard Cherry Pudding sobre o que eu estava fazendo de bom na minha vida, aí veio esse poeminha nonsense!]

There's upon a time in Asgard,

Loki queria saber como os Andhrímnir caçavam para o eterno Jantar
Na cozinha ele se esgueirou, pequeno como era
Não queria que seu pai Odin soubesse (E ficasse uma fera)
Que ele almejava os segredos dos cozinheiros sagrados
Que ele não queria guerrear, mas sim fazer algo engraçado

Fazer truques parecia o mais fácil para uma pequena criança
Havia desistido de deixar a barba crescer para fazer trança
Até pensou em domar cavalos (ops!), mas não adiantava
Quanto mais se aproximava da cozinha, Loki se interessava

Hidromel, cerveja e muita comida pra todo lado
"Que exagero", ele pensou com certo desagrado
Thor poderia comer um touro em cada refeição
Enquanto os amiguinhos deles iam na mesma direção
O pequeno Loki comia seus vegetais porque sabia
Que vegetais traziam inteligência que ele precisaria algum dia

Então dentro da cozinha dos deuses ele decidiu
Pregaria a maior peça que Asgard já viu

No banquete que se seguiu naquela noite quente
Os deuses esbanjavam péssimas maneiras e derramavam aguardente
Um deles não conteve o gás, outro alto arrotou
Seu irmão ria ao seu lado, Odin de boca cheia falou
"Como é estupendo ter a família reunida novamente!!"
Girando os olhos em vergonha alheia, Loki fechou sua mente
Muitas palavras de seus lábios queriam sair
Uma delas era um xingamento bem feio para Týr
Aquele malvado que maltratava o cachorrinho coitado
Fenrir ficava preso em uma corrente mágica, pobre entediado
Não podia brincar, pular ou latir
Pobre Fenrir! Pobre Fenrir!

Mas o que fora que Loki na cozinha dos deuses estava a aprontar?
Era exatamente isso que ele torcia para não revelar
Um meio sorrisinho ali, uma olhadela sarcástica aqui
A primeira reação veio no meio da canção trovadora de Brágui

Seu irmão Thor, uma costela de boi deixou de lado
Apalpando a pança resmungando sobre estar empanzinado
Assim foi com os outros deuses, um por um em seus desconfortos
Um dos deuses enchia a boca de cerveja em grande esforço
Odin levantou de seu lugar pigarreando, algo o incomodava
Algo que seu paladar glutão não detectava
Algo parecido com os campos de batalha
Mas algo que na comida não se encaixava

Todos os presentes no banquete compartilhavam o mesmo desgosto
Do boi assado colocado na mesa, apenas restava ossos
E dele vinha a fonte do grande problema a se tratar
O suculento cheiro do assado agora era pouco, estava a estragar
Com o terrível odor das entranhas de um pasto que não foi ruminado
Os cozinheiros esqueceram de limpar bem esse gado?!
Porque seu cheiro fétido de excremento cozinhado
Era o pior cheiro que muitos ali estavam mais do que enjoados

Deuses e deusas em uma movimentação frenética e desesperados
Para se livrarem do gosto de um boi que foi assado sem ser preparado

Odin, o Pai dos Aesir, gritou por Andhrímnir
O chefe deles veio, chapéu de cozinheiro a comprimir
Nas grandes mãos de caçador e de mestre cuca
Ao ver seu banquete sendo rejeitado, sua expressão muda
A vergonha de ser acusado pelo desleixo, pela sujeira
Suas habilidades culinárias sendo jogadas na sarjeta
O mestre cuca tentou se redimir, outro boi ele iria assar
Mas ninguém ali na mesa estava disposto a se animar
O banquete estava arruinado
Pelo estrume entranhado
Na carne consumida tão vorazmente
E não havia Ale ou aguardente
Que fizesse o paladar dos deuses acalmar
Ou a ânsia de alguns rápida chegar

O Andhrímnir implorou por outro boi novamente
Odin o dispensou severamente
Cajado na mão, olhar perdido no mal-estar
Thor ameaçava em seu prato regurgitar
Mas Loki, o mais novo, parecia bem saudável
Loki parecia estar em controle, estável
Em seu prato havia vegetais e cereais
Brócoli, tomate, pepino e algumas coisas a mais
Não comera carne do banquete, nem um pedaço
E o sorriso em seu semblante era um traço
De que o pequeno filho de Odin mais outra vez
Passara do nível de sensatez,
E uma terrível peça nos parentes pregou
Sem dó, nem piedade e até com certo rancor

O nome de Loki no Salão ecoou
O garotinho tão entretido em sua vitória se assustou
O dedo de Odin para seu nariz apontou
"Menino levado, o que você aprontou?!"
Todos os deuses ali viraram na mesma direção
Todos os olhos de Asgard em sua direção
Loki acuado pela descoberta, então um pouco riu
Sem graça e desarmado, ele disse: "Era brincadeirinha, viu?"






Ps: Oooooh bom ser Vida Loki!!