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sábado, 25 de março de 2017

vivências maternas

Uma das vivências que gosto de ouvir de minha mãe é sobre como ela sobreviveu na época da ditadura, em plena juventude, no Rio de Janeiro, com DOPS fungando no cangote dos universitários e coleguinha de sala de aula sumindo a cada semana pra fazer um passeio sem volta.

Ela fala com certo orgulho que no local onde ela trabalhava - uma companhia de seguros conhecida até hoje - um dos chefes a elogiava sobre a organização informacional que ela conseguia ter com os funcionários de um setor inteiro e como tratar tudo de uma forma que todos pudessem resgatar depois. Numa dessas conversas que temos ela soltou que o mesmo chefe pediu para ela fazer um teste vocacional e o resultado foi bibliotecária (!!!), ela polidamente recusou, pois naquela época ser aproximado de Humanas era pra pedir pra estampar um adesivo de alvo ambulante pro governo militarista.

Minha mãe quase se formou em Economia, quase. Faltou 1 semestre para ela formar e os motivos para sair foram diversos - ironicamente os mesmos motivos que fazem muitos de meus colegas da biblio desistirem também - mas a falta de ter uma estabilidade política era um dos mais fortes. Ela não tinha certeza se continuaria no emprego até o final do mês, ela não sabia se o salário ia aumentar, diminuir, inflacionar, ir pro limbo cósmico, ser convertido em dólar, em dinares ou pesares, a incerteza econômica era certa. E ela estava se formando para isso.

Ela tinha seus 20 e poucos e mais anos, solteira, recém-saída de um relacionamento duradouro, morando sozinha há anos, sem apoio dos pais ou irmãos, se sustentando como dava em um emprego que de certa forma dava um pouco de certeza para ela (como pessoa, ela fala muito bem dos tempos nesse lugar), mas não de estabilidade emocional, psicológica ou financeira. Ela fazia o que gostava - chefiar um setor todo de controle de qualidade e depois subiu para alguma coisa no departamento pessoal e ordeira como era, fazia com que tudo saísse nos trinques pra não dar ruim depois.

E isso ela participava ativamente de reuniões, de CIPA, de conselho de sei lá o quê, da atlética da faculdade, mas o medo de travar conhecimento com militar era constante. Não era fácil ser mulher naquela época e muito menos hoje, as práticas de exclusão e repreensão são as mesmas, só muda os cenários.

Ela faz 66 anos hoje, bem vividos, sem muitas pendências, criou as filhas como dava, sobreviveu a casamento sem amor assim oooooh nossa vai ser pra sempre que romântico. Pela vivência dela me deu muitos exemplos do que fazer e não fazer, a principal referência profissional que tive dentro de casa foi ela, e agradeço bastante o apoio que ela tem me dado quando escolhi a Biblioteconomia como minha paixão. Creio que a lucidez dela me trouxe muitos caminhos para trilhar, mas também muitas dúvidas (aquela dependência nociva de achar que sempre estará no colo da mãe? Yep, me livrando aos poucos para meu bem e o dela), a força dela em batalhar todos os dias pra se superar perante uma porção de dificuldades também.

Então desejo a Karolent, a Entesposa um belo dia de Lite (Quem é nerd demais para decorar datas comemorativas na Terra-média, sabe do que tou falando), e que ela possa continuara florescer nesse mundo. Eu não sei o que faria sem uma mãe dessas.

terça-feira, 7 de março de 2017

[interlúdio] entre o lacre e o jarro de picles

Comecei a escrever esse texto uma semana atrás, aí veio esse artigo na minha timeline do Facebook e isso no meu dashboard do Tumblr aaaaand, bem... caiu como uma luvinha.


(Florentina é deusa d@s desamparad@s nessas horas cruciais...)

Cê vai ficando coroca e não prevê mais as "cousa" direito.

Tenho essa mãe, meio me fez passar raiva quando mais novilhe, com todo um arsenal de cuidados e quadrados, tudo pra me encaixar em algum lugar. Ela massageava demais um ego que tinha tendência em inflar e sabotar uns feelings de vez em quando pra ajudar.

Não foi legal.

A gente via isso acontecer com os primos, a mesma neurose rolando, a mesma desculpa sendo repetida (nunca recebi amor dos meus pais), o sufocamento era o mesmo. Tardios na saída de casa, sedados por medo de crescer. Fracassados em algum lugar no lugar dos nossos pais.

A atenção era desmedida, no que tinha de "supermãe" para os outros, tinha era uma jarra de conserva sendo mantida. A vida dentro da redoma vai riscando algumas coisinhas da nossa vida, uma personalidade ali, uma opinião concreta aqui, às vezes moldava coisa que não devia, como seu verdadeiro eu, aquele que você procura tanto depois que perde quando criança, mas tá lá em algum fundilho rasgado do bolso de alguém. Nunca o seu.

A dependência, essa vai criando uns tentáculos bem oscilantes, traçando espirais de fuligem e tinta escura, obscurecendo aquilo que era pra ser naturalmente colorido. Dá pra entender: eles só querem o nosso bem. Apenas isso. Mas não compreendem que entre o bem e o mal tem um caminho bem tortuoso com um pedra gigantesca no meio e um horizonte que a gente não vê. 

É assustador.


sábado, 27 de junho de 2015

dah feelings

O sugar high pode estar me influenciando agora, mas for the sake of good memories - e esse foi o papo mais desenvolvido do dia - tenho que agradecer a alguém aqui.

Mucho thank you Momz. Srsly, 4 realzies.
U halps mee so muchly much que nem consigo expressar direito o quanto U R awesomely awesome to me. Srsly business, ya know.

Plus: eu totalmente apertaria suas bochechas agora #NoRespectForURAuthoritah!

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E quanto mais tempo passa, mais percebo nas semelhanças...

Isso é sobre quando falamos horas sobre batatas.


Isso é sobre a cada 5 minutos de cuteness do #MalteseHurricane ou Zé Bunito

Isso é sobre quando entramos em papos superfilosóficos.

And this... *le sigh*
Sei que meu domingo vai ser horrível, mas hoje é tudo de bão quando sei que há a criatura noldorin full of awesomeness taking care of my traseirinho. O feeling permanece mesmo com 2 estados no meio, alguns milhares de distância, lots of bagagem nos esquemas, mas é good estar sentada aqui, botando ordem em tudo que preciso e saber que alguém se importa. Não só alguém, é *ela* que se importa (E é isso que realmente sempre importou - mas as quiança cresce e percebe nas coisas muito tardiamente).

E há essas horas entre uma respirada e outra que delibero se toda a busca por algum significado não esteja exatamente disposto na compreensão de algo que já está bem ali. Deus falou uma vez: "How can you stand next to the truth and not see it? Change of heart comes slow"

Soooooooo, in mah sugar high, sempre um pouco sindar lesada chorona.
I miss ya, beeeeeeesha glamourosa, bixa que faz, fica em paz e muito axé e luz azul.

Ps: hehehehehehehehehehehehe cara de soooooooono!

[Este post foi especialmente criptografado para apenas uma pessoa em Arda entender]

domingo, 22 de dezembro de 2013

[interlúdio] dominação e submissão

Não, esse post não vai falar de coisas pervas e nem NC-17 ou R+18, okay. O trem é sério, o trem é real, o trem está em qualquer camada social até mesmo da sua casa. Pelo menos na minha está e é foda admitir que esse tipo de hierarquia social/emocional/semântica/parental possa estar afetando tanto as nossas vidas novamente.

Debaixo do link TL;DR;, mimimi de coisa séria: Dominação & Submissão. Enquanto faço uma autoavaliação da situação em que a vida chegou dentro da minha família, pode servir de ajuda para alguém que esteja passando o mesmo perrengue.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

breve momento de interlúdio entre uma visita e outra

Uma das coisinhas que venho percebendo quando vou visitar minha mãe ou ela vem aqui para me visitar são as meia-palavras que costumam morrer quando nós constatamos algo. Desta vez, durante a visitinha básica dela ao meu cafofo aqui perto do Mar, ela perguntou se eu estava feliz.

A resposta é claro, foi uma mentira.

Não deslavada ou total cheia de detalhes, apenas disse que estava e muita coisa tava para melhorar. Afinal de contas, essa é a grande sacada de todo o ser humano, nunca saber o que responder quando vem essa pergunta. Para variar, repliquei a pergunta para ela e recebi um bonito: "Criei vocês, vocês são adultas, estou feliz porque tenho vocês por perto." - de certa forma ainda me emociono quando minha mãe fala sobre esse apego maternal sobre a gente, mas me preocupa o tanto que isso pode afetar ela e a nós duas.

Uma outra pergunta que surgiu foi: "Minha filha, você não pensa em viajar não? Conhecer outros lugares?" e a minha cara de WTF? foi legítima, porque ela começou a rir. Acho que depois de tantas mudanças de casa, cidade e Estado, ela só poderia estar brincando, né? Mas foi genuína a pergunta, ela queria saber se eu estava satisfeita morando aqui (Na verdade, se analisar bem, ela tava perguntando de novo se eu tava realmente feliz). Minha resposta saiu sem querer: "Vontade tenho sim, mas preciso me encontrar 1º antes de me perder por aí..."

A conversa parou por ali, porque não havia muito a ser discutido. E acho que acabei dando a resposta da 1ª pergunta a ela sem perceber.

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