Pesquisando

Mostrando postagens com marcador rememorar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rememorar. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de março de 2018

[eu não sei fazer poesia] máquina de lavar



O processo do esquecimento é como uma máquina de lavar bem usada
E que as roupas novas são batidas demais e acabam perdendo a tonalidade
Aquele jeans que encaixava direitinho pode encolher ou alargar
A camiseta favorita manchar por culpa de outra colocada indevidamente
Rasgos, torces, aquela meia que some misteriosamente



Aliás péssima hora de comparar memórias com roupas, mas fazer o qué?



O cheiro do amaciante fica até determinado instante
Bem breve
Na primeira saída se vai e mistura com
Os odores da vida terrena coberta
De poeira, sujeira, fuligem
Assim como as memórias, dependendo do sabão usado
Memórias somem, dão lugar a esse borrão alvejado
Um alvejante errado



O ritmo constante da batida do motor até engana
Assim memórias construídas e alimentadas diariamente pela rotina
O zumbido, ruído, rangido se torna o mesmo
Aí desanda com o erro crucial do uso concomitante de alvejante
Ou aqueles produtos mais chiques
Tira-manchas
Tem como tirar manchas de uma memória?



A mancha é maquiada em algo que a química resolve,
mas não o que o tecido tece
O tecido, aliás, é o mais prejudicado



Esse tecido roto que achamos o mais potente
Tem mais manchas maquiadas que o costumeiro
Alvejantes memoriais
Começa por pequenos detalhes, uma data
Apagando aos poucos uma impressão que deveria durar mais um pouco
(mais outra lavagem e retrolavagem)
Um toque, um cheiro, um sabor, o grunhido do motor?
Persistente, até se tornar algo ambiente
Faz parte do seu sistema, mas é alienígena pro seu corpo



O som da voz se esvai por último
Como se desse o ultimato do botão de enxaguar
E das memórias lavadas nessa máquina de lavar
É quase certo que não recupere mais a elasticidade das lembranças
A voz é a última
Dissipando qualquer outra lembrança produzida em bolhas de sabão e cheiro inebriante de amaciante
Memória centrifugada
Uma pena, viu?



O tecido retirado da máquina
Estendido amarrotado no varal da vida



Péssima ideia comparar memórias e pessoas com roupas a lavar

quinta-feira, 12 de maio de 2016

esquecer/rememorar

Já avisando que essa postagem vai ser bem intimista, criptografada e provavelmente só para eu lembrar  (o tópico abordado) do que eu preciso realmente esquecer.

Ou o que já foi esquecido, tá muito nas gray areas que não consigo muito identificar de onde vai e para onde vai. O cerne todo tá na porcaria daquela memória de longo prazo, que transformou pequenos detalhes vivenciados em um turbilhão de coisas que chamam de lembranças.

Às vezes eu odeio ter que lembrar delas.
Mas paciência, não é como se eu pudesse dar um reset no cartucho, assoprar a placa interna e achar que tudo vai melhorar. Porque talvez melhorou, só não tou conseguindo me lembrar de esquecer. E é exatamente isso que tá doendo.