Pesquisando

quarta-feira, 20 de junho de 2018

a semana dos pesadelos

Assim como eventos esporádicos de nossa vida, a semana de pesadelos é um bocado tensa pra mim, pois é um aviso certeiro que minha mente está overloaded de informação.

Os feelings também fazem parte, já que este ano foi rollercoaster de emoções por trocentas coisas e descobertas e novas sensações e experiências.

Estar realizando um bom trabalho também mexe um bocado com os enredos de pesadelos. Então chego a conclusão que quando estou sendo boa demais em algo, é porque vai dar ruim. Fatalismo aqui comigo sempre...

Como já tinha relatado em post anterior, experiências de sonho lúcido foram um modo de coping as angústias de sonhos relativamente dolorosos e com monstros demais para se lutar. Quando se tem uma imaginação fértil para o cognitivo criativo, a vaca que vai pro brejo vira uma vaca revoltada com uma foice, raivosa e bípede. Sim, isso foi uma referência ao meu jogo favorito.

There is no cow level.

Exceto que na semana do pesadelo o círculo de palestras oníricas gira em torno de uma porção de atividades, desde terror noturno e episódios de paralisia do sono - que é o que tá rolando mais e tá agressivo os esquemas de sair do torpor - gatos fazendo rave de madrugada e me fazendo levantar pra ver o que será que derrubaram, viraram, se machucaram e talz. É cansativo.

Na maior parte do dia dá pra abstrair, fazer a rotina de sempre, tentar não me exaurir ao extremo pra chegar em casa, ir pro automático no chuveiro e dormir com metade do corpo fora da cama. Mas há sempre algo e esse algo vira uma série de pequenos enxertos de pesadelos que são costurados nos sonhos habituais (sonhos com rotina são os mais numerosos, eles me confundem às vezes ao acordar quando são intensos na questão de imersão).

Então uma situação que me incomoda no diário VAI vir me perturbar no sonho.
Mesmo tentando evitar de pensar demais nisso.

A semana do pesadelo não me priva de sono, mas me cansa mentalmente e fisicamente quando excede o limite possível. Já teve Passos do Luto, Clube da Luta, os sonhos que apelidei de "Cthulhu Calls" são os sonhos malucos com detalhes nada felizes e sempre terminam IRL com episódio de paralisia do sono. 

Paralisia do sono é aquela sensação em que você acorda e não consegue se mexer, falar, gritar, fazer qualquer coisa e para a cereja do bolo, há a sensação inquietante que há algo ou alguém no quarto em IRL com você. Muitos falam que esse estado de torpor é semilúcido, entre o sono profundo e o despertar, e é possível que tenha alguém (aí vai da crença de cada um, ok?) ali fazendo isso.

O que a semana de pesadelos faz comigo, acho que ninguém em IRL consegue fazer pra me tirar do sério. Pra manter o bom humor durante o dia é um custo, e os cochilos dentro do busão são mais proveitosos do que o conforto da própria cama. 

A falta de seguridade tá me perturbando até em sonhos.
Se não consigo relaxar em casa, no meu quarto que mantenho exclusivamente para dormir, então não sei mesmo como voltar ao ritmo normal e aceitável de descanso.

domingo, 17 de junho de 2018

[bibliotequices] reflexivando docência indocente

Esse texto vai ser rememoramento de 2 situações acadêmicas que passei nessa vida de escriba.
Uma foi cerca de 10 anos atrás, auxiliando colaborativamente docente a terminar o doutorado e ganhando muito conhecimento sobre ensino da língua e elaboração textual, a segunda é agora em que nem consigo expressar o quanto invadida estou me sentindo pela falta de tato ética de outro docente ao fazer isso, principalmente com um assunto delicado como a minha identificação de gênero.

Lembro vivamente de participar ativamente (?!) da vida acadêmica de professores enquanto estava na Letras. Afinal, o que eles aprendiam lá na Federal serviam muito para as práticas de ensino e aprendizagem que a gente algum dia teria que botar as mãozinhas ao ir pra sala de aula.

Lembro de ter aulas mais focadas no indivíduo e na cidadania dessas pessoas que iríamos nos responsabilizar, fosse alfabetização, mediação de conhecimento ou a profissionalização de um estudante. Isso fazia com que, mesmo sendo teorias de dissertações ou teses que esses professores estavam trabalhando ainda e aprimorando com as nossas percepções de Educação, Ensino e Mundo, essas aulas fossem tão aproveitáveis e inesquecíveis para quem levou à sério pro resto da graduação.

Lembro particularmente de uma docente, que quase pirando na soda por conta da complexidade do seu tema, decidiu fazer um teste conosco sobre como montávamos mentalmente a escrita de nossos textos. Ela passou um bom tempo nos explicando como aquilo poderia nos ajudar com nossos futuros alunos, principalmente para aqueles que tinham bloqueio de escrita ou não conseguiam se expressar bem em redações. Lembro dela sentar conosco e explicar como funcionava os passos de conselho de ética em estudos com seres humanos. Foi a primeira vez que ouvi a palavra Ética relacionada com práticas de aulas universitárias. Então tudo aquilo que estávamos fazendo na aula havia sido aprovado por um comitê primeiro e ela estava pedindo a permissão da turma se a gente gostaria de participar anonimamente do estudo da coisa complicada que ela tava estudando.

O pessoal ficou animado, entendemos o lado dela quanto ao nos usar como cobaia para isso e também conseguimos aproveitar ao máximo o conhecimento que ela tinha para nos ajudar nas práticas de ensino e também em outros assuntos acadêmicos. 

Tudo estava entrelaçado, tipo parceria mesmo. 
Uma mão lavando a outra e consentimento sendo tratado com respeito. 

O teste dela foi bacana, porque nós estudantes nos sentimos úteis para o que ela iria produzir posteriormente (O doutorado dela) e por incorporarmos em nossa prática de ensino alguns métodos bacanas que ela trabalhava conosco. Particularmente isso me ajudou tanto, mas tanto com a construção de textos e entender como um texto opera para ser entendido por outra pessoa que fui pra monitoria de produção textual para poder compreender melhor o que fazer e como poder ajudar quem precisava. 

O que ela ensinou em sala de aula tá me ajudando até hoje com tudo na vida, inclusive em botar ordem nos pensamentos e construir essa postagem aqui, de ler outras postagens e ter interpretação básica para compreender várias coisas. Me preparou para Análise do Discurso na 6ª fase e me apaixonar pela única disciplina da Linguística que presta (minha opinião).

Lembro muito bem dela pedir nossa permissão em cada aspecto em que tratava a sua tese dentro de sala de aula e avisava de antemão quando iria aplicar algum tipo de diagnóstico ou fazer alguma pergunta que acabasse caindo lá na escrita dela. 

Ela pedia permissão. 

Ela mostrou o catatau de folhas do comitê de ética e pediu para a gente ler e verificar se tava tudo bem com todo mundo. E isso era lindo. Uma docente pedindo permissão para realizar uma aula sobre sua tese pra alunos de graduação que nem imaginavam que chegariam lá onde ela estava.

Não lembro dela coletando dados exaustivamente com a gente, transformando a aula em algo mecânico e disforme do que seria a proposta de entender o texto para auxiliar o aluno a entender como entender o texto. 

Não lembro de me sentir invadida pela proposta ou não ter vontade alguma de participar porque era complexo pra caramba (E era! Fui ler o produto final depois e minha cabeça explodiu.), não me senti burra ou apenas mais uma cobaia bucha de canhão para minerar dados para professor coletar e botar lá no artigo dele e ser feliz, enquanto eu aqui não sei absolutamente nada do que está acontecendo. Se estou crescendo como profissional, se estou fazendo bem pra outras pessoas.

Não lembro de ouvir sequer em nenhuma aula sobre estrelinha da Scopus. Autocitação. Quantas vezes foi em congresso, seminário, simpósio, o escambau falar sobre sua pesquisa e o quanto isso era a último biscoito do pacote. Aumentar o status da pós-graduação onde ela participava ativamente por conta daquilo. Ela falou uma vez que seria talvez o primeiro estudo brasileiro sobre aquilo, mas como era mais importante a gente sair daquela aula sabendo alguma coisa de como atuar como professor (Assim como ela), o pessoal entendia, a gente não se sentia invadido. 

E quando nos sentíamos inseguros sobre algo durante a aula, ela sacava na hora, sentava conosco e lá vamos nós prosear o que pode ser ajeitado. 

Nunca a vi se vangloriar de estar conduzindo testes subjetivos conosco para outros professores, ou em congressos, seminários, blablabla, e ganhar os louros pra sempre no hall da fama do povo doido que estuda esses tréco de como um texto funciona dentro da nossa cabeça (Ou vice-versa, já disse que o trem ERA complicado!). Eu não lembro de me sentir inferior e incomodada por ser alguém ajudando uma pesquisa científica a avançar. Não lembro de voltar pra casa, andando pela rua onde atravessava galinha e vaquinha que paravam o trânsito por vários minutos me sentindo como um porquinho-da-índia.

Não lembro de ter meu intelecto individual e do coletivo ser menosprezado e rebaixado como apenas provedores de dados, nunca os participantes da construção do conhecimento.

Lembro de agradecer ela no final do semestre pelas teoria WTF e parte do conteúdo tão fora da nossa cacholinha graduanda. Lembro de na formatura de abraçá-la e agradecer de novo por tudo que tinha me ensinado, aquelas aulas me firmaram como pessoa, como profissional, como cidadão.

Não lembro de ser um semestre a contragosto e com bile amarga no canto da boca. Foi um processo educativo tão inusitado e devo dizer humilde nos padrões acadêmicos (Que tipo de pesquisador se atreve compartilhar, dividir suas ideias e descobertas com graduandos e deixar eles bicarem à vontade nos dados que eles tão pesquisando?!), ela pediu consentimento e esperou a turma opinar sobre os prós e contras. E aceitava quando alguém não se sentia bem para responder coisas, fazer parte da pesquisa, consentimento acadêmico.

Aí 10 anos depois, eis eu aqui, escrevendo textão, usando uma das fórmulinhas mágicas que essa docente me ensinou para escrever um texto coerente, objetivo e coeso para ser entendida em uma rede social. 

É esse tipo de coisa que a gente precisa refletir dentro da universidade: até que ponto nossos docentes estão realmente se importando com o tipo de profissional que estão formando (E se pelamoooor de Ranganathan, a criatura quando pegar o diploma vai poder dizer com seguridade: "Óia, não era Brastemp, mas aprendi muita coisa bacana lá! Vai que é firmeza!"). Existe perfil de egresso e Projeto Pedagógico de Curso por alguma razão, são as diretrizes né?

Tá tenso, gente...

(Reflexivando = refletindo, mas ao mesmo tempo filosofando ou sacaneando ou satirizando ou qualquer outro verbo no gerúndio que termine com "ando")

sábado, 9 de junho de 2018

Balanço do semestre


There I go.

Como resumir esse semestre?
Altas doses de oxitocina no começo do ano, muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, um alívio imediato por conseguir prosseguir no schedule acadêmico/profissional, aí aquela queda no poço da Samara com direito a aperto emocional de me fazer querer sumir da face da terra, um microondas queimado, receber apoio, dar apoio, sumir de vez em quando pra manutenção da sanidade, bombar em pelo menos duas disciplinas, pois não é saudável nessa altura forçar demais e ter uma crise nervosa, morder a própria língua, engolir o ego e o orgulho, voltar a morar na casa da mãe, melhora substancial de comportamento felino, as dorgas legalizadas que enganam as química dos celebro manolo!, Aurora Nealand, Ranhinha Ostraliana do Glitter, reconhecimento de alguns aspectos da vida, continuar no poço da Samara? Sim, mas agora confiar na rede que não vai me deixar na mão se eu escorregar. Falar pra minha mãe que sou trans não-binarie e não sofrer repreensão, negação, repulsa, incompreensão.

Dor.
Saudades. 
Escrita voltou. 

E que meu curso, de acordo com os doutores mais conceituados em suas bolhas alheias ao mundo real, NÃO É DA EDUCAÇÃO. Vixi Mary.

Foi um tanto de coisa, mas tô aqui, sobrevivendo. Tentando não entrar no ciclo vicioso de pensamentos infelizes e ações piores ainda.

Até deu pra notar novamente que meu coraçãozinho rude e gelado ainda funciona! Parece milagre, mas é só o atestado de que a maturidade emocional veio, então deve ser que haja alguma coisa boa para se aproveitar na vida além de querer causar caos e gerar questionamentos.

Ah! Voltei a sonhar.
Talvez seja a hora de reler os contos de fada com outros olhos.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

empirismo não me decepciona

Empirismo não me decepciona

Além do sarcasmo e da apatia, algo que me rende bons frutos (e menos ansiedade, dores no corpo e afins) é o empirismo condicional da vida corrente.

E como qualquer criatura ansiosa e insegura, é de lei que irei me basear na vivência mundana através de fatos e não de lados. Porque lados há muitos, se apenas vemos em 3 dimensões, miguxe, experimenta passar dias em medicação forte pra ver o quanto de percepção a gente capta em poucos segundos de observação.

Já fui trouxa, admito com certo orgulho, pois a trouxice me ensinou a medir empiricamente os limites entre a minha realidade e a do Outro, essa esfinge inabalável com charadas ferinas na ponta da língua e muito silêncio constrangedor.

Diferente de Édipo e Perseu, não tou nem aí em decifrar charada pra ir adiante, prefiro bater aquele papo com a Medusa, ser tão estimável e subestimado na categoria de "monstros da mitologia" - lembrando que a Medusa foi amaldiçoada por Atena, sim aquela deusa da "Justiça" que esqueceu o detalhe básico de que a moça antes humana estava sendo assediada constantemente e então violada por Poseidon no templo dela.

Conversar com a Medusa traz solidez (bora começar com os trocadilhos?!), traz convicção, traz sinceridade. Olhar em seus olhos mágicos e instantaneamente se petrificar com o fato ali dado: não adianta fazer muita coisa se só vai quebrar a cara.

Então, em certa situação, vamos dizer, em que pai e filho, encarcerados em um Palácio estonteante no meio de um labirinto de desespero, têm a brilhante ideia de construírem asas enormes de penas resistentes coladas com cera para escaparem dali para a liberdade. O pai preocupado com o filho avisa que podem haver consequências graves se voarem muito perto do Sol, mas o ímpeto do filho (éesua admiração/curiosidade ao deus-sol) é tanto que é certo sua queda fatal.

Pai em luto esquece sua invenção, sua liberdade, sua promessa de felicidade para reaver o defunto do filho tão jovem, tão cheio de ideias, de sabores, de amores, de projetos e planos. Foi assim que Dédalo e Ícaro terminaram, o guri estropiado indo pro Hades, pai se sentindo eternamente culpado por não ter contido o episódio funesto, mesmo sabendo das consequências de se fabricar asas coladas com cera.

Se substituir pai por minha vontade de criar e filho como as ideias que costumava ter, temos esse paralelo super bonitinho para se deliberar. Engessamento nas práticas dentro de um ambiente educacional mata mentes criativas. O excesso de ordem e progresso mata quem precisa se expressar constantemente em forma de atuação direta com a sociedade. Sonhos são esmagados ao darmos a autoridade maior ao sol e não quem produz as asas com cera.

Não foi isso que me obrigo a acordar todos os dias, mas tá sendo o default.

Mas como sempre, toda vida, porém, contudo, o capitalismo tem uma vozinha de sereia atacando a nau de Ulisses: se hipnotizar com a harmonia do sistema e se afogar com sua falácia até findar mais outro Ícaro.

E ver Ícaros caindo tem sido constante nesses últimos tempos, e dói mais quando a cera usada nas asas deles também é base pra minha. A qualquer momento o sol/Hélio pode muito bem chegar e decidir aumentar de temperatura, esquecer das ordens de Apolo e me transformar em torresmo. E ele vai, essa é a certeza.

Então antes de acontecer: se aprochegue a miguxa Medusa. Mais precisa e com um toque de realidade. Um exterior esculpido em pedra, para quê voar se minhas asas estão debaixo dessa carapaça petrificada?

O mais importante: por que ter asas se a esfinge está apenas esperando abocanhar suas palavras, seus sonhos, suas ideias, sua criatividade com as intermináveis charadas?

Por que tentar se o padrãozinho medíocre sócio-instalado e sufocar até a morte quem desvia do normal?

Pra que entrar em desespero com isso?
Pra modiquê perder noites de sono, suco gástrico estragado, tentativas de interação e buscar aprovação se NÃO É ESSA A RAZÃO de aceitar a missão?

Conviver com esfinges, minotauros, reis megalomaníacos, deuses abusivos, Dédalos e Ícaros está perfeitamente encaixado no meu empirismo. Relevar a importância deles em minha vida pessoal/profissional é que está sendo novidade. A conclusão geral de mais um episódio desse teatro que insistimos chamar de vida?

Mantenha a vida pessoal LONGE da profissional. 
Faça o que a função pede. 
Não seja idiota em achar que vão dar a mínima (não irão). 
Você é um mero parafuso no mecanismo, seja invisível.
(Tá sendo ótimo, empirismo nunca me decepcionou ao me distanciar do objeto de estudo)

quarta-feira, 30 de maio de 2018

[bibliotequices] as quimeras do processamento técnico

Processamento técnico pra mim era como uma quimera com a boca escancarada só esperando eu colocar algum membro meu dentro da bocarra e ver o que acontecia.

Até eu ser forçada a dominar a quimera pras minhas vontades.

Se a prática faz a perfeição, não sei, mas inerente a habilidade essencial de ser bibliotecário - tá na nossa lei maior, vai lá ler - devo dizer que ter um certo apreço com o tratamento técnico do acervo anda fazendo minhas convicções na área irem pra outro ângulo.

Calma lá que não é virar a mesa e jogar pratos pra cima, é compreender que o treco é tão chatonildo de se entender e se entusiasmar que a maioria dos mortais não quer chegar perto ou aprender para própria sobrevivência. Continuo vendo a parte técnica da Biblioteconomia ainda desvinculada do social e do humano, até porque a tarefa de se tratar as informações e gestão do conhecimento são/estão em um patamar dentro da área como algo que não necessita de humanos para funcionar direito.

Todo sistema é falho, essa é a premissa. 

E categorizações podem ser prejudiciais para um entendimento mais profundo de uma estrutura social. O que meu curso e profissão fazem é pegar tudo isso que existe no mundo e pormenorizar como meros dados para serem interpretados por algo (máquina) ou alguém (indivíduos).

Esse gatinho é uma quimera e é fofinho <3

A problemática começa quando não se sabe exatamente pra quê fazer tratamento de informações nas bibliotecas, pra que e pra quem. Se um acervo é impecável em sua desenvoltura de armazenamento em base de dados sofisticadas, mas ninguém entende como consultar e recuperar as informações pra ter acesso ao que quer, então mizifie, o processo tá todo errado. Esquece os portais, as caras de pau, os manuais e simbora pra algo mais palpável.

Aqui no Brasil, com a herança da parcial escola francesa humanística que falta vergonha na cara de dar a mesma a tapa e questionar a escola americana que se fez durante a consolidação do curso nas universidades brasileiras, seguir os padrões internacionais parece ser o mais sábio e correto. Eu diria único caminho a seguir.

Não há um estudante de graduação, professor, pesquisador, mestrando, doutorando, profissional da informação que não responda no automático quais são os 2 tipos de sistema de classificação mais usados no mundo.

CDD e CDU.

Mentira, que o sistema da Library of Congress também é usado na maioria das vezes no hemisfério norte por ser o mais confiável e confiável diríamos que seja o "melhor método que encontramos de padronizar da nossa forma" que os yankees desenvolveram durante séculos.

Outros nomes de manuais e ferramentas vindos de lá também estão na ponta de nossas línguas. Alguma exceção brasileira? Tabela de PHA, uma adaptação da Tabela Cutter-Sanborn para fazer aquele número horrendo de chamada que fica na lombada.

Pra que serve aquele número?
É pra achar o livro mais rápido.
Se a maioria usa?
Muitos desconhecem.
É aí que a nossa habilidade mais notória se torna um fardo praqueles que não compartilham de nossa formação.
É ridículo isso.

Vai contra a qualquer premissa em que a comunidade em que a biblioteca está inserida. E também contra nossos princípios éticos da profissão. Oras! Se é realizar o trabalho para dar informações para as pessoas com mais relevância, confiabilidade e mais rápido pra quem precisa, por que raios transformar numa outra quimerinha venenosa pronta pra mordiscar e afastar essas pessoas?

Quando se perde essa motivação base, a parte técnica se torna mais outra ferramenta besta (entendeu, usei quimera e agora besta? Tipo, referência pra mitologias rolando adoidado aqui) que ninguém vai saber como usar, pra quê usar e porque usar.

É aquele trem de fazer gerenciador de acervo só pra bibliotecário entender, sabe?
(Damn you povo de Curitólia Universidade dos Stormtroopers!)

Foi esse desastre intelectual experimentado na 3ª fase que me fez ter toooooodo receio, me equipar com uma vara de tamanho suficiente pra nem cutucar a fera. Mas tá lá na lei, tem que aprender pra ser técnico também.

A joça tá indo, mas não faço ideia de como vou aplicar isso na vida diária.
Minha opinião continua a mesma: se não tá fazendo o leitor ter seu tempo poupado, nem chegue perto de mim gerenciadores de acervo com regrinhas chatas.

[escorregadios] pequenos deslizes


Título: pequenos deslizes (por BRMorgan)
Cenário: Feéricos - contos para sonhar.
Classificação: PG-13.
Status: Incompleta.
Disclaimer: Esse conto faz parte do Projeto Feéricos "Escorregadios" que está sendo postado aqui no Archive of our own [clique aqui] - essa série é inspirada em Múmia - a Ressurreição (um dos melhores cenários de RPG do antigo Mundo das Trevas).
Personagens: Margaret "Doddie" Dodson, Gloria Smith, Anthony Lackfin, Terrence Filligan, o Xerife, Mendigo do Arges.
Resumo: No interior de uma cidadezinha, longe da Metrópole, há um grave acidente de carro.1999 é o ano e muitos eventos estarão ligados com o cenário do Ano do Escaravelho.

"Estrada deserta, pouca iluminação, o vapor de uma maquinaria subindo pelo ar, cheiro de óleo e gasolina vazando empesteando o asfalto sem muita manutenção. Um cervo abatido no meio da pista, um rastro enorme de sangue acompanhando o rastro de borracha derretida de pneus.
Um gemido de dor. Uma mão parcialmente suja de dedos quebrados aparece no matagal que esconde um brutal acidente de carro."

Continua aqui...

domingo, 27 de maio de 2018

[conto com angie] terra dos sonhos de ninguém

Título: terra dos sonhos de ninguém (por BRMorgan)
Cenário: Feéricos - contos para sonhar.
Classificação: PG-13.
Tamanho: 493 palavras.
Status: Completa.
Disclaimer: Esse conto faz parte do Projeto Feéricos "Conto com Angie" que está sendo postado aqui no AO³ [x]
Personagens: Angie.

Resumo: Ângela Filha dos Ventos entrou sem querer em um ônibus escolar quimera. Isso mesmo! E a quimera temporal a levou para um lugar onde apenas as lendas dos mais velhos contavam que existia. Ali ela ficou presa por 42 anos até certo grupo de caçadores de quimeras a encontrarem e a resgatarem do limbo.

[...] A Terra dos Sonhos de Ninguém. 
Sem alarmes e sem surpresas. 

Estou dentro de um ônibus escolar. 
Aqueles amarelinhos horríveis, com cadeiras tão velhas e empoeiradas que parece que estamos aqui há muito tempo. 
Agito minha cabeça, quero acordar de alguma maneira, pois não quero acreditar que estou realmente aqui. 
Não aqui. 
Não justamente *aqui*.

Vou para uma das janelas de vidro embaçado, nada. 
Nadica de nada, nem ninguém.[...]

sábado, 26 de maio de 2018

[interlúdio] as vibrações amanteigadas da vida


You're looking at me like I'm preyed upon
I'm gonna give in to you
Anything more and it's game on
Have you ever been in love

I've been sleepwalking the corner of hypnotised
I'm gonna give in to you
I couldn't help it even if I tried
Have you ever been in love

Playing in the garden of glorified
Sleepwalking the corner of hypnotised
Loving in the rubble of a landslide
Waking in the wonder of a sunrise

You're the something on my mind
Butter flutter in my breast
You're the something on my mind
Butter flutter in my breast

I've got a fear I'm running out of time
I'm gonna give in with you
2016 never felt so fragile
Have you ever been in love

We're playing in the garden of glorified
Loving in the rubble of a landslide

You're the something on my mind
Butter flutter in my breast
You're the something on my mind
Butter flutter in my breast
The Corrs "Butter flutter" - Jupiter Calling (2017)


Quando seus códigos de conduta pessoal não te permitem ir muito além daquilo que é esperado em situações específicas. 

Isso e o medo quase irracional de falhar novamente em me conectar emocionalmente com qualquer pessoa.

"Mas tem que se arriscar, melbeim!Viva a vida!!" - diz uma vozinha bem fininha lá no fundo da cachola.

*quede o emoji de dedo do meio hein*

domingo, 20 de maio de 2018

o balanço da primeira semana

Ao que tudo indica, em 7 dias alocada em nossa morada, houve uma sessão descarrego no Zé Bunito e ele mudou da água pro vinho. Ver os dois gatos se entendendo tão bem, brincando, zoando, fazendo trapalhada e descobrindo novos cantos e jeitos de nos deixar desesperadas está sendo incrível.

O frio não tá ajudando, óbvio.
Todo mundo no estágio intensivo com Morfeu no meu quarto, pois é o local mais quente da casa.
Sério, mantenho esse local o mais protegido de friagem possível, pois a vida lá fora é cruel e gélida.
E NO MEU QUARTO É MODO ACIMA 26º GRAUX MODAFÓCA!

Tá rolando edredon com cheirinho gostoso de amaciante e secado ao sol, tá tendo modo analógico ouvindo CD em mini system de 2001, já rolou lágriminhas de nostalgia ao ver fotos minhas da década de 90 do século passado e também teve um alagamento básico por distraimento de água na máquina. Uma caixa de livros foi atingida, justamente a que tinha as primeiras edições de Rurouni Kenshin e Chobits.

Era pra entrar em pânico full mode?
Yep, mas convenhamos? 5 leis de Ranganathan na cabeça e respirar fundo, botar os encharcados na frente do aquecedor e esperar milagre. 

Há as dores também.
Elas voltaram com tudo. L5 e L6 estão fazendo campeonato de screamo nessa banda trash da minha coluna vertebral, nada que analgésicos não resolvam e paciência. Não adianta perder a calma dessa forma. 

A vida acadêmica tá sendo uma fucking bagunça, as usual. Teve barraquinho em postagem biblioteconômica como sempre e agora resolvi abstrair de um bocado de coisa pra não perder o fio da meada. Afinal de contas, foi exatamente isso que era o objetivo quando decidi ano passado voltar a morar com minha mãe novamente. Os 5 anos que fiquei longe dela nos ensinaram pra cacete como é difícil a convivência e os limites de uma e outra, mas acho que o que mais tá sendo surpreendente é o fato dela ter mais tolerância e eu mais calma.

Tudo que era preciso era um alinhamento de frequências de rádio.
Tá rolando isso também. Cada uma respeitando o lugar da outra e tomando conta da outra na questão de bem estar e saúde. A cabeça também tá ficando menos pesada com os pensamentos, o que agradeço imensamente, pois não preciso mais entrar no modo overthinking desde que estou dentro do busão voltando pra casa, o medo de estar sozinha em um lugar que não me dá mais segurança e plim, plim, saber que meus gatos estavam incomodados pra caramba com o confinamento.

Aqui pelo menos todo mundo tá fodido, mas se diverte.
(Referência #SddsOrkut)

Então tá indo bem, primeira semana okay.