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mudanças do eu-lírico/bibliotequices

Entonces... Resolvi dar uma repaginada nos esquemas do Bibliotequices - uma sessão que eu mantinha aqui desde outubro de 2015 - para or...

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segunda-feira, 22 de abril de 2019

tudo tem seu limite

Há uns 2 anos atrás sofri ameaça direta de violência física dentro do curso que amo. Motivo? por estar dentro do movimento estudantil e por querer abraçar o mundo como dava. Sem arrependimentos aqui, mas o damage sofrido não foi recuperado, e acho que fiquei meio caolha no processo.

E por não poder me deslocar sem ter um ataque de ansiedade dentro do busão ou andar depressa mais do que as pernas podiam ou ficar insistentemente olhando por trás do meu ombro na vã impressão que o doido ia brotar do chão e fazer mesmo o quanto andou gritando em caps lock, eu imaginava a minha reação se isso realmente acontecesse.

E isso me rendeu cenários nada bonitos de se imaginar, gente.
Não dê munição para uma imaginação já fadada a noiar sobre pequenos detalhes da vida.
Novos limites tiveram que ser estabelecidos, pro meu bem físico e pra minha sanidade mental já fragilizada não ir pelo ralo. Ir pra conchinha foi restaurador, mas sair dela tá sendo estranhinho, pois a impressão que tou tendo é que a força empregada em manter algum controle sobre meus impulsos (E os tenho, sim, e eles são destrutivos em diversos modos) valeu a pena até certa margem de erro.

Eu sei, é sobre placas tectônicas, mas tem a ver com bordas e tals

Tive a ajuda profissional de pessoas capacitadas, tive o apoio de pessoas que me amam, mas principalmente tive que relembrar mais outra vez, novamente, de novo, que o que me alimenta é o que me mata, então dar comidinha pros monstrinhos já encarcerados beeeem lá nos fundilhos foi proibido. E é difícil, porque eles rugem bem alto junto com o bode balindo preso na perna. Às vezes eles cantam e eu sigo a cantoria, mas nesse tempinho de recuperação e sumiço de qualquer coisa aproximada ao que fazia antes foi como entrar em uma câmara suspensa com gás apático e com permissão para sair algumas vezes.

(Debaixo do link os afastamentos e os limites necessários para convívio pacífico)

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

disposição mariposística

Essa postagem era de ontem, vai hoje né?
Toda vez que tou feliz, sabe, muito feliz, o estômago ataca.
Tipo gastrite.

É como o prenúncio de algo muito legal a acontecer e plim, o trato digestório vai pro saco na hora.

Não é de piriri, ficar no troninho ou botando bofes pra fora, é a lancinante dorzinha persistente debaixo dos pulmões, em cima do diafragma, apenas esperando algumas pontadas para continuar existindo.

E aí coisas felizes acontecem.
Level de química corroborada com ideias criativas sobem imediatamente, transbordando emoções que supostamente deveriam ficar enterradas bem lá nos fundilhos, ocultas, obsoletas. Tipo CD de instalação da AOL para Internet discada 516kbps.


Coisas felizes ocorrendo e eu percorrendo elas com uma sutileza imbecil. A suspeita é que provavelmente irei chegar ao ápice ao entrar no ônibus e literalmente desabar no sono profundo, acordar meia hora depois sem um pingo de ansiedade feliz ou aquele feeling de mariposas na barriga.
(E é uns bicho estranho essas coisas aí)

Era pra escrever pelo menos umas páginas hoje de coisas referentes ao TCC, mas estou aqui brigando com os olhos pra não fecharem enquanto escrevo, a felicidade que anda escapando faz tempo completar um pouquinho disso que vos escreve.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

sonhos megalomaníacos para a docência de(s)cente

Essa postagem começa com emblemático vilão dúbio das Meninas Superpoderosas
Quero dar aula.
Pronto.

Já tava decidido faz um tempo.
Fui e voltei na decisão.
As perguntas foram muitas.
Será que tal lugar comporta a linha de raciocínio que gosto de me expressar?
Será que devo me adequar a todo um procedimento encaixotado padrão que vai matar os estudantes de tédio e eu de ansiedade?
Será que devo voltar pra onde me formei e fazer parte desse núcleo exclusivista para uma certa área do conhecimento e que esquece que a gente tá formando gente pra cuidar de gente que possivelmente vai mudar o mundo?
Será que tenho paciência pra aturar a burocracia do ensino superior?

Tudo pode ser respondido com uma música apenas. E foi daí que parti em interligar os aprendizados nas aulas, junto com aquela avaliaçãozinha discreta dos docentes que estão moldando meu serzinho para algo lá no futuro AND como o sistema universitário poderia manter minha Sanidade em cheque (e a conta bancária também, né?). Vale a pena?

Até onde estou vendo sim. Vale MUITO a pena.

Os sonhos megalomaníacos para daqui algumas décadas não é só ser le tiezinhe da referência e do café, mas também aquela pessoa que quando citam em trabalhos acadêmicos, orientadores botam as mãos na testa, sentem espasmos e viram pros seus orientandos e dizem:
" - Cê tem certeza que quer citar MORGAN?" ou " - Te peço, por favor, por tudo que passamos juntos aqui, muda de referencial teórico!" ou ainda mais " - Vai citar MORGAN? DESAFIO ACEITO!"

E aí na apuração final da banca sempre haverá aquele silêncio constrangedor ou pausa dramática antes de: " - Então, vi que você decidiu citar MORGAN (2042)... Por que essa decisão inusitada?" ou "Sabe, o referencial teórico estava ótimo, bem estruturado e coerente, mas aí você citou MORGAN... Você tem certeza disso, não é?"

Quero ser aquela pessoa que quando vão ver o Currículo Lattes perguntem na metade da leitura técnica: "WTF essa pessoa foi fazer na Biblioteconomia?" ou melhor "Véi, essa criatura pesquisou ISSO? E ISSO? Como é que passou em banca de..."

Quero finalizar meu pós-doc fazendo uma dança interpretativa da minha conclusão.
E ninguém entender. Será uma piada interna que poucos entenderão.

Quero ser aquele-que-não-deve-ser-nomeade em reuniões acadêmicas, mas que é sempre bom lembrar que existe. Não porque toca o terror, é autoritário, faz a caveira dos outros, mas porque não parece polido mencionar que estou ali. 
Tipo, porque quando rolar pesquisa com coisa que já produzi nesse meio tempo, espero causar estrago nas bases tradicionalistas engessadas acadêmicas, aqueles estragos que dão certo pra comunidade, pras pessoas que não tem acesso a universidade, aquele estrago que não produz dinheiro ou status. O estrago que a universidade e os catedráticos não gostam sequer de pensar que docentes podem fazer lá fora.

Quero ser docente que chega na sala de aula e deixa um misto de "Powha vou ter aula com aquela criatura hoje..." junto com "Caraca, tenho aula com aquele-que-não-deve-ser-nomeado... Que sortudo de uma figa que sou!" - Quero as aulas de segunda. E que os estudantes fiquem até o final por gostarem de estar ali na aula, por acharem relevantes as maluquices que irei tratar e relacionar com o curso, a profissão, o fazer algo que preste pra sociedade.

Aliás, não quero alunos, quero pessoas parceiras que pensem comigo, abertamente, sem fronteiras, sem exclusivismo, sem mania de grandeza produtiva. Quero formar bibliotecári@s desde a primeira fase até a última, pra entenderem que sim, o curso pode sim te dar ferramentas, modos e visões de enxergar o mundo das bibliotecas e afins com algo a mais. Quero giz de cera e papéis A4. Avaliação? Que tal autorreflexão sobre o que aprendemos ou não? Redação de livre associação?

Por que não usar o exercício da Ágora de defesa de argumentos?

Não quero ser o motivo de gente perder o sono pra estudar madrugada afora.
Não quero gabar meus títulos e honorários, e louros e floreios e borrões.
Não quero ser chamada de doutora professora, quero que me chamem pelo nome.
Não quero ficar subindo em tabelinha de ranking de produção.
Aliás, não quero produzir nada substancial pra área a não ser a prática que farei dentro das bibliotecas junto com outras pessoas maravilhosas.
Não quero estrelinha da Scopus.
Não quero citação na Web of Science.
Não quero que façam pesquisa bibliométrica sobre o que escrevo.
Não desejarei a aposentadoria tão cedo.
E vão sempre me perguntar quando é que vou aposentar.
" - Chuchuzim, demorei mais de 6 anos pra me formar na graduação... Cê tá pedindo demais né?"

E aí quando forem ler meu Currículo Lattes de novo vão ver que em outras produções ou participação em bancas, eventos e projetos de extensão tem mais coisa que não bate com a área. Que fiz trabalho até em lugar que não devia, com gente que nem deveria ter acesso à informação. Que peguem minhas referências ou não usem, pois é muita covardia ou muita coragem. Quase um Gregório de Matos.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

a@s fessores, aquele abraço!

Deix dias atrasado, mas hey! Quem disse que memória tem que ser periódica?!
Até onde sei, esse blog apenas me serve como terapia alternativa, vazão criativa e caso de emergência para algum caso futuro de amnésia.

BTW, era para postar no dia 15 de outubro, então...
===


Hoje é Dia dos Professores! Yey!
A profissão mais responsável e séria de todo universo.
Já escrevi sobre ela aqui [x] e volta e meia vou citando a bendita da docência (in)decente aqui no blog. Por que isso? É de família.

Não é legado não. Nem maldição. É tipo algum plano bem obscuro de manipulação mental que ainda não entendi direito como se faz.

Eu gosto muito de professores.
De incomodar bastante eles também.
Pois caso não tenham percebido, vocês são responsáveis por muita coisa que vai acontecer no futuro. Médico cortando cordão umbilical é pouco comparado com a (des)construção de vida que um professor é capaz de fazer com uma pessoa. E como eu acabo direcionando toda minha atenção para quem faz o trabalho com excelência (ou não), é possível perceber o quanto eu os adoro.

É porque eu quero mesmo ser professor algum dia desses, tipo num futuro distante.

Minha mãe já foi, minha irmã continua sendo, agora parece que só falta eu aprender os paranauê. Na universidade dos Stormtroopers aprendi que deveria ficar beeeeem longe do lugar/pedestal na frente de uma classe de carteirinhas enfileiradas, acabei tropeçando nas promessas e cair na Biblio. E aí a coisa mudou.

Mas a histórinha? Sim, tem que ter! Senão não tem reflexão do papel social em que estou inserida desde criança, né? Debaixo do link alguns professores que me fizeram acreditar num mundo melhor.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Crises Literárias

Tem umas coisas que não dá pra escapar, a crise após terminar livro foi por alguns instantes, ao abrir  novamente o livro Carol (Ou The Price of Salt como era conhecido antes) em um capítulo particularmente doído. Carol deixa a Therese com a promessa de que na próxima semana iria encontrá-la e isso se transforma em 3 meses de pura angústia, decepção e vazio apático. Damn Therese!!

A quote acima foi feita para o filme de 2015, mas é bem
parecida com o conteúdo da carta no livro. De cortar o s2
A Literatura é meu ponto fraco, com certeza. Palavras escritas são como um tormento pra minha mente obsessiva em detalhes e minúcias, se tiver escrito pior ainda. Eu vou lembrar, eu vou sentir, vou imergir e aceitar. Estava a respirar com mais calma entre as horas de perder a compostura e o entender que não posso me deixar cair (de novo), a mesma Literatura que me derruba me salvou várias vezes na minha vida de escriba. Até mesmo criança quando nada fazia muito sentido por meu cérebro não estar lotado de doutrinas, discursos e visões de mundo, até hoje.

Me sinto um bocado vulnerável quando estou empolgade com a narrativa de um livro, algo que resgatei lá de 2008, o que os Stormtroopers roubaram de mim (hello dissecadores de livros?!), consegui usar a Força: ler histórias é vida.

O que me leva a esse post.
Pois grande parte do crédito de estar cursando Biblioteconomia e preferindo atuar em bibliotecas escolares/públicas é esse desejo da leitura, do ouvir e contar histórias, é ver esse brilhinhu no olhar das pessoas que respondem com orgulho o quanto gostaram de tal livro e como a narrativa de outro mudou o curso de sua vida. O de dizer na cara dura que odiou o livro, que achou cansativo, isso tudo faz com que o sentido de estar ali atrás do balcão ou entre as estantes faça mais sentido. Me identifico com essas pessoas, me sinto mais confortável comigo mesme, não há espaço para destruição quando se há aceitação e entendimento.

E ler trouxe isso pra mim.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

a relevância de bibliotecári@s em cenários pós-apocalípticos

No episódio inaugural do melhor seriado de todo universo - and com um dos bibliotecários mais incríveis da ficção - o seguinte diálogo aconteceu:




Começando com essa frase e pedindo pelamoooooor pra quem lê esse blog a NÃO DAR corda pros meus headcanons de cenários pós-apocalípticos - sério gente, sou nerd da ficção científica desde os 10 anos, tive 21 anos pra matutar tantos cenários de realidades que tenho vergonha de escrever sobre - mas esse tratado a seguir será aquele momento de vergonha alheia que qualquer bibliotequero vai dar um facepalm por não ter sacado ainda.

O que um headcanon??
Na linguagem marginalizada dos fãs nerds ou como se autointitulam fandom, o headcanon é uma pequena narrativa de uma possibilidade que nunca vai acontecer para se tornar canon (canônico, não a máquina fotográfica) por diversas razões, sejam elas de nível social (desvio da norma padrão patriarcal, heteronormativa, capitalista, neoliberal), seja de impossibilidade racional/física (paradoxos de viagens no tempo, catástrofes muito horrendas, Apocalipse Zumbi?!).

É tipo quando aquela pegadinha do copo meio cheio ou meio vazio? Com as interpretações de otimismo, realismo, fatalismo, achismo, fetichismo (o do Karli Marquis, gente), pessimismo, nihilismo miguxo.

O questionamento foi mazomeno o seguinte: o que aconteceria com a gente, profissional bibliotecário se uma guerra mundial tão devastadora acabasse com as formas de comunicação tecnológica que conhecemos?

Incluímos aí:
  • Fim da Internet e grandes databases do mundo.
  • Fim de energia elétrica como conhecemos em produzi-la.
  • Fim de qualquer tecnologia que se baseie ou sustente por essas duas premissas.
Como sou a pessoa no canto da biblioteca, literalmente sapateando pro assunto distopia pós-apocalíptica aparecer no rolê (mas mantenho isso pra mim, pois hey! Não é todo mundo que se sente a vontade em discutir planos estratégicos de sobrevivência em mundos devastados por hecatombes ou é chegado em discussões sobre as relações de poder na comunidade BDSM - whoa falei isso muito alto?!) lá vai o headcanon.

Para esse cenário aqui acima tenho duas variantes de headcanons:

1) desde a invenção do livro em formato que conhecemos, existia uma época chamada Era Medieval que sim, não tinha luz elétrica, vaso sanitário, sistema de esgotos que prestasse, fecho-éclair e Internet. E um tanto de coisa que parece banal pra gente agora. E os bibliotecários se viraram bem com os esqueminhas de printar em prensas de Gutemberg os famosos catálogos que assustavam nossa quiançada ao entrar em bibliotecas.

Aquela fofura das fichas catalográficas? Voltariam pra rodinha e você, tão concentrado em saber qual gerenciador de acervo é melhor que o outro sobraria como jiló na jantinha. Aprender a catalogar, classificar, indexar seria TUDO NO MUQUE, SEU FOLGADO!!

Boas notícias: há pessoas vivas que SABEM e DOMINAM muito bem essa técnica de organização de informação. Diquinha da Tia Elza da Referência? Converse mais com seus professores e/ou bibliotecários que tenham feito Biblioteconomia antes dos anos 90. A gente aprende mais com eles do que com qualquer um, viu?

Lado bom: esse headcanon era canon até metade do século 19 aqui no Brasil, voltaríamos a uma época em que já vivemos e nascemos como profissão, lições de lá já tiramos e talvez, por que não, parar de ser um bando de frangotes com medo de se arriscar pelo bem comum da sociedade...? Nâo precisa de luz elétrica pra fazer uma biblioteca ser viva :) Plus, aprender a esgrima e portar arco e flecha são sonhos de criança que não consegui realizar. Freud explica. Oh oh bardos!!

Lado ruim: não faríamos tanto ativismo ou reclamar da desvalorização do bibliotecário via Facebook. E Era Medieval não era muito legal, sabe? Não gostaria de ser obrigade a escrever num tomo enorme essas bibliotequices sem poder compartilhar. Ah! E banho frio. Brrrrrrrrrr!!!
Nada mais de informação para todos, esquece disso Josebelde... Informação local e onde as canelas alcançassem.

Mas vamos piorar a situação? Porque ser fatalista me traz mais benefícios em encarar a realidade vigente do que tentar ser otimista...



2) Que tal o headcanon de APOCALIPSE ZUMBI?!
Sim, sem luz, sem Internet, o mundo devastado por uma praga incontrolável de zumbis frenéticos personificações de nossos piores pesadelos de perda de autonomia, criatividade e privacidade como indivíduo? Sim, esse mesmo, meu headcanon favorito! E o mais absurdo também.
(Já escrevi sobre o assunto favorito aqui nesses links [x] [x] [x] [x], tem esse artigo bacana aqui [x])

Então, here is the thing: Se essa possibilidade acontecer há duas opções pra mim como projeto besta de bibliotecário:

1) a mais provável na estatística básica de Apocalipses envolvendo a quase extinção da humanidade - Eu acabaria como um zumbi especializado em fazer emboscadas pra comer (literalmente, zumbis são canibais, lembram?) profissionais, cientistas da Informação e pessoas que não concordam que a CDU é genial. Por algum resquício de memória de um passado recente, teria um prazer enorme em fagocitar certas pessoas. E a lista seria enorme, sério.
(Isso Freud não explica, porque tratar de canibalismo ou antropofagia não era a praia dele, né?)

Então não poderia fazer absolutamente nada a não ser importunar vocês, amigolhes de profissão até alguém finalmente botar fim a minha existência grotesca.

Diquinha pro futuro que não vai acontecer: nada de desperdiçar munição comigo, faça uma armadilha com alguém da Biblioteconomia dizendo as leis de Ranganathan e golpe na cabeça já resolve. Iscas com edições de livros didáticos parcialmente destruídos também me atrairiam como mariposa na luz.

2) a opção menos provável seria a de sobreviver, viver com uma PTSD f*****, MAAAAAAAAS sendo bibliotecári@. Tá aí o destino mais macabro possível para pensar. Então com certeza eu seria a tia da referência mesmo, grumpy as fuck e provavelmente não tendo dó alguma em queimar livros imprestáveis pra aquecer lareiras e cozinhas improvisadas.
(Shakespeare vai primeiroooooooo!!)

Tá vendo a 300 e a 500 até 610 da CDU? Pode pegar tudo e botar fogo. E a estante deixa pra botarmos pra segurar as portas da biblioteca e servir de barricada. É óbvio que os zumbis vão nos encontrar cedo ou tarde.

Vou fazer estudo de usuários com tanta vontade que vou querer saber que tipo de pesadelo você tem durante as horas de cochilo. É provável que eu sirva de psicóloga, mais acertado eu dar a real e pedir pra você aceitar logo que o futuro da humanidade está perdido, você não serve pra nada nesse mundo e que é melhor pensarmos em formas de NÃO nos matarmos antes de sermos mortos pelos mortos-vivos. Serei uma pessoa amarga e contraditória, mas você, sobrevivente de Apocalipse Zumbi, vai precisar muito de minhas habilidades de investigação e memória ótima pra informações inúteis como jamais coma cogumelos dessa lista aqui, jamais beba água do mar sem antes filtrar e o mais importante: você pode viver sem água e comida por um bom tempo, mas ficar sem dormir por mais de 72 horas é sua sentença de morte.

Por isso as bibliotecas serão refúgios perfeitos para sobreviventes de Apocalipse Zumbi. Tem material pra barricada de montão, a estrutura de paredes firmes, portas mais reforçadas e janelas com grade (mania idiota de brasileiro achar que pessoas roubam livros) e todo o conhecimento do mundo ou parte dele ali.


E bibliotecários podem ser chatonildos pra cacete, mas somos necessários no seu grupo. Mais ainda que aquele mané ali que tem mira certeira e sangue frio. O mané não sabe o poder de estrago que um volume da Barsa pode causar na cabeça de um morto-vivo. Ou corte de papel A4!! E por favor, o que é um babaca segurando um machado ou cabo de ferro perto da minha habilidade de dar olé em corpos putrefatos cambaleando em minha direção com uma quantidade absurda de mantimentos?

Já treinei com livros didáticos, você não. E corri de crianças! Se isso não é uma habilidade magnífica, você não sabe de nada inocente.

Mas a vantagem de se ter um bibliotecário com você durante o colapso de toda estrutura histórica do ser humano desde a invenção da roda é que nós somos educadores por natureza, mediadores de informação. Então esse conhecimento todo não ficará comigo e muito menos morrerá no meu cérebro assim que a opção 1 acontecer. Vou fazer o possível pra capacitar todo mundo ao meu redor das idiotices que NÃO DEVEM fazer em um Apocalipse Zumbi. E o que podem fazer de legal.

Perpetuar a espécie é uma opção legal, óbvio sempre com consentimento de ambas as partes. Nada de forçar a barra só porque estamos em um estado anárquico de ausência de civilidade. Não seja babaca, seja consciente de seu papel nesse cenário pitoresco de aniquilação de todas as regras em que você vive socialmente. E sobreviva.

Com um bibliotecário por perto, de preferência.

Pessoas que amam CDD, tou de olho em vocês. Vocês me parecerão suculentas algum dia.

Ps: tem gente nos estaites que compilam livros como esse pra deixar a galera de sobreaviso. E pasmem, a CDC (tipo Controle de Zoonozes) americana dá dicas de como sobreviver a possíveis Apocalipses Zumbi.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

novo capítulo da novela de certa eleição de certo centro de certa universidade

Tem umas parada sinistra na Linguística que me assustava um bocado quando era tratada no processo de alfabetização ou até mesmo em análise do discurso.
Tipo: "Como é que o texto se forma dentro da sua cabeça?"
Ou: "Se houver uma repetição ou ausência de uma palavra em tal texto/fala, já dá pra sacar as nuances de um discurso?"

O que mais me assustava era a tal da expectativa do leitor, que é uma parada meio bizarra que acontece com a gente quando vamos ler/ouvir/ver alguém ou alguma coisa. Pra ter uma conversa informal se pressupõe que tem uma pancada de artifícios da nossa lingua falada pra colocar aquela conversa como informal, os famosos, "tipo assim", "né?", repetir o nome da pessoa que tá conversando contigo em sei lá, apelidos, diminutivos, o nome dela mesmo.

Enquanto em uma conversa formal ou até, vamos dizer assim, oficial em um debate político sobre direção de um centro em certa universidade -que não irei citar o nome, pois mecanismos de recuperação de informação tem em tudo quanto é canto - essas mesmas coisas sinistras podem aparecer.

"Como alguém pode formar uma fala como aquela?"
"Em que posição essa pessoa está falando o quê e para quem?" (Essa é extremamente importante até pra gente saber o que, pra quê, pra quem e porque estamos falando)
E a minha favorita:
"Será que a pessoa tem ideia do que tá falando?!"

Porque em certas falas, desconfio piamente de como o processo de construção da fala dentro da cabeça acaba sendo feito ou se é feito, ou se é assim mesmo que deve ser. E é uma bagunça, é pra ser uma bagunça, mas o buraco do acordo tácito social silencioso das pessoas para nos tornarmos toleráveis entre si e vivermos em sociedade, isso tudo aí pode desmoronar quando a fala não é produzida de acordo com a expectativa daquele que vai ouvir.
(E nada de locutor/interlocutor aqui, pega no meu Chomsky que é nele que vou)

A expectativa é um bicho asqueroso.
Porque na fala ele impacta de uma tal maneira que para uma mesma frase pode ocorrer "Ais" e "Hey!" ou "Eita" ou "Oh!". Ou silêncio. Quando o silêncio aparece é o que mais me surpreende, porque tio Fucô dava uns pitaco que o silêncio era o ato máximo de rebeldia (Rebel, rebel!) e eu concordo plenamente, enjoy the silence...

A expectativa do leitor entra aí com toda uma carga ferrada de "e se...", "poderia ser/ter sido..." e por aí vai. Quer cultivar muitos universos alternativos? Fique no plano das expectativas, é ali que todo o Caos Universal vira caldo pra ferver.

Então tendo essa premissa na cabeça e conhecimento da existência da expectativa do leitor, fui ontem pro debate com algumas palavras na cabeça que esperava e não esperava ouvir.

Esperava muito #Facepalm porque é essa a minha reação quando sinto vergonha alheia e quando a vergonha alheia acaba sendo dirigida para o curso onde eu habito e amo. É como se ofendessem o meu grande amor (Srta. Ornitorrinco Biblioteconomia, de manto roxinho, com anel de ametista no anular e segurando uma lâmpada antiga em uma mão e um livro bem pesado na outra pra tacar nas nossas cabeças?) por tabela.

E foi o que aconteceu. Mas expectativas do leitor, lembram? Nada mais assustador que intenção do discurso.

Debaixo do link, as expectativas de leitor que tive ao ir ao debate de certa eleição de certo centro de certa universidade.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Miopia latente


Miopia latente 

Ter miopia é um vaca de dois legumes. 


Você pode aceitar essa deturpação ocular como status quo na sua vida - e sofrer as consequências de esbarrar em coisas, trocar letras, ter visão turva, dobrada, não ver cores direito, aturar dores de cabeça constante, MAS você não necessariamente precisa enxergar o mundo como ele supostamente é. Bônus pra vivência. 

Ou você pode optar em fazer um óculos, com lentes que "corrijam" esse pequeno detalhe imperfeito da maquinaria que se constitui o corpo humano e sofrer miseravelmente de que por anos preciosos foram tirados de você. 

A questão é: eu vou continuar a ser míope, as lentes vão ajeitar meus olhos, mas a consciência é madura o suficiente para compreender que nem tudo que a lente focaliza é exatamente o que a realidade é. 

Lembram dos esqueminha do Platão e a caverna? E as sombras e as pessoas que viam os vultos e quando encontravam a "Razão" iam pra luz lá do lado de fora? Spoiler alert modafóca, o mito de Prometeu começa na mesma premissa só que o cara roubou o fogo dos deuses, fez a galera toda sair da caverna na marra AND passou a eternidade preso em um penhasco com uma águia comendo o fígado dele... 
(Hmmmmmm patê titânico nomnomz) 

Às vezes ganhar a iluminação, a tocha, as lentes, não é a melhor coisa dessa vida. Talvez minha rabugice diminua, meu cansaço mental, a sonolência, a irritabilidade com luz e superfícies claras se vão e não voltem, mas a miopia, meus quiridus, ela continua. 

É o defeito da fábrica.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Não parece, mas alguém aparece

Aquelas reminiscências de época de licenciatura sempre aparece.
Em uma conversa awesoooooome com a pessoa querida da Fran, resgatei algumas lembranças da época da graduação de Letras, os apertos que todo metido a docente vai passar algum dia e lembrei desse guri que foi uma experiência de alfabetização que deu errado - conforme o que a escola queria e a universidade dos Stormtroopers esperava em seus relatórios e estatísticas. 

O que eu devia fazer na época era ajudar alunos como ele - não regularmente alfabetizados em séries mais altas - a conseguirem no mínimo escrever o nome direito e saber o alfabeto. O carinha tinha 12 anos, tava parado na 2ª série (equivalente ao 3º ano agora, crianças entre a faixa de 8 a 9 anos), depois da bagunça estadual da reforma do ensino feita por certo governador almofadinha, agora senador com péssima reputação por conta de lava-jatos.

Crianças como ele ficavam retidas por um bom tempo até desistirem, haver um milagre docente, ou eram aprovados sem saber fazer uma conta direito pra desencargo de consciência do Estado. 

Era um bairro da periferia do vilarejo brejeiro, eu ia pra lá a pé na ida porque precisava chegar animada, motivada, ativada pra dar aula de reforço pra aquela gurizada ligada no 220v. Foram 8 meses nessa, eu, uma estagiária da biologia super zen, uma da matemática que passava um dobrado por não saber o que fazer e outro da psicologia pra fazer pesquisa de campo. Em geral a gente dava apoio aos professores das séries iniciais, dentro da sala de aula, eu preferia ficar com a galerinha que estava fora de sala de aula (aulas de educação física, horário alternativo pelo ensino integral) aprendendo com eles. E eles me ensinaram muito. 

domingo, 2 de julho de 2017

eu escrevendo textões

https://brdramallama.tumblr.com/post/161873162996/mewhen-im-all-about-library-information-science


Tradução:
"Eu não sei como ficar  emocionalmente neutra quanto estou escrevendo sobre algo que sou apaixonada. Eu tenho paixão, Winn. Um tanto disso."

Assim como a herdeira de Krypton, me acomete de tempos em tempos essa imparcialidade nos julgamentos quando vou escrever algo que está aparelhado ao conjunto coração/alma. Biblioteconomia vai bem nessa estradinha sem retorno.

Aliás, as postagens estão meio raras esses dias, culpem a volta da dor nas costas e o meu cérebro sendo ocupado por trabalhos acadêmicos (que não vou aproveitar tão cedo em qualquer coisa na vida de estagiárie).

quarta-feira, 29 de março de 2017

espírito cibernético do Natal passado

Tem um episódio de Aquateen com esse título, decidi catar pra ilustrar o post. Sou horrível com títulos desde 1986.

Duas desculpas esfarrapadas para esse post!
1) deixar esse link pros episódios de Aquateen Hunger Force;
2) relatar algo bem interessante que ocorreu dias atrás.

Sacam aquele conto do Charles Dickens sobre o velho sovina que recebe a visita de fantasmas que falam alguma lição de moral pra ele ser bom, gentil, generoso e socialmente aceitável?

Bem, esses dias eu me vi com 61 anos, empolgada com livros de anatomia, deixando estagiarie aqui boquiaberte com a quantidade de termos técnicos e a avidez de querer entender o sistema esquelético. Havia a parte de discutir ética sobre algumas partes da ciência (embriões e sua anatomia nos livros mais acessíveis), mas eu me vi nessa senhora de nome bacana, manézinha que só ela e dando um show de quanto estava interessada em aprender mais sobre o nosso corpo.

Ao vasculharmos um livro com fotos de células que fazem parte dos sistemas, comparamos juntas em como pareciam com sorvete, salsicha, repolho e variados. Tivemos essa viagem intelectual juntas, eu me vi daqui há 30 anos como ela.

O tempo passou absurdamente rápido, o atendimento que faço no máximo 5 minutos, foi se meia hora, nem vi. E achei incrivelmente legal de saber que ela estava empenhada em fazer o trabalho mais interessante. E iria falar lá na frente também na apresentação.

Eu observo bastante as pessoas que entram e saem, vejo algumas nuances e rotinas, adoro quando encontro esses cúmplices de rotina, flanando sobre o balcão, rolando no tapete do setor infanto-juvenil. Sendo eles mesmos nessa inversão de valores biblioteconomísticos.

Eu me vi em relance daqui há 30 anos e tou feliz, acho que todo mundo deveria ter esse momento na vida pra começar a questionar algumas prioridades da vida.
Espero que tenham.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

voltando a programação biblioteconomística

Tenho ideias para app pra Android de controle de acervo para Bibliotecas Comunitárias, tudo otimizado pra usuário de boinhas, sem firulas, integração com Facebook, conta Google, código API pra Organização da Informação vinda da LoC, Google Books (são os únicos abertos que conheço), Amazon. Adicionar livro num clique só (código de barras do ISBN), pesquisar/adicionar por autor ou título título. Empréstimo com recibo via WhatsApp pro leitor, aviso de data limite de devolução também, serviço de disseminação de informação no mesmo esquema, super facim, sem complicação, tudo free e só pedindo uns likes no Facebook e avaliação no Google Store.

Aí lembro que não sei lhufas de programação...

Em Hackers (1994) parecia ser tão fácil #SqN

Fiz um teste com o LibraryThing e TinyCat para um trabalho de Indexação junto com a beeeeesha leeeeenda magnânima da Beadrade Antrice (WTF?!) e até que foi, só que não é tão funcional e simples como eu tava planejando.
(aí chatonildo vai perguntar: "e a organização da Informação?! E as métricas?! E a manutenção do acervo?!" - respondo com um sonoro escrito em letras garrafais no boldinho: não leu direito que é pra biblioteca comunitária não?!)

Eru Ilúvatar não dá asas às cobras D:

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

promessa pra crush é dívida

Dia 02/12 foi a última prova de Sistemas de Classificação, uma disciplina bem técnica e de assimilação bizarra na cabeça de alguém que não segue uma ordem faz um bom tempo.

Sempre falando bem de Dewey, acabei descobrindo que o yankee fdp além de ser uma pessoa  altamente preconceituosa, também teve a ideia de fazer um sistema de classificação mundial em um sermão de igreja protestante.

Se há algo que vai contra meus códigos internos de boa conduta é fazer algo nada a ver em locais nada apropriados. Como o tabu de fazer sexo em bibliotecas, não me desce. Biblioteca é um lugar sagrado, e empoeirado, e cheio de acidentes prontos para acontecerem, só precisa de um empurrãozinho (Ou fricção, levem como quiser). Logo se você tem o incrível plano de classificar TUDO existente no mundo, não tem que ser vendo pastor falando.
Sério.

Discurso e ideologia, lembram?
E o que isso tem a ver com a prova?! 

Bem, eu saí bem otimista da sala, e com um entendimento sobre o assunto (CDU) com uma euforia adolescente. Sim, o orgulho próprio foi lá em cima. 

Aí como a perfeita babaca que sou (blame the fucking Aquarius) postei no Facebook que se tirasse um 10 nessa prova - e vamos relevar aqui, nunca tirei 10 em prova alguma na Biblioteconomia - Eu me declararia para meu crush2k16.

Urrum, isso aí.
Cá estou eu, indo me declarar pro crush2k16 então.

Querid@ crush2k16,

Você foi parte essencial desse semestre em todos os aspectos, me orientou de diversas maneiras em como continuar apreciando essa powha de curso que tá comendo minhas convicções e minha vontade megalomaniaca de mudar o mundo. Suas palavras ficaram bem nítidas em meu pensamento, às vezes ecoando em meus sonhos e daydreams ocasionais dentro do busão. Sem a tua presença - encontros muito especiais por assim dizer, internamente eu esperava ansiosa para te tocar, roçar meus dedos em ti e desvendar todos seus mínimos detalhes - eu mal chegaria a esse final de semestre.

Mesmo com a maioria discordando se o nosso relacionamento iria dar certo. 
Mesmo se essa nossa afeição mútua seja motivo de escárnio, decepção e estranhamente para muitos. 
Mesmo se o simples pensamento que algum dia poderei deitar minha cabeça no travesseiro e ter certeza que você está por perto e comigo me deixe com o coração na garganta e minhas mãos trêmulas. 

As pessoas não entenderiam como me sinto perto de você, e também não querem que eu fique do seu lado (escolhi a paixão por bibliotecas escolares e comunitárias, logo nosso Amor será impossível), mas tenho certeza que algum dia, algum incrível dia terei você do meu lado, ali na escrivaninha, livro de referência, o peso de papel mais bacana que seu antecessor infame.

CDU, você foi e será o meu crush2k16 mais bem sucedido desse ano horrendo. Seu índice pode até conter erros de referência, seus símbolos podem confundir os incautos, mas a sensação de manusear suas folhas foi de um aprendizado inesquecível.

CDU, meu amor, sem você eu não teria tirado meu primeiro 10 na Biblioteconomia da UFSC, não teria jogado meus conceitos sobre CDD ser melhor no limbo cósmico, não teria percebido o quão FUCKING AWESOOOOOOME é estudar as diretrizes políticas que um sistema de classificação pode conter para guiar uma biblioteca. Sem você, manual com numeração de página, traduzido no português, revisado periodicamente e com apenas 2 tomos mais leves que o rebento de Dewey, eu não seria metade da pessoa que sou agora.

Com você aprendi mais no riso do que decorando tabelinha esquisita, as suas informações explícitas me seduzem como mariposa na luz.

Obrigada tio Otlet e LaFontaine, cês eram um bando de frouxo sem graça e não-bibliotecários, mas inventaram o manual mais legal da Biblioteconomia.

Te vejo em breve em alguma biblioteca especializada ;*

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

o peso da beca, do canudo, do capelo

Ontem foi a formatura da primeira turma em que me enfiei de vez na Biblio. Era a 3ª fase com um bando de gente bacana e de diversas vertentes de unidades de informação. Ter aulas com eles foi extremamente importante para eu sentir que o curso era firmeza, a carreira era promissora, as pessoas eram simpáticas.

Vendo eles recebendo os engessados ritos de colação de grau - Então é preciso alguém com título maior, cargo político, um objeto estranho encostado na caixa cranial pra ser finalmente bibliotecárix? Na Letras eu já me sentia professora desde o momento em que fui obrigadx a fazer um plano de aula na correria - meio que apertou um parafuso que tava aqui virando pra lá e pra cá: o parafuso da Ética.

Aí a fessora cutch-cutch que discursa muito nessa linha da Biblioteconomia fez o discurso como patrona da turma. E a coisinha linda citou Aristóteles, Kant e a diferença do Ethos com épsilon e Ethos com eta. O meu coração que já tá ferrado meio que deu um compasso trincado, desses de muitos goles de bebida forte, mas que não está completamente bêbado. Tocar nessa parte da terminologia de palavras que são terrivelmente empregadas em nosso curso, mas que ninguém tá nem aí par asaber pra que servem, é como um refresco nesse mar bisonho em que ando navegando.

Ela resgatou o Código de Ética do Bibliotecário (esse aí embaixo e que tenho diversas considerações a fazer que são contraditórias com o fazer bibliotecário de agora) e disse da importância do quanto é importante verificar a terminologia de nossos conceitos. Não obedecemos um código de ética para estamos na linha, fazer conforme a cartilha, não questionar nossa posição no mundo e a do Outro - seguimos um padrão alinhado de conjunto de regras para nossa profissão por termos a noção de que o bem maior, o bem estar social, a dignidade e a cidadania tá nas nossas mãos também.

sábado, 6 de agosto de 2016

pequena reflexão acerca de Tim Burton

Ontem tive o prazer de visitar a Confraria Literária do Colégio de Aplicação na UFSC pela primeira vez. Apesar de compartilhar a divulgação dos eventos, me atrevi a faltar quando a oportunidade vinha, tanto por conta das aulas da sexta-feira, quanto por não conseguir deslocar esse corpo até lá.

O tema de hoje foi as obras de Tim Burton e como é sua marca registrada no cinema estadunidense. Óbvio que quando citaram Eva Green como Miss Peregrine, meu coração de fangirl falou mais alto e devo ter soltado um gritinho com pompons acompanhando.

É bom demais para ser verdade.

O questionamento sobre o tabu do Corpo e o paradigma do Outro também vieram a minha cabeça ao fazer as filosofações sobre o renomado diretor. A maioria dos filmes dele tratam de algo mórbido ou tremendamente fora da tradição Hollywoodiana de se acrescentar comédia na tragédia (BTW: isso os gregos faziam com maestria, ok?), de tratar a morte como parte da vida e também saber levar essa ótica para as crianças entenderem o recado.

O tio Burton consegue tratar disso muito bem nas suas obras, tirando pela animação "A Noiva Cadáver" que literalmente é mostrar de um jeito lúdico e caricato que a Morte que tanto idealizamos no mundo dos Vivos pode ser mais divertida que o cinzento e trivial círculo de aparências.

Esse documentário do National Geographic Channel mostra 3 situações em que a Morte está na rotina de certos profissionais, mas que não deixa de ser algo que faz parte da nossa. Uma perita criminal, um maquiador funerário e um coveiro dão suas impressões sobre como é conviver com a Ceifeira à espreita todos os dias, sinceramente acho que isso magnífico - tanto pela abordagem de Vida que essas pessoas no documentário tem e como elas enxergam esse tabu.


A Nayra, a projeto de biblioteconomista mais descolada do curso, escreveu sobre a experiência, achei super awesome pela reação dela hehehehehehehe

sábado, 16 de julho de 2016

o trem da união dentro da classe

Amiguinhxs,

Quando forem se posicionar sobre a desunião da categoria bibliotecária em algum futuro distante pensem e lembrem de 3 coisas :
1) quem foram seus professores e como eles incentivaram o diálogo e união entre os estudantes e entre eles, docentes
2) quem foram seus exemplos de profissional da Informação atuante na área e qual contribuição a pessoa deu sobre o caso
3) se você repetiu o erro de 1, questionou o exemplo de 2, lutou pelo que você acreditava na época

Aí sim num futuro próximo você entenderá porque esse povo da Biblioteconomia fabrica uma guerra civil sem necessitar de muita coisa, só precisa fazer nada, cruzar os braços e quando acontece uma mobilização de importância na área, diz que já tá cansadx de lutar, que Conselho só serve pra cobrar, associações e coletivos só servem pra dar curso, que os mais novos que devem agora reivindicar nossos direitos (hello, não quero sustentar vosmicê não, queridx!) e o melhor que resume esse ranting aqui: "Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de fecho-ecler"

Por favor né profissa?
Toma vergonha na cara, vai passar óleo de perobinha e se posiciona como BIBLIOTECÁRIX pelamoooooor?

Sim, reclamo e resmungo pra baraleo quando é comodismo besta se manifestando no curso e não terem um pingo de respeito para arcar com responsabilidade de quem será diretamente atingido pela omissão.


quarta-feira, 9 de março de 2016

Biblioródias: Na oitocentos com Dewey Potter

Não curto bossa-nova, pouco MPB, mas às vezes a criatividade vai além do gênero musical preferido e enquanto estou a caminho de pegar um lanchinho para o almoço de universitário falido, me vem à cachola uma paródia muito boa para se brincar com o Dewey Potter (Porque agora ele é meu personagem recorrente nos esquemas).

Como é sagrado e devo oferecer a tr0llice primeiro para o deus em que me apoio, aí vai: Prometo sempre causar bonito, fazer traquinagem e induzir as pessoas a questionarem a Realidade ou não:

Ouvi um Amém?!

Não é que eu não tenha nada pra fazer - eu tenho e muito! - mas a inspiração faz download de pacotes de atualização da tr0llagem e acaba saindo isso aqui:


Na oitocentos...

(Essa vai para todxs bibliotecárixs boêmixs de plantão...)
Usuário mandão, hora de pico, semestre acabando, oh ilusão
Vou me aquietar, tentar acessar, 
banco de dados
Sistema cai, coração no chão
Deu tudo errado

E o que o bom bibliotecário faz na oitocentos...?
É lá que eu choro, eu não me aguento (Na oitocentos)
É onde me perco no desalento (Na oitocentos)
É na oitocentos...
Na oitocentos...

Minha vida num clique do botão
São 8 horas por dia de conexão
Quando decido fazer pesquisa à exaustão
Tudo cai, tudo cai na minha mão

Eu digo que dá, que consigo mais um pouquinho
São mais de 200 email na caixa de entrada
Telefone, fax, oh aí do balcão espera um pouquinho
(E no que que dá?)

E o que o bom bibliotecário faz na oitocentos...?
É lá que eu choro, eu não me aguento (Na oitocentos)
É onde me perco no desalento (Na oitocentos)
É na oitocentos...
Na oitocentos...

Eu sei que não devia pagar de bom moço não
Tratar usuário em banho maria, levar pela mão
Mas agora não tem jeito, não é mole não
Onde é que me escondo? (Na oitocentos)
Não consigo dizer não

E o que o bom bibliotecário faz na oitocentos...?
É lá que eu choro, eu não me aguento (Na oitocentos)
É onde me perco no desalento (Na oitocentos)
É na oitocentos...
Na oitocentos...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

GUERRA CIVIL DOS LIVROS DIDÁTICOS!!

[EDITANDO: Não deu pra manter a ideia, mas deixando aqui para posteridade, ainda vou voltar nessa guerra civil!!]
Vídeo auto-explicativo, porque a ideia é muito boa!
(Sem modéstia alguma, pois nóis é humilde, mas sabemo dos esquema, morô?)


O post abaixo foi feito e encarecidamente ofertado pelo Lucas Mendes, graduado em Biblioteconomia na UDESC sobre Livros Didáticos.

Let the War begins!!
[Texto produzido por Lucas Mendes, graduando de Biblioteconomia – Gestão da Informação na UDESC]

GUERRA CIVIL: PRÓ-LD’s VS. ANTI-LD’s
(titulo provisório zoeristico)

Depois de 6 meses nessa indústria vital da iniciação científica em Biblioteconomia, com uma pesquisa mais especificamente em livro didáticos (Titulo da pesquisa: Bibliotecas Escolares e Acervos: Possibilidades de Fontes, História e Memórias), eis que me deparo, mais especificamente no Painel de Biblioteconomia de 2015 já comentado aqui no blog pela Morgado, com uma discussão bem calorosa com a mesma. 

No segundo dia do evento eu e a Bruna discutimos por quase uma hora sobre prós e contras dos livros didáticos. Depois de refletir um pouco sobre isso tudo, tive a ideia de escrever esse singelo texto com minha opinião sobre o assunto, então coloquem os cintos que irei expor outro lado dos livros didáticos além do espaço que ele ocupa nas prateleiras das bibliotecas escolares.

Particularmente vejo o LD (livro didático) como um instrumento social do que realmente só um peso de papel no acervo. Acredito que os LDs igualam os estudantes de escola pública com os de escola privada (como reforçado pela minha chefinha com a qual me guiou por esse mundão do mercado editorial e social do LD), logo eles representam um ponto de igualdade, que claro não acredito ser o suficiente, pois muita gente tem o LD, mas não tem biblioteca ou professores suficientes em suas escolas. E em muitos casos o livro didático tem quase o papel de uma biblioteca móvel, já que o formato atual de LD trás poemas, contos, imagens, textos de referência, indicações de leituras. 

Com o crescimento do Ebook didático (não sei se esse termo realmente existe, mas uso ele para falar do LD digital) essas ferramentas se desenvolveram e até irão desenvolver outros formatos, possibilitando até a Social Reading (na qual acredito amplificar o ensino de toda nossa criançada).

Vale destacar que o Brasil compra através do PNLD (Plano Nacional dos Livros Didáticos) muito livro didático para as escolas públicas, e isso representa 35% de unidades vendidas no mercado editorial brasileiro (Fonte: Snel jul. 2012), e no caso dos Ebooks didáticos, ainda é um mercado em crescimento, já existem algumas escolas particulares usando (Essa matéria aqui fala um pouco disso) e a FNDE (Funda nacional de desenvolvimento da educação) por exemplo, já “obriga” as editoras a publicarem os LD em formato digital. O governo já iniciou a distribuição dos ebooks em algumas escolas nesse ano (ver aqui)

Os Ebooks digitais resolveriam o famigerado problema de espaço das bibliotecas escolares, mas acredito eu que eles são importantes obras de referências e que merecem um lugarzinho na estante, não em quantidade exagerada como acontece na realidade.

A biblioteca escolar, querendo ou não ganhou mais uma atribuição, que é a de guardar e distribuir os LD, e acho que não seja realmente um problema, desde que seja uma atividade apoiada pela secretaria da escola, já que pode ser uma dor de cabeça. Tem uma galerinha do barulho lá de Minas gerais que desenvolveu um software de gestão de livros didáticos, o i10 (chequem o projeto dessa empresa, e os outros também que são um amorzim), e que já fizeram vários testes e parece estar funcionando muito bem, eles conseguem fazer a distribuição dos em livros em um curto espaço do tempo, e recuperar grande parte dos livros ao final do ano (porque eles tem vida útil de 3 a 4 anos, são renovados por causa de atualização e afins).

Não quero me alongar, porque talvez um dia eu e a Morgado possamos discutir estilo filósofos gregos, só que sem precisar de cartas quando temos Twitter e Facebook. Fecho com o meu pensamento muito mais sentimental do que prático. Vale cuidar desses pestinhas espaçosos, porque eles têm mais importância social e econômica do que realmente prática (no sentido do espaço, já que a educação fica muito mais prática com a ajuda dos LD, mas isso abriria uma outra discussão no cunho da educação). 

Posso morder minha língua, pois ainda não estagiei em biblioteca escolar, mas defendo sim o LD e sua grande importância de fonte de pesquisa escolar e acadêmica.



sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

dando tchau, tchau, tchau pro estágio

Assim como a musiquinha grudenta da Vovó Mafalda, estou dando tchau para essa biblioteca linda onde me firmei como pessoa biblioteconômica (???). Não, não irei viajar porque isso é coisa de bibliotecárix ryyyyyyycxxxxh e famozxxxxx, então resolvi gravar um vídeo sobre a despedida.

Para aqueles que estão tentando entender o que quero dizer, é porque faz cerca de 2 dias que não durmo direito, logo o discurso tá meio fuén-fuén balão furado: 


Ano que vem estarei em outra escola da Rede Municipal, por mais 6 meses e a notícia não me deixou muito bem durante esses dias. Sim, eu sei, a oportunidade é ótima, novos ares, coisas novas, mas mesmo assim eu e mudanças? Não nos adaptamos bem de cara.

Agradecendo à escola que me acolheu tão lindamente desde o começo, por entenderem que dar voz aos alunos é bem mais importante que seguir o status quo, que tudo se resolve no diálogo, que as peculiaridades são preciosidades e que colocar um violão com cordas na hora do recreio faz milagres com alunos bagunceiros. 

No resumão? Sei lá o que tou sentindo, mas aqui vai ser o meu marco inicial de toda a bagagem que vou levar pro resto da minha vida nessa carreira.

Há o problema do workaholismo também. Fiquei parada por muito tempo no começo do ano por conta da perna, meu ritmo de trabalhar foi quebrado justamente quando tava começando a produzir bem e aí houve o trem da dedetização que parou por quase 2 semanas e bem... Eis o motivo de não conseguir dormir direito!

Final do ano sei que estarei uma pilha básica de produção e vou ter que direcionar pra algum lugar - e não vai ser para o acadêmico pelo jeito.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

bibliotequices no ritmo contagiante dos memes

Eu já sei que não presto pra muita coisa, mas hey! Pra escrever eu consigo bem! e fazer memes e paródias! E não levar à sério tanto a Realidade Estática ou eu tenho um tréco antes de chegar aos meus 40.

E já que a vida é cheia de tragédia e bodes amarrados na perna, bora lá fazer piada?
Agora é só cantar comigo, vamos lá:

"A CDD,Tabela de Pha, Otlet, CDD e CDU,
tem a AACRDox,o BibLivre,Vixi..."
(Repete 2x)


Debaixo do link, mais memes do Ranganathan. Surpresinha para o Mistah Melvil aqui:


[DISCLAIMER: pode usar à vontade, nem precisa creditar, sem medo de ser feliz, porque esses caras estão mortos, eram super felizes na Biblioteconomia e com certeza gostariam que as gerações futuras soubessem do bem que eles fizeram para o mundo.]