Pesquisando

sábado, 26 de maio de 2018

[interlúdio] as vibrações amanteigadas da vida


You're looking at me like I'm preyed upon
I'm gonna give in to you
Anything more and it's game on
Have you ever been in love

I've been sleepwalking the corner of hypnotised
I'm gonna give in to you
I couldn't help it even if I tried
Have you ever been in love

Playing in the garden of glorified
Sleepwalking the corner of hypnotised
Loving in the rubble of a landslide
Waking in the wonder of a sunrise

You're the something on my mind
Butter flutter in my breast
You're the something on my mind
Butter flutter in my breast

I've got a fear I'm running out of time
I'm gonna give in with you
2016 never felt so fragile
Have you ever been in love

We're playing in the garden of glorified
Loving in the rubble of a landslide

You're the something on my mind
Butter flutter in my breast
You're the something on my mind
Butter flutter in my breast
The Corrs "Butter flutter" - Jupiter Calling (2017)


Quando seus códigos de conduta pessoal não te permitem ir muito além daquilo que é esperado em situações específicas. 

Isso e o medo quase irracional de falhar novamente em me conectar emocionalmente com qualquer pessoa.

"Mas tem que se arriscar, melbeim!Viva a vida!!" - diz uma vozinha bem fininha lá no fundo da cachola.

*quede o emoji de dedo do meio hein*

domingo, 20 de maio de 2018

o balanço da primeira semana

Ao que tudo indica, em 7 dias alocada em nossa morada, houve uma sessão descarrego no Zé Bunito e ele mudou da água pro vinho. Ver os dois gatos se entendendo tão bem, brincando, zoando, fazendo trapalhada e descobrindo novos cantos e jeitos de nos deixar desesperadas está sendo incrível.

O frio não tá ajudando, óbvio.
Todo mundo no estágio intensivo com Morfeu no meu quarto, pois é o local mais quente da casa.
Sério, mantenho esse local o mais protegido de friagem possível, pois a vida lá fora é cruel e gélida.
E NO MEU QUARTO É MODO ACIMA 26º GRAUX MODAFÓCA!

Tá rolando edredon com cheirinho gostoso de amaciante e secado ao sol, tá tendo modo analógico ouvindo CD em mini system de 2001, já rolou lágriminhas de nostalgia ao ver fotos minhas da década de 90 do século passado e também teve um alagamento básico por distraimento de água na máquina. Uma caixa de livros foi atingida, justamente a que tinha as primeiras edições de Rurouni Kenshin e Chobits.

Era pra entrar em pânico full mode?
Yep, mas convenhamos? 5 leis de Ranganathan na cabeça e respirar fundo, botar os encharcados na frente do aquecedor e esperar milagre. 

Há as dores também.
Elas voltaram com tudo. L5 e L6 estão fazendo campeonato de screamo nessa banda trash da minha coluna vertebral, nada que analgésicos não resolvam e paciência. Não adianta perder a calma dessa forma. 

A vida acadêmica tá sendo uma fucking bagunça, as usual. Teve barraquinho em postagem biblioteconômica como sempre e agora resolvi abstrair de um bocado de coisa pra não perder o fio da meada. Afinal de contas, foi exatamente isso que era o objetivo quando decidi ano passado voltar a morar com minha mãe novamente. Os 5 anos que fiquei longe dela nos ensinaram pra cacete como é difícil a convivência e os limites de uma e outra, mas acho que o que mais tá sendo surpreendente é o fato dela ter mais tolerância e eu mais calma.

Tudo que era preciso era um alinhamento de frequências de rádio.
Tá rolando isso também. Cada uma respeitando o lugar da outra e tomando conta da outra na questão de bem estar e saúde. A cabeça também tá ficando menos pesada com os pensamentos, o que agradeço imensamente, pois não preciso mais entrar no modo overthinking desde que estou dentro do busão voltando pra casa, o medo de estar sozinha em um lugar que não me dá mais segurança e plim, plim, saber que meus gatos estavam incomodados pra caramba com o confinamento.

Aqui pelo menos todo mundo tá fodido, mas se diverte.
(Referência #SddsOrkut)

Então tá indo bem, primeira semana okay.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

[bibliotequices] tentando explicar o que faço pra galera da adm

Com essa imagem e o que aprendi durante 4 anos na Biblioteconomia, consegui escrever um textão sobre "Abordagem Estruturalista" exemplificando como brotam os livros nas estantes de biblioteca especializada de campus onde transito. Sim, algumas informações foram modificadas, links omitidos, porque pessoas pra puxar o tapete tem aos montes, logo substituí por texto parecido. Não quero levar bronca por falar assim tão informalmente sobre o orgulho da nação biblioteconomista da UFXQ.

O público-alvo é a galera que faz Teoria da Administração comigo, então assim, óbvio que foi bem estranho. Porque revendo o que fazemos para os livros "brotarem" é realmente estranho pra cacete alguém de fora perceber/ler/verificar. É, vale nota modafóca!

(Obrigade meu Rangs nos Céus do Paraíso Bibliotequêro por me abençoar na Referência...)

Ou como gostaria de colocar como subtítulo, caso isso virasse um artigo despretencioso: O que acontece quando você odeia estruturalistas e faz autorreflexão sobre sua própria profissão e tem que explicar para alguém de fora o que você faz sem autodepreciação.

AQUI VAI! Se tá totalmente correto ou não, pelamoooooor tou tentando explicar algo que nem é 10% o que realmente fazemos por lá.

Se alguém já se perguntou alguma vez como os livros chegam lá na BU pra gente ler, eis aqui a oportunidade de saber um pouquinho da Estrutura altamente burocrática e plim, plim beeeeem parecida com a "Abordagem Estruturalista".


[...]
Já avisando que o texto é textão, mas tem piada interna. E também porque não sou de escrever como os burocratas, então garanto que vocês não vão enjoar, sério! 



Da onde falamos - BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFXQ!! COMO OS LIVROS CHEGAM LÁ?!
(Cês já perceberam que ela fica NO MEIO do mapa da UFXQ? Todos as estradas levam para a BU, eba! Isso também é culpa do estruturalismo que a organização segue, já que a BU é uma parte do maior, mas também essencial para essa parte maior funcionar corretamente)


quarta-feira, 16 de maio de 2018

medidas drásticas

Começa com um leve distraimento de palavras, uma falada que soa arrastada, talvez nervoso, talvez dificuldade em se expressar devidamente (afinal tenho simpósios inteiros dentro de minha cabeça antes de abrir a boca sobre qualquer coisa). 

Aquela sensação de "acho que estou esquecendo de algo?" vai subindo aos poucos, como uma aranha de muitas pernas afiadas, mas cuidadosas em seu andar. O foco então é então aumentado, como um estalo estático de pura adrenalina direcionada.

Prestar atenção em tudo ou apenas em um detalhe? 

A ansiedade decide na hora. 
E dói a escolha por não ser a outra. 
A ansiedade escolhe, mas também me convence que a outra opção também era válida. 
Meu cérebro discorda dessa premissa. 
É impossível, nesse estado semiacordado, manter a atenção em duas coisas totalmente opostas. 

Logo a aranha de muitas pernas, afiadas em suas maquinações, fria em sua execução, decide o que está em jogo: a atenção tão forçadamente ansiosa ou sucumbir novamente as medidas de precaução. 

Medidas drásticas. 

Meu corpo e mente estão acostumados com esse tratamento de choque. Tá tudo bagunçado? Confunda tudo. Tá tudo desordenado? Crie mais caos. Tá tudo barulhento? Faça mais barulho até ensurdecer. Tá em seu pico de energia recuperada, mas é a ansiedade dando o ultimato: "Ou vai, ou vai!

Então a aranha, de grosso corpanzil denso, quente, coberto por pelagem tão enganadora para fingir conforto e tranquilidade, se deposita em meu peito. Devagar, lasciva, sem pudores, deita. 

Medidas drásticas. 

Minha cabeça tomba sob meus braços cruzados em qualquer superfície sustentadora. O mínimo zelo com a postura já arruinada, espinha de muitas injúrias, costelas de muitos resíduos, órgãos de muitos estilhaços. 

A próxima lembrança é nula. 
Se a aranha está ou não adentrando meu peitoral, entranhando entre meus pulmões e se alojando em meu coração fraco, não sentirei. É momentâneo. Um instante entre estar completamente em sua sã consciência, firme de suas faculdades mentais, em domínio de seu próprio corpo, essa máquina infalível até que se prove o contrário. 

Cerca de uma hora perdida. 
O que parecia ser momentâneo.
O que parece ser um piscar de olhos. 
Cinquenta e oito minutos malditos perdidos em algum lugar entre o Erabo e o limbo. 

Onde as almas dos adormecidos vagueiam, os proscritos se revezam, os que não mais pertencem a essa existência reinam. 
Onde os doutores tentam desvendar com os aparelhos de polissonografia, os cabos e as anestesias, os treinamentos exaustivos e a disciplina diária. Cinquenta e oito malditos minutos perdidos em um oceano invisível entre os vigilantes e os adormecidos. 

A aranha com tanto poder, espreme devagar meu fígado, libera líquido viscoso, nocivo, espeta com sadismo meu spleen. Acordar de um sono profundo, terror abrupto, perda de tonus muscular, escape da consciência, estado vulnerável. 

Medidas drásticas. 

A fúria irmã da mesma besta primitiva urra. Ira instintiva por situação tão delicada de sono repentino. 

Não será exaustão? 
Não será preguiça? 
Onde escondo a indignação? 
A vergonha pessoal? 

A aranha escarnece, ainda alojada em minha corrente sanguínea, pronta para ser expelida e voltar ao processo novamente: espreitar, vigiar, se arrastar e atacar silenciosamente quando esse corpo aqui não estiver pronto para mais outro ataque. 

É assim que me sinto quando caio no sono sem mais nem menos durante a aula.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

pausa pra mudança

Não sei quando volto, mas tou de mudança beacheeeees!
Sem tantos updates, porque a vida tá bem assim, cuidar de caixas, não encaixotar gatos, encaixar horas de sono com horas de arrumação.

E oh sim! Terminando Treme (HBO), já tive ataque agudo de fangaring com episódio 04x02 e a Aurora Nealand aparece tocando a minha música favorita, além de fazer um cameo com a banda rockabily dela ^_____^

Ah! aquele recadinho básico:

sábado, 28 de abril de 2018

[contos] euforia - fusão de mundos na era meiji


Oi como eu apelidei "aquela história de ninjas-zumbis-steampunkers-robóticos".



Chapters: 2/2
Fandom: Original Work
Rating: Mature
Warnings: Graphic Depictions Of Violence
Additional Tags: Alternate Universe - Steampunk, Zombie Apocalypse, Era Meiji, Feudalism
Summary:

Em um lugar ermo do sul do Japão Feudal, uma misteriosa doença atinge os habitantes do Distrito de Shimonoseki.
Uma pequena missão aliada ao governo japonês é enviada para resolver esse impasse.

[bibliotequices] tô estudando prá saber ignorar

[Essa postagem foi feita no Facebook após um dia nada promissor sabendo das peripécias da vida acadêmica de certo departamento de certo centro de certa universidade de megazords. E aí foi juntando tudo que já presenciei no Movimento estudantil dentro do dito lugar e plim, saiu isso aí. Ah! o título é um pedaço da letra de "Tô" do mestre Tom Zé.]

EDITANDO: O Chico de Paula da Biblioo entrou em contato comigo e postou o meu texto no Portal no dia 8 de maio. Tou super feliz por isso, a Biblioo é um dos principais sites referência sobre Biblioteconomia :)

A insônia não costuma ser minha amiga, mas de vez em quando ela aparece, e joga assim na minha cara uma pergunta muito horrível: até quando a gente vai parar de formar gente acéfala e insensível com os problemas da profissão?

O que me faz perder o sono durante esses 4 anos de Biblioteconomia é de saber por A + B que estamos formando um bando de gente sem noção política ou preparo crítico para entender o quanto a profissão é uma responsa do caramba. O quanto a gente faz diferença. O quanto aquela besteira de "conhecimento é poder" é levada à sério por quem comanda as engrenagens.

É de perder o sono sabendo de bancada de professor proibindo participação estudantil em espaço de direito dos discentes, garantir status e reputação, mas não qualidade de ensino pros graduandos. E aceitar passivamente isso, como se nada tivesse acontecido (Sorria e acene).

É de passar mais um semestre vendo outra formatura e torcendo que pelo menos metade ali cumpra o tal do juramento (Que precisa ser reformulado, pelamoooor) e seja bibliotecário, e não reprodutor de ideologia do comodismo, ou tome aversão pela profissão, ou virem cães de manutenção do sistema.

É de às vezes estar na aula, olhar ao redor e me perguntar: será que isso tudo vale a pena? Esse espetáculo? Essa encenação de que tá tudo bem, porque lidamos com a informação (mentira, lidamos com gente, a informação é uma ferramenta do nosso trabalho), logo o futuro é nosso. Essa invencibilidade imbecil.

É de ainda lembrar de conversa de corredor com tapinha nas costas pedindo para não mexer com isso (pensar demais sobre a graduação, a situação de nosso curso, a sanidade de nossos colegas), porque não é da minha alçada. Seguir a hierarquia. Sit, junto, sentado, calado.
(Sim, tive coragem de citar Kelly Key.)

O que me faz perder o sono em 4 anos de Biblioteconomia é ver que tem gente tão legal fazendo algo substancial e não podendo voltar pra universidade pra dizer como foi e como uma ação de bibliotecário pode mudar a vida das pessoas. É saber que esse pessoal sequer quer voltar pra esse lugar tóxico que tem se tornado com tanto estrelismo, disputa de egos e invisibilidade de temas extremamente urgentes e relevantes pra sociedade.

E quando tem conta atrasada e dilemas existenciais, também perco sono. 
Mas esses motivos ali em cima? São os que não dá mais para engolir e deixar quieto. Continuo perdendo o sono, fazer por onde tá vindo...

quinta-feira, 26 de abril de 2018

devagarinho prá poder caber

O cuidado consigo mesmo é algo que se conquista com alguns entraves e engasgos. Mais tentativas e erros que acertos. Até chegar a uma fórmula ideal de manter a calma, ser paciente, estar em equilíbrio. Enquanto essa hora não chega, o que faço? Sim! Escrever é a única terapia gratuita que vem me ajudado por anos.


Debaixo do link, coisas para não me esquecer e sem alarmes e sem surpresas.
(OK computer é o álbum mais fodástico do Radiohead)

quarta-feira, 18 de abril de 2018

[bibliotequices] sobre leituras, pesquisas generalizadas e grandes negócios

Já havia falado um pouco sobre minha indignação sobre incentivo a leitura que a maioria costuma postular junto à meritocracia da sociedade contemporânea (como se fosse algo novo!) e a mea culpa dos bibliotequero nas parada.

A máxima que mais escuto e leio é aquela do "Brasileiro não lê" e aí que sobe o sangue congelado pras ventoinhas. Vamos ser realistas que a vida costuma ser mais fácil de entender assim do que ir pro fatalismo ou pessimismo.

Quando alguém diz que brasileiro não lê podem estar pautados em dados estratégicos de certa pesquisa de certa entidade em que certas editoras brasileiras (um conglomerado editorial por assim dizer) gostam de divulgar. E acham que estão fazendo um belo serviço pra sociedade ao estamparem o quanto somos prejudicados por "não estarmos lendo". Vou resmungar um pouco mais abaixo.

A certa pesquisa serve de parâmetro pra gente da Biblioteconomia, pois caracteriza nosso objeto de trabalho: o livro impresso.

O problema começa aí.
Debaixo do link tem aquele registro fotográfico da ação de ler em território nacional (Sim, isso foi eufemismo).


domingo, 15 de abril de 2018

[bibliotequices] qual é o plano afinal?

Para quem já previa que seu dinheiro iria boa parte para o transporte público e boletos (essa era eu em cartinha pra mamãe aos 11 anos), o plano até os 27 era continuar habitando esse corpo e residindo nessa existência. Quase 5 anos depois - e parece que tá dando certo - há os planos maquiavélicos de dominação mundial via estantes, prateleiras, atendimento no balcão e capacitação de leitores.

Aí aquela pergunta: O que vou fazer depois de formar.
Nada.

Isso mesmo.
Nada relacionado a graduação e pós.

Não está sendo saudável pensar em planos futuros quando se tem ansiedade na ficha de personagem e não quero estragar a minha entrada no mercado de trabalho formal com essa. 

Isso obviamente foi uma piada.

"Mercado de trabalho formal." diz Doctor Evil, meu vilão favorito. 

De acordo com as peripécias serelepe do golpista em comando, bibliotecário tá fodido de verde e amarelo, batendo panela ou não. Extinguiram cargos no governo federal no começo do ano, tão empurrando a lei 12.244 pra mais um tempo (e vão empurrar, empurrar, empurrar) e minha intenção de ir para uma biblioteca escolar pra tocar o terror está em primeiro plano. Então se era conseguir um cargo público, esquece que isso nunca esteve na cartilha, meu negócio é ir atrás de demanda antes dela virar gritante.

A intenção era formar (ano que vem, pelamoooooor! Não aguento mais aquele lugar), pegar minhas trouxinhas, ver um vagas em cidade do interior e ir. Apenas fucking ir e começar do zero como as pessoas que admiro uma vez fizeram e fazem diferença no curso, na área, no mundo. Aí que reside o sonho.

Poderia ser nos cafundó do brejo, sem acervo, sem nada, apenas por saber que há como construir algo do começo, com a comunidade, com quem precisa mais, essa era a missão quando entrei e continua sendo até agora. E porque eu cresci com Lego, logo improvisar do nada é algo que o progenitor providenciou sem saber na minha índole. McGyverianismo na Biblioteconomia deveria ser disciplina obrigatória.

Medo? Disso não.
Mas falta de oportunidades pra fazer por onde, sim.

Bora ver como fica até final do ano e tratar de me concentrar em planos que viabilizem uma formação mazomeno adequada. Ficar em capital é pedir pra morrer, pois tá tão engessado que não dá pra imaginar fazer algo fora do quadrado sem ser punido. E isso já chega por 4 anos estagiando continuamente e levando porrada do sistema.

A pergunta que costumo receber - além do "Quando vai formar?" - é se vou pro mestrado. A recusa é automática, ficar em academia enchendo linguiça não vai ajudar as coisas melhorarem lá fora.
(E gente, não sei se vocês perceberam, mas tá bem feia, a coisa lá fora)

Passar 4 anos em uma graduação que escancarou não só a deficiência do sistema, mas nenhuma preparação para combater várias formas de exclusão social, trazer cidadania pra quem nunca teve nada do governo e subverter o status quo. Afinal de contas a gente tá aprendendo pra servir a sociedade ou tamos ainda presos no modelinho besta de satisfazer as próprias vaidades? Perder essa oportunidade para me enfurnar em mais aulas, artigos, colóquios, monólogos, pisando em ovos pelos egos já fragilizados pelo mesmo sistema que o criou e nutre?



Que tipo de vida é essa, por Rangs? 

Será que é vantajoso se estropiar por um lugar ao sol em um lugar que obviamente não quer a sua inovação, mas sim sua resignação? Ah, mas ter títulos conta mais em provas de concurso! Quem disse que estou falando de concursos?!

Geral cismando com concurso como se fosse a salvação do mundo!

Existe algo que é possível de se fazer, legalmente, dentro das normas, e indo atrás das fontes e pessoas certas. É, isso mesmo que costumamos fazer cara de nojinho, o tal do empreendedorismo. Que na verdade é uma palavra bonitinha pra outras áreas acharem que tão abafando, mas que sempre teve por aí. ONG se vira nos trinta fazendo isso informalmente a torto e à direito.

Entrar com projeto em uma ONG ou se envolver com uma Associação já é um começo. O trabalho é demorado e botando tijolinho em cima da argamassa direitinho. É pra fazer algo sustentável, durável, sociável, e dá sim pra fazer com um cadinho de perseverança e teimosia. O que dava pra fazer enquanto estava trabalhando em uma ONG anos atrás abriu meu olho pra isso, há como fazer, com quem fazer, só falta tutano pra fazer.

E aquele treco de "amar o que faz" que ajuda bastante ao acordar de manhã.

Fico encafifada de entender o tal do empreendedorismo social e Biblioteconomia social. A minha visão desses 2 conceitos são englobadas em qualquer atividade voltada para favorecimento da sociedade civil, então não concordo em colocar o "social" ali. 

Se não tá fazendo Biblioteconomia para melhorar a sociedade onde vive, tá fazendo errado. 
Ou deveria estar engenharia da produção. 
(Eis mais outra piadinha infame para culpabilizar um curso nada a ver com nossa atuação)

Volta e meia vejo pessoas fora de nossa área realizando um trabalho exemplar em prol de bibliotecas, leitura e produção de conhecimento para quem realmente precisa e a gente aqui, babaquinhas, olhando pra paisagem como se não fosse nossa responsabilidade ajudar essa galera determinada, em não tentar fazer algo parecido, em não se esforçar pra honrar o diploma.

Será que tou cobrando demais de uma profissão que em cerca de um século de existência em território tupiniquim, regulamentada há 58 anos e que não acordou pra cuspir ou simplesmente quer se manter neutra de tudo pela comodidade do status quo?! Devo, mas gente, somos um bando de acomodados, hein?

Um mestrado teria que ser fora desse eixo estranho que se desdobra a minha área cheio de caminhos, mas vazio de práticas sociais. Se manter na pós também é algo submisso demais para minha já submissão. É o cúmulo do absurdo pensar que depender da aprovação de um departamento para validar minha proposta de trabalho. É mais nonsense ainda saber que pra torcer o nariz tem um monte, pra colaborar nem pensar.

Que as estrelinhas da Scopus fiquem com vocês, chuchus.
Há mais nessa vida além do sufocante internato da universidade.