Pesquisando

sábado, 24 de junho de 2017

[bibliotequices] teoria e prática drástica

A gente faz uns paralelos na vida para poder ter uma noção do que deve fazer ou não enquanto se atua profissionalmente. Por exemplo: volta e meia questiono o que raios tou aprendendo nas aulas que vá de certa forma contribuir para 3 pilares da minha atuação:
  1. o que tou aprendendo vai ajudar a pessoa que atendo mais rápido, com eficácia e satisfação?
  2. o que tou aprendendo tá facilitando o meu trabalho para o item 1?
  3. o que tou aprendendo é RELEVANTE para aquela situação e não só uma sofisticação besta que será usada 1 vez só e pronto, acabou?
O que pesa mais aí: o que tou aprendendo vou conseguir repassar para outra pessoa - leiga ou não - em um futuro próximo para ela poder aplicar as mesmas teorias na prática?

Porque bibliotecário tem dessas coisas de guardar os pulos dos gatos para si, de não compartilhar informação uns com os outros porque acham que vão puxar o tapete deles (E vão, acreditem), ou sei lá, medo de se tornar obsoleto por inovar em alguma coisa e não ser significativo no final das contas (E acontece). Por isso a gente apela em buscar identidades e funcionalidades em outras áreas, porque a nossa essencialmente não é para se tornar especializada NELA MESMA (Parnasianismo Biblioteconomístico?), mas sim o integrar sempre as áreas em que estamos nos dispondo a trabalhar, atuar e auxiliar.

Então quando saio de um semestre que aprendi cerca de 5 ou 6 ferramentas vindas de áreas diferentes da minha (Administração principalmente), não estou negando a minha fidelidade aos preceitos de Ranganathan (Até porque o patrono da Biblio era matemático), estou aplicando um conhecimento fora da minha esfera para solucionar um problema da minha alçada. Não há vergonha nisso.

O trem começa a ficar confuso quando a gente se esquece do porquê tá fazendo aquilo. O motivo, o objetivo, o que se espera alcançar. vejo muito essas ferramentas serem aplicadas para processos de alguma coisa, e não para "no final é pra ajudar todo mundo e conseguir paz mundial". Aí que começa o parnasianismo biblioteconomístico, uma coisa que ~ahem~ certo outro curso¹ que sempre se infiltra em nossa área gosta de fazer ad nauseam.

Por isso não entendo o que raios eles fazem da vida.
Por isso pergunto sempre o que eles querem no nosso curso, porque não tá explícito.

É pra ganhar dinheiro?
É pra render mais capitalmente?
É para produzir mais e ter estrelinha bunitinha de órgãos de regulamentação científica?
É para ajudar em processos intrínsecos de nossa profissão, mas ao mesmo tempo fazendo ponte com teorias de outros cursos/áreas para melhorias dos meus processos?
Tudo bem, gente, não precisa ser a paz mundial, a democracia do conhecimento científico ou a vontade de mudar o mundo, pode ser dinheiro mesmo, pode ser status, pode ser o que vocês quiserem, só preciso entender o que raios fazem para ficarem num looping eterno no processo e não resolverem nada.

Debaixo do link, mais considerações.

[bibliotequices] óticas sobre ética profissional

As aulas de História levantam alguns momentos épicos de verificar a estabilidade ética d@s graduand@s desse curso tão aclamado. Já avisando que são deliberações sem qualquer objetivo de estabelecer opiniões e todo o jazz de discurso já feito. Essa postagem é feita justamente para levantar questionamentos, favorecer reflexões, essas coisa chata de gente que filosofa.

Afinal de contas, onde vamos buscar os ditames éticos de nossa profissão? Temos nosso Código lá do CFB - entidade maior de representação de nossa categoria - com as seguintes palavras.

SEÇÃO II – DOS DEVERES E OBRIGAÇÕES
Art.2º - Os deveres do profissional de Biblioteconomia compreendem, além do exercício de suas atividades:
e) contribuir, como cidadão e como profissional, para o incessante desenvolvimento da sociedade e dos princípios legais que regem o país 
Art.7º - O Bibliotecário deve, em relação aos usuários e clientes, observar as seguintes condutas:
a) aplicar todo zelo e recursos ao seu alcance no atendimento ao público, não se recusando a prestar assistência profissional, salvo por relevante motivo;
b) tratar os usuários e clientes com respeito e urbanidade
Art.8º - O Bibliotecário deve interessar-se pelo bem público e, com tal finalidade, contribuir com seus conhecimentos, capacidade e experiência para melhor servir a coletividade
SEÇÃO III - DOS DIREITOS
Art. 11 - São direitos do profissional Bibliotecário:
a) exercer a profissão independentemente de questões referentes a religião, raça, sexo, cor e idade;
Nota para essa citação: Publicado no Diário Oficial da União de 14.01.02, seção I. p. 64

Para o Ensino de Ética nos cursos de Biblioteconomia, temos:
 - Considerando que a educação do bibliotecário deve ter como uma de suas finalidades o colocar-se a serviço da sociedade;
 - Considerando que é responsabilidade das Escolas de Biblioteconomia a formação de profissionais conscientes de responsabilidades para com a comunidade;
 - Considerando, ainda, que só assim os estudantes de Biblioteconomia poderão interpretar e ter consciência dos princípios éticos inerentes à profissão a que se dedicarão;
Nota para ambas as citações acima: negrito são grifos meus pra gente não perder o fio da meada.
Aí quando falamos de pessoas em situação de risco como os sem-teto ou situação de rua, como o eufemismo gosta de quantificar nas pesquisas, temos essas nuances passando entre moralidade, valores pessoais e ética profissional.

Quando você apela para uma dessas na tríade, vai haver consequências a se responsabilizar e arcar. O Código Ético da profissão diz isso aí, cumprir é imprescindível de acordo com a Lei e da teórica ufanista romântica noção de que se respeitando as leis, o mundo se torna lindo e maravilhoso. Então se eu colocar o Código de Ética ACIMA de qualquer outra instância que codifica e formaliza a minha vida particular e sim a minha vida pública e profissional, haverá treta.

E NÃO TEM COMO FUGIR!
Então você, bibliotecári@, estagiári@ em uma unidade de informação, que se depara com pessoas em situação de rua e vai fazer o seu trabalho conforme seus preceitos morais ou valores pessoais, automaticamente estará saindo do Código Ético Profissional, lei promulgada por uma categoria em que você pertence, outorgada por autoridades da sua área, logo o que isso cheira?

Subversivo né?
Infringindo lei é?
Marginal?
Desrespeitando todo um conjunto de leis explícitas que todo mundo tem acesso e pode julgar como irregular passível de punição profissional e por que não criminal?

Então voltando a pessoa em situação de rua que frequenta a unidade de informação em que você atua. Ela está ali, ela existe, ela cheira diferente do que você está acostumado em sua posição de privilégio e normatividade, ela se comporta de forma fora do seu entendimento discursivo, ela utiliza aquele espaço pretenciosamente democrático para ações que estão fora da sua ideia de percepção em uma biblioteca (tipo realizar higiene pessoal no banheiro da biblioteca, porque guess what? Ela não tem onde tomar banho, lavar o rosto, ficar água potável - usa drogas naquele espaço íntimo e privativo por X razões que NÃO ESTÃO na sua alçada de compreensão da psique humana e vivência na realidade em que você habita), o mundo lindo e maravilhoso da ética profissional rui em um segundo.

O que fazer? Opções mais óbvias?
  1. chama a Polícia
  2. chama a segurança da instituição (que com certeza vai pro item 1)
  3. se apavora e deixa seja lá que o cara tá fazendo e reza pra todos os santos/deuses pra ele não voltar mais
  4. chama a Polícia
  5. respira fundo e vai encarar a pessoa e saber o que raios ela tá fazendo ali
  6. entende que sua função como bibliotecário não é pra ser babá de morador de rua
  7. já disse sobre chamar a Polícia?
  8. revê seu papel no mundo naquela situação, calça (???) as calças da alteridade e vai ajudar o camarada a entender que há lugares e lugares. Tomar banho no lavabo do banheiro de uma Biblioteca ou usar drogas ali não é adequado. dar essa informação, por mais idiota e óbvia que seja pode causar alguma aproximação ou hostilidade.

A treta vai sendo ampliada com as definições mais generalizadas sobre essas 3 coisinhas ali que vou citar daqui a pouco - isso dá uma briga ferrada no campo das Ciências que você não faz ideia. As reações da lista acima são possíveis em cenários diversos, mas o que pega é o embate entre:
  1. valores pessoais (essa porcariada toda de bagagem que você construiu durante sua vida como caráter e personalidade)
  2. preceitos morais (outro bagulho entulhado na sua mente, corpo e coração que a sociedade e cultura em que você está inserido enfiou por goela abaixo)
  3. ética (o conjunto de 1 e 2, MAIS a ruminação do que é o mais acertado a se fazer na hora)

E acertado é garantir que o indivíduo citado esteja resguardado de seus direitos de cidadão AND amparado por um Código de Ética Profissional que fucking assegura os direitos dele e os seus de agir conforme uma normativa blá-blá-blá chancelada pelas autoridades e blá-blá-blá.

Essa violação de conduta profissional por não entendermos onde 1 e 2 estão sendo usados ACIMA de 3, já que por teoria 3 deveria ser a prioridade. 3 é a regra geral, 3 por mais falha e nonsense que possa parecer em situações como essas descritas ali em cima (do sujeito fazendo coisa que não deve em lugares que não correspondem aquele tipo de comportamento), prevalece. Por quê?

Porque ter um Código Ético Profissional é um norte de qualquer  dúvida que você tenha sobre sua atuação profissional. Ética, nesse caso, traz a noção de interpretação e reconhecimento que você, como bibliotecário ou estagiário ESTÁ ENQUADRADO a assumir que vai se comprometer a obedecer o que o Código diz. A pessoa em situação de rua fumando crack no banheiro ou outro lugar da biblioteca está ali por uma razão, uma razão que não está sob seu controle ou ter o poder transformador de fazer um milagre.

Esse não é o ponto.
Você não vai salvar a vida do camarada, não é essa a intenção, não é a garantia que o Código dá para você atuar sobre o problema. É como você vai usar esse problema para conscientizar a pessoa que ali, naquela biblioteca, tem opções de uso de seus serviços para ficar informada que o que ela tá fazendo não condiz com a função real de uma biblioteca.

Você tem opções de como fazer isso de forma adequada ou de não.
Chamar a Polícia ou qualquer outro órgão com essência repreensiva não será a solução mais legal do mundo, acredite. Ter o telefone de um albergue de passagem, órgãos de defesa aos direitos de pessoas em risco (CRAS, CREA, SEMAS do seu município) é uma opção ambígua - pois não há garantia se o milagre pro camarada vai acontecer assim lindo e maravilhoso como a gente quer.

A opção que o Código nos dá é respeitar e informar. E apenas isso. Fazer com sensibilidade ou não vai dos preceitos morais e valores pessoais de cada um. Ou não. Posso ser uma babaca há 200 metros fora do meu local de trabalho, mas continuar o meu trabalho eticamente perfeito de acordo com uma legislação que me prediz a fazer isso.

Exemplo pessoal: o meu valor pessoal é questionar até o cansaço qualquer pessoa que vier falar de religião no balcão. Essa é a minha ótica de encarar o assunto religião. Cristão, budista, umbandista, wiccan, maçom, eu vou questionar, está intrínseco a minha pessoa, a curiosidade e a petulância de querer fazer a pessoa pensar duas vezes antes de querer dar lição de moral através do uso do discurso religioso me é tentador, querer saber mais sobre essas opiniões tão diferentes da minha também terrivelmente tentador. Mas essa curiosidade mórbida pode não ser uma boa coisa para o sucesso de atendimento com acesso a informação imparcial e condizer com meu dever como bibliotecári@ ou estagiári@ ali naquele momento.

Meu preceito moral é respeitar qualquer um que professe sua crença no balcão ao querer pesquisar sobre algo nesse assunto. Isso não só está no meu valor pessoal, mas também de visão da religião como o religare, a conexão de pessoas e um sentido plausível e aceitável pra pessoa viver em harmonia com o universo. Mesmo que você acredite que um alien chamado Xenu forçou milhares de almas a serem jogados em um vulcão e essas "almas" foram transmigradas para corpos dos primeiros ancestrais dos homo sapiens¹.

Minha ética profissional é esquecer as duas coisas ali e dar informações pra pessoa sem distinguir sexo, gênero, religião, cor da pele, se ele é fã de gatos ou cachorros ou se ele é capelão militar questionando severamente o porquê haver só 2 bíblias na unidade de informação. A Ética Profissional que eu JUREI ao pegar aquele canudo roxo simbólico de tudo que estudei e prometi em proteger, preservar e tudo mais, isso eu DEVO cumprir. Lembram do Juramento da Profissão?

"Prometo tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de Bibliotecário, fundamentado na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana"

E serei bem honesta: a 200 metros da biblioteca eu sou e estou na minha visão de mundo dos 2 itens de valores pessoais e preceitos morais. E a minha ética no reinterpretar esses dois itens em outro espaço de convivência é outra. Dentro da biblioteca, essa instituição fluída e subjetiva, não construto cheio de estantes e livros, sou eticamente responsável por um tipo de reação/ação sobre situações como essa. Lá fora, na rua, em minha casa, entre amigos, dançando ula-ula dentro do busão 221 de Canas, a ética muda. A forma de se enxergar a Ética Profissional muda.
Eu encheria o capelão de perguntas ou ficaria em silêncio?
(Militar, com carteirada do Exército, porte intimidador e já largando que não viu Bíblias suficientes na biblioteca? Óbvio que seria silêncio, isso se chama autopreservação, algo que a Ética Profissional não vai conseguir ter condições de me dar instruções sobre o que fazer quando sinto que estou sendo repreendide por algo que está fora do meu alcance)

Diferenciar o público do privado. Estabelecer limites, linhas imaginárias, por mais aproximadas que estejam, traçar fronteiras do quem eu sou e o que estou fazendo.

Aí chega numa parte do artigo sobre Ética na Wikipedia e essa passagem quebra os raio da bicicreta:
A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos.
Será que tou conseguindo ser coerente no que estou escrevendo?

Se a Ética Profissional é a lei maior em uma categoria profissional, por que ainda insistimos a ir primeiro pelos valores pessoais e preceitos morais?

Será que o Código de Ética está mesmo abraçando todo entendimento de Humanidade que devo conservar ao atuar como bibliotecário em situações como essas?

Vou mais além, será que a atuação profissional deve ser pautada em valores pessoais (e a linha tênue entre confundir cada item com outro é tão perigosa, gente) e preceitos morais para DEPOIS haver uma construção coletiva sobre a Ética Profissional do bibliotecário?

Será que a gente risca isso tudo é só obedece o Código de Ética?

Não risca nada e continua a atuar conforme a própria consciência?
(Ou essa noção ilusiva do que é a própria consciência)

Para mais informações, pelamoooooor parem de ser passivones da vida e leiam:
RESOLUÇÃO No 153, DE 06 DE MARÇO DE 1976 - Dispõe sobre o ensino de ética bibliotecária

~Le Legislação Básica de nosso trabalho - Conselho Federal de Biblioteconomia.

~Le juramento da Profissão - RESOLUÇÃO Nº 6, DE 13 DE JULHO DE 1966

RESOLUÇÃO CFB N.º 42 DE 11 DE JANEIRO DE 2002 - Dispõe sobre Código do Ética do Conselho Federal de Biblioteconomia.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

[bibliotequices] ainda não entendi!

7 semestres.
3 anos e meio.
2 crises existenciais.
1 crise de querer mudar de curso.
E até agora não descobri o que fazem os engenheiros da produção, gente.


Ainda não saquei o que eles querem da vida.
Ainda não entendi o que eles acham que tem que se enfiar na Biblioteconomia.

Ainda não compreendi que quando se metem é para fins nada felizes dentro do curso.
Ainda tou ruminando o porquê deles não terem achado algum outro lugar melhor (Sei lá, curso que dá dinheiro e prestígio, sabe?) para se alocarem.

A única coisa que encontrei de informação relevante é que eles são igualmente evitados nas outras engenharias. O que não ajuda em nada na melhoria da percepção desses incautos transeuntes da Biblio.

Botando Moz pra ilustrar, porque a situação pede

domingo, 18 de junho de 2017

[bibliotequices] esquete #1 - DR na biblioteca


O roteiro tá pronto, só falta aquela vontadinha linda de botar em execução, achar gente pra atuar, pagar mico, ter um cenário, fazer cenografia, ter financiamento, eeeeeeeeh eita trem:

cenário: balcão da biblioteca
Silêncio constrangedor 
Bibliotecári@ olha ao redor e pigarreia


 - Barcelos, a gente precisa conversar...
 - Iiiiiiih...

Alguém vestido como uma Enciclopédia Barsa
(Papelão talvez? Muita cola e cartolina?)

 - Eu sei que a gente tem um relacionamento de anos e muita coisa mudou entre a gente...
 - É aquele papo de que sou velho demais pra sua coleção?
 - Não, não é isso... É que...
 - Que minha versão tá desatualizada desde 1985? É isso?
 - Entende que pra aqui, onde a gente se encontra, não posso ficar com você... As pessoas vão falar...

Barcelos levanta a voz

 - Falar o quê? Falar o quê? Que não sirvo mais pra consulta? Que não tenho verbete coloridinho com essas firulas de adolescente clicando em link?
 - Não, Barça, a gente não tá dando mais certo...
 - É isso, cê vai desistir de mim...
 - As pessoas, elas tão falando... Não posso mais ficar contigo desse jeito...

Bibliotecári@ olhando ao redor com certo constrangimento
Barcelos levanta no supetão e sai do salto

 - Vai se livrar de mim, mas não fica assim não!! Vou entortar essas prateleiras até você fazer reciclagem!! Vou falar pros dicionários defasados que tenho mofo até no miolo!! A nossa traça de estimação, fica comigo!!

Barcelos agarrando com carinho uma traça em tamanho gigante
Bibliotecári@ levanta indignad@

 - Não, a Adelaide não!! Não bota a Adelaide nisso, pelo amor de Ranganathan!!
 - Você vai me ver no tribunal!! Vou botar a boca no jornal do almoço!! Jornalista famoso vai reclamar do teu descaso por mim!!

Barcelos sai batendo pé e xingando coisas inteligíveis


Bibliotecári@ desesperad@


 - Não, pera Barcelos Mirador Britânico!! Volta aqui, vamos conversar direito!!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

[bibliotequices] sobre burnouts


Here I go, here I go...

Mente vazia, oficina da queridona Lady Ansiedade, do meu coração <3
Como mãe de todos os pavores, fico no aguardo pelo próximo momento lindo de dorzinha localizada. Os neurônios estão trabalhando em outras áreas pelo jeito. O legal de ter uma mente hiperativa é que mesmo quando tou lesada pela dor, vai vir coisa, sei lá, alguma coisa, tipo ontem foi ideia rápida e improvisada na apresentação do trabalho, até que deu certo - no susto, mas deu. O ruim de ter mente hiperativa enquanto se está com dor é que não dá pra executar as coisas que quer fazer. 

É um belo círculo vicioso dos Inferos pra enfrentar. E a Ira costuma vir junto.

A dor nas costas anda me fazendo relevar muitas questões na vida de escriba, até o ato de escrever já está se tornando um exercício difícil - a escrita entra como solução paliativa, um band-aid para uma fratura exposta, um "Calma, vai melhorar" - já que não posso ficar muito tempo sob meus quadris. Hips don't lie, o meu pelo jeito deve estar com uma ficha criminal bem extensa ou é fã do Pinóquio.

E aí escrevi um post angst ontem voltando no busão - porque a menininha mágica da Clamp caótica no meu sistema nervoso me lembrou assim que senti aquela fisgadinha delicinha no ciático - mas fui deletando as coisas mais blergh e coloquei piadinhas toscas e humor dos anos 90.

E uma história bem legal que ouvi/presenciei durante o estágio há uns 2 anos atrás.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Ao Dia do Consórcio, com carinho

Hoje foi dia de chá de cadeira, atrasos, máquina de ressonância magnética com altos ritmo de rave (tundz-tundz-tundz) e nem estou medicada. Sério, juro.

Aí para melhorar o final do dia tão especial, gravei um vídeo. Yep. Isso mesmo.


Para esse Dia do Consórcio, ops dos Namorados, aquela seleção de músicas bregas vai especialmente para vocês, amigolhes enfurnadinhes nas bibliotecas do Brasil-baranil, esperando por aquele encadernado perfeitinho que encaixa na prateleira sem sobrar borda, com cheirinho de papel novo e classificado corretamente.
Entre uma estante e outra, tamos aí, fazendo o seu dia romântico e tosco, mais tosco s2

Não pretendo quebrar nenhum copyright como s trechos das músicas, tou só promovendo um momento de nostalgia dos anos 80 trash com as baladinhas mais melosas do mundo.

Aliás, vocês sabiam que o 12 de junho, Dia dos Namorados (aka Dia de Santo Antônio) só é comemorado no Brasil e que no resto do mundo é dia 14 de fevereiro?! Já usaram o Google hoje para descobrirem o porquê disso?! Ah vai né, clica cá: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_dos_Namorados

sexta-feira, 9 de junho de 2017

[bibliotequices] ao centro acadêmico de biblioteconomia UFSC com amor

Vamos lá pro textão?
Vamos sim, porque tem que ter!!

Quando uma pessoinha querida me chamou pra participar de uma reunião do CAB - UFSC, eu não sabia que iria integrar um grupo de gente mais doida e ativista que já conheci na vida.
Eu não sabia no que tava me metendo, mas sabia o que queria: um curso melhor, um ensino melhor, mais respeito entre discentes e docentes, menos porrada estudantil na nossa cabeça todo semestre com falta de estágio, bolsa-auxílio, moradia, desrespeito com a nossa condição, queria que estudante fosse valorizado e também tivesse voz.

Foi aí que vi a enrascada em que havia me metido.
Movimento Estudantil é algo muito muito muito sério e difícil de explicar direito. Uma pequena vitória quer dizer um montão pra gente. Um sorriso novo na cara do colega que conseguiu passar pela dificuldade que tinha, dá vontade de crescer junto, de permanecer junto. É isso que o CAB me fez perceber durante 2 anos e meio no grupo.

Estar no CAB também me deu um tanto de dor de cabeça, muita cara feia, muito puxa pro cantinho no corredor pra ouvir asneira, muito aviso de "Cuidado com que tá mexendo" pela simples razão de querer fazer algo que ajudasse os estudantes, contrariando sei lá o quê a ordem cósmica da hierarquia universitária. Até onde entendo é a gente que faz esse trem funcionar, sem estudante em universidade, o trem não anda, cursos fecham, docentes são dispensados, programas vão pro limbo cósmico. Então não seria o mais lógico ter um pouco mais de respeito, cordialidade e atenção com quem tá ali pra aprender e fazer uma sociedade melhor? Parece lógico? Pretencioso demais? Otimismo?

Quem me conhece, sou fatalista do baraleo, penso em plano A, B e C antes de qualquer coisa e tento o máximo que posso pensar primeiro nos estudantes, na condição de ser estudante (O que sempre fui) antes de relevar esse tipo de coisa. Cada um do grupo em que estive durante esse tempo contribuiu de uma forma incrível e meio caótica para tudo funcionar não conforme a gente planejava (Nunca dá, né?!), mas de fazer o que dá quando a situação aperta, quando a vida nos dá limões e quer suflê de morango, quando tentam enfiar pelas nossas goelas que temos que ser pastelões de frango (Sem azeitona, porque a azeitona é "muito do social, é mexer com gente") quando na verdade tá todo mundo aqui querendo fazer o que pode e o melhor para ser bibliotecári@.

BIBLIOTECÁRI@, sacas?

Tá difícil.
Mas a gente tenta e tentar junt@s, no CAB, em entidades de representatividade da categoria, em grupos mais unidos, a gente alcança coisas inimagináveis (Menos a reforma do Bloco A porque é lenda urbana, virou mitologia, logo sendo enaltecida pra milagre, mas quem saaaaabe).

2 anos e meio de CAB me ensinou a respeitar mais do que as diferenças, foi procurar bem bem bem as similaridades entre os colegas para termos união quando o bicho pegava (E gente, o bicho pegava todo santo mês em reunião, desgastante!), quando a situação parecia pisar em nossas convicções como meros humanos, quando alguém caía e não conseguia levantar. Era na união, nos papos de corredor, nas conversas nas redes sociais, nos posts engraçados na página, nas chamadas para reuniões, assembleias e rodas de conversa: isso tudo tinha um sentido, manter eu, você, nós estudantes cientes que não somos babacas só querendo diploma e virar marionete do mercado (Todo o tipo de mercado, afinal "produtos nós já semus").

A gente tem voz, a gente tem força, a gente faz.
2 anos e meio de CAB me ensinou que dá sim.

Ensinou também que posso confiar em poucas pessoas, acreditar em algumas, observar muitas.  Observar pra não fazer os mesmos erros, observar para não cometer os mesmos insultos, observar pra me servir de lembrete, quando eu tiver em dúvida do que raios escolhi entrar nesse curso, seguir essa carreira, fazer o bem como bibliotecári@ lá fora. Tudo isso, até os pequeninos deslizes dentro e fora da sala de aula, tá tudo aqui registrado.
(Maldita memória imagética que não deixa escapar nada.)

Ensinou que união não faz só açúcar, faz pressão. Que união aumenta o volume da nossa voz pra quem quer nos deixar em um lugar de mediocridade e ignorância. União faz a gente estufar o peito mesmo tossindo que nem cachorro louco com esse clima doido aqui de Floripa e encarar seja lá o que venha na pedrada semanal de discursos desconexos. União faz a gente se sentir mais coerente e correto com o mundo ao redor. União faz a gente entrar numa sala pequena toda semana e nos sentirmos bem em falar o que quiser para ajudar o coletivo. União vai além de protocolo, camaradagem do tapinha nas costas com uma palavra ferina, da não-inclusão no que concerne a todos, no xarope amargo diário de palavras que nos descontentam em querer continuar o curso. União faz greve, faz #OcupaCED, faz aluno estar em pé igual a bambambam de hierarquia "maior". Todo mundo aqui no mesmo barco, não tem dessa não.

O CAB me ensinou a ser mais focada nuns trem que eu nem sabia que devia me focar. Me ensinou a militar de uma forma que só eu consigo fazer e também vivenciar colegas militarem por boas condições de estudo de uma maneira que nunca pensei que iriam fazer. Me ensinou a entender que nem tudo que eu quero pro curso, pros colegas, pro futuro da carreira, eu vou conseguir, mas me ensinou muito bem onde, como, quem, pra quê e porquê ir atrás disso tudo e com argumento lógico e decente o possível para que todo mundo se beneficie das parada. O tal do Ethos, saca? A gente esquece de lembrar das aulas de Ética e coisas relacionada a cidadania, social, humanidades - até porque elas minguaram, né? - esquece de dar uma olhada na nossa Legislação, esquece de ser cidadão.

O CAB me ensinou isso: ser cidadão.

O CAB me ensinou também que tem umas pessoinhas muito fodásticas que aparecem na nossa vida que a gente não sabe da onde brotou, e elas, hermanes, essas pessoinhas vão fazer toda a diferença na sua vida acadêmica e profissional. Se a powha ficou séria, sei que posso contar, se tou triste, sei com quem posso contar, se vou me ferrar na prova final do semestre, sei com quem posso contar, se tou feliz, se tou sem um $$$ pro café, se tou com frio, se tou com sono, se tou dormindo na sala de aula, sei com quem posso contar. E em 2 anos e meio foram essas pessoinhas lindas do CAB que me acolheram, me encheram de orgulho, me deram muitas emoções e aturaram muita coisa nessa vida de universitário consciente do seu papel.

A vocês, bando de arruaceiros, malandros, mandriões, que não querem nada da faculdade, só mamando nas tetas do governo - e outras alcunhas super fofinhas como já nos chamaram diversas vezes durante esse período caótico - a vocês, amigolhes, toda a glória, esplendor, glitter, purpurina, paetê e pluma pra sambar na cara da sociedade que quer (E não vai conseguir) manter a gente adestrado, amordaçado, ignorante, passivo e alienado.

A vocês que estiveram a frente do CAB e que tive o prazer de estar junto, meus parabéns. A gente fez barulho e fomos ouvidos. Que continuemos assim. Eu, pelo menos, estarei em outro front, com os dedos coçando e a língua afiada para contra-argumentar quem acha que lugar de estudante é sentado, calado e ouvindo. A gente fala, a gente ouve, a gente fica de pé e reclama quando tá tudo errado. É nosso direito. E a gente tem o dever de mostrar aos colegas que temos direitos sim.

Aos meus chuchuzinhos das últimas gestões, meu coraçãozinho rude e caótico estará sempre com vocês. Cada um de vocês. E que continuemos assim.

Vida longa e próspera e barulhenta ao Centro Acadêmico de Biblioteconomia.
Movimenta Biblio e Unificar para Fortalecer, nosso trabalho não acabou não.
(Não, não mesmo, porque aí a gente se forma e vai começar a causar f***** lá fora também, porque nós somos bibliotecários e somos a maioria, bora botar pra ferver esse trem aí!)

E como célebre pessoa sábia diria: 
"Basium in umero ad notionem fugientem
Basium in umero ad invidiosas sperantes
Basium in umero ad sociasque amicas
Basium in umero ad quas voluntantes."


there's a hole here - it's gone now


Créditos: Helen Green

Essa postagem era para ter saído no dia 09/01/2016, mas por forças maiores e óbvias só consegui voltar a ela hoje. E tá incompleta, porque dói. Dói demais.

A minha breve história de adoração por David Bowie.

Fui conhecer o dito cidadão de Marte disfarçado de Duque quando era pequenine. Tinha esse VHS do Queen (Greatest Hits volume II) que começava com "Kinda of magic" e o segundo vídeo era todo agitado com um robô com a cara do Mercury. A música era "Under Pressure" e eu adorava ouvir o baixo dessa música. A voz que cantava com o Freddie não sabia quem era, mas hey! Aquele VHS furou de tanto eu rebobinar.

Cresci, a escola com seu intuito de instruir jovens como eu, resolveu passar Diário de um Adolescente e Christiane F. pras turmas. Óbvio que foi sem debate e nem escrever aquela redação com frases como "Não use dorgas, mmmmmkay?". Eu não tava nem aí pro enredo do filme (que aos meus 12 anos era pavoroso), o que me chamou atenção foi esse cara finérrimo, ali no fundo da cena, cantando Helden e Station to Station e na hora reconheci a voz: era o tio junto do Freddie!!

Em 1998 Internet sequer existia na cidade onde eu morava e pra descobrir quem era o bendito foi um sufoco. Saber dele mesmo só em 2001-2002 através de uma fanfiction muito fofa de uma escritora com email bem weird (garotadaserraeletrica yey!), ela havia começado a fic citando Bowie e depois finalizou com festa de arromba com Rebel, Rebel.

Meu coraçãozinho foi tomado pelo alien ruivo canhoto com as duas aranhas de Marte naquele instante.

2004 fui pras playlist dark e Trentonildo fez uma parceria boa com Bowie, I'm afraid of Americans me rendeu muita risada e piada interna com a Ella Dee, assim como a interpretação de Hurt mais doída possível.

Quando entreguei minha alma pro Vaticano a prestação (PUC) o Patrono ecoava em meus ouvidos por questões de sobrevivência, eu sabia que não ia aguentar o tranco da adultice e toda parafernália teórica sendo entulhada dentro do meu cérebro antes de completar 19 anos. Me refugiado no conforto da voz tão diferente de um cara que se reinventava a cada década, ria um bocado com a fase dos anos 80 (China Girl e Dancing in the street, gente!), entendi o angst em Christiane F., a trilogia de Berlim, as parcerias com Lou Reed, Iggy Pop, Placebo, Tina Turner e Cher. Fiz a viagem ao contrário, vamos dizer assim. 

Até encontrar uma admiração profunda pelo seu alterego Ziggy Stardust.
Ziggy é o Starman, provavelmente bateu altos papos com Major Tom sentado em sua latinha de alumínio. Ziggy cantou Space Oddity e jamais esquecerei de como isso significou pra mim.

Ali na fase EBM dos anos 2000 achei que não ia largar da minha crendice em ficar no Bowie dos anos 70, me surpreendi com Heathen e a Reality Tour. Heroes tocava no repeat no final de 2007, precisava acreditar naquelas palavras.

Dali pra frente meu amor incondicional a um cara britânico que eu sabia que jamais iria ver um show seguiu e continua até hoje. David Bowie foi um dos poucos artistas que me representa como pessoa, desde sua camaleonice com fluidez, ao modo de tratar a realidade com aquele sarcasmo lírico que tanto preciso. Forévis no meu coração, Duque. Rei dos Goblins. Nicholas Tesla. Clone da Tilda Swinton. Forévis.

Obrigade por existir nesse espaço-tempo em que habito ainda. Você sempre será meu ídolo, meu pai que nunca tive, o cara dos meus sonhos, minha terceira avó.




quarta-feira, 7 de junho de 2017

sumiço

Não era Amor.
Não era.
Não era Amor era
Um número na CID que começa com M54. uns quebrado. No caso a minha lombar.

Traduzindo: de cama, sem movimentos bruscos, nada de PC até domingo,nqda de pegar busão.

Isso porque tenho 1 prova, 2 projetos de pesquisa, 1 relatório e 3 apresentações de seminário para preparar.
(sem contar estágio, revisão de revista AND minha sanidade)

Era cilada!
Cilada, pampampampampanananan.

Ps: médico receitou Tramadon. Voltei pra fila e fiz ele refazer a ficha de medicação. Tava lá no meu effing prontuário o que exatamente Tramadol e qualquer medicamento do tipo fez comigo da última vez. Tou num outro que não é narcótico, mas não sei não. Assim como bibliotecários, médicos não leem os prontuários pelo jeito.


segunda-feira, 5 de junho de 2017

coisas produzidas pelos sonhos

Quando se é uma criança com uma imaginação fértil em uma época onde a tecnologia afetava timidamente o que poderia ser produzido depois, tive sorte de ter sido criade numa casa onde tinha quintal enorme.
Dreams, inconsistent angel things...

Já comentei das peripécias de viver na Tiago da Fonseca durante os anos 90, como isso me afetou na escrita e na produção de sentidos para as realidades em que estive inseride. Sonhos estão comigo tão vívidos desde pequene, felizmente muitos me dando inspiração para escrever e narrar histórias - nem que seja só para mim mesme, todo mundo precisa de um pouco de ficção pra não ficar insano - outros, os pesadelos, tem estado comigo também desde que mudei de estado ali na metade de 1994.

Coincidentemente meu contato com bibliotecas foram nessa mesma época. Perceber o mundo de um jeito mais crítico também. Mas os pesadelos estavam ali por algum motivo que não se dá para tocar quando criança, às vezes nem é bom, pois para digerir isso quando novinhe se faz um esforço tão grande que acaba ferrando com a cabeça depois.

Pra quem tem muitos pesadelos desde criança, até que tou bem quanto a eles. Não afetam mais como antes. Comecei a escrever o que lembrava deles após acordar em uma antiga sessão do primeiro Blog que tive (DelusionalWounded, geocities disse bye-bye, weblogger do Terra também, depois domínio próprio e aqui no Blogger pra virar esse que você lê agora), a tal da "Sonhos estranhos com detalhes"


My beautiful grief
Your dreams are my torture

Your dreams my relief



Depois de descobrir como se faz para manipular sonhos - o que chamam de sonho lúcido - durante meus 20 e poucos anos e entender que sonhos, sejam eles bons ou ruins, fazem parte da nossa criatividade querendo dar as caras para algo a ser produzido, transformei muitos sonhos/pesadelos em contos. Das melhores experiências no mundo onírico, consegui tirar um projeto de cenário para fadas - Projeto Feéricos tá devagar, mas tá indo - e mesclando com cultura popular, cinema, música e performance. Dos pesadelos intricados, dolorosos e traumatizantes, consegui compreender como a vida no mundo real, sólido e tátil pode ser uma dádiva a ser aproveitada a cada segundo. Deles também tirei inspirações para muitas histórias, questionamentos, pesquisas, realizações. Sonhar com a própria morte dezenas de vezes numa mesma noite não é saudável para ninguém, mas acabei percebendo que cada batida de cartão ao patrão Morfeu, uma lição era aprendida: nunca subestime o poder do ID, do subconsciente.

No Projeto Feéricos comecei a delinear algumas histórias que tomassem a narrativa desses sonhos, afinal tudo começou com uma menininha mendiga com um mochilão maior que ela, no meio de uma chuva torrencial, debaixo de um prédio cheio de escombros, me ajudando a lutar contra um monstro feito de vigas de ferro retorcido e pedaços de reboco e concreto. A Angie nasceu ali, de um sonho escabroso em uma noite de verão após chegada ao Rio de Janeiro, perto de um local onde uma tragédia aconteceu décadas atrás e que só vim saber depois quando contei o sonho pra uma pessoa da família que mora na cidade.
(Links para as notícias [x] [x] [x])

Com esse template de narrativa feita, e devorando o Manual Básico de Changeling the Dreaming, veio a confecção de um mundinho muito aproximado do nosso, com muita mistureba da nossa cultura com os diversos lugares que já estive/passei/morei. A Metrópole que é citada nos contos é uma mescla entre centro do Rio de Janeiro, centro histórico de Florianópolis e um pouco de Belo Horizonte. Cada pedaço ali descrito é meio que revisitar esses lugares que passei tanto tempo admirando ou correndo. O Posto 2 do Zé Ferreira, Dona Alcidez e Angie criança é total Avenida Rio Branco, desde a frente da Rodoviária com os hangares portuários, até lá o final chegando na praça dos Bombeiros, passando pelo antigo Hospital Psiquiátrico Pinel.

Mas pra quê isso tudo? porque acabei trombando com esse cara.

Zdzisław Beksiński era um pintor polonês que passou a vida toda pintando sobre seus sonhos. e o que ele via lá eram coisas beeeeeem estranhas por assim dizer. Muito da arte dele é grotesca, vívida e surrealista, então para ter um pouco mais de atenção nas pinturas tem que ter um estômago mais ajeitadinho, uma cabeça mais acertada com certas temáticas. o surrealismo dele, onírico por assim dizer ultrapassa muito das nuances que a gente, meros mortais, consegue produzir com a imaginação.
Nem nos meus piores pesadelos eu tenho lembranças de material como esse.

Duas pinturas que me impressionaram pelo detalhismo e a semelhança tão f*** com o que eu imaginava para o cenário de Projeto Feéricos são essas aí abaixo:

'Dolina Śmierci do artista polonês Zdzisław Beksiński -  (Fonte: Carajaggio)

Essa pintura já havia colocado no conto que escrevi semana passada "Como pesadelos são construídos" ilustrando o feeling das andanças da Angie. Em termos de jogo - Changeling the Dreaming - a Angie tem as skills de passear entre Trods, é como se fossem passagens secretas entre tempo-espaço, poucas fadas conseguem fazer isso com segurança, e como a Angie tá enquadrada como Eshu no RPG, ganha uns pontinhos a mais... Tem todo um background de como ela consegue passear entre mundos, isso vai sendo explicado depois. Há esse rascunho mal processado que escrevi na época em que o cenário tava tomando forma, problemas de bloqueio vieram depois, aí não produzi tanto quanto queria.




A imagem do ônibus abandonado é perfeita para a quimera-ônibus que surgiu depois de um sonho esquisito com caçadores de pokémon que eram fadas (?!) e eu participava do grupo com o sarcasmo e o lolz. Até hoje esse sonho norteia qualquer mudança que eu vá face no cenário de Feéricos, por conta de ser como visualizei primeiro como seria a dinâmica entre os personagens. Tudo bem que Angie não tava lá, mas a forma dos personagens estavam, a motivação também.

O ônibus-quimera é uma daquelas alegorias de pesadelos estáticos que volta e meia visitamos de tempos em tempos, arruinado, enferrujado, pichado e trazendo ferro frio em sua constituição traz todo o pavor possível para qualquer feérico que seja obrigado a estar perto dele. A quimera se manifesta silenciosa, na forma do ônibus e levando seus passageiros para um lugar onde os sonhos estão paralisados.

Vi um ensaio de fotografias de exploração urbana na cidade de Pripyat, onde fica a usina nuclear desativada de Chernobyl, Ucrânia e não sei se vocês sabem, mas lá é inabitável pelos altos níveis de radioatividade no solo, na água, e até no ar respirável em alguns pontos. Tem uns malucos que fazem turismo por lá com todas as precauções feitas pelo governo para não haver contaminação radioativa, aí nas fotos, uma me chamou atenção: o parque de diversões da cidade.

O parque foi para Engel, o ginásio foi a ponte para introduzir a Angie no grupo, já que a menina é ligada ao caos e ao vazio. A desolação de Pripyat mais essa peça do polonês dão um tom para a trama da Angie que me fez questionar algumas coisas na personalidade da personagem eternamente adolescente:
- Como ela chegou ali? 
- Por que ela está ali? 
- Paradas de tempo são possíveis em sonhos? 

O ônibus-quimera respondeu a tudo isso, além de dar um adicional pra Angie, ela sabe o que é ficar entre o Sonhar e o Limbo, ela compreende o que é perder o Glamour para algo tão banal quanto ao tempo.

Ou a minha primeira reação ao ver um quadro dele: "That's the real stuff made by nightmares." e saiu em inglês mesmo dentro da minha cabeça, porque não consegui traduzir isso direito pro português: "Coisas bisonhas produzidas por pesadelos" e aí bati o olho no Manual de Changeling e pimba! Tá lá os Pesadelares como descrição disso mesmo que tive a primeira impressão.

Escrever com algo que está posto na realidade é gostoso, gosto de moldar mundos como se brincasse novamente de Lego - só que com as palavras né? - o que é mais intricado em fazer é adicionar os elementos dos sonhos nisso tudo. E é aí que comecei a escrever esse texto: encontrei o artista perfeito para ilustrar algumas passagens das minhas escrivinhações.
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