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terça-feira, 14 de novembro de 2017

[bibliotequices] o ser e o estar

Em uma das primeiras páginas do livro Silmarillion [J. R. R. Tolkien], há o relato de quando os elfos surgiram (Loooooonga história até lá! Mas o nome do capítulo é Ainulindalë), eles começaram a dar nome as coisas que viam, porque tudo era novo. E ninguém tinha dado nome pras coisas e informado para eles.

Aquele trem do "ser" e do "estar". No inglês tem a simplificação de "to be" pras duas coisas, logo não dá muito o que pensar/filosofar/dar cricri com isso. O problema é quando no nosso querido português importado/colonizado atribuir o ser ao estar. Ou o estar ao ser.

Dizer que algo é algo é diferente de dizer que algo está algo.
Bibliotecas são bibliotecas é super diferente de bibliotecas estão bibliotecas. O ser (existir) do estar (estado) é um trem tão doido de se matutar que tem gente que perde anos tentando saber separar um do outro ou fazendo teses em cima disso. E não é exagero dessa galera mais filosófica: a palavra que você atribui uma coisa/termo/sentimento/conceito faz TODA diferença.

Em certas estruturas da sociedade o ser e estar estão muito bem colocadinhos em caixinhas tão trancadinhas que insinuar que uma coisa é a mesma coisa que a outra dá problema. Dá troca de tapas. Dá cadeia. Dá confusão de papéis sociais dentro de um contexto.

Fala pra um médico que ele é profissional da saúde e está com título de doutor pra ver o que acontece?! Revoltz geral.

Eu não sou graduandx de Biblioteconomia, eu estou graduando em Biblioteconomia. Essa minha condição, em particular é passageira, temporária, algo que a palavra, o bendito do verbo "estar" me dá vazão para deliberar dele. Eu estou, eu não sou.

Em uma das aulas de grego e tradução que tive anos atrás rolou essa problemática, porque no grego vulgar falado na época do apóstolo João quando fez uma visita aos gregos, o trem de "E no princípio era o Verbo..." a tradução não é literal. O "Verbo" nem existia como palavra naquela época! Então como é que posso atribuir o "verbo" à Deus (Olha o problemão aí!) e no restante dos versículos se o tréco nem existia? A tradução tá errada, então? Não sei, nem pretendo saber, quiriduns, mas o que ficou daquela aula foi: jamais atribua o sentido de uma palavra a uma que necessariamente pode não existir para o contexto da outra.

Tipo, Biblioteca é uma organização.

E palavras tem poder. Muito. A gente da área da Ciência da Informação, da Educação, das Humanas SABE que tem. Se fazemos uso dela ou não, aí são outros quinhentos.

E pra quê vim falar disso aqui?
Porque as discussões que estou lendo/presenciando na graduação então conduzindo a esse viés do "ser" e "estar" que a Biblioteconomia, no caso, as bibliotecas são e estão. E essa confusão entre o ser e estar pode violentar o que é um ideal/conceito/sentimento sobre biblioteca. E abala as convicções de uma pessoa que faz todo um ideal sobre o que É biblioteca e o que isso pode prejudicar ou afastar essa pessoa de ESTAR nessa biblioteca.

(Mas é pra cuidar das pessoas, Morgan! Para de filosofar esses trem e se foca nas pessoas!)

Mas se a gente que ESTÁ estudando quem SERÁ algum dia (Profissional da Informação, gente, não esqueçam), não É importante saber o que raios ESTOU me preparando para SER? Ou onde irei atuar e o que esse conceito/termo/sentimento/ideal É antes de tudo? Saber o que É uma biblioteca não é vivenciar uma biblioteca. Você precisa ESTAR nela, certo? Os dois conceitos se aproximam. Agora me dizer que uma biblioteca É algo que ela não ESTÁ atribuída a SER por inúmeras razões já apresentadas não só pela teoria como por todas as pessoas que a vivenciam não me parece correto. Peraê, corrigindo: não me parece ético.

E quando falamos de Ética é remeter toda a reflexão sobre o que É uma biblioteca - todos os conceitos que a Academia diz, acha que É, acha tá? Nada é estável, tudo está em transformação - e o que o senso comum pensa sobre bibliotecas, chegamos a questão: O que É uma biblioteca?

Se eu não conseguir responder isso em algum momento na minha vida como bibliotecárix, não sei se consigo botar significados de SER e ESTAR em algo que mal entendo como É ou ESTÁ.

Muita coisa para pensar né?
Pode apostar as fichas aí, vai ter mais discussões sobre isso aqui no Blog.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

a ética internética de todo dia

Há um consenso meio doido que todo mundo stalkeia na Internet, oh well, se você não leu as 100 regras da Internet, saberás que tal prática é necessária até pra saber se a pessoa que é alvo de investigação tão apurada possivelmente pode ser um serial killer
Ou um engenheiro. 
Não sei qual dos dois é mais amedrontador.

Não stalkeie, pergunte logo pra pessoa o que deseja saber ou sei lá conviva com ela tempo suficiente pra nem precisar perguntar. Volta e meia as informações saem naturalmente. Oversharing acontece nas melhores horas, tipo na fila do RU.

Percebo em colegas que essa sensação de não saber é angustiante ao ponto de fazer romaria em perfis de Facebook, traçar rotas em redes sociais, buscar o máximo de informações que possam levar a alguma conversa ou satisfação pessoal sobre um determinado assunto. Ou se for interesse romântico, é de catar todos os detalhes antes de ativamente fazer isso com o consentimento da pessoa.

Como meu interesse primário nas pessoas de level superior ao meu costuma ser o Lattes (sim, sou superficial desse jeito mesmo, mas é precaução: se rolou coisa com áreas que não bico de jeito algum, fecha a aba do navegador, não desperdiça tempo), é lá que costumo passar um bom tempo, seja fazendo revisão de bibliografia da pessoa ou dando uma lida no que ela produziu cientificamente.

Não há nada de mal nisso, já que é  o meu trabalho como pseudo-bibliotecárie saber fontes e referências sobre os assuntos. Se a pessoinha que me interesso está enquadrada nessa premissa, ótimo! Metade do caminho pra perguntar o que ela acha sobre a atual conjectura política de apatia dos bibliotecários e se prefere uva passa no arroz. Bem simples assim #SqN

Minha reação exata ao fazer pesquisa exaustiva e o resultado vir
de um jeito que eu não esperava ter visto
Aqui no meu lado é a ética capitalista (conceitos contrários, yey!!): Apenas pesquiso exaustivamente Currículo Lattes ou se preciso recuperar informação que seja importante.

Pra saber signo, sorvete favorito, cor que mais gosta e se prefere o café com ou sem açúcar ou é uma pessoa adepta ao chá ou sua visão de mundo, prefiro tomar coragem, deixar a bigorna da vergonha cair na minha cabeça depois e perguntar logo. Se as oportunidades aparecem, são raras. Logo não vou ficar forçando o descobrimento de informações se aquilo exatamente não será relevante pra mim se não tiver o esforço máximo de sair da minha zona de conforto. E sou tímide pra cacete, demora até eu perguntar o que a pessoa acha sobre a vida, universo e tudo mais, mas coisas básicas como se ela tem lóbulo anexado, se nasceu os sisos ou se é canhota e tem língua geográfica. Esses tipos de perguntas são com um level moderado de convivência.
(então, quem convive comigo sabe que minhas perguntas são bem esdrúxulas assim, sem sentido aparente algum, mas pra mim faz total sentido!) 

Por exemplo, amiga tem um blog ativo pré-adolescente: aproveitei a piada e disse que ia atrás do link. Com o apavoramento imediato da chuchuzinha disse que não faria isso se ela não se sentisse a vontade. Eu poderia simplesmente ir lá e descobrir o link e ler tudo o que ela escreveu com sei lá 14/15 anos, mas não, é mais legal sentar com ela na cachoeira ou no chão do quarto bebendo vinho barato e comendo batata, ouvir os causos absurdos da vida naquela época dela do que vasculhar em cada canto da web sobre isso.

A gente passa muito tempo se enfiando em lugares que não tem propósito de o que fazer com a informação após o sofrido percurso de garimpo. O que adianta fazer uma pesquisa exaustiva se depois não sabe aplicar o conhecimento?
(E na minha área tem uma chatice de dado que constitui informação que produz conhecimento)

Onde entra a ética nisso? Bem, é o saber como manejar isso de forma em que não cause nenhum prejuízo pra pessoa e também pra você também. E saber respeitar o Outro com o limite/fronteira entre o que se deve saber o que se pode descobrir.

Sabe o Grande Irmão? 1984 me ensinou tantas coisas, gente!

E refletir sobre todo esse esforço maluco de catar informações daqui e dali para se obter um fato concreto ou se de acordo com o timbre da voz da pessoa é possível associar com o gosto musical dela.
(não gente, não é possível descobrir essas coisas assim, mas se por acaso em um artigo ou capítulo de livro que a pessoa tenha contribuído tenha um rodapé com a letra de uma música da Bjork ou Rionegro e Solimões, isso vai me sinalizar algo importante)

O trem da palavra stalker também é pesado. Amaciar essa prática nefasta com os níveis toleráveis e de ser politicamente correto pode ser um tiro no pé lindo. Ou um processo de assédio se a coisa ser invasiva.
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Fui movide a escrever esse texto ao perceber que meus blogs de preadolescente foram há eras deletados, o fotolog vergonhoso também, meu Lattes tá jogado às traças, há pedaços meus aí pelas interwebs, mas meu main default é deixar tudo concentrado aqui, pra zoeira ser maior e também ter uma organização no que faço de bom ou de ruim.

Até porque isso me consome tempo. E tempo é dinheiro.
O meu tempo já é desperdiçado demais com coisas que não produzem dinheiro (tipo 3 a 4 horas enfurnada em ônibus, terminal, fila, trânsito), logo a deliberação final se resume a isso.

E de me sentir com vontade de realizar um stalking básico, mas aí volto a premissa lá tão pegajosa em sua essência: tempo é dinheiro. E tenho bem pouco dos dois. 
(E respirar fundo e conseguir até final do ano pelo menos a informação de quais bandas a pessoa gosta de ouvir - não consegui em tempo hábil, logo semestre que vem há mais oportunidades!)

Disclaimer póstumo: eu falando de ética nas interwebs, mas sacaneando a torto e a direito o povo da engenharia, lalalalalalalalala...