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domingo, 1 de julho de 2018

a fanfiction de bad qualidade continua...

Postei essas parada no dia 26/06/2018, porque foi essa a data-limite que deram para fazer deliberação sobre um projeto esquisito, vindo de pessoas mais suspeitas ainda para falar algo de benéfico para a Humanidade. O mais engraçado é que deram uma data-limite para uma deliberação pública, onde na única reunião feita teve os gatos pingados de menos de 70 pessoas AND nem metade dos professores do departamento.


Hoje era a data limite para dar uma resposta discente para o parecer da tal vontade de desmembrar certo departamento de certo centro de certa universidade e virar um Instituto.

É, vocês leram bem: Instituto.

Porque não tá ruim demais estar alocado em um dos departamentos mais prejudicados pela política emburrecedora dos Temerários e ao invés de se unir pra resolver a situação, nããããããão não sei brincar, não desço pro play. Isso já acontecia há anos. O descer pro play. O tal departamento nunca desce do salto e pro play.

Escrevi um textão, fiz anotações estranhas no tal do parecer, tive brigas homéricas dentro da minha cabeça sobre as vantagens e as desvantagens dessa bagunça que estão querendo piorar mais em situação delicada que nos encontramos na Educação Superior.

Resolvi ligar o namastê filho da puta e desejar o melhor para quem vai ficar com essa batata quente, porque sinceramente gente da Biblioteconomia da Universidade dos Megazords? O que consegui ler e interpretar nesse documento está apontando um benefício direto e exclusivo para docentes e administrativo, a única vez que citam estudantes foi lá no final do documento, umas 2 linhas, como se a gente não servisse pra muita coisa mesmo dentro de um departamento esquisito. É quase como registrar o quanto não somos a prioridade para a boa qualidade do curso e consequentemente prestar um serviço de excelência pra sociedade.

Chega uma hora que ter fibra pra tentar conscientizar figurinhas carimbadas - com muitos anos de casa que quem faz o curso são os estudantes e não os trocentos doutorados e apresentações em eventos científicos - fica cansativo. Sacudir gente que ainda não acordou pro momento histórico onde vivemos também tá beeeeeeem cansativo mesmo.

Fatiar o bolo que já não é mais bolo, mas sim uma fatia bem minguada de uma fatia que ninguém mais quer comer é atestado de possível fracasso (logisticamente falando, vide a lenda lendária do bloco A), mas se as intenções forem boas das pessoas envolvidas e PRINCIPALMENTE dos estudantes que ficarão para ver isso acontecer algum dia, então vamos lá! Vão com Rangs! Toda força de Otlet procêis!

E pelamooooooor gente, parem de só assistir.
Cês tão passando vergonha federal, literalmente, já que vai mexer com dinheiro público, status acadêmico e ego inflado de muita gente (Inclusive o bom e velho nome do curso que não pode ser manchado de jeito algum, Dewey nos livre de tal vexame.)

O doc tá aqui, leiam, inspirem, expirem, façam movimentos circulares, contenham seus chacras.

domingo, 17 de junho de 2018

[bibliotequices] reflexivando docência indocente

Esse texto vai ser rememoramento de 2 situações acadêmicas que passei nessa vida de escriba.
Uma foi cerca de 10 anos atrás, auxiliando colaborativamente docente a terminar o doutorado e ganhando muito conhecimento sobre ensino da língua e elaboração textual, a segunda é agora em que nem consigo expressar o quanto invadida estou me sentindo pela falta de tato ética de outro docente ao fazer isso, principalmente com um assunto delicado como a minha identificação de gênero.

Lembro vivamente de participar ativamente (?!) da vida acadêmica de professores enquanto estava na Letras. Afinal, o que eles aprendiam lá na Federal serviam muito para as práticas de ensino e aprendizagem que a gente algum dia teria que botar as mãozinhas ao ir pra sala de aula.

Lembro de ter aulas mais focadas no indivíduo e na cidadania dessas pessoas que iríamos nos responsabilizar, fosse alfabetização, mediação de conhecimento ou a profissionalização de um estudante. Isso fazia com que, mesmo sendo teorias de dissertações ou teses que esses professores estavam trabalhando ainda e aprimorando com as nossas percepções de Educação, Ensino e Mundo, essas aulas fossem tão aproveitáveis e inesquecíveis para quem levou à sério pro resto da graduação.

Lembro particularmente de uma docente, que quase pirando na soda por conta da complexidade do seu tema, decidiu fazer um teste conosco sobre como montávamos mentalmente a escrita de nossos textos. Ela passou um bom tempo nos explicando como aquilo poderia nos ajudar com nossos futuros alunos, principalmente para aqueles que tinham bloqueio de escrita ou não conseguiam se expressar bem em redações. Lembro dela sentar conosco e explicar como funcionava os passos de conselho de ética em estudos com seres humanos. Foi a primeira vez que ouvi a palavra Ética relacionada com práticas de aulas universitárias. Então tudo aquilo que estávamos fazendo na aula havia sido aprovado por um comitê primeiro e ela estava pedindo a permissão da turma se a gente gostaria de participar anonimamente do estudo da coisa complicada que ela tava estudando.

O pessoal ficou animado, entendemos o lado dela quanto ao nos usar como cobaia para isso e também conseguimos aproveitar ao máximo o conhecimento que ela tinha para nos ajudar nas práticas de ensino e também em outros assuntos acadêmicos. 

Tudo estava entrelaçado, tipo parceria mesmo. 
Uma mão lavando a outra e consentimento sendo tratado com respeito. 

O teste dela foi bacana, porque nós estudantes nos sentimos úteis para o que ela iria produzir posteriormente (O doutorado dela) e por incorporarmos em nossa prática de ensino alguns métodos bacanas que ela trabalhava conosco. Particularmente isso me ajudou tanto, mas tanto com a construção de textos e entender como um texto opera para ser entendido por outra pessoa que fui pra monitoria de produção textual para poder compreender melhor o que fazer e como poder ajudar quem precisava. 

O que ela ensinou em sala de aula tá me ajudando até hoje com tudo na vida, inclusive em botar ordem nos pensamentos e construir essa postagem aqui, de ler outras postagens e ter interpretação básica para compreender várias coisas. Me preparou para Análise do Discurso na 6ª fase e me apaixonar pela única disciplina da Linguística que presta (minha opinião).

Lembro muito bem dela pedir nossa permissão em cada aspecto em que tratava a sua tese dentro de sala de aula e avisava de antemão quando iria aplicar algum tipo de diagnóstico ou fazer alguma pergunta que acabasse caindo lá na escrita dela. 

Ela pedia permissão. 

Ela mostrou o catatau de folhas do comitê de ética e pediu para a gente ler e verificar se tava tudo bem com todo mundo. E isso era lindo. Uma docente pedindo permissão para realizar uma aula sobre sua tese pra alunos de graduação que nem imaginavam que chegariam lá onde ela estava.

Não lembro dela coletando dados exaustivamente com a gente, transformando a aula em algo mecânico e disforme do que seria a proposta de entender o texto para auxiliar o aluno a entender como entender o texto. 

Não lembro de me sentir invadida pela proposta ou não ter vontade alguma de participar porque era complexo pra caramba (E era! Fui ler o produto final depois e minha cabeça explodiu.), não me senti burra ou apenas mais uma cobaia bucha de canhão para minerar dados para professor coletar e botar lá no artigo dele e ser feliz, enquanto eu aqui não sei absolutamente nada do que está acontecendo. Se estou crescendo como profissional, se estou fazendo bem pra outras pessoas.

Não lembro de ouvir sequer em nenhuma aula sobre estrelinha da Scopus. Autocitação. Quantas vezes foi em congresso, seminário, simpósio, o escambau falar sobre sua pesquisa e o quanto isso era a último biscoito do pacote. Aumentar o status da pós-graduação onde ela participava ativamente por conta daquilo. Ela falou uma vez que seria talvez o primeiro estudo brasileiro sobre aquilo, mas como era mais importante a gente sair daquela aula sabendo alguma coisa de como atuar como professor (Assim como ela), o pessoal entendia, a gente não se sentia invadido. 

E quando nos sentíamos inseguros sobre algo durante a aula, ela sacava na hora, sentava conosco e lá vamos nós prosear o que pode ser ajeitado. 

Nunca a vi se vangloriar de estar conduzindo testes subjetivos conosco para outros professores, ou em congressos, seminários, blablabla, e ganhar os louros pra sempre no hall da fama do povo doido que estuda esses tréco de como um texto funciona dentro da nossa cabeça (Ou vice-versa, já disse que o trem ERA complicado!). Eu não lembro de me sentir inferior e incomodada por ser alguém ajudando uma pesquisa científica a avançar. Não lembro de voltar pra casa, andando pela rua onde atravessava galinha e vaquinha que paravam o trânsito por vários minutos me sentindo como um porquinho-da-índia.

Não lembro de ter meu intelecto individual e do coletivo ser menosprezado e rebaixado como apenas provedores de dados, nunca os participantes da construção do conhecimento.

Lembro de agradecer ela no final do semestre pelas teoria WTF e parte do conteúdo tão fora da nossa cacholinha graduanda. Lembro de na formatura de abraçá-la e agradecer de novo por tudo que tinha me ensinado, aquelas aulas me firmaram como pessoa, como profissional, como cidadão.

Não lembro de ser um semestre a contragosto e com bile amarga no canto da boca. Foi um processo educativo tão inusitado e devo dizer humilde nos padrões acadêmicos (Que tipo de pesquisador se atreve compartilhar, dividir suas ideias e descobertas com graduandos e deixar eles bicarem à vontade nos dados que eles tão pesquisando?!), ela pediu consentimento e esperou a turma opinar sobre os prós e contras. E aceitava quando alguém não se sentia bem para responder coisas, fazer parte da pesquisa, consentimento acadêmico.

Aí 10 anos depois, eis eu aqui, escrevendo textão, usando uma das fórmulinhas mágicas que essa docente me ensinou para escrever um texto coerente, objetivo e coeso para ser entendida em uma rede social. 

É esse tipo de coisa que a gente precisa refletir dentro da universidade: até que ponto nossos docentes estão realmente se importando com o tipo de profissional que estão formando (E se pelamoooor de Ranganathan, a criatura quando pegar o diploma vai poder dizer com seguridade: "Óia, não era Brastemp, mas aprendi muita coisa bacana lá! Vai que é firmeza!"). Existe perfil de egresso e Projeto Pedagógico de Curso por alguma razão, são as diretrizes né?

Tá tenso, gente...

(Reflexivando = refletindo, mas ao mesmo tempo filosofando ou sacaneando ou satirizando ou qualquer outro verbo no gerúndio que termine com "ando")

quarta-feira, 30 de maio de 2018

[bibliotequices] as quimeras do processamento técnico

Processamento técnico pra mim era como uma quimera com a boca escancarada só esperando eu colocar algum membro meu dentro da bocarra e ver o que acontecia.

Até eu ser forçada a dominar a quimera pras minhas vontades.

Se a prática faz a perfeição, não sei, mas inerente a habilidade essencial de ser bibliotecário - tá na nossa lei maior, vai lá ler - devo dizer que ter um certo apreço com o tratamento técnico do acervo anda fazendo minhas convicções na área irem pra outro ângulo.

Calma lá que não é virar a mesa e jogar pratos pra cima, é compreender que o treco é tão chatonildo de se entender e se entusiasmar que a maioria dos mortais não quer chegar perto ou aprender para própria sobrevivência. Continuo vendo a parte técnica da Biblioteconomia ainda desvinculada do social e do humano, até porque a tarefa de se tratar as informações e gestão do conhecimento são/estão em um patamar dentro da área como algo que não necessita de humanos para funcionar direito.

Todo sistema é falho, essa é a premissa. 

E categorizações podem ser prejudiciais para um entendimento mais profundo de uma estrutura social. O que meu curso e profissão fazem é pegar tudo isso que existe no mundo e pormenorizar como meros dados para serem interpretados por algo (máquina) ou alguém (indivíduos).

Esse gatinho é uma quimera e é fofinho <3

A problemática começa quando não se sabe exatamente pra quê fazer tratamento de informações nas bibliotecas, pra que e pra quem. Se um acervo é impecável em sua desenvoltura de armazenamento em base de dados sofisticadas, mas ninguém entende como consultar e recuperar as informações pra ter acesso ao que quer, então mizifie, o processo tá todo errado. Esquece os portais, as caras de pau, os manuais e simbora pra algo mais palpável.

Aqui no Brasil, com a herança da parcial escola francesa humanística que falta vergonha na cara de dar a mesma a tapa e questionar a escola americana que se fez durante a consolidação do curso nas universidades brasileiras, seguir os padrões internacionais parece ser o mais sábio e correto. Eu diria único caminho a seguir.

Não há um estudante de graduação, professor, pesquisador, mestrando, doutorando, profissional da informação que não responda no automático quais são os 2 tipos de sistema de classificação mais usados no mundo.

CDD e CDU.

Mentira, que o sistema da Library of Congress também é usado na maioria das vezes no hemisfério norte por ser o mais confiável e confiável diríamos que seja o "melhor método que encontramos de padronizar da nossa forma" que os yankees desenvolveram durante séculos.

Outros nomes de manuais e ferramentas vindos de lá também estão na ponta de nossas línguas. Alguma exceção brasileira? Tabela de PHA, uma adaptação da Tabela Cutter-Sanborn para fazer aquele número horrendo de chamada que fica na lombada.

Pra que serve aquele número?
É pra achar o livro mais rápido.
Se a maioria usa?
Muitos desconhecem.
É aí que a nossa habilidade mais notória se torna um fardo praqueles que não compartilham de nossa formação.
É ridículo isso.

Vai contra a qualquer premissa em que a comunidade em que a biblioteca está inserida. E também contra nossos princípios éticos da profissão. Oras! Se é realizar o trabalho para dar informações para as pessoas com mais relevância, confiabilidade e mais rápido pra quem precisa, por que raios transformar numa outra quimerinha venenosa pronta pra mordiscar e afastar essas pessoas?

Quando se perde essa motivação base, a parte técnica se torna mais outra ferramenta besta (entendeu, usei quimera e agora besta? Tipo, referência pra mitologias rolando adoidado aqui) que ninguém vai saber como usar, pra quê usar e porque usar.

É aquele trem de fazer gerenciador de acervo só pra bibliotecário entender, sabe?
(Damn you povo de Curitólia Universidade dos Stormtroopers!)

Foi esse desastre intelectual experimentado na 3ª fase que me fez ter toooooodo receio, me equipar com uma vara de tamanho suficiente pra nem cutucar a fera. Mas tá lá na lei, tem que aprender pra ser técnico também.

A joça tá indo, mas não faço ideia de como vou aplicar isso na vida diária.
Minha opinião continua a mesma: se não tá fazendo o leitor ter seu tempo poupado, nem chegue perto de mim gerenciadores de acervo com regrinhas chatas.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

[bibliotequices] tentando explicar o que faço pra galera da adm

Com essa imagem e o que aprendi durante 4 anos na Biblioteconomia, consegui escrever um textão sobre "Abordagem Estruturalista" exemplificando como brotam os livros nas estantes de biblioteca especializada de campus onde transito. Sim, algumas informações foram modificadas, links omitidos, porque pessoas pra puxar o tapete tem aos montes, logo substituí por texto parecido. Não quero levar bronca por falar assim tão informalmente sobre o orgulho da nação biblioteconomista da UFXQ.

O público-alvo é a galera que faz Teoria da Administração comigo, então assim, óbvio que foi bem estranho. Porque revendo o que fazemos para os livros "brotarem" é realmente estranho pra cacete alguém de fora perceber/ler/verificar. É, vale nota modafóca!

(Obrigade meu Rangs nos Céus do Paraíso Bibliotequêro por me abençoar na Referência...)

Ou como gostaria de colocar como subtítulo, caso isso virasse um artigo despretencioso: O que acontece quando você odeia estruturalistas e faz autorreflexão sobre sua própria profissão e tem que explicar para alguém de fora o que você faz sem autodepreciação.

AQUI VAI! Se tá totalmente correto ou não, pelamoooooor tou tentando explicar algo que nem é 10% o que realmente fazemos por lá.

Se alguém já se perguntou alguma vez como os livros chegam lá na BU pra gente ler, eis aqui a oportunidade de saber um pouquinho da Estrutura altamente burocrática e plim, plim beeeeem parecida com a "Abordagem Estruturalista".


[...]
Já avisando que o texto é textão, mas tem piada interna. E também porque não sou de escrever como os burocratas, então garanto que vocês não vão enjoar, sério! 



Da onde falamos - BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFXQ!! COMO OS LIVROS CHEGAM LÁ?!
(Cês já perceberam que ela fica NO MEIO do mapa da UFXQ? Todos as estradas levam para a BU, eba! Isso também é culpa do estruturalismo que a organização segue, já que a BU é uma parte do maior, mas também essencial para essa parte maior funcionar corretamente)


sábado, 28 de abril de 2018

[bibliotequices] tô estudando prá saber ignorar

[Essa postagem foi feita no Facebook após um dia nada promissor sabendo das peripécias da vida acadêmica de certo departamento de certo centro de certa universidade de megazords. E aí foi juntando tudo que já presenciei no Movimento estudantil dentro do dito lugar e plim, saiu isso aí. Ah! o título é um pedaço da letra de "Tô" do mestre Tom Zé.]

EDITANDO: O Chico de Paula da Biblioo entrou em contato comigo e postou o meu texto no Portal no dia 8 de maio. Tou super feliz por isso, a Biblioo é um dos principais sites referência sobre Biblioteconomia :)

A insônia não costuma ser minha amiga, mas de vez em quando ela aparece, e joga assim na minha cara uma pergunta muito horrível: até quando a gente vai parar de formar gente acéfala e insensível com os problemas da profissão?

O que me faz perder o sono durante esses 4 anos de Biblioteconomia é de saber por A + B que estamos formando um bando de gente sem noção política ou preparo crítico para entender o quanto a profissão é uma responsa do caramba. O quanto a gente faz diferença. O quanto aquela besteira de "conhecimento é poder" é levada à sério por quem comanda as engrenagens.

É de perder o sono sabendo de bancada de professor proibindo participação estudantil em espaço de direito dos discentes, garantir status e reputação, mas não qualidade de ensino pros graduandos. E aceitar passivamente isso, como se nada tivesse acontecido (Sorria e acene).

É de passar mais um semestre vendo outra formatura e torcendo que pelo menos metade ali cumpra o tal do juramento (Que precisa ser reformulado, pelamoooor) e seja bibliotecário, e não reprodutor de ideologia do comodismo, ou tome aversão pela profissão, ou virem cães de manutenção do sistema.

É de às vezes estar na aula, olhar ao redor e me perguntar: será que isso tudo vale a pena? Esse espetáculo? Essa encenação de que tá tudo bem, porque lidamos com a informação (mentira, lidamos com gente, a informação é uma ferramenta do nosso trabalho), logo o futuro é nosso. Essa invencibilidade imbecil.

É de ainda lembrar de conversa de corredor com tapinha nas costas pedindo para não mexer com isso (pensar demais sobre a graduação, a situação de nosso curso, a sanidade de nossos colegas), porque não é da minha alçada. Seguir a hierarquia. Sit, junto, sentado, calado.
(Sim, tive coragem de citar Kelly Key.)

O que me faz perder o sono em 4 anos de Biblioteconomia é ver que tem gente tão legal fazendo algo substancial e não podendo voltar pra universidade pra dizer como foi e como uma ação de bibliotecário pode mudar a vida das pessoas. É saber que esse pessoal sequer quer voltar pra esse lugar tóxico que tem se tornado com tanto estrelismo, disputa de egos e invisibilidade de temas extremamente urgentes e relevantes pra sociedade.

E quando tem conta atrasada e dilemas existenciais, também perco sono. 
Mas esses motivos ali em cima? São os que não dá mais para engolir e deixar quieto. Continuo perdendo o sono, fazer por onde tá vindo...

quarta-feira, 18 de abril de 2018

[bibliotequices] sobre leituras, pesquisas generalizadas e grandes negócios

Já havia falado um pouco sobre minha indignação sobre incentivo a leitura que a maioria costuma postular junto à meritocracia da sociedade contemporânea (como se fosse algo novo!) e a mea culpa dos bibliotequero nas parada.

A máxima que mais escuto e leio é aquela do "Brasileiro não lê" e aí que sobe o sangue congelado pras ventoinhas. Vamos ser realistas que a vida costuma ser mais fácil de entender assim do que ir pro fatalismo ou pessimismo.

Quando alguém diz que brasileiro não lê podem estar pautados em dados estratégicos de certa pesquisa de certa entidade em que certas editoras brasileiras (um conglomerado editorial por assim dizer) gostam de divulgar. E acham que estão fazendo um belo serviço pra sociedade ao estamparem o quanto somos prejudicados por "não estarmos lendo". Vou resmungar um pouco mais abaixo.

A certa pesquisa serve de parâmetro pra gente da Biblioteconomia, pois caracteriza nosso objeto de trabalho: o livro impresso.

O problema começa aí.
Debaixo do link tem aquele registro fotográfico da ação de ler em território nacional (Sim, isso foi eufemismo).


domingo, 15 de abril de 2018

[bibliotequices] qual é o plano afinal?

Para quem já previa que seu dinheiro iria boa parte para o transporte público e boletos (essa era eu em cartinha pra mamãe aos 11 anos), o plano até os 27 era continuar habitando esse corpo e residindo nessa existência. Quase 5 anos depois - e parece que tá dando certo - há os planos maquiavélicos de dominação mundial via estantes, prateleiras, atendimento no balcão e capacitação de leitores.

Aí aquela pergunta: O que vou fazer depois de formar.
Nada.

Isso mesmo.
Nada relacionado a graduação e pós.

Não está sendo saudável pensar em planos futuros quando se tem ansiedade na ficha de personagem e não quero estragar a minha entrada no mercado de trabalho formal com essa. 

Isso obviamente foi uma piada.

"Mercado de trabalho formal." diz Doctor Evil, meu vilão favorito. 

De acordo com as peripécias serelepe do golpista em comando, bibliotecário tá fodido de verde e amarelo, batendo panela ou não. Extinguiram cargos no governo federal no começo do ano, tão empurrando a lei 12.244 pra mais um tempo (e vão empurrar, empurrar, empurrar) e minha intenção de ir para uma biblioteca escolar pra tocar o terror está em primeiro plano. Então se era conseguir um cargo público, esquece que isso nunca esteve na cartilha, meu negócio é ir atrás de demanda antes dela virar gritante.

A intenção era formar (ano que vem, pelamoooooor! Não aguento mais aquele lugar), pegar minhas trouxinhas, ver um vagas em cidade do interior e ir. Apenas fucking ir e começar do zero como as pessoas que admiro uma vez fizeram e fazem diferença no curso, na área, no mundo. Aí que reside o sonho.

Poderia ser nos cafundó do brejo, sem acervo, sem nada, apenas por saber que há como construir algo do começo, com a comunidade, com quem precisa mais, essa era a missão quando entrei e continua sendo até agora. E porque eu cresci com Lego, logo improvisar do nada é algo que o progenitor providenciou sem saber na minha índole. McGyverianismo na Biblioteconomia deveria ser disciplina obrigatória.

Medo? Disso não.
Mas falta de oportunidades pra fazer por onde, sim.

Bora ver como fica até final do ano e tratar de me concentrar em planos que viabilizem uma formação mazomeno adequada. Ficar em capital é pedir pra morrer, pois tá tão engessado que não dá pra imaginar fazer algo fora do quadrado sem ser punido. E isso já chega por 4 anos estagiando continuamente e levando porrada do sistema.

A pergunta que costumo receber - além do "Quando vai formar?" - é se vou pro mestrado. A recusa é automática, ficar em academia enchendo linguiça não vai ajudar as coisas melhorarem lá fora.
(E gente, não sei se vocês perceberam, mas tá bem feia, a coisa lá fora)

Passar 4 anos em uma graduação que escancarou não só a deficiência do sistema, mas nenhuma preparação para combater várias formas de exclusão social, trazer cidadania pra quem nunca teve nada do governo e subverter o status quo. Afinal de contas a gente tá aprendendo pra servir a sociedade ou tamos ainda presos no modelinho besta de satisfazer as próprias vaidades? Perder essa oportunidade para me enfurnar em mais aulas, artigos, colóquios, monólogos, pisando em ovos pelos egos já fragilizados pelo mesmo sistema que o criou e nutre?



Que tipo de vida é essa, por Rangs? 

Será que é vantajoso se estropiar por um lugar ao sol em um lugar que obviamente não quer a sua inovação, mas sim sua resignação? Ah, mas ter títulos conta mais em provas de concurso! Quem disse que estou falando de concursos?!

Geral cismando com concurso como se fosse a salvação do mundo!

Existe algo que é possível de se fazer, legalmente, dentro das normas, e indo atrás das fontes e pessoas certas. É, isso mesmo que costumamos fazer cara de nojinho, o tal do empreendedorismo. Que na verdade é uma palavra bonitinha pra outras áreas acharem que tão abafando, mas que sempre teve por aí. ONG se vira nos trinta fazendo isso informalmente a torto e à direito.

Entrar com projeto em uma ONG ou se envolver com uma Associação já é um começo. O trabalho é demorado e botando tijolinho em cima da argamassa direitinho. É pra fazer algo sustentável, durável, sociável, e dá sim pra fazer com um cadinho de perseverança e teimosia. O que dava pra fazer enquanto estava trabalhando em uma ONG anos atrás abriu meu olho pra isso, há como fazer, com quem fazer, só falta tutano pra fazer.

E aquele treco de "amar o que faz" que ajuda bastante ao acordar de manhã.

Fico encafifada de entender o tal do empreendedorismo social e Biblioteconomia social. A minha visão desses 2 conceitos são englobadas em qualquer atividade voltada para favorecimento da sociedade civil, então não concordo em colocar o "social" ali. 

Se não tá fazendo Biblioteconomia para melhorar a sociedade onde vive, tá fazendo errado. 
Ou deveria estar engenharia da produção. 
(Eis mais outra piadinha infame para culpabilizar um curso nada a ver com nossa atuação)

Volta e meia vejo pessoas fora de nossa área realizando um trabalho exemplar em prol de bibliotecas, leitura e produção de conhecimento para quem realmente precisa e a gente aqui, babaquinhas, olhando pra paisagem como se não fosse nossa responsabilidade ajudar essa galera determinada, em não tentar fazer algo parecido, em não se esforçar pra honrar o diploma.

Será que tou cobrando demais de uma profissão que em cerca de um século de existência em território tupiniquim, regulamentada há 58 anos e que não acordou pra cuspir ou simplesmente quer se manter neutra de tudo pela comodidade do status quo?! Devo, mas gente, somos um bando de acomodados, hein?

Um mestrado teria que ser fora desse eixo estranho que se desdobra a minha área cheio de caminhos, mas vazio de práticas sociais. Se manter na pós também é algo submisso demais para minha já submissão. É o cúmulo do absurdo pensar que depender da aprovação de um departamento para validar minha proposta de trabalho. É mais nonsense ainda saber que pra torcer o nariz tem um monte, pra colaborar nem pensar.

Que as estrelinhas da Scopus fiquem com vocês, chuchus.
Há mais nessa vida além do sufocante internato da universidade.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Coisas que não se pode falar, mas se escrever talvez seja mais fácil de entender

O título é longo, mas valeu dissertar absurdamente sobre isso.

Temos hoje, 3 itens para dialogar, vejeeeemos:

1) bife de caçar rolinha não é o mesmo que rifle de caçarolinha;
2) adote aquele docente que ainda não entendeu que participar de eventos da área, no quintal do próprio departamento, não é tão ruim assim;
3) você só vira bibliotecário depois que se forma em Biblioteconomia e paga registro no CRB e as anuidades em dia.

Para o item 1, sabe-se que a semântica é algo lindo de se subverter, para o item 3 não tem como sair da caixinha legislada, mas para o item 2, oh sim, esse tem muito sentido com o item 1 e 3.

Vamos lá falar do item 2 então?
Parece interessante.
Vamos também colocar algumas falácias pra geral ficar ligada também, mesmo não sendo verdade completa. O medo é real, mas não verdadeiro.

Se você não atinge as horas de extracurriculares e optativas, você não forma. Yep, simples assim. Vai ficar mais outro semestre mofando no curso, pegando optativas que cumpram a carga horária e torcer para haver eventos que possam lucrar tua cara das horas pretendidas no currículo.

É isso mesmo sim, e se ferra aí.

Então a solução apropriada para tal coisa não acontecer na 7ª fase ou no pulo da 8ª, adote um docente carente de informação.

É fácil notar essa tipologia de docente, pois em momentos cruciais de integração entre discentes, eles fazem 2 coisas peculiares: se recusam a aceitar que você vai faltar uma aula deles para ir ao evento; dão de João sem braço para fugir da gafe de recusar o aprimoramento da educação formal de seus alunos.

Como então adotar criaturas peculiares como essa?
Chega naquela pessoa que ministra suas aulas e não libera para o evento, seja gentil, pergunte como a pessoa está, se ela tem um tempinho para ouvir a palavra da Legislação do Curso, aprovada em caráter oficial e assinada com responsabilidade em instâncias que representam (pasmem!) eles mesmos!

Olha só que lindo esse conjunto da Palavra tão verdadeira e inquebrável!

Currículo 2005 [x]
Currículo 2016 [x]
O bendito Projeto Político Curricular do Curso
A linda da Resolução 01/BBD/2009 que ajuda a miopia acadêmica ficar mais nítida: 

A Bendita Palavra da Legislação do Curso e seus respectivos documentos comprobatórios são tipo... A regulamentação dos objetivos daquele curso. Se alguém fere ou interfere nessas sagradas escrituras pautadas por uma lei maior chamada (Resolução Normativa nº17 CUN de 1997 que regulamenta os cursos de graduação), cabeças rolarão!

Metaforicamente. Ainda.
Não sabemos o que acontecerá daqui alguns meses.
Já que a universidade é autônoma, assim como o curso ao decidir as suas escrituras-lei.
Infelizmente os professores e alunos não têm autonomia alguma pra decidirem coisas sozinhos ou terem aval em documentos que regem todo um departamento.
Metaforicamente.

A mesma Legislação e aparato legal que dá poderes a eles também é o que os deixam na mão da burocracia.

Ruim isso né?

Mas óia só, há a contra argumentação de que na 17CUN97 o aluno tem direito a 25% de faltas.

E de acordo com o Oreio (Aurélio), punição em meio acadêmico se caracteriza quando alguém de hierarquia superior usa de sua credencial como detentor de informações e conhecimento para coagir um bando de medrosos a acreditarem que se faltarem 1 aula na semana para ir a um evento, serão condenados por uma graduação inteira.

O que dizer desse docente que morre de medo de ser boicotado?
Como adotar docente carente de informação com eficácia?
Vai munido das escrituras sagradas, com um sorriso no rosto, introduz o quanto importante aquele evento vai ser pro teu futuro acadêmico e profissional. Lembra do Decreto de Lei de como um bibliotecário deve ser formado pra bem... Ser quem deve ser e explica encarecidamente que essa obstrução de não deixar participar de eventos é resquícios de um trauma na formação profissional dele e você não quer repetir isso enquanto tem chance.

Okay, a última parte pode só pensar, não falar alto.
Tem gente que não aceita crítica construtiva quando ela é apresentada com argumentos, documentação, fé, falácias e a tal da punição eterna.

Dar suporte para formar aluninho medíocre como profissional crítico não é lá uma das prioridades dessa categoria tão interessante de se observar, mas fazer o máximo pra se manter BEM LONGE. Porque é meio isso que docente carente de informações tá fazendo: te punindo com as brechas do sistema para você se ferrar mais lá na frente quando perceber que perdeu oportunidades de ter experiências incríveis no curso.

Ou você pode deixar de ser medroso, ir ao evento e não dar satisfação alguma, porque convenhamos, adulto você já é e já basta a sociedade mandar e demandar na tua carcaça desde que você se entende por gente. Você pode também não ir ao evento e perder igualmente a oportunidade de ter experiências incríveis no curso.

Há algo a se considerar também, docente carente de informações também já foi você, aluno, medroso, babaca, logo isso pode estar refletindo na visão que ele fez e faz sobre eventos.

Se o evento for de graça, no quintal do departamento, com colegas de trabalho dele, pega pela mãozinha, continua sorrindo, leva ele contigo pro evento. Não custa nada tentar né?

E para o item 1 fazer sentido nessa verborragia, agora que os termos estão nos lugares certos e o entendimento pode ser feito com mais clareza:
Não confunda bife de caçarolinha com rifle de caçar rolinha.

E ir a eventos é o bife.
A rolinha é você quando não se posiciona politicamente nas ações de seu curso e profissão.
O rifle acho que cês já sabem quem são.

Ah! O item 3!
Se você não se forma devidamente nesse curso, como é que vai ter condições de pagar registro e anuidade no CRB? Ficou 4 anos no curso de bobiça é?

Que feio.
Roubou a vaga de alguém que queria.
Nossa, como você é ruim.
Vou te culpabilizar por esse delito e esquecer a reflexão ética discorrida ali em cima.

segunda-feira, 26 de março de 2018

[bibliotequices] biblioteca-fígado

Algo que anda martelando na minha cabeça foi a fala de um estudante ontem ao se perguntar sobre biblioteca escolar dentro de sua escola:
"Mas a biblioteca não é a escola também? Tem diferença?"

E eu na hora não peguei o filosofamento e as respostas dos colegas, mas a frase ficou aqui, guardadinha no sótão pra averiguação posterior.

A pergunta ali é pertinente quando a gente vai tentar pensar em ações feitas pela e para a biblioteca dentro do ambiente escolar. Por experiência vivenciei na maioria "bibliotecas anexo" como o almoxarifado ou sei lá, a quadra esportiva. Fazem parte da escola, mas não necessariamente precisam estar contidas ali. Tanto que muitos Projetos Políticos Pedagógicos sequer incluem bibliotecas por acharem que bem, se tá ali dentro é mais outra sala de aula.

O trem não é assim, gente.
Mais bom senso.

Então quando se encontra uma "biblioteca anexo" é sempre importante bater o pé, fixar uma bandeirinha na porta e ir lá conversar com administrativo e pedagógico para incluir a biblioteca como algo que faz parte da escola, das aulas, da comunidade escolar. Não é "biblioteca apêndice" - porque apêndice eu posso arrancar caso tenha problema nele - mas "biblioteca órgão", eu gosto de chamar de "biblioteca fígado", pois é o local que filtra tudo que acontece no ambiente escolar.

Graças que em todos os estágios em que pude estar tinha esse esforço hercúleo dos responsáveis em tornar a biblioteca um lugar de convívio que não resumisse no simples depósito de livros que tanto acostumei por sempre estudar no sistema de ensino público estadual (Não só daqui, mas de MG principalmente).

Quando a "biblioteca anexo" vira "biblioteca órgão", um espaço que a escola não consegue viver sem, aí sim pode ter certeza que estamos no caminho certo. Por isso o trabalho de formiguinha - como a linda da Spudeit falou comigo uns dias desses - por isso não desistir na primeira fechada de porta. Há outras maneiras de se tornar protagonista uma biblioteca anexo, estagiário tem como fazer isso de um modo bem bacana: converse com as pessoas com quem você trabalha.

Todos os dias. Lembre a eles que a biblioteca é legal e que dá para fazer muitas coisas ali durante sua estadia como estagiário temporário. Da galera da limpeza na hora do descanso que precisa de um lugarzinho pra sentar, lembre que a biblioteca tá aberta pra todo mundo, das merendeiras gente boa nos intervalos entre as tarefas, pergunta o que elas gostam de ler ou ver na Tv? Leve uma caixinha de revistas, o jornal do dia, pergunte se elas tem filhos que precisam de livros que talvez a biblioteca tenha. Pergunte se elas precisam de livros para estudar.

Os professores? Vá lá filar um cafézim e biscoito, vai chegando de mansinho e pergunta se alguém precisa de algum material para pesquisa em sala de aula. fale dos serviços disponíveis, tem caixa de recortes? Mesas maiores para desenhar na aula de Artes? Espaço para mostrar mapas para aulas de História e Geografia? Trata de perder a vergonha e gruda em quem dá aulas de Português, eles são a ponte principal para os estudantes e biblioteca. Tem material geométrico lá pegando poeira, chama quem dá aula de Matemática, Física, Química. 

Dá para chegar em todas as disciplinas em alguns momentos de boa conversa e o mais importante: saber que o que cê tá fazendo é para o bem de todo mundo ali naquela escola, a biblioteca é sem dúvida a melhor coisa que uma escola pode ter.

Foi mal, mas é.
Ninguém me convence ao contrário.

E o que pesa mais pra gente que tá na base, da base, da base: os administradores. Como fazer com que eles saibam a importância da biblioteca? Fazendo hora-extra? Sendo todo regradinho e quebrando galhos? Não gente, é sendo participativo com o cotidiano na escola. Reunião de pais e alunos? Vai, dá um jeito, mas vai. Levanta a mão e dá o informe que a biblioteca tá aberta para todos, que é de todos e você tá ali para facilitar o acesso de todo mundo nesse lugar. Reunião pedagógica? Vai também. Dá as ideias de "Hey por que não fazer a reunião aqui na biblioteca?", apertando todo mundo dá. Estar no lugar dá um impacto maior que apenas falar dele. Participe das festividades, mesmo se você for antissocial. Eu sei, é difícil, mas perder a chance de conhecer seu público com mais sutileza? É bom demais para deixar escapar.

Atenda alunos esbaforidos fora de hora, vale a pena cada segundo. Use os espaços comuns dos alunos, dê uma voltinha no pátio, use o banheiro deles, dê informações inúteis, mas curiosas "Hey, você tirando foto na frente do espelho, cuidado que podem roubar sua alma." (informe depois o contexto que era uma superstição no começo do uso da fotografia, dê aquele empurrãozinho intelectual para os estudantes irem lá pesquisar sobre isso). Ouça as conversinhas de dentro de biblioteca, sim, faça na cara dura e com atenção. Tem informações tão importantes ali quanto o de preencher questionário de estudo de usuários. No empréstimo pergunte se o estudante gosta desse tipo de livro, indique outra prateleira caso gostar, na devolução pergunta se ele gostou, quer mais um? 

Faça o favor de pelo menos ler os títulos que saem mais, os infantis são mais levinhos, em menos de 15 minutos, pá-pum. Se for infanto-juvenil, dá aquela folheada, pesquise no Google quando der, jornal do dia? Yep, leia. É ruim pra cacete? Leia mais ainda. Revistas que chegam? Dá uma olhada nas matérias, deixa à mostra nas mesas.

A biblioteca não tá bagunçada, está a disposição. Deixa as mesas ocupadas com livros de tudo quanto é jeito, revistas, pelamooooor se tiver jogos em tabuleiro DEIXA À MOSTRA! Chama atenção, criançada gosta quando está assim, informal, nada de pedir permissão para mexer em algo que é para a aprendizagem delas.

Peça gentileza a quem é responsável se você pode atender no recreio. É a melhor hora de fazer na prática o que tanto somos treinados na academia. Justifique que são 15 minutos que os estudantes tem para entregar e pegar livros, verificar as novidades, falar besteira pra você filtrar e usar como forma de cativar a atenção deles na próxima vinda.

USE LIVROS INÚTEIS COMO PESO DE PORTA, livro pesado que não sai mais há um tempão? Enciclopédia com 1cm de poeira? Livro didático maldito? Tem várias opções, árvore de natal, escultura pós-moderna, suporte de estante, banquinho pra quiançada, empilha tudo na frente do balcão e diz que construiu um forte contra *insira aqui o antagonista de desenho animado, filme, série que eles assistem* e só estava esperando a turma chegar para fazer planos de como derrotá-lo. Visite o almoxarifado, pergunte se tem material ali que eles não usam mais. Faça estripulias com TNT, papel crepom, cola, cartolina, clipes e sei lá... esqueletos de laboratório de Ciências. Mesmo se der errado e ficar horrível. Faz mesmo assim. Incentive os estudantes a explorarem suas habilidades artísticas, deixe papel de rascunho e lápis nas mesas. Pergunte se eles querem que você exponha nas paredes da biblioteca, sem medos de ser feliz. Desenhe você também, não tenha medo de incentivar neles algo que é repreendido em sala de aula.

Tr00lle com eles se possível. Lembre de quando você tinha a mesma idade. Vocês são estudantes, estão no mesmo nível de base na hierarquia escolar. A única diferença é que você tem mais responsabilidades (E boletos) que ele. Mas na essência, no jogo do aprendizado e do saber? Somos iguais.

Todo mundo na biblioteca é igual. Bota isso na cabeça.

Tenha seu supervisor de estágio (bibliotecário, oremos) nos seus contatos diretos do celular. A pessoa tá ali pra te dar as instruções, mas também para haver uma troca bacana de conhecimento, de vivências, de convívio. Ela também sofre pra caramba nesse ambiente por falta de incentivo, valorização, autorrealização. Ria com a pessoa, chore às vezes também. Pergunte quando tiver dúvidas, compare o que você faz no estágio com tudo que você aprende em sala de aula, questione tudo que você NÃO VER em sala de aula e que a Realidade te mostra todo dia.

Decore nomes, faces, gostos. Faz diferença. Se envolva, caramba! Não custa nada, ajuda no teu desenvolvimento profissional e pessoal. Não tem nada a perder. Torna até o ambiente de trabalho mais tolerável em tempos tão incertos na Educação Brasileira.

E a recomendação que me deram no começo do estágio e que repasso para todos colegas que estiverem em bibliotecas escolares: é aqui que a gente muda o mundo. 

Todas as ferramentas estão ali, todas as competências que podemos usar também. É talvez a 1ª e última experiência de ambiente acadêmico que essa criançada pode ter na vida inteira, faça valer a pena pra eles, pra ti que não teve a mesma atenção quando mais novo.

A recompensa (se é que devo colocar assim) é fazer essa criançada voltar no dia seguinte, ávida por conhecimento, leitura ou só para falar bobagem.

Ps: ao carregar livros didáticos ou qualquer trambolho pesado, use os joelhos, não as costas como apoio para levantar. A coluna agradece! :)

Ps²: a todas as supervisoras de estágio que já tive, muito obrigade. Vocês me deram mais oportunidades de crescer como ser humano do que eu esperava <3

quarta-feira, 7 de março de 2018

[bibliotequices] quem formamos?

Sou intrometide de natureza, queria ser cientista desde pequene, a vivência em vilarejo brejeiro reduto da família tradicional mineira, a graduação em universidade particular me ensinou que grade fechada, boca calada, mensalidade em dia e questionamento zero me faria bem. E fez. Até certo ponto.

Até perceber que os professores que tive eram propensos a fazer a gente a questionar. Não porque eram audaciosos, engajados politicamente (a maioria era reaça de convicções bem contrárias a uma educação libertária), mas eles cutucavam os lugares dentro da nossa índole de massa de manobra da licenciatura para fazer mais perguntas do que se satisfazer com respostas prontas. 

Apenas algumas exceções de professores que tinham orgulho de dizer que haviam servido ao serviço público e a respectiva universidade cristã por tanto tempo que questionar era um sacrilégio como perder a missa aos domingos. 
(o famoso: "Mas eu estou aqui há 20 anos e blá-blá-blá você não pode fazer isso porque é peixe pequeno") 

E eu era protestante naquela época. A etimologia do nome da crença não me foi adotada à toa. Mas a coleirinha social sim. 

Well, universidade particular não faz greve, não cobra por ensino de qualidade, não tem TAE acampando do lado de fora de Reitoria cobrando condições de trabalho dignas, os estudantes não precisam mesmo se preocupar se os direitos deles estão sendo prejudicados por manobras políticas diversas, na verdade o que me pareceu em 3 anos e meio de Letras Português é que a famigerada universidade do Papa Chico Sidious (na época era ele) se importava com o estudante de graduação. Sim, eles se importavam se faltávamos aulas, se não pagávamos os boletos, nos dava oportunidades de vivências com os diversos setores do município, porque eles tinham noção que ao sairmos daqui, formados, professores, seríamos propaganda ambulante de que a dita universidade era ótima, linda e maravilhosa. 

Muito simples: graduação pagava as contas deles e mandava moneys pro Vaticano. Pós-graduação era difícil alguém entrar pelo fato de não haver vagas suficientes, professores suficientes, ajuda financeira suficiente. Se era pra ir pra pós, que fosse na Federal dali, distante do município provinciano, cada um por si, CNPQ por todos. 

Fazer pós na tal universidade era luxo, era paga, era algo bem longe dos planos de um reles graduande sem noção. Por isso meus professores de lá questionavam, traziam a vivência pras aulas, contavam como era o Mestrado, o Doutorado, éramos colaboradores de sucessos acadêmicos - quando víamos um professor subindo de cargo após conseguir defender a tese dele e beneficiar o centro todo com os projetos de Iniciação Científica interdisciplinares, e aquela professora querida no meio do Doutorado, tendo insights durante a aula e discutindo teoria + prática para entendermos que ao sermos professores lá fora há uma expectativa enorme de quem vai receber essa educação que vamos compartilhar. A Gramática Normativa não serve pra nada, mas queridos, vamos entender esse sistema para explicar bem aos nossos curtidos alunos que eles podem se expressar e essa unidade formal da língua e um fragmento de como fazer isso. 

Todos sem exceção sinalizavam o quão enorme era o fardo de ser professor, como seria a responsabilidade ética que teríamos para frente ao entrarmos na sala de aula. Cada movimento, palavra minha poderia ser bem ou mau sucedida para uma criança ou adolescente seguir um percurso acadêmico desejável para ir para universidade. Sim, alguém tinha que ir pra universidade, afinal a famigerada instituição era a mais reconhecida na cidadezinha brejeira onde eu morava. 

Era um ciclo. Um ciclo que participei e vi a importância da graduação. 

O discurso de meus professores da Letras meio que instalou um modus operantis na minha cabeça: se é pra formar gente pra mudar o mundo lá fora, então faz direito. Faz com responsabilidade, faz pelo bem de todo mundo, faz por onde. 

E como experimentei bem o "por onde" nos estágios, creio que ir para uma segunda graduação na federal muito bem falada da região Sul do país seria algo incrível. E está sendo. Eles só não entenderam que quando você forma gente que mexe com gente, vem a lei do retorno. E ela vem pesada. Não importa qual crença ou ideias você siga, alho vai retornar para você em algum tempo. Colher o que se planta não é um ditado qualquer, é uma constância tão dolorida que para mim, como licenciade e pronte para encarar o mercado de trabalho foi demais pra mim. 

Eu não sirvo para modelos padronizados de didática. Não me sinto confortável na frente de um quadro, com cabeças viradas pra mim, em fileiras, absorvendo e não dialogando. Eu como alune não me sinto confortável nessa posição. Em uma biblioteca escolar, comunitária ou pública sei que sou mais capaz de fazer algo concreto, sensível, por isso estou cá ocupando esse lugar como projeto de bibliotecárie. 

Mas quem formamos na Biblioteconomia UFSC ultimamente? 
Quem você espera que vá se formar e fazer um trabalho legal lá fora no mundo real? 
Será que formamos pesquisadores capazes de ir para uma pós-graduação, porque é uma exigência de academicice ou de mercado? 
Por que meus professores saem da graduação, pulam para Mestrado e Doutorado e sequer passam por uma preparação em Licenciatura para serem, bem, vocês sabem... Professores? 
Por que eu tenho aulas com pesquisadores renomados se está estampado na cara da pessoa que ela prefere mil vezes estar atolada de artigos para escrever, extremamente estressada em orientação de outros pesquisadores, mas NÃO ali dando aulas? 
Como lidar nesse caso? 
Se a primeira graduação me deu um olhar aguçado pra esse tipo de erro didático sendo repetido pelo Bacharelado em Biblioteconomia, por que então insistir na contramão? 

Porque eu sou babaca. E quero mudar o mundo. E aprendi cedo que é na graduação que se começa a mudança com mais eficiência. 

segunda-feira, 5 de março de 2018

[bibliotequices] a tragédia biblioteconomística

Fonte: Left of Center Comedy
Cursar Biblioteconomia é como um enredo de tragédia grega, assim bem mastigada. Tem umas coisas na tragédia que faz com que o resto que a gente passa nesse curso faça sentido.

Você começa com introdução aos personagens principais. 

É você, coleguinhe, os que vão virar BFF, os que vão ser haters gonna hate, os professores, os técnicos administrativos, o pessoal da limpeza e segurança, a equipe da lanchonete.

Sempre rola de ter um coro.

Provavelmente os veteranos dando conselho que a gente NÃO ENTENDE agora por várias razões. É aí o trem começa a funcionar. E nunca é da forma que o desejado.

A vida na Biblioteconomia é separar parte do seu HD mental pra regras estranhas do sistema vigente de se padronizar coisas. E ai se não fazer isso! Vamos dizer que é um ethos bibliotequense. Tá tão implícito na nossa formação que acaba reverberando para a vida profissional de uma forma bem bem bem peculiar.

A outra parte é tentar se desgarrar disso tudo pra ser livre pra fazer o que quer. Quer desbravar as fronteiras das estantes? Quer transformar a biblioteca em um centro de referência para uma comunidade? Quer inovar serviços com acesso a informação, cultura e cidadania? Fomentar a leitura e escrita com responsabilidade social? Quer fazer diferença na mitologia que nossa profissão carrega desde os tempos de Alexandria? 

Tipo jornada de herói? 
É bem isso.

Os obstáculos para se alcançar o destino!
Quero as estantes tudo separada por cor! 
Não, não pode! 
Quero ir pro interiorzão levantar biblioteca no meio do nada e espalhar glitter e Cidadania! 
Não, não vai. 
Quero ir pro viés artístico e fazer projetos para incentivar a cultura e lazer na comunidade. 
Não rola. 
Quero passar em concurso público e ficar estável financeiramente e me aposentar com as costas quebradas por conta de lucro didáticos! 
Nope, não rola mais isso, porque... Temerários temerarão. 
Pelo menos posso sonhar?

Mas bora falar sobre os monstros? 
Provas do cão. 
Disciplinas filhas do vento (vazias que só elas). 
A Esfinge da Preguiça Argumentativa (é aquela que nos deixa com cara de paisagem?). 
Crise existencial. 
Tem lei, mas não tem emprego!

Óbvio que vai rolar uns pontos críticos de hybris, e você vai querer cometer algum tipo de atrocidade durante o percurso acadêmico. 

E tem hora que os textos técnicos se tornam isso aí em cima.
Fonte: A linda Wikipedia.
"Tá vendo essa data de devolução? Tá vendo essa reserva? Esquece porque não vou devolver o livro!"
"Também nem vou mais consultar essa base de dados, nem queria... "
"Não precisa revisar ABNT não, porque tá tudo certo. O Word corrige."
"Não vou ler texto nenhum, porque ninguém dá a mínima!"

Você vai chorar, ranger dentes, ter uma síncope pedagógica, mas não adianta, tirou menos que 3,0? Aos deuses vai ter que apelar.

O panteão universitário é bem diversificado, depende pra quem você se inclinar a demonstrar adoração.

Nossa Senhora do 5,75 - concebida na comunidade universitária como aquela que traz paz e amor ao coração do professor e sua nota naquela prova horrenda irá arredondar. 5,75 é nosso 6,0 aqui na... Ooooops não pode falar qual universidade né? Pega mal né?
Santo Ranganathan das Causas Perdidas - esqueceu a matéria da prova ou não sabe apresentar o seminário? Acende vela pra ele que vem as ideia mais loka de improviso.
São Dewey do feriado prolongado - alto explicativo né?

E um em particular que só acontece aqui nas minhas quebrada: Boitatá do Laguinho. 
Reza e louva ele, não os gansos. Os gansos são tipo sacerdotes dele, não fazem milagre nenhum (na verdade saem atrás de você pra morder seus fundilhos). Dá 3 voltas no Boitatá, pede licença bruxólica e faz o pedido desesperado. Traz iluminação pro TCC em 3 dias. Faz coordenador responder email urgente. Abençoa a banca examinadora/qualificação com gente boa. Dá paciência.

Depois de pedir pros deuses pra melhorar teu destino (se é possível, às vezes não), entra a parte dramática. Todo herói precisa perder algo para conseguir outra coisa em troca. 

Uma vez eu pedi pra Boitatá me fazer passar numa disciplina totalmente inútil e ele ajudou. Perdi uns pontos de Sanidade nessa, mas... O preço que a gente paga.

Falando em pontos de Sanidade, alguém aí sabe se a quantidade de gansos no laguinho é proporcional ao tamanho da destruição em massa da minha integridade cerebral? (O Tico e o Teco?)

Aí tem as intempéries... 

Haverá pessoas que vão minar suas ideias criativas. 
Haverão os que vão incentivar, mas tirarão o corpo fora. 
Os que vão te achar fora da casinha por ter umas ideias subversivas sobre o excesso de regras que o curso prega. 
Vai ter até autosabotagem quando você estiver do nada, decorando número de manual e achando que a vida seria mais fácil se tudo tivesse um processamento técnico impecável.

Jornada de herói começa com meta direta e decisiva. Se não fizer a tal coisa, haverá consequências inimagináveis. Na graduação o máximo que acontece é jubilar com o curso, fazer o quê?

Não é que a gente não leve o trem a sério, o desejo maior de querer ter o diploma (como se fizesse muita diferença, melbeins, não faz) é alto e voraz, mas a responsabilidade de SER esse agente social ativo na comunidade onde se está inserido é pouco fomentado.
O grande destino predito pelos deuses:
"PROMETO TUDO FAZER PARA PRESERVAR O CUNHO LIBERAL E HUMANISTA DA PROFISSÃO DE BIBLIOTECÁRIO, FUNDAMENTADO NA LIBERDADE DE INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA E NA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA."

Mas na graduação você só tem uma diretiva: conseguir o diploma em 4 anos. Com o que vai preencher esse tempo aí não é problema meu ou de qualquer outra pessoa.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

[bibliotequices] desorganização organizada com LibraryThing

[nenhum jabá foi feito ao se produzir esse post, esse trem tem código aberto pra gente usar e API, gente!]

Alguém precisar de uma ajudinha ou quiser praticar um pouco do processamento técnico aprendido no curso de Biblioteconomia, uma dica que dou é organizar a própria biblioteca particular.

Um projeto que boto muita confiança e gosto de ver as atualizações é o LibraryThing por facilitar para quem não quer perder tempo preenchendo dados intermináveis, em alguns cliques dá para adicionar livros em alguns minutos.

O app para Android que me surpreendeu com a última atualização: literalmente em segundos consegui processar uma pilha de 10 livros só escaneando o ISBN (válido) e adicionando automaticamente ao catálogo.

Qual é a graça nisso tudo depois?
Pra quem é a da Biblio é se divertir fazendo a indexação de forma mais apropriada pras suas necessidades (Minha política de indexação tá lá pegando poeira, mas vou dar uma revisada quando entrar na disciplina de Prática de Tratamento de Informação), se quiser escrever review do livro também dá, marcar estrelinha, separar em coleções, categorias, fazer wishlist, verificar se os dados com a fonte estão certos (se bem que eles puxam todas as informações de várias fontes como LoC, British Library, Amazon e muitos outros lugares), dá pra esnobar o Dewey e usar a LCC (Classificação da LoC) ou por número de chamada e PASMEM! dá pra colocar um campo para administrar empréstimos e devoluções

Tem mais opções lá, mas como faço a organização da minha estante de forma desorganizada (Por tamanho do livro, se caber na prateleira vai por autor, se não couber vai por similaridade) pra mim tá bem belezinha.

Quem quiser saber mais, visite o site deles e/ou comenta aqui o que achou, se usou, se tá com alguma dúvida. Facilitar a vida de quem precisa de informação: essa é a meta biblioteconomística pro resto da minha vida!


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

[bibliotequices] bigornas fenomenais de resoluções estágio

Eu tinha prometido no começo do mês passado que não iria mais me estressar com a Biblioteconomia. Que ia passar longe dela como diabo foge da cruz. Que não iria dar bola pras notícias, babados e muito menos o que acontece lá em certo curso onde me encontro. Até evitar pessoas diretamente ligadas a ele tou evitando, o burnout com a decepção acadêmica ainda tá pulsando aqui, mas nada ganha do pulso tilintando na jugular quando vejo algo que modifica todas as relações de poder/ser dentro dessa redoma que se chama Biblioteconomia e poucas pessoas estarem dispostas a escrever/discutir sobre.

O próximo texto foi escrito/rascunhado/adaptado de 2 lugares, uma postagem em um fórum de graduação da universidade dos Megazords, e uma postagem no facebook ao compartilhar a postagem da colega graduanda de Sampa, então parte do texto tá meio mudado, por quê? Porque nesses dois lugares virtuais não posso mais fazer piadinha tosca, trollar geral e muito menos usar de sarcasmo em doses nada homeopáticas.

Aqui sim, já que é meu muquifo.

É, não dá pra largar de mão algo que faz meu coração bater mais forte - de raiva ou de paixão - quando aparece uma Resolução sobre estágios em Biblioteconomia bem linda, vinda de cima pra baixo, como uma bigorna em cima de um personagem de desenho animado, é necessário escrever sobre isso.

E achamos que não vai nos atingir, mas ops! Claro que vai!

Papo chato? Textão de novo? Legislação? Política?
Antes de pensarmos que isso não afeta a gente na graduação, vamos fazer um esforcinho de refletir como a Reforma Trabalhista orquestrada pelos grandões lá de Brasília vai afetar continuamente a nossa profissão e a nossa formação acadêmica.

Pela Lei de 1962, que cria a profissão de bibliotecário como profissional liberal de cunho liberal e tudo mais, há também a Resolução 152 de 1976 que especifica como é a supervisão de estágio na Biblioteconomia.

O update da 192 de 2017 coloca algumas disposições novas e alguns empecilhos para o estágio em locais que não há supervisor com título de bacharel e com registro ativo no CRB de sua região - apenas bibliotecários registrados podem supervisionar a gente. Beleza, coerente com a Lei de 1962, nosso Código de Ética e outras diretrizes como a parte dos estagiários na CLT.
(Para mais informações, favor clicar aqui nesse link e verificar a legislação que norteia nossa profissão e cursos no país.)

O que temos que observar e refletir no próximo ano, para quem está em estágios, se essa Resolução tá sendo cumprida, se o nosso Departamento tem ciência e está fazendo conforme a Legislação e o mais importante: se a nossa região/mercado de trabalho está condizente com o que a Resolução pede.

Há 2 discussões bacanas rolando no Facebook sobre essa mudança e o estado precário em que estamos indo com vagas de emprego para egressos/profissionais da informação que beiram ao desespero.

===> Discussão sobre a Resolução 192 aqui [clica no link]. 
===> Vaga de Bibliotecário de 10 horas por R$ 700,00 [clica no link]
(Essa vaga tá dando um bafafá danado, pois na semana passada veio outra com o aspecto de "Consultoria para bibliotecas escolares" com o caráter de aceitação do candidato através do menor preço de custo para o serviço. Leilão na Biblioteconomia? Urrum, tamos começando a ser marcados como gado, galera! Mooooo-moooo there is no cow level!)

O texto da Resolução está no Diário Oficial da União, edição 241, publicado em 18/12/2017, pode ser acessado aqui: https://goo.gl/zk3xYE.

Debaixo do link, mais considerações e quando tento abstrair dessa redoma, Santo Rangs é impiedoso.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

já estamos em recesso

Tem rascunhos demais nessa fila, tentarei finalizá-los até o final desse ano, MAS já avisando que para efeitos de descanso acadêmico que não está sendo mais uma experiência prazerosa, estarei fazendo - vou estar fazendo - updates metalinguísticos/gamísticos no Tem um Warlock no meu Sofá.

Vai ter bastante updates de Contos, pois há uma dezena de capítulos de estórias que estou rascunhando e não publicando. se quiser ler ficção pra distrair, continue aqui de boas, se for sobre serviço de referência, movimento estudantil e qualquer assunto profundo de filosofia acadêmica (Que no final das contas não serve pra powha nenhuma, sorry/not so sorry), esquece. Vai descansar, vá ler um livro, vá jogar videogame, vá sei lá, ser feliz. Começa por aí.

Resolvi reduzir praticamente tudo que estava me causando dano agravado em questionamentos possíveis, inclusive esse amor pela carreira que escolhi para mim mesme. Espero que botar a linda Biblioteconomia para dormir no sofá (opa) durante o período de recesso faça bem para nós - ela enquanto entidade intangível que me enamoro a cada vivência, eu como corpo tangível que às vezes não aguenta mais as incoerências do mundo acadêmico - e para nosso relacionamento com o mundo.

And Bibliotequices de molho because apontar dedo na cara tá sendo muito fácil esses dias. Paciência é mínima pra tentar dialogar, logo: Parle à ma main.


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

[bibliotequices] e onde vão nossos sonhos fagocitados?

Tem essa música do Tom Zé que não saiu da minha cabeça o dia todo. O nome é em homenagem a atriz francesa Brigitte Bardot. A letra pode ser interpretada de diversas maneiras, mas quando eu tava pensando sobre o bendito curso que decidi seguir e fazer minha vida, então se mudar o nome dela dali e colocar como "Biblioteconomia", fica perfeito.

Essa música ficou polêmica não só pelo fato de ser do álbum "Todos os Olhos" com a capa mais polêmica que passou pela censura da Ditadura pelo viés ambíguo, mas por Tom Zé mexer no áudio na gravação para suprimir a palavra proibida daquele tempo (E do nosso também) para efeito dramático. Ele ainda faz isso nos shows.



Tem uma parte nessa música que me remete como a nossa profissão graduou uma premissa de todo sonhador, com grandes planos de fazer o mundo melhor, como fracassada:

Biblioteca não salva ninguém.

(Biblioteca não dá dinheiro)

Escola, por exemplo, pode produzir dinheiro e garantir a manutenção do sistema dominante, pode até ser a medida mais ousada de "talvez um ou dois nesses 50" vai ser alguém na vida. Professor sofre esse dilema diariamente, aqueles que colocam o sonho/vontade de mudar acima de seus próprios necessidades.

As crianças são o futuro da nação.

Eu gosto dessa frase, me dava um senso de missão com a minha vida de poucos anos, pois era como se eu e meus coleguinhas de sala pudéssemos realmente efetivamente fazer diferença no mundo. Bem sonhador mesmo, conseguir a paz mundial, igualdade social, ninguém passa frio, fome e sede, aquelas coisas que concursos de miss gostam de perpetuar nas nossos inconscientes. E eu cresci, meus coleguinhas também. E a gente não fez/faz diferença alguma pro sistema. 

Na Educação tem esse Paradoxo quase imediato de você ser o agente de mudança (e ter instrumento para tal), mas também manter os cordeirinhos dentro do cercado. Se dentro de sala de aula existe a autonomia do professor sobre o que fazer, dentro de uma Biblioteca deveria ser da mesma forma, não? Porque bibliotecas são espaços culturais e educacionais, não? Porque é lá que as pessoas vão estudar, certo? Não? É muito louco pensar em bibliotecas dessa forma?

É aí que quero chegar: a nossa área não tem grandes sonhos pra implantar na cabeça dos graduandos. A gente não sai de lá com utopias pra mastigar, mas sim algumas certezas que o sistema adora fazer a gente engolir. Se na área da Educação há aquele senso de igualdade em tudo quanto é canto, a gente na área de Informação quer só fazer algo pra se manter em um emprego precário em um sistema falho pra sobreviver.

Ou produtivismo.
Mas aí nessa cova eu não reviro nem a pau Juvenal.

Debaixo do link tem mais considerações.
E mais sonhos fagocitados.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

[bibliotequices] a relevância de bibliotecári@s em cenários pós-apocalípticos

No episódio inaugural do melhor seriado de todo universo - and com um dos bibliotecários mais incríveis da ficção - o seguinte diálogo aconteceu:




Começando com essa frase e pedindo pelamoooooor pra quem lê esse blog a NÃO DAR corda pros meus headcanons de cenários pós-apocalípticos - sério gente, sou nerd da ficção científica desde os 10 anos, tive 21 anos pra matutar tantos cenários de realidades que tenho vergonha de escrever sobre - mas esse tratado a seguir será aquele momento de vergonha alheia que qualquer bibliotequero vai dar um facepalm por não ter sacado ainda.

O que um headcanon??
Na linguagem marginalizada dos fãs nerds ou como se autointitulam fandom, o headcanon é uma pequena narrativa de uma possibilidade que nunca vai acontecer para se tornar canon (canônico, não a máquina fotográfica) por diversas razões, sejam elas de nível social (desvio da norma padrão patriarcal, heteronormativa, capitalista, neoliberal), seja de impossibilidade racional/física (paradoxos de viagens no tempo, catástrofes muito horrendas, Apocalipse Zumbi?!).

É tipo quando aquela pegadinha do copo meio cheio ou meio vazio? Com as interpretações de otimismo, realismo, fatalismo, achismo, fetichismo (o do Karli Marquis, gente), pessimismo, nihilismo miguxo.

O questionamento foi mazomeno o seguinte: o que aconteceria com a gente, profissional bibliotecário se uma guerra mundial tão devastadora acabasse com as formas de comunicação tecnológica que conhecemos?

Incluímos aí:
  • Fim da Internet e grandes databases do mundo.
  • Fim de energia elétrica como conhecemos em produzi-la.
  • Fim de qualquer tecnologia que se baseie ou sustente por essas duas premissas.
Como sou a pessoa no canto da biblioteca, literalmente sapateando pro assunto distopia pós-apocalíptica aparecer no rolê (mas mantenho isso pra mim, pois hey! Não é todo mundo que se sente a vontade em discutir planos estratégicos de sobrevivência em mundos devastados por hecatombes ou é chegado em discussões sobre as relações de poder na comunidade BDSM - whoa falei isso muito alto?!) lá vai o headcanon.

Para esse cenário aqui acima tenho duas variantes de headcanons:

1) desde a invenção do livro em formato que conhecemos, existia uma época chamada Era Medieval que sim, não tinha luz elétrica, vaso sanitário, sistema de esgotos que prestasse, fecho-éclair e Internet. E um tanto de coisa que parece banal pra gente agora. E os bibliotecários se viraram bem com os esqueminhas de printar em prensas de Gutemberg os famosos catálogos que assustavam nossa quiançada ao entrar em bibliotecas.

Aquela fofura das fichas catalográficas? Voltariam pra rodinha e você, tão concentrado em saber qual gerenciador de acervo é melhor que o outro sobraria como jiló na jantinha. Aprender a catalogar, classificar, indexar seria TUDO NO MUQUE, SEU FOLGADO!!

Boas notícias: há pessoas vivas que SABEM e DOMINAM muito bem essa técnica de organização de informação. Diquinha da Tia Elza da Referência? Converse mais com seus professores e/ou bibliotecários que tenham feito Biblioteconomia antes dos anos 90. A gente aprende mais com eles do que com qualquer um, viu?

Lado bom: esse headcanon era canon até metade do século 19 aqui no Brasil, voltaríamos a uma época em que já vivemos e nascemos como profissão, lições de lá já tiramos e talvez, por que não, parar de ser um bando de frangotes com medo de se arriscar pelo bem comum da sociedade...? Nâo precisa de luz elétrica pra fazer uma biblioteca ser viva :) Plus, aprender a esgrima e portar arco e flecha são sonhos de criança que não consegui realizar. Freud explica. Oh oh bardos!!

Lado ruim: não faríamos tanto ativismo ou reclamar da desvalorização do bibliotecário via Facebook. E Era Medieval não era muito legal, sabe? Não gostaria de ser obrigade a escrever num tomo enorme essas bibliotequices sem poder compartilhar. Ah! E banho frio. Brrrrrrrrrr!!!
Nada mais de informação para todos, esquece disso Josebelde... Informação local e onde as canelas alcançassem.

Mas vamos piorar a situação? Porque ser fatalista me traz mais benefícios em encarar a realidade vigente do que tentar ser otimista...



2) Que tal o headcanon de APOCALIPSE ZUMBI?!
Sim, sem luz, sem Internet, o mundo devastado por uma praga incontrolável de zumbis frenéticos personificações de nossos piores pesadelos de perda de autonomia, criatividade e privacidade como indivíduo? Sim, esse mesmo, meu headcanon favorito! E o mais absurdo também.
(Já escrevi sobre o assunto favorito aqui nesses links [x] [x] [x] [x], tem esse artigo bacana aqui [x])

Então, here is the thing: Se essa possibilidade acontecer há duas opções pra mim como projeto besta de bibliotecário:

1) a mais provável na estatística básica de Apocalipses envolvendo a quase extinção da humanidade - Eu acabaria como um zumbi especializado em fazer emboscadas pra comer (literalmente, zumbis são canibais, lembram?) profissionais, cientistas da Informação e pessoas que não concordam que a CDU é genial. Por algum resquício de memória de um passado recente, teria um prazer enorme em fagocitar certas pessoas. E a lista seria enorme, sério.
(Isso Freud não explica, porque tratar de canibalismo ou antropofagia não era a praia dele, né?)

Então não poderia fazer absolutamente nada a não ser importunar vocês, amigolhes de profissão até alguém finalmente botar fim a minha existência grotesca.

Diquinha pro futuro que não vai acontecer: nada de desperdiçar munição comigo, faça uma armadilha com alguém da Biblioteconomia dizendo as leis de Ranganathan e golpe na cabeça já resolve. Iscas com edições de livros didáticos parcialmente destruídos também me atrairiam como mariposa na luz.

2) a opção menos provável seria a de sobreviver, viver com uma PTSD f*****, MAAAAAAAAS sendo bibliotecári@. Tá aí o destino mais macabro possível para pensar. Então com certeza eu seria a tia da referência mesmo, grumpy as fuck e provavelmente não tendo dó alguma em queimar livros imprestáveis pra aquecer lareiras e cozinhas improvisadas.
(Shakespeare vai primeiroooooooo!!)

Tá vendo a 300 e a 500 até 610 da CDU? Pode pegar tudo e botar fogo. E a estante deixa pra botarmos pra segurar as portas da biblioteca e servir de barricada. É óbvio que os zumbis vão nos encontrar cedo ou tarde.

Vou fazer estudo de usuários com tanta vontade que vou querer saber que tipo de pesadelo você tem durante as horas de cochilo. É provável que eu sirva de psicóloga, mais acertado eu dar a real e pedir pra você aceitar logo que o futuro da humanidade está perdido, você não serve pra nada nesse mundo e que é melhor pensarmos em formas de NÃO nos matarmos antes de sermos mortos pelos mortos-vivos. Serei uma pessoa amarga e contraditória, mas você, sobrevivente de Apocalipse Zumbi, vai precisar muito de minhas habilidades de investigação e memória ótima pra informações inúteis como jamais coma cogumelos dessa lista aqui, jamais beba água do mar sem antes filtrar e o mais importante: você pode viver sem água e comida por um bom tempo, mas ficar sem dormir por mais de 72 horas é sua sentença de morte.

Por isso as bibliotecas serão refúgios perfeitos para sobreviventes de Apocalipse Zumbi. Tem material pra barricada de montão, a estrutura de paredes firmes, portas mais reforçadas e janelas com grade (mania idiota de brasileiro achar que pessoas roubam livros) e todo o conhecimento do mundo ou parte dele ali.


E bibliotecários podem ser chatonildos pra cacete, mas somos necessários no seu grupo. Mais ainda que aquele mané ali que tem mira certeira e sangue frio. O mané não sabe o poder de estrago que um volume da Barsa pode causar na cabeça de um morto-vivo. Ou corte de papel A4!! E por favor, o que é um babaca segurando um machado ou cabo de ferro perto da minha habilidade de dar olé em corpos putrefatos cambaleando em minha direção com uma quantidade absurda de mantimentos?

Já treinei com livros didáticos, você não. E corri de crianças! Se isso não é uma habilidade magnífica, você não sabe de nada inocente.

Mas a vantagem de se ter um bibliotecário com você durante o colapso de toda estrutura histórica do ser humano desde a invenção da roda é que nós somos educadores por natureza, mediadores de informação. Então esse conhecimento todo não ficará comigo e muito menos morrerá no meu cérebro assim que a opção 1 acontecer. Vou fazer o possível pra capacitar todo mundo ao meu redor das idiotices que NÃO DEVEM fazer em um Apocalipse Zumbi. E o que podem fazer de legal.

Perpetuar a espécie é uma opção legal, óbvio sempre com consentimento de ambas as partes. Nada de forçar a barra só porque estamos em um estado anárquico de ausência de civilidade. Não seja babaca, seja consciente de seu papel nesse cenário pitoresco de aniquilação de todas as regras em que você vive socialmente. E sobreviva.

Com um bibliotecário por perto, de preferência.

Pessoas que amam CDD, tou de olho em vocês. Vocês me parecerão suculentas algum dia.

Ps: tem gente nos estaites que compilam livros como esse pra deixar a galera de sobreaviso. E pasmem, a CDC (tipo Controle de Zoonozes) americana dá dicas de como sobreviver a possíveis Apocalipses Zumbi.