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quarta-feira, 10 de outubro de 2018

quando a violência sempre esteve muito perto

Aquele textão que talvez sirva pra ilustrar bem o que outras pessoas possam estar sentindo nesse exato momento, mas que não consigo mais segurar em não escrever por diversas razões.

Não sei quanto a vocês, amigolhes da timeline, mas nunca fui uma pessoa de saber lidar com conflitos, seja qual fosse a natureza. Sou péssima em debates calorosos em que as emoções estão à tona, não me sinto confortável com pessoas discutindo, odeio ver bate-boca e minha reação para brigas com envolvimento físico é de correr na direção oposta. Não é por falta de tentativa em ser alguém corajoso ou de ter vontade de me impor, é que a violência sempre teve muito perto de acontecer quando você é uma pessoa que pertence a uma dita minoria.

Em algumas vezes a violência é tão intensa e rotineira que vira algo banal aos olhos de quem sofre.
(Já acontecia antes, não é? Agora começou de novo? Ah tá.)

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

A proteção necessária

A política de manter distância das pessoas com no mínimo um braço de distância tem sido uma das consequências de período ruim de vida.
Eu fazia isso quando criança pra não me aproximar demais de quem já sabia que ia sair de meu convívio - família nômade, muitas mudanças, amizades ralas para não se apegar demais e mudar de cidade e bem... - isso foi se tornando útil para evitar agressões seja nos esportes, ou na escola. Crianças podem ser ruins as vezes. No que eu via coleguinhas destratando outros não desejava me ajuntar a patota por razão óbvia.

Melhor sozinho que mal acompanhado.

Na adolescência o claustro foi algo básico na rotina, raros eram os abraços e mais raros ainda o tocar ou deixar alguém tocar. Mas ruim admitir a violência tava presente em muitas socializações em que estava incluída. Desisti dos esportes por conta tá disso, o contato corpo a corpo que machucava, independente do gênero que se encaixassem. Levei mais bordoadas em times de handebol feminino que em futebol com maioria masculina.

O medo de sentir dor também era real.

Nunca fui de me ligar muito em alguns assuntos da maioria, mas assim como o futuro irônico de ser uma pessoa acadêmica e me fazer mais observar ações e tirar conclusões dali foi moldando o afastamento necessário de pessoas. Elas são esquisitas quando motivadas por emoções extremas.

E mais esquisita sou eu quando tento fazer algo pra chegar a esse level de contato mesmo não me sentindo bem.

Engraçado ver todas essas observações empíricas de quase 30 anos de ter noção de quem sou e verificar que atualmente tenho uma pontada de horror ao saber de casos de violência perto de um círculo que convivo. Horror mesmo de perder pontos de sanidade, mermão que Cthulhu tá no comando faz tempo.

E enquanto violência física não costuma ser minha resposta como a mais sábia (correr na direção oposta sim), a violência psicológica foi o que sobrou pra assombrar algumas partes dessa mente já nada otimista com as últimas notícias. O medo de me machucar e a política da distância a um braço vieram com toda força após alguns eventos infelizes. E estavam atrelados a emoções extremas igualmente, então parece que meu cérebro automaticamente entende que se me aproximar demais ou deixar alguém chegar perto, logo haverá porradeira psicológica que meu emocional nunca foi bem preparado por falta de prática.

Houve uma ocasião que me obriguei a testar uma teoria para saber até que ponto estaria disposta a me deixar soltar um pouco, o resultado foi uma noite mal dormida em completo estado catatônico forçado pra não encostar ou me mover do lado da pessoa que tinha um crush danado (admiração, respeito e carinho foi o que ficou. Não me atrevo a voltar a sentir coisa alguma com tanta incerteza rolando). Hoje eu rio comigo mesma, porque foi uma besteira imensa de minha parte em relação a situação, poderia ter dormido que nem faço com cartão VIP pra rave de Morfeu, mas preferi ferver meus neurônios com nervosismo e ansiedade.

Acontece com a gente extremamente preocupado com o que vai acontecer no futuro e não aproveita o presente.

Carpe diem my butt.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

a semana dos pesadelos

Assim como eventos esporádicos de nossa vida, a semana de pesadelos é um bocado tensa pra mim, pois é um aviso certeiro que minha mente está overloaded de informação.

Os feelings também fazem parte, já que este ano foi rollercoaster de emoções por trocentas coisas e descobertas e novas sensações e experiências.

Estar realizando um bom trabalho também mexe um bocado com os enredos de pesadelos. Então chego a conclusão que quando estou sendo boa demais em algo, é porque vai dar ruim. Fatalismo aqui comigo sempre...

Como já tinha relatado em post anterior, experiências de sonho lúcido foram um modo de coping as angústias de sonhos relativamente dolorosos e com monstros demais para se lutar. Quando se tem uma imaginação fértil para o cognitivo criativo, a vaca que vai pro brejo vira uma vaca revoltada com uma foice, raivosa e bípede. Sim, isso foi uma referência ao meu jogo favorito.

There is no cow level.

Exceto que na semana do pesadelo o círculo de palestras oníricas gira em torno de uma porção de atividades, desde terror noturno e episódios de paralisia do sono - que é o que tá rolando mais e tá agressivo os esquemas de sair do torpor - gatos fazendo rave de madrugada e me fazendo levantar pra ver o que será que derrubaram, viraram, se machucaram e talz. É cansativo.

Na maior parte do dia dá pra abstrair, fazer a rotina de sempre, tentar não me exaurir ao extremo pra chegar em casa, ir pro automático no chuveiro e dormir com metade do corpo fora da cama. Mas há sempre algo e esse algo vira uma série de pequenos enxertos de pesadelos que são costurados nos sonhos habituais (sonhos com rotina são os mais numerosos, eles me confundem às vezes ao acordar quando são intensos na questão de imersão).

Então uma situação que me incomoda no diário VAI vir me perturbar no sonho.
Mesmo tentando evitar de pensar demais nisso.

A semana do pesadelo não me priva de sono, mas me cansa mentalmente e fisicamente quando excede o limite possível. Já teve Passos do Luto, Clube da Luta, os sonhos que apelidei de "Cthulhu Calls" são os sonhos malucos com detalhes nada felizes e sempre terminam IRL com episódio de paralisia do sono. 

Paralisia do sono é aquela sensação em que você acorda e não consegue se mexer, falar, gritar, fazer qualquer coisa e para a cereja do bolo, há a sensação inquietante que há algo ou alguém no quarto em IRL com você. Muitos falam que esse estado de torpor é semilúcido, entre o sono profundo e o despertar, e é possível que tenha alguém (aí vai da crença de cada um, ok?) ali fazendo isso.

O que a semana de pesadelos faz comigo, acho que ninguém em IRL consegue fazer pra me tirar do sério. Pra manter o bom humor durante o dia é um custo, e os cochilos dentro do busão são mais proveitosos do que o conforto da própria cama. 

A falta de seguridade tá me perturbando até em sonhos.
Se não consigo relaxar em casa, no meu quarto que mantenho exclusivamente para dormir, então não sei mesmo como voltar ao ritmo normal e aceitável de descanso.

sábado, 28 de abril de 2018

[bibliotequices] tô estudando prá saber ignorar

[Essa postagem foi feita no Facebook após um dia nada promissor sabendo das peripécias da vida acadêmica de certo departamento de certo centro de certa universidade de megazords. E aí foi juntando tudo que já presenciei no Movimento estudantil dentro do dito lugar e plim, saiu isso aí. Ah! o título é um pedaço da letra de "Tô" do mestre Tom Zé.]

EDITANDO: O Chico de Paula da Biblioo entrou em contato comigo e postou o meu texto no Portal no dia 8 de maio. Tou super feliz por isso, a Biblioo é um dos principais sites referência sobre Biblioteconomia :)

A insônia não costuma ser minha amiga, mas de vez em quando ela aparece, e joga assim na minha cara uma pergunta muito horrível: até quando a gente vai parar de formar gente acéfala e insensível com os problemas da profissão?

O que me faz perder o sono durante esses 4 anos de Biblioteconomia é de saber por A + B que estamos formando um bando de gente sem noção política ou preparo crítico para entender o quanto a profissão é uma responsa do caramba. O quanto a gente faz diferença. O quanto aquela besteira de "conhecimento é poder" é levada à sério por quem comanda as engrenagens.

É de perder o sono sabendo de bancada de professor proibindo participação estudantil em espaço de direito dos discentes, garantir status e reputação, mas não qualidade de ensino pros graduandos. E aceitar passivamente isso, como se nada tivesse acontecido (Sorria e acene).

É de passar mais um semestre vendo outra formatura e torcendo que pelo menos metade ali cumpra o tal do juramento (Que precisa ser reformulado, pelamoooor) e seja bibliotecário, e não reprodutor de ideologia do comodismo, ou tome aversão pela profissão, ou virem cães de manutenção do sistema.

É de às vezes estar na aula, olhar ao redor e me perguntar: será que isso tudo vale a pena? Esse espetáculo? Essa encenação de que tá tudo bem, porque lidamos com a informação (mentira, lidamos com gente, a informação é uma ferramenta do nosso trabalho), logo o futuro é nosso. Essa invencibilidade imbecil.

É de ainda lembrar de conversa de corredor com tapinha nas costas pedindo para não mexer com isso (pensar demais sobre a graduação, a situação de nosso curso, a sanidade de nossos colegas), porque não é da minha alçada. Seguir a hierarquia. Sit, junto, sentado, calado.
(Sim, tive coragem de citar Kelly Key.)

O que me faz perder o sono em 4 anos de Biblioteconomia é ver que tem gente tão legal fazendo algo substancial e não podendo voltar pra universidade pra dizer como foi e como uma ação de bibliotecário pode mudar a vida das pessoas. É saber que esse pessoal sequer quer voltar pra esse lugar tóxico que tem se tornado com tanto estrelismo, disputa de egos e invisibilidade de temas extremamente urgentes e relevantes pra sociedade.

E quando tem conta atrasada e dilemas existenciais, também perco sono. 
Mas esses motivos ali em cima? São os que não dá mais para engolir e deixar quieto. Continuo perdendo o sono, fazer por onde tá vindo...

sábado, 14 de abril de 2018

o medo

Acho que a melhor forma de descrever a minha infância é que durante os primeiros anos eu morria medo de gente e me escondia de tudo e todos, para uma fase de desconstruir coisas e ideias antes de conhecer os conceitos dessas coisas - e me fuder muito com rejeição, negação, correção e adequação normativa - e culminar nesse ser inquieto de 9 anos que NÃO DEVERIA ter lido o conto mais pavoroso de Edgar Allan Poe, porque leu a resenha do bendito na cama da irmã mais velha.

Ela também não deveria ter me apavorado tanto com a história dos espelhos que roubam almas quando tá trovejando. E lido sobre como fotografias do século XIV também faziam isso.

Alguém deveria ter me avisado e tirado os livros de terror e suspense psicológico enquanto dava tempo (não é leitura saudável pra uma criança de 11 anos gente). Agatha Christie? Edgarzinho? Emily Bronte? Carai por que deixaram eu futucar na prateleira e achar o Horror de Dunwich do Lovecraft?! E me darem aval pra levar pra casa e ler?!

Cine Trash , Contos da Cripta, Hora do Arrepio, okay quem foi que não desligou Sessão da Tarde com Elvira, a Rainha das Trevas e me expor aquele mundo tão macabro entre o burlesco, o grotesco, o horror dos anos 50/60, a mescla inusitada entre comédia-punk-gótica desconstrução da powha da sociedade do consumo de massa Hollywoodiano?!
Por que não me deixaram só com os Trapalhões e Lua de Cristal?
(Nem sabia que a Rainha dos baixinhos tinha pacto com entidades estranhas)

Definitivamente não deveria ter me enfiado tão cedo em uma noção de cunho espiritual pautada na danação eterna do meu corpo em detrenimento da minha mente. Ou de me fazerem ler o Apocalipse antes de tudo que tinha antes e me apavorar com as descrições simbólicas.

Porque não fizeram o favor de me explicarem explicitamente o que acontecia com gente viada e sapatona na cidadezinha vilarejo brejeiro onde eu morava e sim ler no jornaleco local ou ouvir na escola que adolescentes da minha idade eram linchados pela própria família e vizinhos por serem gays, lésbicas, trans?

Entendam: se eu não tivesse entendido muito cedo que essa powha de mundo era um lugar horrível de se viver e que em alguma hora eu ia cansar - intelectualmente, fisicamente, psicologicamente, espiritualmente - precocemente disso tudo, nem teria ido pra outra fila e contestado a fessora sobre papeis de gênero na hora do hino da bandeira no pátio da escola.

Por tudo que me é sagrado e pessoal: estaria casada aos 18 com filhos e uma vida normal e estável de acordo com a sociedade patriarcal. E igualmente sem pontos de sanidade.

E não estaria escrevendo sarcasticamente sobre minha experiência com o medo.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

[bibliotequices] e onde vão nossos sonhos fagocitados?

Tem essa música do Tom Zé que não saiu da minha cabeça o dia todo. O nome é em homenagem a atriz francesa Brigitte Bardot. A letra pode ser interpretada de diversas maneiras, mas quando eu tava pensando sobre o bendito curso que decidi seguir e fazer minha vida, então se mudar o nome dela dali e colocar como "Biblioteconomia", fica perfeito.

Essa música ficou polêmica não só pelo fato de ser do álbum "Todos os Olhos" com a capa mais polêmica que passou pela censura da Ditadura pelo viés ambíguo, mas por Tom Zé mexer no áudio na gravação para suprimir a palavra proibida daquele tempo (E do nosso também) para efeito dramático. Ele ainda faz isso nos shows.



Tem uma parte nessa música que me remete como a nossa profissão graduou uma premissa de todo sonhador, com grandes planos de fazer o mundo melhor, como fracassada:

Biblioteca não salva ninguém.

(Biblioteca não dá dinheiro)

Escola, por exemplo, pode produzir dinheiro e garantir a manutenção do sistema dominante, pode até ser a medida mais ousada de "talvez um ou dois nesses 50" vai ser alguém na vida. Professor sofre esse dilema diariamente, aqueles que colocam o sonho/vontade de mudar acima de seus próprios necessidades.

As crianças são o futuro da nação.

Eu gosto dessa frase, me dava um senso de missão com a minha vida de poucos anos, pois era como se eu e meus coleguinhas de sala pudéssemos realmente efetivamente fazer diferença no mundo. Bem sonhador mesmo, conseguir a paz mundial, igualdade social, ninguém passa frio, fome e sede, aquelas coisas que concursos de miss gostam de perpetuar nas nossos inconscientes. E eu cresci, meus coleguinhas também. E a gente não fez/faz diferença alguma pro sistema. 

Na Educação tem esse Paradoxo quase imediato de você ser o agente de mudança (e ter instrumento para tal), mas também manter os cordeirinhos dentro do cercado. Se dentro de sala de aula existe a autonomia do professor sobre o que fazer, dentro de uma Biblioteca deveria ser da mesma forma, não? Porque bibliotecas são espaços culturais e educacionais, não? Porque é lá que as pessoas vão estudar, certo? Não? É muito louco pensar em bibliotecas dessa forma?

É aí que quero chegar: a nossa área não tem grandes sonhos pra implantar na cabeça dos graduandos. A gente não sai de lá com utopias pra mastigar, mas sim algumas certezas que o sistema adora fazer a gente engolir. Se na área da Educação há aquele senso de igualdade em tudo quanto é canto, a gente na área de Informação quer só fazer algo pra se manter em um emprego precário em um sistema falho pra sobreviver.

Ou produtivismo.
Mas aí nessa cova eu não reviro nem a pau Juvenal.

Debaixo do link tem mais considerações.
E mais sonhos fagocitados.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

soltas cobra-ideias

Menos mais um dia
Menos inspiração
Deuses não deram as musas o privilégio
De serem donas de seus próprios desejos
A mão inútil que não escreve
Não cria
Não-vida
Acorda nervosa, punho de ódio de noite
Sonâmbula, distraída de dia
Rabisca um verso ali e aqui, pragmatismo
Arrasta a caligrafia, determinismo
Garrancha alguma hipocrisia, mimetismo

Os deuses não deram asas as cobras por ser uma péssima ideia.
Já ideias soltas foram uma ótima solução.
Às vezes tocando em nossos rostos como veludo, para depois
Ah depois no rasgar pele-carne-osso com suas escamas porosas.
Asas felpudas não são garantia de bondade
Ideias soltas são como anjos disfarçados dos piores demônios que guardamos num dedo
De prosa ou outra
(Um dedo não)
Outra mão

A mão que não escreve
Que não produz
Que cheia de dedos cerra um punho
Serrar meu punho seria um alívio em horas como essa
De ideias soltas
De anjos felpudos
De demônios guardados

Cobras essas que cobram por mais vítimas
Em suportes de papel, barro ou telas lúcidas em plasma
Entupidas de veneno, a respingar, no alto de nossas cabeças,
Esperando as próximas vítimas
Infligindos pequenas mordidas
Lacerações de intensa agonia
Menos mais um dia
Um pulo, um bote, uma constrição

Deuses não deram aos homens a graça
Desprovidos de entender as musas
Roubaram o fogo e trouxeram a desgraça
A caixa com os males do mundo não é aberta por ninguém
Não há caixas, não há faixas, apenas cobras
De asas felpudas, ideias soltas de demônios guardados

A mordida parece leve no começo
Como anestesia aplicada direto na dor
Não se cria nada sem destruir o Outro
Não se consegue prosseguir no caminho sem tropeços
Tropeçamos
Tropegamos
Trepassamos

Os deuses não deram asas as cobras por ser uma péssima ideia.
Já ideias soltas, ah essas cobras-ideias, foram uma ótima solução.

terça-feira, 14 de março de 2017

poema número 20 de pablo neruda

Queria escrever altos textos reflexivos aqui, mas aí lembrei que Pablo Neruda já fez isso no idioma que não consigo compreender muito bem e o Sixpence None the Richer traduziu em música só para finalizar com tudo.
(Mas na hora da sofrência, camarada, até meus neurônios ligam a parte linguística ignorada para o idioma latino derivado da árvore ibérica)


Poema nº 20 por Pablo Neruda.

PUEDO escribir los versos más tristes esta noche.

Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos".

El viento de la noche gira en el cielo y canta.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.

En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.

Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.

Oir la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

La misma noche que hace blanquear los mismos
árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.

Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Porque en noches como ésta la tuve entre mis
brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.

Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

cristandade mutiladora

Reitoria, pessoas perdidas, "Onde é PRAE?", indico o lugar, vou junto (Vai que se perde né?), pessoa pergunta se já consegui algum beneficio estudantil com a PRAE, se é difícil conseguir, dou de ombros, quando tentei havia a regrinha do "se já tem 1 faculdade, nopes, cê não entra", mas tá valendo, muitos colegas comigo conseguiram, tão indo como dão, tão fazendo por onde.
Pessoa pergunta o que eu faço nessa escola, acho engraçado o uso da palavra, digo que sou do CED, ali atrás, prédio alto lá nos fundos, curso legal que faço, Biblioteconomia, pessoa não entende na hora, "é pra cuidar de gente e de bibliotecas", pessoa entende e sorri, agradece pela ajuda, diz que vou conseguir essas coisas da PRAE com o poder do sangue de Jesus.

Me encolho.
Dou meio sorriso, um tchauzinho, desejo um bom dia e "se cuide!".

Não quero "sangue de Jesus" envolvido, nem metaforicamente falando. É estranho, é intruso, é violento, me soa ruim e o que custava apenas dizer "se cuida também". Eu quero me cuidar, desejo isso pra todo mundo que passa por mim, cuide-se você também, tenha bons pensamentos, viva intensamente, seja feliz acima de tudo, não assim desejar que em nome de alguém que não acompanho muito (Ou pelo sangue dele, seja lá o que deva significar pra galera cristã).

Sei que não vou conseguir esses trem da PRAE, porque há a regrinha do ter feito já uma faculdade, mas mesmo com esse encontro aleatório com pessoa que jamais vi na vida, ainda me encolho.

Não quero conseguir nada na vida através do pensamento nos fluidos de uma pessoa talvez (Por que sim, por que não?) imaginária. Era mais fácil dizer que a Força estava comigo, sempre. Cresci com a máxima daquela cartinha linda pra galerinha maneira de Corinto (Que aliás, fica na Grécia, perto de Atenas):
Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? 
(I Coríntios 3:16)

Crucifixos me incomodam. A forma de retratar Jesus Cristo nos filmes de Páscoa e todo festival de martírio, dissecação e mutilação pra "salvação". Não me inspira nada ler um livro que termina no sacrifício de um cara bacana e gentil que pregava sobre o Amor e talz sendo severamente punido pelos romanos. Mesmo que seja historicamente refutável. Mesmo que seja estranho.

Tem muita coisa na simbologia cristã que não me desce mais por ser baseado em uma noção de vida de pura submissão e "é, méh, pode bater na outra face". Esse não é propósito de um ser racional aqui nesse plano terrestre, não pode ser só isso: ser servente de uma entidade imaginária.

Também não me sinto confortável quando dizem palavras assim, como se fosse o mais natural possível, sendo que carrega toda uma subjetividade dentro e fora, "sangue de Jesus", véi, sério?! Cês reclamam de religião que sacrifica animais como parte de ritual, mas continuam usando "sangue de Jesus", retratando ele pregado medonhamente em crucifixos, ostentando a tortura dele nos altares das igrejas e em suas palavras diárias de doutrinação. Isso não tá certo, viver a vida com medo da dor dos outros não é certo. 

Custava falar: "Que o sorriso de Jesus te ilumine!" ou "Que a sabedoria de Cristo guie teus passos!"? - assusta menos, ajuda mais, faz bem pro mundo. Não o sangue dele, metaforicamente ou literalmente dizendo.

quarta-feira, 2 de março de 2016

preparação tática sem danos (colaterais graves)

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"that you're alone and you're lost in a forest and no one's giving you the fucking map and where the hell are you? accept that you can't go back because you would be doing something karmically (impossible?) and you just have to go forward..."


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

FYI

I still miss you dearly every fucking day and I kind hate to feel it when my heart just sinks into my belly of thinking of you. I still miss you even of all these years
posted from Bloggeroid

domingo, 21 de junho de 2015

Direto do Facebook - My mother and father fell out of love.

Estava olhando a timeline de um amiguinho muito especial e deparei-me com essa postagem intrigante.


"My mother and father fell out of love. It took six years for them to rot. It was slow. It snuck up on them through...
Posted by The Artidote on Domingo, 21 de junho de 2015


Nem preciso dizer muita coisa, né?
#EstoriaDaMinhaVida

(E quando coloco estória com "e" é porque é ficção e a ficção anda sendo mais realística do que a vida real)

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

[vídeo] Macaé por Clarice Falcão



Se por acaso alguém chegasse em mim, me dedicando uma música que reresentasse tudo que a pessoa sentia por mim e fosse ESSA música, eu me sentiria ligeiramente acanhada.
(E sim, meu amorzinho me apresentou a macabra da Clarice Falcão, tou amando as letras dela)

Se eu tiver coragem de dizer que eu meio gosto de você
Você vai fugir a pé?
E se eu falar que você é tudo que eu sempre quis pra ser feliz
Você vai pro lado oposto ao que eu estiver?
Eu queria tanto que você não fugisse de mim
Mas se fosse eu, eu fugia.
Ei, vai pegar mal se eu contar que eu imprimi todo o seu mapa astral?
Você corre assim que der, quando souber?
E se eu falar que eu decorei seu RG só pra se precisar
Você vai pra um chalé em Macaé?
Eu queria tanto que você não fugisse de mim
Mas se fosse eu, eu fugia.
Se eu disser foi por amor que eu invadi o seu computador
Você pega um avião?
Se eu contar de uma só vez como eu achei sua senha do cartão
Você foge pro Japão, esse verão?
Eu queria tanto que você não fugisse de mim
Mas se fosse eu, eu fugia.
E se eu contar como é que eu me senti ao grampear seu celular
Você vai numa DP?
E se eu mostrar o cianureto que eu comprei pra gente se matar
Você manda me prender no amanhecer?
Eu queria tanto que você não fugisse de mim
Mas se fosse eu, eu fugia

(Fonte: Portal Música.com.br)

terça-feira, 4 de março de 2014

o caso do violão

Acontece nas melhores famílias, já vi acontecer. Só pensei que seria só 1 caso em 1 milhão ou algo assim, mas há esse interessante fenômeno de completo desespero silencioso que nos ataca quando seguramos um violão ou instrumento musical qualquer na frente de qualquer pessoa - virtualmente ou não.

O bicho tá ali, manso no teu colo, só esperando o primeiro acorde, mas o trem não sai! É como uma paralisação geral entre a síncope e a sinapse cortex-cerebral que manda tudo pro sistema límbico e proclama: Hoje não toco não!

Tentando esmiuçar isso e mais medos advindos disso, fiquei surpresa quando descobri que Mestre Tom Zé sofreu do mesmo problema quando era mais novo, mas no caso o uso do violão era para impressionar a namoradinha ele errôneamente tentava ganhar. Oh coincidência, hein?


 A situação hilária é trágica, pois estar nos sapatos de quem empunha o violão é como ser um Quixote com um Sancho afirmando que os moinhos são mesmo gigantes, a coragem é muita, mas a mão que nos valha não presta para dar o primeiro golpe. E assim vai.

Tentei algumas vezes me forçar a fazer isso e o desastre parece seguir um padrão, minutos até horas de puro silêncio constrangedor até algo vir e me tirar o violão da mão ou simplesmente eu desistir mesmo (2ª opção sempre mais válida, melhor baixar as armas do que deixar o monstro decepar sua cabeça ainda com a espada e o escudo nas mãos). Quando há outras pessoas pra passar a vergonha comigo, ótimo, quando não há, apenas eu, toda a atenção virada pra minha pessoa: pronto, ferrou.

A querida Veronica Varlow escreveu esse post sobre como controlar a ansiedade uns dias atrás e com as dicas dela dá para se usar bastante quanto aos relatos do link aqui embaixo...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

morro de medo

Coisas que eu tenho medo de acontecer de uma hora pra outra:

1 - ter apagão geral na cidade e ficar tudo às escuras por dias (Medo mortal de escuro absoluto);
2 - eu enlouquecer, pirar na soda, o parafuso solto dentro da caixa craniana soltar de vez e voar longe (Principalmente se esse mesmo parafuso se chocar com a parte do meu ID que NÃO DEVE ser encostada de jeito algum);
3 - eu virar um robô novamente (Domo Arigato, Mr. Roboto/mata au hi made/domo Arigato, Mr. Roboto/himitsu wo shiritai).

De resto, dá pra superar com muita reza braba, terapia desconstrutivista e tequila.