Pesquisando

Mostrando postagens com marcador florianópolis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador florianópolis. Mostrar todas as postagens

domingo, 30 de julho de 2017

[eu não sei fazer poesia] Aluga-se


Quando tenho tempo para esticar as costas dentro do busão
e levantar o olhar para a paisagem lá fora,
o que me deparo é essa realidade
bem diferente que a gente tem aqui no chão. 

Da imensidão de construções na beira mar
com suas fachadas estonteantes,
para mais adiante termos mais desses construtos
mini-jaulas-gaiolas-com-redes-grades,
alumínio em janelas,
varandas lotadas de roupas a secar,
aluga-se

Dentro das gaiolinhas,
pessoinhas vivendo um padrão acima da maioria. 
Pequenas caixinhas
de concreto para pessoinhas. 

É dar um upgrade no Purgatório.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

#ForaTemer - ato 31/08/2016


Apenas para deixar registrado que estive lá.
Que gritei junto com milhares de pessoas.
Que a energia de protesto e revolta e justiça tava altíssima.
Que levar gás lacrimogênio nas fuça dói, mas irrita mais com o feeling de saber que não estão ali para manter a ordem e sim espalhar caos e incerteza.
Que a PM é truculenta sem motivo algum.
Que tinha gente de tudo quanto era lugar, diversidade, cor, salário e cultura.
Que, como cidadãos, estamos bem preparados para decidir o que queremos.

E putz, gente: Assembleia Geral no meio da Pedro Ivo (A ponte de conexão entre o continente e a ilha) para decidir para onde iríamos. Propostas, minutos de fala, votação e decisão. Democracia. Tipo, aquele trem que os gregos inventaram na Era Clássica?

de·mo·cra·ci·a
(grego demokratía, -as, governo do povo)
substantivo feminino
1. Governo em que o povo exerce a soberania, .direta ou .indiretamente.
2. Partido democrático.
3. O povo (em oposição a aristocracia).
"democracia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, [consultado em 01-09-2016].

Não deixaram a gente ir pra Beira-mar (Mas os panelinhas dos panelaço pode à vontade curtir a night, passear com os pets e fazer o fitness...), mais correria. Adrenalina a mil, preocupação vindo do alto, sabe-se lá quando iriam atacar outra bomba de gás novamente.

Para os envolvidos e que organizaram o ato, parabéns fraternos. Vocês foram pacientes, ativos, ordenadores e atenciosos.

Aos que se juntaram a gente nas janelas dos prédios, casas e lojas, o tiozinho do cachorro quente bradando "Ai, ai ai ai, aiaiaiai se empurrar o Temer cai!", a luta é de vocês também.

Pra ridícula pessoa que desperdiçou ovos para atacar em nossa direção na Hercílio Luz, karma existe pra uma coisa: vai faltar ovo na sua casa logo logo.

Pros coleguetes manifestantes exaltados sem noção não precisavam quebrar placa de certa igreja que mais arrecada dinheiro e não paga impostos devido ao "Estado laico" e muito menos picharem muro de instituição de ensino e lar de idosos. Desnecessário, gente. Isso não é protesto, é dar razão pros truculentos descerem a porrada em gente inocente.

Pro policial que passou pela gente, com respeito, cuidadoso pra não encostar em ninguém e voltar pra viatura: um obrigade. O resto da tua equipe não foi tão bacana assim.

Pra quem firmou o pé, cuidou um do outro pra não se machucar, por dar as dicas de como fazer se algo piorasse: gratidão, vocês foram essenciais pra tudo dar certo.


segunda-feira, 23 de março de 2015

289 aninhos de puro charminho

Ponte Hercílio Luz, foto por Renato S. - fonte: TripAdvisor
 Aprendi a amar Floripa desde novinha (Eu, não ela.). Quando cheguei aqui aos 3 anos de idade, mal encostando nos joelhos de meus pais, vendo o mundo girar em volta da Felipe Schmidt lotada de carros no final do dia e as ocasionais visitas a pracinha para ver minha irmã mais velha voltar da escola.

Cheguei a andar na Hercílio Luz a pé, com dois tios me segurando pelas mãos, uma caminhada que nem lembro como tive pernas para continuar em linha reta, mas registrada em fotografias, a importância daqueles passos no cartão postal da cidade mais linda que já morei me faria pensar bem no que faria de meu futuro anos depois.

Florianópolis sempre me fascinou pelas suas luzes, muitas delas. As do centro histórico é que me puxavam como mariposa direto na lâmpada - galeria ARS, uma lotérica, uma loja de fotografias, uma policial militar e um tablete de chocolate Lolo, de nada mais lembro.

A figueira centenária que desafiando muitas leis estranhas aí no centro de tudo e referência para todos - Q-G oficial dos Changelings de Floripa, acha que não? Debaixo daquela árvore deve ter alguma taverna parada no tempo celebrando dia e noite a magia dessa Ilha - tudo ali está perfeitamente ajeitado, até os galhos mais frondosos que precisam de suporte para ficarem acima da terra.


Meu amor pela Ilha cresceu exponencialmente esses 2 anos em que estou aqui, desde o clima bipolar entre calor escaldante e o frio glacial, as praias lindas, o povo tão distante em seu tratar, mas sinceros nas palavras (Isso pra mim é perfeito!), a tradição que caminha com a modernidade sem agredir uma a outra, o sotaque parecido com aquele que jamais tive (Mas que o DNA tá entranhado de carioquês whatever), a falta de queijo de verdade (Isso dói às vezes), os encantos em coisinhas tão imperceptíveis (Tão pensando que não tou prestando atenção?).

Um feliz mais outro aniversário, querida Desterro. Agradeço cada dia por estar aqui te habitando e te descobrindo aos poucos. A cidade das luzes cegantes, é como chamei a Ilha da Magia desde então. Por quê? Porque DeU2s disse e se ele falou, tá falado...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Projeto 1 praia por semana - Santo Antônio de Lisboa



Santo Antônio de Lisboa.

Aqui começou a "história" catarinense literalmente, pois quando ainda se chamava Desterro, foi o primeiro lugar onde o Imperador Dom Pedro II deu um pulinho quando veio ao solo sulista. Ninguém, é claro, entendeu wtpowha um cara cercado de guardinhas imperiais e dando tchauzinho pra todo mundo fazia tanto sucesso, até que ele mandou pavimentar a primeira rua da Ilha.

Até hoje a praça tá lá, e os casarões da época açoriana (Aquela ilhazinha perto da África que os portugueses também colonizaram) e as ruas de pedra e o pôr-do-sol mais lindo de toda cidade.

Fui particularmente abençoada em poder trabalhar bem no centro histórico, a escola onde estagio fica há poucos metros da primeira Igreja açoriana - Nossa Senhora das Necessidades - e dessa praça citada aí em cima. Da janela da biblioteca dá para ver o Grande Mar, dá para sentir a maresia em dias mais úmidos, dá pra ouvir a brisa vindo do Mar e assoviando entre as árvores, e durante o almoço, quando dá tempo, desço em passadas rápidas para a orla, sento perto do banco de areia de poucos metros e observo as gaivotas malucas bicando coisas que estão ali: barcos de pescadores, redes de pesca, barcos maiores, etc.

O pôr-do-sol aqui é lindo, lindo, lindo!

É um lugar de muitas lembranças também. Muitas que prefiro segurar bem bem bem bem guardadinhas aqui comigo e deixá-las morninhas enquanto posso. Há também outras de momentos pavorosos como abstinência de Pepsi, frio de congelar os ossos, calor do baraleo, cafés-da-manhã que resumiriam o dia todo e um balanço no parquinho que iria testemunhar lágrimas e muitos silêncios meus.

Aqui é um pedacinho de mim que sei que estou cultivando bem, em menos de 5 meses consegui ver Santo Antônio como uma extensão do meu lar particular, aquele pedacinho de terra no qual sinto meus pés pisando e toda a sensação de alívio me alcançar por completo.

A praia que mais me sinto perto de algo chamado lar - noldorin feelings - tá aí.