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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

[poesita] sem título

Tem três eu dentro dimim
Ume é que escreve
Outre que escarnece
Últime é uma extensão sem fim

Como três sofre junto
Que nem boi ladrão
Num mato sem cachorro
Que acabou de levar esporro
Em briga de foice no escuro

Nenhume toma jeito
Acham que no mundo tudo tem conserto
É remendo de lá, costura de cá
Um hematoma ali pra acostumar
Três vezes a dor em um
Ouve só o que vai vir

Primeiramente fora temerários
Povo inerte de posição e cabeçalho
Enfurnado em seus títulos recíprocos
Sentadinhos enfileiradinhos sequinhos
Tão certinhos de seu desempenho oh dó

Mas gritar não resolve, virar olho ou bufar
Nos corredores dos sims e nãos é preciso cortejar
A velha tradição de juntar bolinhos
Daqueles certinhos engomadinhos
De pés juntinhos torcem pra minoria enganar

São três de mim pra escolher um lado só
A ladainha deles, já sabemos de cor
Três de mim quer protestar
Vociferar, chamar em plenos pulmão
Provar por a + b esses cidadão
Tão afeiçoado ao latim do Lattes
Que a lógica esmagadora de Descartes
Não serve para o populacho não

terça-feira, 2 de agosto de 2016

[poesia] sem título

Talvez vá chegar esse dia, em que a troca de olhares seja diferente
O gosto no paladar não mais acrescente
Enquanto uma alma está pronta pra se entregar
A outra queira dizer que não há mais nada
Que o mundo lá fora é sua morada
E que não há nada aqui dentro que a prenda no corpo

E quando esse dia chegar
Espero dessa vez ser apenas espectadorx
Não mais notar que o brilho nos olhos abrandou
Na verdade, gelou
Para um pálido cinza nevoento que não quer espera nada

Porque é isso que talvez esse dia seja
Quando se está totalmente preparadx para dizer o que mais importa
Para as palavras serem trancadas pra sempre antes
De subir pela garganta, encontrar os lábios
Sussurrar com a certeza de que fez o certo

E esse dia, espero que seja, eu esteja
Apenas na plateia, vendo o desenrolar
De um conto de fadas que poderia ser perfeito
Quando uma alma quer se doar com o que tem
E a outra que prefere ignorar

Talvez o dia chegue e as palavras jamais saiam
Se engasguem entre os pulmões e ali fiquem
Sem cano de escape, cirurgia ou exorcismo
Para que na próxima vez (Se tiver) seja breve
Não vá além do que deveria ser
Não se atrever a ir longe demais quando não se sabe o caminho direito

Talvez vá chegar esse dia, em que outra alma irá fazer companhia
Na figura curvada de 97 anos, cadeira de balanço e dentadura na gengiva
Ou na pequeneza em quatro patas, focinho gelado e longos cochilos
Talvez chegue, talvez não. Talvez nem tenha existido, ou tenha sido em vão

E esse dia, espero que seja, eu esteja
Apenas de soslaio de olho, cara enfiada em um miolo
De um livro bem grosso e interessante
Pra eu dar a devida atenção ao que é mais relevante
E parar de pensar por um instante que contos de fadas existem

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

[poesia] empacotou

Empacotou tudo com o mais devido respeito,
Nenhum rancor, mágoa ou remorso
Arrependimento estrangulado lá no fundo
Não transparecendo nenhum Amor

Nenhum.

Enrolou as dobras com muito cuidado
Calculou cada espaço vago
Juntou tudo que havia de juntar
Lacrou com fita durex e empacotou

Ninguém.

O embrulho ficará ali por uns dias
Observando a rotina que não existe
Mais um único pacote triste
Nenhum rancor, nenhuma lágrima

Nenhuma.

Ps: Para ouvir no repeat até dizer chega - Smile Like you Mean It do The Killers

terça-feira, 3 de junho de 2014

Santa Ana das Negações de Cada Dia

Santa Ana das negações de cada dia, 
dê-me resiliência,
força,
fé,
e me livre da autosabotagem.

Santa Ana que sempre esteve presente,
dê-me paciência,
enquanto recito essa ladainha
e não padeço de síncope breve.

"Não se afaste demais das pessoasNão se aproxime demais das pessoasNão deixe que eles vejamNão permita que mudem o que você vêNão faca o que os outros fazemNão repita os erros de antesNão diga que vai fazer algoNão se permita chegar muito pertoNão tente ficar muito longeNão tente ser como elesNão tente ser diferente delesNão fale nadaNão ouça muita coisaNão preste atençãoNão pense demaisNão julgue demaisNão deixe eles verem que você percebeNão deixe eles entrarem no seu mundinhoNão quebre suas regrasNão se arrisqueNão se percaNão enlouqueçaNão chegue muito pertoNão fique muito longeNão espere muita coisaNão fantasie aquilo que não pode escreverNão hesiteNão brigueNão griteNão seja o que eles esperam que você sejaNão tente mudá-losNão espere muitoNão faleNão ouçaNão faça questão deNão faça favor deNão espere gratidãoNão queira recompensaNão busque compensaçãoNão seja o que não quer serNão se deixe pegar desprevenidoNão esqueça a toalhaNão desobedeça pai e mãeNão brinca com sentimento sérioNão deixe eles verem o que você vêNão importaNão a eles
Até valer a penaAté ser verdadeiroAté te fazer dizer mais "sim" do que negarAté te fazer se arrepender de todos os nãos já dadosAté te fazer respirar mais calmo por saber que é a coisa certa a fazer"

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

[poesias] Aviso a uma criança sorrateira.



[N/A: Não, não sei rimar.]


Cuidado criança, cuidado
Pular fora da água pode ser perigoso
Fique na superfície, fique no raso
Onde nada te puxa para o fundo
Nada puxa para fora
O Nada faz o teu berço mais confortável

Alguns preferem expressar seus medos
Outros preferem mantê-los guardados para ocasião
Alguns crêem ao separarem o que sentem do que pensam
Que joio é diferente do trigo, mas tudo é a mesma coisa desde então

Quando seu corpo está submerso, mas seu rosto ainda para fora
Pernas miúdas se debatendo dentro da água
Narinas para fora, respirando o máximo de ar que puder
"Eu escolhi viver, eu escolhi viver" - repita esse mantra então

Cuidado criança, cuidado
Passear no escuro sem guia não é fácil não
Ficar parado na escuridão pode ser pior ainda
Onde nada te puxa para o fundo
Nada puxa para fora
O Nada faz teu berço mais confortável

Some prefer to cast their demons out
I'd love you to keep yours ready to drown

Caminhe em passos apressados, em passos ritmados
Não olhe para o chão lotado de padrões
Mantenha a cuca fresca com músicas sem refrão
Não olhe para o chão sujo cheio de padrões
Não faça contas de quantas torneiras fechou
De quantas chaves passou antes de fechar a casa
De quantas janelas você trancou

"Eu escolhi viver, eu escolhi viver" - repita esse mantra então
"Eu escolhi viver, eu escolhi viver" - repita esse mantra então

Cuidado, criança, de quem você não lembra mais o rosto
De quem você se educou a não ter mais gosto
O pensador é a pior de nossas faculdades
Nascido pra fazer maravilhas, mas único que não sente dor
Esquece daquilo que não te pertence
Fica só com o que você conquistou


Cuidado criança, esse é o último aviso.

(Senão o único)
Apenas esqueça.
Ficar na água é mais saudável
Do que voar perto do Sol.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

[poesia] O marinheiro e o brotamento


(Poderia discorrer sobre o assunto de cunho biológico aqui, mas não, aguentem que isso é poesia #sqn)



Queria muito que não brotasses mais em minha memória
Como uma flor desbotando na terra contando uma nova história
De tantos dias de felicidade que me foram em vão

Não direi que me arrependo, não, jamais irei o dizer
Nem mensurar o sofrimento que fui capaz de sofrer
Um coração solitário era mais agradecido quando não ferido
Agora se arrasta pela amurada afora entre os sons de rangeres e silvos

Por pouco não desisti de minha consciência
Conquistada tão penosamente com muita paciência
De anos a fio sendo dono de mim mesmo
Por muito tempo vivi sem aventuras ou festejos
Pelo simples fato de estar farto de toda a contradição
(E ela sempre vem das formas mais descabíveis possíveis)

Queria que não brotasses mais em minha memória
Como fazias há muito tempo, suspirando uma linda história
De talvez um dia encontrasse um pouco de Paixão
O solitário marinheiro, tão apegado a sua Razão

Queria poder escolher o que penso que me agrada
Não revivendo lembranças aqui nesse posto de gávea
Desejando que o próximo raio caia em meu corpo e se esfaleça
Do que deliberar sobre qualquer coisa que a ti me lembra

É complicado, é complicado, dizem os camaradas
Amor de verão não é algo que se cultiva com muradas
Esses muros bem altos que minei meu coração
Devastados na primeira tempestade, na primeira oração

Queria que não brotasses mais em minha mente
O corpo cansado se mantém, mas o coração sente
Como um punhal enfeitado que se apresente
Girado em sentido horário, alvo fácil no presente

O que já foi, já foi! O que será, será! dizem os mais entendidos
Murmuro algo incômodo entre os dentes e mastigo
Toda a mágoa que apenas me restou desde então

Não direi que me arrependo, não, jamais irei o dizer
Nem mensurar o sofrimento que fui capaz de sofrer
O Amor é como um pássaro rebelde a voar
Não calcula onde e quando irá finalmente pousar

Eu aqui, no meu posto de sempre, apenas um marinheiro
Carregando meus pertences pelos portos, não ouso mais
Mensagens ocultas nos vidros das janelas? Não, nunca mais
Acompanho os passos dos outros e vejo do que sou capaz
Apenas mais um fantasma na vila
Apenas um marinheiro que não quer mais lembrar de sua sina

Que (in)fortúnio seria
Abrir as cartas do Tarot novamente
Receber a notícia dormente
Que a última chance se findou
"Fique com o que sobrou"

===xxx===
Bora dormir moçada!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Poesias Nada Convencionais - Neurose Afetiva Sistemática

[originalmente escrita em 17:21 1/7/2008]

NEUROSE AFETIVA SISTEMÁTICA

Nunca sei o que quero, nunca sei quando te quero
Deveria ser mais ordenado, deveria ser mais arrumado
Nunca sei quando você me quer, nunca sei quando você terá
Deveria ser menos perfeito, deveria ser menos segredo
(Só assim teria certeza que está tudo certo quando tudo dá errado.)

Viver a margem sempre foi meu limite
Nunca coloquei a cabeça para fora da bolha pra não pegar ar demais
Quando o fiz, água entrou pelo nariz
Encheu meus sonhos e de água o meu coração
Ele vive boiando a deriva esperando alguém terminar
Terminar de afundar com uma pedra amarrada nele
Ou talvez alguém salvá-lo de um possível afogamento

Neurose afetiva sistemática, isso eu sempre tive
Nunca sei quando te quero, nunca sei quando você me quer
Deveria ser mais errado do que certo, só que está ao contrário
Nunca sei se isso assusta ou se me dá esperança
(Sempre tive a certeza que está tudo certo quando tudo está errado.)

Nunca sei se você vai me aguentar por muito tempo
Não sei se daqui a alguns anos serei só pensamento
Nunca saberei o quanto signifiquei para você
Nunca saberei como é me sentir verdadeiramente bem
(Sempre tive a certeza que está tudo errado quando deveria estar certo.)

Poesias Nada Convencionais - Lembranças Demais

[originalmente escrita em 17:13 30/6/2008]

LEMBRANÇAS DEMAIS

Eu queria viver como um robozinho faz
Aperte dois butõezinhos de comando
E nem me lembraria mais

Eu procuro afastar o que posso cativar
Da minha parte é dificil de bem-zelar (desmazelar)
Eu não sei, eu não sei, nessa cabeça se aconfunde
Toda vez que vejo foto sua com saúde

O que mais me interessa, me dá medo
O que mais temo, eu fujo
Do que mais eu fujo é do que me desconhecido
Desconhecido esse que me fascina tanto

Vou fazer um favor então
Pararei de escrever sobre minhas milhas
Pararei de lamentar o que era em vão
Não porque você não mereça palavra minha
É porque já desisti de te escrever faz um tempão

Poesias Nada Convencionais - Castidade

[originalmente escrita em 21:45 14/12/2007]

CASTIDADE.

Olha que coisa engraçada!
Descobri isso hoje
É um tipo de sentimento novo
Meio que aquela sensação de início de jogo

Se eu pudesse voar um tiquinho
Se eu tivesse asas que nem anjinho
Taria indo direto pros seus braços
Perdia meu medo só pelos seus abraços
Disputaria o trânsito com avião e passarinho
Jogaria até aquele medo de ser tão sozinho
Até ficar de pernas pro ar

O cheirinho de café da tarde
O frio geladinho sem alarde
A música perfeita pra esse momento
A música que atende aos meus tormentos
Ai se eu tivesse asas de anjinho!

Se eu tivesse asas de anjinho
Não usaria auréola
Porque o que tenho em mente no instantinho
Quer ver vc abrindo a porta de sua casa
E vai cobrir mais pecados que minhas bençãos

Ai se eu tivesse asas de passarinho!
Assim não me obrigavam a ser anjinho
Prezar pela castidade divina alheia
Nunca desejar teu corpo no meu

Poesias Nada Convencionais - Mal Perseverança

[originalmente escrita em 20:57 9/12/2007]

MAL PERSEVERANÇA.

O tênis continua furado do lado debaixo
As crianças continuam brincando
Uma vida passa por mim
E eu mal percebo.
Mal percebo.

A luz do quarto continua acesa
Uma viva alma passa pela rua deserta
Um cachorro late no meio da madrugada
E eu mal percebo
Mal percebo

O papel continua em branco
O punho se recusa a correr pelas linhas
Um tinteiro vazio deveria me aguardar
E eu mal percebo
Mal percebo

O telefone está mudo, como sempre
Eu desligo o meu coração como um interruptor
Como uma conexão mal feita em alguma tomada
Como alguém que aperta o botão "Off"
Eu mal percebo no mal que faço.

Mal percebo que há alguém lá fora
Mesmo alguém que bate lá fora
Mesmo que o mesmo alguém grite lá fora
Eu mal percebo

Mal perceber não quer dizer mal sentir
É um organismo de defesa involuntário
Produzida no hipotálamo
Abaixo da consciência
Acima da garganta.

Poesias Nada Convencionais - Loja interditada do Bom Senso

[originalmente escrita em 12:57 26/11/2007]

LOJA INTERDITADA DO BOM SENSO.

Os poemas de amor se esconderam
No canto mais estranho de um coração mudo
Acho que não queriam mais ser cantados
Ou porque o Eu-lírico sempre foi inseguro

As bonitas palavras antes do meio dia
Estas foram pro lado esquerdo do corredor
Foram substituídas nas prateleiras por questões científicas
E condensadas no balcão de "índice de espera"

O belo pôr-do-sol, sim o belo espetáculo da tarde
Não tem mais graça.
O barulhinho de chuva na calha na noite fria
Sem graceira danada.
As nuvenzinhas formando carneirinhos e patos
Graça nenhuma.

Apenas as velhas palavras bonitas e os poemas de amor escondidos
Em algum canto estranho do coração mudo
Tem graça alguma.
Foram pagos à prestação de algumas lágrimas.
36 meses de indecisão.
Carnêzinho das Lojas mais baratas que tem

Poesias Nada Convencionais - Felicidade

[originalmente escrita em 12:53 26/11/2007]

FELICIDADE

Felicidade, palavra chata de se dizer
Nunca sabemos da onde vem e pra onde vai
Nem sabemos quem vai dar mais ou menos pela mesma quantia
Troca justa, troca ajustada
Felicidade.

Não faz nenhuma diferença, faz toda diferença
Fez nenhuma matéria indisciplinada
Não valeu por muita coisa
Valeu por uma vida vida inteira
Ainda não morri, não tenho certeza.

De ficar sozinha por tempo demais até não mais distinguir o que é
Quem é?
É você?
Sou eu?
Quem faz mais por hoje?
Felicidade.
Sonhar, correr, brincar, arram, arram...
De ficar sozinha por tempo demais até não mais distinguir o que é realidade.

Felicidade.
Só em sonho mesmo.

Poesias Nada Convencionais - Como qualquer Um

[originalmente escrita em 11:56 2/10/2007]

COMO QUALQUER UM.

Como qualquer um que tem crise de abstinência
Como qualquer outro que declarou seu coração à falência
Qualquer um outro aí

Como qualquer outro perdido que pede conselho
Como qualquer um que recebe um breve apego
Ainda acordado na escuridão

Passa dias acordado, as manhãs são fantasmas, as tardes trazem pesadelos
Ao avesso. Virou do avesso.
Noite pelo dia, dia pela noite.
O que era primo virou pai
O que era irmão virou inimigo.
A lógica imperfeita de uma sociedade alternativa.

Como qualquer noite que acordo no meio da escuridão
E me pergunto se existe um beliche
Minha cama, o colchão tá comido
Dividir ao meio seria uma razão
Então eu divido ao meio, eu reparto os pães
Eu vejo a alegria em massa
E não vejo a minha satisfação.
Rimou pelo menos, mas satisfação seria uma palavra medíocre.
Medíocre. medíocre, medíocre.
Razão. Uma pra seguir outra pra viver.
Me desprendo das duas e vejo se o meu barco vai correr

Como qualquer um que tem crise de identidade
Como qualquer um que não suporta mais ser da mesma idade
Como qualquer um outro aí que não aguenta mais ser o mesmo
Ser-o-mesmo-humanitário (Releve, releve)
Como qualquer outro aí. Não eu.

E a memória é fraca, a carne é fraca, os pensamentos se tornam também
Reféns de uma insônia progressista-democrática-burocrática-fascista.
Como qualquer um com problemas passageiros.
Como qualquer um que esquece como se dirige depois de passar por quarteirão inteiro
Como qualquer um outro aí.

Conte, conte nos dedos como dói
Os meus foram decepados no momento em que te deixei
Não canto mais, não cento mais, não cinto mais, não conto mais.
Me diz como se pára de pensar? Tem engrenagem padrão?
Tem fio de interrupção?
Tem distraimento maior que a própria exclusão?
Me diz...?
Num diz...?
Tudo bem, eu aguento.
Como qualquer um outro aí...

Quanto mais você reforça a idéia
Mais você mata a verdade. (Que verdade? Existe alguma?)

Poesias Nada Convencionais - Cansado por Natureza

[originalmente escrita em 20:20 24/9/2007]

CANSADO POR NATUREZA

Cansei
Cansera danada
Preguiça aguda
Falta do que fazer
Cansei

Cansera danada
De tudo de nada
Do ato de fala
"Obrigada" "de nada"
Cansei

Preguiça aguda
Como isso me ajuda
Falta do que fazer
Falta do que NÃO ser
Cansei

Dia de muito, véspera de nada
(Esse poema é cansado por natureza)

Poesias Nada Convencionais - Pouco

[originalmente escrita em 20:16 24/9/2007]

POUCO

Se eu mudei, foi pouco pouco
Por fora uma coisa, por dentro pouco pouco
Sete anos atrás, pouco pouco
pouco a pouco. Daquele tipo "menor"

Insignificância tem 15 letras
Demorou o mesmo tanto dentro
Não vou desmembrar linguisticamente
Paciencia já acabou há pouco

Poesias Nada Convencionais - Reabilitação

[originalmente escrita em 20:03 24/9/2007]

REABILITAÇÃO (E não tem nada a ver com a Amy Casa de Vinho!!!)

Toda vez que começo uma história
Tem sempre aquele quê da música do New Order
Aquela que a menina bonita cantava
Aquela que minha cabeça abraçou a idéia

Toda vez que penso em vc, tenho uma tradução
Estranha para demonstrar que fico triste, bem triste
Que nem o canto daquele passarinho amarelo
Aquele que disse que tristeza não existe

A gente larga os costumes e alarga o sorriso
Um dia ele falha, desaba e afunda no copo d'agua
Fim de noite ele aparece, mas com outra imagem
O rostinho choroso de alguém, aquele que vc deveria se preocupar
(mas a vida é um ciclo vicioso e quando eu for pra reabilitação, eu aviso)

Estafa, sem mais idéias insanas, faz faltas
Nem vontade de chorar tem mais, sem seratonina
Poucas vezes que se arrepende do que faz, faz falta
Ausencia de emoções. A criatura virou a cria-dor
(Reabilitação - salvação - atenção - colação)

Poesias Nada Convencionais - Reza pra Doida Varrida

[originalmente escrita em 13:54 25/9/2007]

REZA PRA DOIDA VARRIDA
"Quem é que tá botando dinamite na cabeça do século? Quem é que me dá um  travesseiro pra cabeça do..." (Tom Zé - Curiosidade)

*murmurios de fundo*
Engajada naturalmente no sistema métrico
Atrelada a cosmologia do aparato cibernético
Aleatoriamente modernérrica
Constantemente cinética

Tem duas biblioteca aqui na cidade
A mais bem feita guarda livros
A outra guarda pessoas
Imagensoas personamagens

Um mundo tão moderno, tão bonito
Use a roupa, tome coisa, rosário de Santo Expedito
Faz oração no meio-dia, na meia-noite
Na noite meia, meio-dia e meia

Eu sou aquela menina!
Levanto a bandeira
Fico na linha de frente
Sou a de perder as estribeiras!

Sossega ela de novo
Faz sofrer o coração
Amor não-correspondido?
Não, foi sossega-leão

Eu entendo latido de gato
E mio feito cachorro
Sujo calçada com meus sapatos
Se vem alguém de lado, eu corro

Nas costas o comichão
No peito uma canção
Nos olhos a miopia avançada
Percepção intern(alter)ada

Poesias Nada Convencionais - Reza para Velhice Precoce

[originalmente escrita em 13:50 25/9/2007]

REZA PARA VELHICE PRECOCE

Valei-me meu Bom Deus
A velha caquética!
Fez uma década e um ano
Um quartenário de idéias!
Enxuta! Tá dentro dos esquema
Sorrindo, pulando, dançando
E esses gerundismos lindos

Acorda de manhã, sente o peso do sono
Sono eterno de uma pessoa passageira
Café frio, pão e manteiga
Sem queijo Minas, por favor!
Desde quando ela é mineira?

Sobe o morro de anos atrás
Sente a gravidade puxar
As costelas se embricam crispadas
A coluna começa a latejar

E não acredita! Há anos atrás!
Anos antes subia em 3 minutos
Hoje de tarde foram 20
Mais de 40 de velhice

Valei-me meu Bom Jesus
Reclamando de uma hérnia senil
Alojada no ventrículo esquerdo
Bombeando o sangue frio

Velhice precoce tem 6 sílabas
4 poéticas, 14 letras, 2 encontros
Resumidos em um corpo quebrado
Morreu de velha tão jovem!
Amamentando um verbo afogado
Atraído contraído. Amém

Poesias Nada Convencionais - Queria dizer

[originalmente escrita em  22:12 22/9/2007]


QUERIA DIZER
Então era isso que você queria me dizer?
Era realmente isso que  você  sempre desejou dizer, mas não podia?
Era tudo que eu não queria escutar, mas que  você  precisava falar?
Era tudo que nós poderíamos ter feito?

Eu aguento, é fácil pra mim, eu me aguento por mais um bom tempo.
Ficar distante, ficar sozinha, ficar longe, ficar.
E não ficar, não pertencer a ninguém a não ser para alguém que não está presente.
É querer aparar as lágrimas, querer abraçar o invisível, desejar boa noite para o que nunca existiu (Mas possivelmente algum dia existirá)
Então era isso que  você  queria me dizer?

E eu não percebi, ou não quis perceber, não quis ver
Quis mostrar meu rosto para alguém dar outro tapa
Quis pisar no fogo descalça
Quis ser eu mesma
E não fui ninguém, um ninguém no mundo do ser.
Era isso que  você  queria me dizer.

E eu só percebi agora, só sinto agora, só me pré-testo agora (ou um pretexto pra ser feliz)
Não adiantava suas palavras (E  você  deve estar com raiva disso) eu precisava sentir
E era isso mesmo que  você  estava tentando me dizer
E eu não ouvi por paixão ou por idiotice
Eu opto pela primeira, mas a segunda também é sedutora

Era isso mesmo não é?
Era o que  você  queria me dizer.
Não dá para ficar longe demais, não dá para se sentir mais perdida do que já está
Não queremos compartilhar tristezas e solidão
Não queremos passar nossos dias sonhando com o telefone
A voz no microfone
A doce voz nos meus sonhos
Ninguém quer isso.
E  você  queria me dizer isso.

E enquanto os sintomas chegam, as dores sufocam
As lágrimas sufocam e a garganta treme em desespero
Quando tudo mais que se planeja sai errado
Que tudo que  você  não planeja aparece
Que tudo que se parta e vá logo embora para dar lugar a outro lugar
E enquanto eu fico em silêncio
Era o que  você  queria dizer realmente

E eu não percebi, eu não vi, eu não senti
Sinto agora e muito
Sinto muito e com toda delicadeza
Sinto e tenho vergonha de sentir
Sinto e faço o possível para honrar meu sofrimento
Eu não choro como antes
Não acho que tudo está perdido antes do tempo
Não pessimizo o que já deu errado
Nâo prevejo o errado no meu futuro
Não nego a minha negação de ser um ninguém
Eu sou.
E eu escrevo que sou.

Era exatamente o que  você  queria dizer
E eu entendo porquê só agora
O desespero não é tão ruim quanto dizem
As lágrimas não são amargas como todos saboream
Os apertos não são todo o tempo
(Temos dias ruins e bons)
As palavras de carinho são como o vento
Assoprando no meu rosto cansado e me mostrando onde devo ir
Onde eu deveria estar e onde eu vou estar

Prever algo premeditado é fácil, quero ver descobrir o que a gente sente
Um dia estou sozinha e infeliz, no outro o mundo me preenche
Rimando inconscientemente num final de noite
A perda de estabilidade pela simples sinfonia
De acordes de violão que me acalmam
Acalmam mais que os remédios da vida
Melhores que qualquer bálsamo da juventude
Melhor que cházinho preto e cama quente
Acalma.
A cama.
E cala.

Então era isso que  você  queria me dizer?
Disse e sumiu.
Sumiu a sensação de esperança no meu peito
Mas a do amor próximo continua mesmo sendo fora do meu alcance
Acalma
A cama.
Me cala.

Poesias Nada Convencionais - O Meu

[originalmente escrita em 14:04 17/9/2007]

O MEU
Se alguém me avisasse de antemão (e com certeza alguem o fez)
Eu teria largado minhas lágrimas no deserto
Esperaria para ter esse futuro incerto
Quando finalmente tivesse tua atenção

Tem jeito pra tudo, sem vontade pra nada
Ter coragem é o que mais me falta
Onde a dor começa é onde o amor acaba
Vira pó e varremos pra algum canto da sala

Se eu soubesse que seria assim
Assim como tudo nessa vida tem fim
O meu sequer começou
O seu sequer existiu
O meu não queria ser inocente
O seu queria estar ausente
E assim se foi, o trágico fim.

Se eu soubesse, não sonharia tanto
Não desperdiçaria noites em pranto
Não juraria cruzar meu coração novamente
Não teria medo de ter algo felizmente
Não teria tanto medo de sonhar
E essa tarefa se torna cada vez mais penosa
Quando eu sei que talvez vc possa adivinhar
Quando eu quero sonhar contigo, me sufoca

E vai ter aquele dia em que vou esquecer
Mesmo parte do meu coração não querendo esquecer
Parte do meu corpo ainda sofrendo por te querer
Meu português falhando por versar sem ver
E se eu soubesse de antemão (E com certeza alguém já me avisou)
Eu não sofreria tanto por uma simples razão

O meu sequer começou
O seu sequer existiu
O meu não queria ser inocente
O seu queria estar ausente
E assim se foi, o trágico fim.
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