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quarta-feira, 7 de março de 2018

[bibliotequices] quem formamos?

Sou intrometide de natureza, queria ser cientista desde pequene, a vivência em vilarejo brejeiro reduto da família tradicional mineira, a graduação em universidade particular me ensinou que grade fechada, boca calada, mensalidade em dia e questionamento zero me faria bem. E fez. Até certo ponto.

Até perceber que os professores que tive eram propensos a fazer a gente a questionar. Não porque eram audaciosos, engajados politicamente (a maioria era reaça de convicções bem contrárias a uma educação libertária), mas eles cutucavam os lugares dentro da nossa índole de massa de manobra da licenciatura para fazer mais perguntas do que se satisfazer com respostas prontas. 

Apenas algumas exceções de professores que tinham orgulho de dizer que haviam servido ao serviço público e a respectiva universidade cristã por tanto tempo que questionar era um sacrilégio como perder a missa aos domingos. 
(o famoso: "Mas eu estou aqui há 20 anos e blá-blá-blá você não pode fazer isso porque é peixe pequeno") 

E eu era protestante naquela época. A etimologia do nome da crença não me foi adotada à toa. Mas a coleirinha social sim. 

Well, universidade particular não faz greve, não cobra por ensino de qualidade, não tem TAE acampando do lado de fora de Reitoria cobrando condições de trabalho dignas, os estudantes não precisam mesmo se preocupar se os direitos deles estão sendo prejudicados por manobras políticas diversas, na verdade o que me pareceu em 3 anos e meio de Letras Português é que a famigerada universidade do Papa Chico Sidious (na época era ele) se importava com o estudante de graduação. Sim, eles se importavam se faltávamos aulas, se não pagávamos os boletos, nos dava oportunidades de vivências com os diversos setores do município, porque eles tinham noção que ao sairmos daqui, formados, professores, seríamos propaganda ambulante de que a dita universidade era ótima, linda e maravilhosa. 

Muito simples: graduação pagava as contas deles e mandava moneys pro Vaticano. Pós-graduação era difícil alguém entrar pelo fato de não haver vagas suficientes, professores suficientes, ajuda financeira suficiente. Se era pra ir pra pós, que fosse na Federal dali, distante do município provinciano, cada um por si, CNPQ por todos. 

Fazer pós na tal universidade era luxo, era paga, era algo bem longe dos planos de um reles graduande sem noção. Por isso meus professores de lá questionavam, traziam a vivência pras aulas, contavam como era o Mestrado, o Doutorado, éramos colaboradores de sucessos acadêmicos - quando víamos um professor subindo de cargo após conseguir defender a tese dele e beneficiar o centro todo com os projetos de Iniciação Científica interdisciplinares, e aquela professora querida no meio do Doutorado, tendo insights durante a aula e discutindo teoria + prática para entendermos que ao sermos professores lá fora há uma expectativa enorme de quem vai receber essa educação que vamos compartilhar. A Gramática Normativa não serve pra nada, mas queridos, vamos entender esse sistema para explicar bem aos nossos curtidos alunos que eles podem se expressar e essa unidade formal da língua e um fragmento de como fazer isso. 

Todos sem exceção sinalizavam o quão enorme era o fardo de ser professor, como seria a responsabilidade ética que teríamos para frente ao entrarmos na sala de aula. Cada movimento, palavra minha poderia ser bem ou mau sucedida para uma criança ou adolescente seguir um percurso acadêmico desejável para ir para universidade. Sim, alguém tinha que ir pra universidade, afinal a famigerada instituição era a mais reconhecida na cidadezinha brejeira onde eu morava. 

Era um ciclo. Um ciclo que participei e vi a importância da graduação. 

O discurso de meus professores da Letras meio que instalou um modus operantis na minha cabeça: se é pra formar gente pra mudar o mundo lá fora, então faz direito. Faz com responsabilidade, faz pelo bem de todo mundo, faz por onde. 

E como experimentei bem o "por onde" nos estágios, creio que ir para uma segunda graduação na federal muito bem falada da região Sul do país seria algo incrível. E está sendo. Eles só não entenderam que quando você forma gente que mexe com gente, vem a lei do retorno. E ela vem pesada. Não importa qual crença ou ideias você siga, alho vai retornar para você em algum tempo. Colher o que se planta não é um ditado qualquer, é uma constância tão dolorida que para mim, como licenciade e pronte para encarar o mercado de trabalho foi demais pra mim. 

Eu não sirvo para modelos padronizados de didática. Não me sinto confortável na frente de um quadro, com cabeças viradas pra mim, em fileiras, absorvendo e não dialogando. Eu como alune não me sinto confortável nessa posição. Em uma biblioteca escolar, comunitária ou pública sei que sou mais capaz de fazer algo concreto, sensível, por isso estou cá ocupando esse lugar como projeto de bibliotecárie. 

Mas quem formamos na Biblioteconomia UFSC ultimamente? 
Quem você espera que vá se formar e fazer um trabalho legal lá fora no mundo real? 
Será que formamos pesquisadores capazes de ir para uma pós-graduação, porque é uma exigência de academicice ou de mercado? 
Por que meus professores saem da graduação, pulam para Mestrado e Doutorado e sequer passam por uma preparação em Licenciatura para serem, bem, vocês sabem... Professores? 
Por que eu tenho aulas com pesquisadores renomados se está estampado na cara da pessoa que ela prefere mil vezes estar atolada de artigos para escrever, extremamente estressada em orientação de outros pesquisadores, mas NÃO ali dando aulas? 
Como lidar nesse caso? 
Se a primeira graduação me deu um olhar aguçado pra esse tipo de erro didático sendo repetido pelo Bacharelado em Biblioteconomia, por que então insistir na contramão? 

Porque eu sou babaca. E quero mudar o mundo. E aprendi cedo que é na graduação que se começa a mudança com mais eficiência. 

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

[bibliotequices] sonhos megalomaníacos para a docência de(s)cente

Essa postagem começa com emblemático vilão dúbio das Meninas Superpoderosas
Quero dar aula.
Pronto.

Já tava decidido faz um tempo.
Fui e voltei na decisão.
As perguntas foram muitas.
Será que tal lugar comporta a linha de raciocínio que gosto de me expressar?
Será que devo me adequar a todo um procedimento encaixotado padrão que vai matar os estudantes de tédio e eu de ansiedade?
Será que devo voltar pra onde me formei e fazer parte desse núcleo exclusivista para uma certa área do conhecimento e que esquece que a gente tá formando gente pra cuidar de gente que possivelmente vai mudar o mundo?
Será que tenho paciência pra aturar a burocracia do ensino superior?

Tudo pode ser respondido com uma música apenas. E foi daí que parti em interligar os aprendizados nas aulas, junto com aquela avaliaçãozinha discreta dos docentes que estão moldando meu serzinho para algo lá no futuro AND como o sistema universitário poderia manter minha Sanidade em cheque (e a conta bancária também, né?). Vale a pena?

Até onde estou vendo sim. Vale MUITO a pena.

Os sonhos megalomaníacos para daqui algumas décadas não é só ser le tiezinhe da referência e do café, mas também aquela pessoa que quando citam em trabalhos acadêmicos, orientadores botam as mãos na testa, sentem espasmos e viram pros seus orientandos e dizem:
" - Cê tem certeza que quer citar MORGAN?" ou " - Te peço, por favor, por tudo que passamos juntos aqui, muda de referencial teórico!" ou ainda mais " - Vai citar MORGAN? DESAFIO ACEITO!"

E aí na apuração final da banca sempre haverá aquele silêncio constrangedor ou pausa dramática antes de: " - Então, vi que você decidiu citar MORGAN (2042)... Por que essa decisão inusitada?" ou "Sabe, o referencial teórico estava ótimo, bem estruturado e coerente, mas aí você citou MORGAN... Você tem certeza disso, não é?"

Quero ser aquela pessoa que quando vão ver o Currículo Lattes perguntem na metade da leitura técnica: "WTF essa pessoa foi fazer na Biblioteconomia?" ou melhor "Véi, essa criatura pesquisou ISSO? E ISSO? Como é que passou em banca de..."

Quero finalizar meu pós-doc fazendo uma dança interpretativa da minha conclusão.
E ninguém entender. Será uma piada interna que poucos entenderão.

Quero ser aquele-que-não-deve-ser-nomeade em reuniões acadêmicas, mas que é sempre bom lembrar que existe. Não porque toca o terror, é autoritário, faz a caveira dos outros, mas porque não parece polido mencionar que estou ali. 
Tipo, porque quando rolar pesquisa com coisa que já produzi nesse meio tempo, espero causar estrago nas bases tradicionalistas engessadas acadêmicas, aqueles estragos que dão certo pra comunidade, pras pessoas que não tem acesso a universidade, aquele estrago que não produz dinheiro ou status. O estrago que a universidade e os catedráticos não gostam sequer de pensar que docentes podem fazer lá fora.

Quero ser docente que chega na sala de aula e deixa um misto de "Powha vou ter aula com aquela criatura hoje..." junto com "Caraca, tenho aula com aquele-que-não-deve-ser-nomeado... Que sortudo de uma figa que sou!" - Quero as aulas de segunda. E que os estudantes fiquem até o final por gostarem de estar ali na aula, por acharem relevantes as maluquices que irei tratar e relacionar com o curso, a profissão, o fazer algo que preste pra sociedade.

Aliás, não quero alunos, quero pessoas parceiras que pensem comigo, abertamente, sem fronteiras, sem exclusivismo, sem mania de grandeza produtiva. Quero formar bibliotecári@s desde a primeira fase até a última, pra entenderem que sim, o curso pode sim te dar ferramentas, modos e visões de enxergar o mundo das bibliotecas e afins com algo a mais. Quero giz de cera e papéis A4. Avaliação? Que tal autorreflexão sobre o que aprendemos ou não? Redação de livre associação?

Por que não usar o exercício da Ágora de defesa de argumentos?

Não quero ser o motivo de gente perder o sono pra estudar madrugada afora.
Não quero gabar meus títulos e honorários, e louros e floreios e borrões.
Não quero ser chamada de doutora professora, quero que me chamem pelo nome.
Não quero ficar subindo em tabelinha de ranking de produção.
Aliás, não quero produzir nada substancial pra área a não ser a prática que farei dentro das bibliotecas junto com outras pessoas maravilhosas.
Não quero estrelinha da Scopus.
Não quero citação na Web of Science.
Não quero que façam pesquisa bibliométrica sobre o que escrevo.
Não desejarei a aposentadoria tão cedo.
E vão sempre me perguntar quando é que vou aposentar.
" - Chuchuzim, demorei mais de 6 anos pra me formar na graduação... Cê tá pedindo demais né?"

E aí quando forem ler meu Currículo Lattes de novo vão ver que em outras produções ou participação em bancas, eventos e projetos de extensão tem mais coisa que não bate com a área. Que fiz trabalho até em lugar que não devia, com gente que nem deveria ter acesso à informação. Que peguem minhas referências ou não usem, pois é muita covardia ou muita coragem. Quase um Gregório de Matos.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

essa é a minha vida de cdf since 1986

Apenas para dizer que eu AMO voltar a ter aulas, porque o ambiente universitário é coisa que me relaaaaaaaxa (irmã Selma feelings).

E agitar pompons para professoras que não só admiro como quero tudo de bom nessa vida é muito, muito bom. É a perspectiva de que posso ter diálogo com elas sem firulas que dá esperanças na vida bibliotequera. São esses os exemplos que a gente pode levar pro resto da carreira e criar lacinhos fofuxos de dominação mundial via bibliotecas.

No evento em que fui hoje sobre algo que me fez refletir sobre o que raios faço todos os dias desde 2013 e quero fazer o resto da vida, foi overload de pompons internos, tipo cheerleader mesmo gente, não vou negar.



Quando é pra dar apoio pra quem me inspira todo dia, pode apostar que farei de um jeito esquisito. Ou sei lá, sair no meio da palestra pra abraçar muito a pessoa que me ensinou sobre a importância de uma gestão focada no serumaninho do que em dinheiro. E que foi muito muito muito gentil comigo em tempos difíceis de superação de crises existenciais sobre o curso (já tive duas esses 4 anos, firme e forte nas estantes!).

Aí a minha mestre Jedi senta no fundão e já me enche de orgulho por ela estar ali compartilhando as ideias e que sim, vou poder sentar e conversar sobre trocentos planos para o futuro.

E a pessoinha mais sorridente e awesome que senta ao meu lado e que me dá aula desde começo do ano que não faz ideia do quanto me ajuda a fazer o que mais amo nesse mundo (Biblioteconomia) de um modo em que posso ter certeza que não tou fazendo bobagem, não tou errada por pensar fora da caixa, que querer fazer um mundo mais legalzinho não é ideia de jerico, por me dar uma força (mesmo não sabendo lalalalala) quando me vejo fora dessa universidade, atuando na profissão que escolhi pra mim.
(A única decisão própria acertada na vida, lembram?)

A cerejinha do bolo é receber um abraço de esmagar as juntas e um presentão incrível e do coração da molieeeeer virginiana mais interessante e idealista que conheci - obrigada ACB por isso - me vejo muito nela e também presto bem atenção no que ela faz pra ter uma base de como continuar nessa vida de escriba.

É muito pompom pra quem não consegue conter o fangaling quando precisa. É mazomeno assim:


Apesar de saber que não posso transparecer o quanto fico em um estado de euforia frenético quando vejo tanta gente awesome que me inspira tanto, escrevo essa postagem mesmo assim, porque sério? Desde a Letras aprendi a valorizar meus docentes decentes como eles merecem, só faço em silêncio pra não me chamarem de cdf.
(Tá, pode chamar de teacher's pet também... Nem ligo mais, há coisas na vida que a gente esquece de agradecer por essas pessoas pertencerem a um continuum espaço-tempo mesmo que o nosso e expressar gratidão da forma mais sincera possível vem sendo minha resolução desde que saí da primeira graduação.)

Obrigadão pessoas lindas, vocês sabem quem são. E prometo não causar muito distúrbio ao agitar os pompons!
(Onde será que vende um par desses hein?)

sábado, 14 de janeiro de 2012

defeito 3 - politicar - profissão e professores

[originalmente publicado em 02/04/11 18:33]

Como hoje não tem maniçoba e nem folga no serviço, fui lá cumprir algumas horinhas preditas no contrato. Sábado de tarde é a pior coisa que possa existir na loja, ainda mais quando se sabe que não haverá movimento após às 13h. Em compensação os carros tunados com funk no último volume foram desafiadores. Mal sabia distinguir letra de batidão e muito menos conseguiu ouvir as pessoas ao fazerem os pedidos.

Tudo melhorou quando os tunados saíram e deram lugar ao churrasquinho de gato do açougue ao lado. Maravilha. E eu tava com fome naquela hora, e com calor e com sono. 8 horas não estão dando mais para manter os olhos abertos. Acho porque acordo de madrugada e fico morcegando nas palavras-cruzadas enquanto o sono não chega.

Se não fosse isso eu pudia tá robano, matano ou cherano pó royal nas esquina da vida na roça de Betinópolis.

Esse objeto em particular tirou o meu sono por alguns dias: GUILHOTINAS DE PAPEL.

Operar guilhotinas sempre foi meu desejo secreto quando via os anúncios no incrível jornal Betim do Canal 53 – a Tv que é a sua cara – mas ao manusear o objeto pareceu-me uma daquelas cenas dramáticas de novelas mexicanas em que o protagonista se vira para a câmera e faz uma cara de aterrorizado.

Essa porcaria é um inferno de mexer, sério. E tive que fazer uso do maldito instrumento torturador durante a semana. Quando a coisa não cortava torto, cortava pela metade. Suspeitei que precisava de uma amolação no fio, mas nem assim ajudou muito. Então o desastre eminente se aproxima: mais de 50 encadernações para se fazer e o papel era ofício. Brilhante! Lá fui eu tentar cortar a papelada na guilhotina e o que me custa? Lágrimas de suplício e momento Amy Winehouse nela. Deu um chutão, não doeu meu pé, fiquei mais aliviada.

Claro que fiz isso em hora ociosa do expediente. Jamais perderia a compostura beeeesha na frente de um cliente.

Final de contas: Após muito lutar e não compreender a amargura vinda da guilhotina from Hell, percebi que fazer o trabalho via estilete é mais produtivo. Demora mais, mas é garantido. Parecia ser bem fácil durante a Revolução francesa Sr. Gillete.