Pesquisando

Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta docente. Classificar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta docente. Classificar por data Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Coisas que não se pode falar, mas se escrever talvez seja mais fácil de entender

O título é longo, mas valeu dissertar absurdamente sobre isso.

Temos hoje, 3 itens para dialogar, vejeeeemos:

1) bife de caçar rolinha não é o mesmo que rifle de caçarolinha;
2) adote aquele docente que ainda não entendeu que participar de eventos da área, no quintal do próprio departamento, não é tão ruim assim;
3) você só vira bibliotecário depois que se forma em Biblioteconomia e paga registro no CRB e as anuidades em dia.

Para o item 1, sabe-se que a semântica é algo lindo de se subverter, para o item 3 não tem como sair da caixinha legislada, mas para o item 2, oh sim, esse tem muito sentido com o item 1 e 3.

Vamos lá falar do item 2 então?
Parece interessante.
Vamos também colocar algumas falácias pra geral ficar ligada também, mesmo não sendo verdade completa. O medo é real, mas não verdadeiro.

Se você não atinge as horas de extracurriculares e optativas, você não forma. Yep, simples assim. Vai ficar mais outro semestre mofando no curso, pegando optativas que cumpram a carga horária e torcer para haver eventos que possam lucrar tua cara das horas pretendidas no currículo.

É isso mesmo sim, e se ferra aí.

Então a solução apropriada para tal coisa não acontecer na 7ª fase ou no pulo da 8ª, adote um docente carente de informação.

É fácil notar essa tipologia de docente, pois em momentos cruciais de integração entre discentes, eles fazem 2 coisas peculiares: se recusam a aceitar que você vai faltar uma aula deles para ir ao evento; dão de João sem braço para fugir da gafe de recusar o aprimoramento da educação formal de seus alunos.

Como então adotar criaturas peculiares como essa?
Chega naquela pessoa que ministra suas aulas e não libera para o evento, seja gentil, pergunte como a pessoa está, se ela tem um tempinho para ouvir a palavra da Legislação do Curso, aprovada em caráter oficial e assinada com responsabilidade em instâncias que representam (pasmem!) eles mesmos!

Olha só que lindo esse conjunto da Palavra tão verdadeira e inquebrável!

Currículo 2005 [x]
Currículo 2016 [x]
O bendito Projeto Político Curricular do Curso
A linda da Resolução 01/BBD/2009 que ajuda a miopia acadêmica ficar mais nítida: 

A Bendita Palavra da Legislação do Curso e seus respectivos documentos comprobatórios são tipo... A regulamentação dos objetivos daquele curso. Se alguém fere ou interfere nessas sagradas escrituras pautadas por uma lei maior chamada (Resolução Normativa nº17 CUN de 1997 que regulamenta os cursos de graduação), cabeças rolarão!

Metaforicamente. Ainda.
Não sabemos o que acontecerá daqui alguns meses.
Já que a universidade é autônoma, assim como o curso ao decidir as suas escrituras-lei.
Infelizmente os professores e alunos não têm autonomia alguma pra decidirem coisas sozinhos ou terem aval em documentos que regem todo um departamento.
Metaforicamente.

A mesma Legislação e aparato legal que dá poderes a eles também é o que os deixam na mão da burocracia.

Ruim isso né?

Mas óia só, há a contra argumentação de que na 17CUN97 o aluno tem direito a 25% de faltas.

E de acordo com o Oreio (Aurélio), punição em meio acadêmico se caracteriza quando alguém de hierarquia superior usa de sua credencial como detentor de informações e conhecimento para coagir um bando de medrosos a acreditarem que se faltarem 1 aula na semana para ir a um evento, serão condenados por uma graduação inteira.

O que dizer desse docente que morre de medo de ser boicotado?
Como adotar docente carente de informação com eficácia?
Vai munido das escrituras sagradas, com um sorriso no rosto, introduz o quanto importante aquele evento vai ser pro teu futuro acadêmico e profissional. Lembra do Decreto de Lei de como um bibliotecário deve ser formado pra bem... Ser quem deve ser e explica encarecidamente que essa obstrução de não deixar participar de eventos é resquícios de um trauma na formação profissional dele e você não quer repetir isso enquanto tem chance.

Okay, a última parte pode só pensar, não falar alto.
Tem gente que não aceita crítica construtiva quando ela é apresentada com argumentos, documentação, fé, falácias e a tal da punição eterna.

Dar suporte para formar aluninho medíocre como profissional crítico não é lá uma das prioridades dessa categoria tão interessante de se observar, mas fazer o máximo pra se manter BEM LONGE. Porque é meio isso que docente carente de informações tá fazendo: te punindo com as brechas do sistema para você se ferrar mais lá na frente quando perceber que perdeu oportunidades de ter experiências incríveis no curso.

Ou você pode deixar de ser medroso, ir ao evento e não dar satisfação alguma, porque convenhamos, adulto você já é e já basta a sociedade mandar e demandar na tua carcaça desde que você se entende por gente. Você pode também não ir ao evento e perder igualmente a oportunidade de ter experiências incríveis no curso.

Há algo a se considerar também, docente carente de informações também já foi você, aluno, medroso, babaca, logo isso pode estar refletindo na visão que ele fez e faz sobre eventos.

Se o evento for de graça, no quintal do departamento, com colegas de trabalho dele, pega pela mãozinha, continua sorrindo, leva ele contigo pro evento. Não custa nada tentar né?

E para o item 1 fazer sentido nessa verborragia, agora que os termos estão nos lugares certos e o entendimento pode ser feito com mais clareza:
Não confunda bife de caçarolinha com rifle de caçar rolinha.

E ir a eventos é o bife.
A rolinha é você quando não se posiciona politicamente nas ações de seu curso e profissão.
O rifle acho que cês já sabem quem são.

Ah! O item 3!
Se você não se forma devidamente nesse curso, como é que vai ter condições de pagar registro e anuidade no CRB? Ficou 4 anos no curso de bobiça é?

Que feio.
Roubou a vaga de alguém que queria.
Nossa, como você é ruim.
Vou te culpabilizar por esse delito e esquecer a reflexão ética discorrida ali em cima.

domingo, 17 de junho de 2018

[bibliotequices] reflexivando docência indocente

Esse texto vai ser rememoramento de 2 situações acadêmicas que passei nessa vida de escriba.
Uma foi cerca de 10 anos atrás, auxiliando colaborativamente docente a terminar o doutorado e ganhando muito conhecimento sobre ensino da língua e elaboração textual, a segunda é agora em que nem consigo expressar o quanto invadida estou me sentindo pela falta de tato ética de outro docente ao fazer isso, principalmente com um assunto delicado como a minha identificação de gênero.

Lembro vivamente de participar ativamente (?!) da vida acadêmica de professores enquanto estava na Letras. Afinal, o que eles aprendiam lá na Federal serviam muito para as práticas de ensino e aprendizagem que a gente algum dia teria que botar as mãozinhas ao ir pra sala de aula.

Lembro de ter aulas mais focadas no indivíduo e na cidadania dessas pessoas que iríamos nos responsabilizar, fosse alfabetização, mediação de conhecimento ou a profissionalização de um estudante. Isso fazia com que, mesmo sendo teorias de dissertações ou teses que esses professores estavam trabalhando ainda e aprimorando com as nossas percepções de Educação, Ensino e Mundo, essas aulas fossem tão aproveitáveis e inesquecíveis para quem levou à sério pro resto da graduação.

Lembro particularmente de uma docente, que quase pirando na soda por conta da complexidade do seu tema, decidiu fazer um teste conosco sobre como montávamos mentalmente a escrita de nossos textos. Ela passou um bom tempo nos explicando como aquilo poderia nos ajudar com nossos futuros alunos, principalmente para aqueles que tinham bloqueio de escrita ou não conseguiam se expressar bem em redações. Lembro dela sentar conosco e explicar como funcionava os passos de conselho de ética em estudos com seres humanos. Foi a primeira vez que ouvi a palavra Ética relacionada com práticas de aulas universitárias. Então tudo aquilo que estávamos fazendo na aula havia sido aprovado por um comitê primeiro e ela estava pedindo a permissão da turma se a gente gostaria de participar anonimamente do estudo da coisa complicada que ela tava estudando.

O pessoal ficou animado, entendemos o lado dela quanto ao nos usar como cobaia para isso e também conseguimos aproveitar ao máximo o conhecimento que ela tinha para nos ajudar nas práticas de ensino e também em outros assuntos acadêmicos. 

Tudo estava entrelaçado, tipo parceria mesmo. 
Uma mão lavando a outra e consentimento sendo tratado com respeito. 

O teste dela foi bacana, porque nós estudantes nos sentimos úteis para o que ela iria produzir posteriormente (O doutorado dela) e por incorporarmos em nossa prática de ensino alguns métodos bacanas que ela trabalhava conosco. Particularmente isso me ajudou tanto, mas tanto com a construção de textos e entender como um texto opera para ser entendido por outra pessoa que fui pra monitoria de produção textual para poder compreender melhor o que fazer e como poder ajudar quem precisava. 

O que ela ensinou em sala de aula tá me ajudando até hoje com tudo na vida, inclusive em botar ordem nos pensamentos e construir essa postagem aqui, de ler outras postagens e ter interpretação básica para compreender várias coisas. Me preparou para Análise do Discurso na 6ª fase e me apaixonar pela única disciplina da Linguística que presta (minha opinião).

Lembro muito bem dela pedir nossa permissão em cada aspecto em que tratava a sua tese dentro de sala de aula e avisava de antemão quando iria aplicar algum tipo de diagnóstico ou fazer alguma pergunta que acabasse caindo lá na escrita dela. 

Ela pedia permissão. 

Ela mostrou o catatau de folhas do comitê de ética e pediu para a gente ler e verificar se tava tudo bem com todo mundo. E isso era lindo. Uma docente pedindo permissão para realizar uma aula sobre sua tese pra alunos de graduação que nem imaginavam que chegariam lá onde ela estava.

Não lembro dela coletando dados exaustivamente com a gente, transformando a aula em algo mecânico e disforme do que seria a proposta de entender o texto para auxiliar o aluno a entender como entender o texto. 

Não lembro de me sentir invadida pela proposta ou não ter vontade alguma de participar porque era complexo pra caramba (E era! Fui ler o produto final depois e minha cabeça explodiu.), não me senti burra ou apenas mais uma cobaia bucha de canhão para minerar dados para professor coletar e botar lá no artigo dele e ser feliz, enquanto eu aqui não sei absolutamente nada do que está acontecendo. Se estou crescendo como profissional, se estou fazendo bem pra outras pessoas.

Não lembro de ouvir sequer em nenhuma aula sobre estrelinha da Scopus. Autocitação. Quantas vezes foi em congresso, seminário, simpósio, o escambau falar sobre sua pesquisa e o quanto isso era a último biscoito do pacote. Aumentar o status da pós-graduação onde ela participava ativamente por conta daquilo. Ela falou uma vez que seria talvez o primeiro estudo brasileiro sobre aquilo, mas como era mais importante a gente sair daquela aula sabendo alguma coisa de como atuar como professor (Assim como ela), o pessoal entendia, a gente não se sentia invadido. 

E quando nos sentíamos inseguros sobre algo durante a aula, ela sacava na hora, sentava conosco e lá vamos nós prosear o que pode ser ajeitado. 

Nunca a vi se vangloriar de estar conduzindo testes subjetivos conosco para outros professores, ou em congressos, seminários, blablabla, e ganhar os louros pra sempre no hall da fama do povo doido que estuda esses tréco de como um texto funciona dentro da nossa cabeça (Ou vice-versa, já disse que o trem ERA complicado!). Eu não lembro de me sentir inferior e incomodada por ser alguém ajudando uma pesquisa científica a avançar. Não lembro de voltar pra casa, andando pela rua onde atravessava galinha e vaquinha que paravam o trânsito por vários minutos me sentindo como um porquinho-da-índia.

Não lembro de ter meu intelecto individual e do coletivo ser menosprezado e rebaixado como apenas provedores de dados, nunca os participantes da construção do conhecimento.

Lembro de agradecer ela no final do semestre pelas teoria WTF e parte do conteúdo tão fora da nossa cacholinha graduanda. Lembro de na formatura de abraçá-la e agradecer de novo por tudo que tinha me ensinado, aquelas aulas me firmaram como pessoa, como profissional, como cidadão.

Não lembro de ser um semestre a contragosto e com bile amarga no canto da boca. Foi um processo educativo tão inusitado e devo dizer humilde nos padrões acadêmicos (Que tipo de pesquisador se atreve compartilhar, dividir suas ideias e descobertas com graduandos e deixar eles bicarem à vontade nos dados que eles tão pesquisando?!), ela pediu consentimento e esperou a turma opinar sobre os prós e contras. E aceitava quando alguém não se sentia bem para responder coisas, fazer parte da pesquisa, consentimento acadêmico.

Aí 10 anos depois, eis eu aqui, escrevendo textão, usando uma das fórmulinhas mágicas que essa docente me ensinou para escrever um texto coerente, objetivo e coeso para ser entendida em uma rede social. 

É esse tipo de coisa que a gente precisa refletir dentro da universidade: até que ponto nossos docentes estão realmente se importando com o tipo de profissional que estão formando (E se pelamoooor de Ranganathan, a criatura quando pegar o diploma vai poder dizer com seguridade: "Óia, não era Brastemp, mas aprendi muita coisa bacana lá! Vai que é firmeza!"). Existe perfil de egresso e Projeto Pedagógico de Curso por alguma razão, são as diretrizes né?

Tá tenso, gente...

(Reflexivando = refletindo, mas ao mesmo tempo filosofando ou sacaneando ou satirizando ou qualquer outro verbo no gerúndio que termine com "ando")

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

docência de(s)cente - aquele lugarzinho especial


Resolvi separar um tópico para o BIBLIOTEQUICES para falar especialmente da carreira docente que estou me preparando para me enfiar. O DOCÊNCIA DE(S)CENTE vai estar tagueado para quando esse assunto for abordado.

Como primeiro post, bora ranting about uma coisa que já está incomodando faz tempo no curso.

-----------------------------------
Nesse percurso acadêmico cheio de absurdos, há de imaginar que em algum ponto da linha cronológica de acontecimentos da minha vida de escriba do porquê eu ter recusado terminantemente a não seguir a docência na PUC. 
Até porque não construíram a Estrela da Morte com as centenas de milhões de denheros coletados dos pobres estudantes ferrados. 

A licenciatura vem me ensinando muitas coisas, inclusive o de não subestimar as pessoas, por qualquer motivo que seja. O indivíduo pode ser o mais estúpido possível lá fora das quebrada, isso não me dá razão para desabonar sua personalidade e caráter (Até porque não pago suas contas e não me interessa tua vida). Mas se a didática for ruim, meu camarada, cê tá condenado com carteira há VIP para Minos para passar a eternidade no Tártaro no pior castigo possível formulado para sua conduta profissional dentro e fora de sala de aula. 

Na minha sincera opinião, professor que não dá a mínima para as suas aulas e só está preenchendo lugar merece ter uma chance de assistir as próprias aulas no repeat, em uma cadeira velha de dentista sem ergonomia alguma, preso por linha de pipa coberta com cerol. 

Porque é essa a sensação que tenho após sair de aulas assim, em que se percebe claramente que o caboclo não quer nada, está ali ocupando o tempo e prejudicando os estudantes (e se não o sistema educacional funcionar). Esse tipo de profissional está na minha lista de "erros que não cometerei quando estiver na docência". Entendo que para muitos doutorandos o caminho para conseguir um cargo estável no ensino superior é passando pela docência, isso é magnífico, pois ensina muitas lições de humildade e alteridade, mas os mais velhos de casa parecem não entender que eles estão formando gente que vai fazer diferença lá fora. 
Os de mais de 25 anos de casa que digam. 

Como a seriedade do assunto não me permite dar nomes aos bois (fica mais interessante fingir que ninguém sabe de quem especificamente estou tratando nesse post) vou continuar a dissertar com o simples cenário:

Paredão de fuzilamento. 
Cerca de 60 estudantes a cada intervalo de 1 ano. 
O pelotão de fuzilamento está com as armas prontas, só falta alguém para dizer "Fogo". Adivinha quem é que dá a ordem?! 

A visão fatalista da educação é entendivel quando percebemos a seriedade do assunto. Somos instruídos como agentes sociais de mediação de leitura, informação e cidadania. Os professores são habilitados/especializados em nós ajudar a construir os significados de nosso percurso acadêmico, seja incentivando ações educativas para nos doutrinar (e vou usar esse verbo mesmo com o peso dele na frase) ao sistema de controle educacional vigente ou nos desafiar como indivíduos em nossa imensa elasticidade pedagógica e social. 

E tem sempre o fdp que é provável um zé mané qualquer e adora o som de sua própria voz repetindo: FOGO!! ATIRAR!! 

Então vamos lá!
(Post longo sobre como não tenho mais paciência em aturar professor que deveria estar pescando, não lecionando)

Cê que sabe se vai clicar ou não...

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Do nada aparece uma bolsista de licenciatura para ser atendida no lab onde estagio. Na blusa a seguinte frase: "Tô te explicando pra ti confundir"


Sim.
Do véi cearense trollador - troll com trovador - que me fez mudar de opinião na segunda fase ao ver o show ao vivo dele.

Tô.

Agradeci a guria aos montes.
Eu havia esquecido que meu grande plano maléfico é virar docente e me vingar de todos.
Oooooops virar docente pra explicar.
E confundir explicando.
Ou explicar confundindo.

É esse trem aí.
Tô.

Tô putiade com um tanto de troço.
Tô revoltz com uma série de absurdos.
Tô duvidando das minhas escolhas.
Tô deixando uma parte de mim ir pro limbo cósmico, because the tranco tá difícil guentar.

Já sei que ano que vem vou ter que desistir de um bocado de coisa, inclusive desse pulso de raiva que mapeia algumas decisões quando o levante é sobre estudantes e formação acadêmica.

Aí eu tô.

É tão bonito ver alguém que cê passou um tempo ou dividiu a sala ou conversas se dar bem e estar bem e sorridente e encontrou o caminho que queria, aquele sentido besta de pertencimento. Está acontecendo isso demais ultimamente. Colegas de turma, trabalho e amigos estão vislumbrando seus caminhos e fazendo o melhor que dá pra se manterem no foco. Às vezes eu tô.

Essa música, essa bendita música me faz ter certeza do é, não do ser. Quanto mais me lembro do que raios aconteceu com a menina Morgan (não mais) do começo de 2013 pra cá, consigo diagnosticar onde exatamente o meu foco tem sido desde então.

E caraca véi, tem sido a melhor sensação do mundo.

Porque as decepções são/fazem parte desse caminho, mas elas me deixam putiade por no máximo dois dias, já o Amor pela Biblio? Esse nunca sai de moda.

Ouvi de alguém muito zeloso que todos nós devemos ter canos de escape para outros prazeres na vida e por mais que eu tente, a profissão me rege a entender um mundo deteriorado por falta de abrirmos os olhos e a vermos nova perspectiva.

Talvez esteja na hora de achar os canos de escape.
(Esse blog já está sendo um faz um bom tempão)

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Não parece, mas alguém aparece

Aquelas reminiscências de época de licenciatura sempre aparece.
Em uma conversa awesoooooome com a pessoa querida da Fran, resgatei algumas lembranças da época da graduação de Letras, os apertos que todo metido a docente vai passar algum dia e lembrei desse guri que foi uma experiência de alfabetização que deu errado - conforme o que a escola queria e a universidade dos Stormtroopers esperava em seus relatórios e estatísticas. 

O que eu devia fazer na época era ajudar alunos como ele - não regularmente alfabetizados em séries mais altas - a conseguirem no mínimo escrever o nome direito e saber o alfabeto. O carinha tinha 12 anos, tava parado na 2ª série (equivalente ao 3º ano agora, crianças entre a faixa de 8 a 9 anos), depois da bagunça estadual da reforma do ensino feita por certo governador almofadinha, agora senador com péssima reputação por conta de lava-jatos.

Crianças como ele ficavam retidas por um bom tempo até desistirem, haver um milagre docente, ou eram aprovados sem saber fazer uma conta direito pra desencargo de consciência do Estado. 

Era um bairro da periferia do vilarejo brejeiro, eu ia pra lá a pé na ida porque precisava chegar animada, motivada, ativada pra dar aula de reforço pra aquela gurizada ligada no 220v. Foram 8 meses nessa, eu, uma estagiária da biologia super zen, uma da matemática que passava um dobrado por não saber o que fazer e outro da psicologia pra fazer pesquisa de campo. Em geral a gente dava apoio aos professores das séries iniciais, dentro da sala de aula, eu preferia ficar com a galerinha que estava fora de sala de aula (aulas de educação física, horário alternativo pelo ensino integral) aprendendo com eles. E eles me ensinaram muito. 

terça-feira, 16 de maio de 2017

[bibliotequices] onde perdemos o diálogo?

Há uma década atrás na universidade dos Stormtroopers eu escrevia emails pra professores sem ter medo de ser informal, porque convivia com essas pessoas todos os dias, nos corredores, na Coordenação, na lanchonete minúscula do campus, e tudo e tal.

Tem um email de 2006 para um docente super bacana em que me explico o porquê de ter entregue o trabalho atrasado, de uma forma totalmente nada a ver, nonsense e nada convencional (Quem me conhece, sabe que quando tou empolgade, vou acabar fazendo alguma coisa que não é determinada pelo acordo tácito padrão, tipo: falar gírias, usar minerês, fazer piada interna, referência ao mundo nerd). A resposta foi na mesma intensidade de nerdice (E sim, deu pra entregar o trabalho, era latim, a vida não era legal com latim naquela época!)

E gif de péssima qualidade sim!! Porque a dancinha é clássica!

Me pergunto onde a gente perde essa sensibilidade e aproximação com quem nos dá aula todos os dias, se é por não conseguir quebrar aquela barreira invisível de um tá cá, outro tá lá, se é protocolo de Universidade Pública não deixar esse diálogo acontecer.

Talvez seja até da própria cultura acadêmica UFXQuiniana de haver uma placa de NÃO para conversar direito com os professores sem se sentir estranho. Ou intimidado. Ou violando algum código super secreto de convivência. Até o docente dizer abertamente que está de boas para dialogar.

Talvez pelo fato da Universidade dos Stormtroopers ser tradicional, particular e uber-conservadora (Olá, tou fazendo referência ao Império Intergaláctico aqui o tempo todo!) o diálogo acontecia por questões de cordialidade e por mais tempo dos professores no campus.

Talvez fosse numa cidadezinha brejeira no findemundéco de Minas Gerais, sem conexão de banda larga ainda. A tecnologia influencia nessas coisas! Vide o email citado ali em cima, totalmente informal, sem firulas acadêmicas. Hoje temos tecnologia na ponta dos dedos, mas sensibilidade e empatia? Muito difícil!

Talvez eu tenha ganhado um pouco de noção (???) e colocado o murinho invisível, é difícil dizer, mas é nítido ver como faz diferença quando o diálogo é aberto e honesto entre discentes e docentes.

Heeeeeeeeeey conversem mais discentes e docentes, ops ops ops!!

Porque aí a gente conhece o camarada, sabe? Entende o que raios ele tá fazendo ali e as motivações dele pra trabalhar, porque hey! Talvez algum dia eu queira também estar naquele ambiente, ensinando outras pessoas. O clima na Universidade - que não citarei o nome por medo de um Lorde Sith brotar do chão e me cauterizar com uma sabre de luz - era mais de parceria acadêmica (Tá, tinha gente que arrancava nosso couro, não vou omitir), até nos piores casos (Tipo aquela mudança linda de currículo em 2006, né?). Tinha picuinha, mas tinha diálogo, não backlash e desavença, silêncio e passividade. E isso fazia uma diferença danada na nossa forma de tratar o curso, de se identificar com o curso, amar o bendito curso.

Isso me chamou atenção, porque a gente passa 4 anos (Ou mais) no mesmo lugar, frequentando a mesma rotina e não sabe absolutamente nada da pessoa que tem a paciência de te dar aula, ou que vai dar aula algum dia.

É tensinho.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

futurismo docente sonolento

Queride eu daqui alguns anos com doutorado em alguma área bizarra, 


Você dará aula. 
E pessoas dormirão no meio da explicação. 
E colocarão sua aula como prioridade mínima na lista de coisas a se fazer. 
E provavelmente estarão espiando o celular a cada 5 minutos. 
E pedirão pra sair mais cedo, pois não aguentam muito o assunto que você tratará com tanta felicidade.


Para os dorminhocos, dedico essa carta futurista docente.
Quando você ver aquele aluno cabeceando de sono, lembre-se que um dia foi você naquele lugar, desmotivado, sem energia reserva, drenado pelo trabalho, a jornada dupla, a falta de vontade alguma em querer absorver conteúdo algum, um mero autômato, veículo passivo de audição nada discreto em sua manifestação.

Leve incenso, use mais vermelho, use a tática Abelardo de dar aula, cutuque o colega estudante com delicadeza, lembre-o que estás ali pela aula assim como ele também. Se o problema persistir, toca a vida sem se importar, a aula precisa ser dada mesmo, não se preocupe caso haja uma plateia morta, há outras formas de se chegar aos estudantes sem passar a perna. 

Créditos do gráfico aqui [x]




domingo, 16 de setembro de 2018

discursos paródicos

Demora uns meses pra esse texto sair do meu sistema. 
Por que? 
Porque aprendi com pessoas sábias a não gastar saliva com gentio com facilidade volátil e irritável do que tentar travar algum tipo de diálogo, falado.

O escrito está sendo formulado, afinal, como sempre, repetindo: o futuro da qualidade da educação em Biblioteconomia indo pro ralo por conta de histórico de briga de parquinho, e falta de carisma e alteridade para entender que estamos numa sociedade falida, capitalista e fadada ao repetitivismo, aquela junção de repetitivo com vitimismo. 

Já avisando, mais do mesmo, no mesmo teor parodico de certa fala feita durante certa reunião de certo departamento de certo centro de alguma universidade aí. 

Por onde começar? 
Pelo Fanfiction de péssima qualidade que estão tentando empurrar novamente para os alunos bucha de canhão decidirem?
(Mais sobre aqui, aqui)

A epopeia de egos fragilizados em departamento que se convence a cada dia que está a serviço da informação, MAS esqueceu completamente que informações são ideias intangíveis, diferentes de seres humanos, palpáveis e que usam a informação para fazerem algo? 

Preciso mesmo tocar no delicado assunto de medição de comprimento de Lattes, estrelinhas de Scopus, produção acadêmica em ritmo de Parnasianismo, arte pela arte, ciência pela ciência, "sou eu que coloco dinheiro aqui nesse lugar"? 

Tem necessidade de regurgitar a incoerência de que Ciências das Informação não é da área de Educação?! Que é necessário separar as Ciências da Informação - e seus agregados, Biblioteconomia, Arquivologia e o curso que vai formar a primeira turma agora, mas nem reconhecido pelo MEC ainda foi (e os diplomas válidos, minha gente?!) ?! 

Será que tocar no delicado band-aid da integração, interdisciplinaridade e COLABORAÇÃO em fazer algo novo, mas certo - Ciência da Informação, certo? Cadê o povo da Museologia pra conversar com a gente? - vai ilustrar essa postagem? 

Nananinanão. 

Devido a fala paródica, irei matutar parodicamente, já pegando a minha carteirinha na graduação em Letras em uma das universidades mais conceituadas do país (status é tudo nesse mundo acadêmico, gente, sério.) estudante mediana de Análise do Discurso e fazer pouco caso de quem desconhece ou finge que o populacho (estudantes) é otário. 

Talvez sejam. 
Talvez não. 
Fatalistas acreditam no inevitável e óbvio. 
Mas também adoramos ver otimistas se esforçando por um mundo melhor. 

(Debaixo do link, mais um capítulo besta da novela agora fanfiction...)

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

[bibliotequices] bigornas fenomenais de resoluções estágio

Eu tinha prometido no começo do mês passado que não iria mais me estressar com a Biblioteconomia. Que ia passar longe dela como diabo foge da cruz. Que não iria dar bola pras notícias, babados e muito menos o que acontece lá em certo curso onde me encontro. Até evitar pessoas diretamente ligadas a ele tou evitando, o burnout com a decepção acadêmica ainda tá pulsando aqui, mas nada ganha do pulso tilintando na jugular quando vejo algo que modifica todas as relações de poder/ser dentro dessa redoma que se chama Biblioteconomia e poucas pessoas estarem dispostas a escrever/discutir sobre.

O próximo texto foi escrito/rascunhado/adaptado de 2 lugares, uma postagem em um fórum de graduação da universidade dos Megazords, e uma postagem no facebook ao compartilhar a postagem da colega graduanda de Sampa, então parte do texto tá meio mudado, por quê? Porque nesses dois lugares virtuais não posso mais fazer piadinha tosca, trollar geral e muito menos usar de sarcasmo em doses nada homeopáticas.

Aqui sim, já que é meu muquifo.

É, não dá pra largar de mão algo que faz meu coração bater mais forte - de raiva ou de paixão - quando aparece uma Resolução sobre estágios em Biblioteconomia bem linda, vinda de cima pra baixo, como uma bigorna em cima de um personagem de desenho animado, é necessário escrever sobre isso.

E achamos que não vai nos atingir, mas ops! Claro que vai!

Papo chato? Textão de novo? Legislação? Política?
Antes de pensarmos que isso não afeta a gente na graduação, vamos fazer um esforcinho de refletir como a Reforma Trabalhista orquestrada pelos grandões lá de Brasília vai afetar continuamente a nossa profissão e a nossa formação acadêmica.

Pela Lei de 1962, que cria a profissão de bibliotecário como profissional liberal de cunho liberal e tudo mais, há também a Resolução 152 de 1976 que especifica como é a supervisão de estágio na Biblioteconomia.

O update da 192 de 2017 coloca algumas disposições novas e alguns empecilhos para o estágio em locais que não há supervisor com título de bacharel e com registro ativo no CRB de sua região - apenas bibliotecários registrados podem supervisionar a gente. Beleza, coerente com a Lei de 1962, nosso Código de Ética e outras diretrizes como a parte dos estagiários na CLT.
(Para mais informações, favor clicar aqui nesse link e verificar a legislação que norteia nossa profissão e cursos no país.)

O que temos que observar e refletir no próximo ano, para quem está em estágios, se essa Resolução tá sendo cumprida, se o nosso Departamento tem ciência e está fazendo conforme a Legislação e o mais importante: se a nossa região/mercado de trabalho está condizente com o que a Resolução pede.

Há 2 discussões bacanas rolando no Facebook sobre essa mudança e o estado precário em que estamos indo com vagas de emprego para egressos/profissionais da informação que beiram ao desespero.

===> Discussão sobre a Resolução 192 aqui [clica no link]. 
===> Vaga de Bibliotecário de 10 horas por R$ 700,00 [clica no link]
(Essa vaga tá dando um bafafá danado, pois na semana passada veio outra com o aspecto de "Consultoria para bibliotecas escolares" com o caráter de aceitação do candidato através do menor preço de custo para o serviço. Leilão na Biblioteconomia? Urrum, tamos começando a ser marcados como gado, galera! Mooooo-moooo there is no cow level!)

O texto da Resolução está no Diário Oficial da União, edição 241, publicado em 18/12/2017, pode ser acessado aqui: https://goo.gl/zk3xYE.

Debaixo do link, mais considerações e quando tento abstrair dessa redoma, Santo Rangs é impiedoso.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

[bibliotequices] sonhos megalomaníacos para a docência de(s)cente

Essa postagem começa com emblemático vilão dúbio das Meninas Superpoderosas
Quero dar aula.
Pronto.

Já tava decidido faz um tempo.
Fui e voltei na decisão.
As perguntas foram muitas.
Será que tal lugar comporta a linha de raciocínio que gosto de me expressar?
Será que devo me adequar a todo um procedimento encaixotado padrão que vai matar os estudantes de tédio e eu de ansiedade?
Será que devo voltar pra onde me formei e fazer parte desse núcleo exclusivista para uma certa área do conhecimento e que esquece que a gente tá formando gente pra cuidar de gente que possivelmente vai mudar o mundo?
Será que tenho paciência pra aturar a burocracia do ensino superior?

Tudo pode ser respondido com uma música apenas. E foi daí que parti em interligar os aprendizados nas aulas, junto com aquela avaliaçãozinha discreta dos docentes que estão moldando meu serzinho para algo lá no futuro AND como o sistema universitário poderia manter minha Sanidade em cheque (e a conta bancária também, né?). Vale a pena?

Até onde estou vendo sim. Vale MUITO a pena.

Os sonhos megalomaníacos para daqui algumas décadas não é só ser le tiezinhe da referência e do café, mas também aquela pessoa que quando citam em trabalhos acadêmicos, orientadores botam as mãos na testa, sentem espasmos e viram pros seus orientandos e dizem:
" - Cê tem certeza que quer citar MORGAN?" ou " - Te peço, por favor, por tudo que passamos juntos aqui, muda de referencial teórico!" ou ainda mais " - Vai citar MORGAN? DESAFIO ACEITO!"

E aí na apuração final da banca sempre haverá aquele silêncio constrangedor ou pausa dramática antes de: " - Então, vi que você decidiu citar MORGAN (2042)... Por que essa decisão inusitada?" ou "Sabe, o referencial teórico estava ótimo, bem estruturado e coerente, mas aí você citou MORGAN... Você tem certeza disso, não é?"

Quero ser aquela pessoa que quando vão ver o Currículo Lattes perguntem na metade da leitura técnica: "WTF essa pessoa foi fazer na Biblioteconomia?" ou melhor "Véi, essa criatura pesquisou ISSO? E ISSO? Como é que passou em banca de..."

Quero finalizar meu pós-doc fazendo uma dança interpretativa da minha conclusão.
E ninguém entender. Será uma piada interna que poucos entenderão.

Quero ser aquele-que-não-deve-ser-nomeade em reuniões acadêmicas, mas que é sempre bom lembrar que existe. Não porque toca o terror, é autoritário, faz a caveira dos outros, mas porque não parece polido mencionar que estou ali. 
Tipo, porque quando rolar pesquisa com coisa que já produzi nesse meio tempo, espero causar estrago nas bases tradicionalistas engessadas acadêmicas, aqueles estragos que dão certo pra comunidade, pras pessoas que não tem acesso a universidade, aquele estrago que não produz dinheiro ou status. O estrago que a universidade e os catedráticos não gostam sequer de pensar que docentes podem fazer lá fora.

Quero ser docente que chega na sala de aula e deixa um misto de "Powha vou ter aula com aquela criatura hoje..." junto com "Caraca, tenho aula com aquele-que-não-deve-ser-nomeado... Que sortudo de uma figa que sou!" - Quero as aulas de segunda. E que os estudantes fiquem até o final por gostarem de estar ali na aula, por acharem relevantes as maluquices que irei tratar e relacionar com o curso, a profissão, o fazer algo que preste pra sociedade.

Aliás, não quero alunos, quero pessoas parceiras que pensem comigo, abertamente, sem fronteiras, sem exclusivismo, sem mania de grandeza produtiva. Quero formar bibliotecári@s desde a primeira fase até a última, pra entenderem que sim, o curso pode sim te dar ferramentas, modos e visões de enxergar o mundo das bibliotecas e afins com algo a mais. Quero giz de cera e papéis A4. Avaliação? Que tal autorreflexão sobre o que aprendemos ou não? Redação de livre associação?

Por que não usar o exercício da Ágora de defesa de argumentos?

Não quero ser o motivo de gente perder o sono pra estudar madrugada afora.
Não quero gabar meus títulos e honorários, e louros e floreios e borrões.
Não quero ser chamada de doutora professora, quero que me chamem pelo nome.
Não quero ficar subindo em tabelinha de ranking de produção.
Aliás, não quero produzir nada substancial pra área a não ser a prática que farei dentro das bibliotecas junto com outras pessoas maravilhosas.
Não quero estrelinha da Scopus.
Não quero citação na Web of Science.
Não quero que façam pesquisa bibliométrica sobre o que escrevo.
Não desejarei a aposentadoria tão cedo.
E vão sempre me perguntar quando é que vou aposentar.
" - Chuchuzim, demorei mais de 6 anos pra me formar na graduação... Cê tá pedindo demais né?"

E aí quando forem ler meu Currículo Lattes de novo vão ver que em outras produções ou participação em bancas, eventos e projetos de extensão tem mais coisa que não bate com a área. Que fiz trabalho até em lugar que não devia, com gente que nem deveria ter acesso à informação. Que peguem minhas referências ou não usem, pois é muita covardia ou muita coragem. Quase um Gregório de Matos.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

a@s fessores, aquele abraço!

Deix dias atrasado, mas hey! Quem disse que memória tem que ser periódica?!
Até onde sei, esse blog apenas me serve como terapia alternativa, vazão criativa e caso de emergência para algum caso futuro de amnésia.

BTW, era para postar no dia 15 de outubro, então...
===


Hoje é Dia dos Professores! Yey!
A profissão mais responsável e séria de todo universo.
Já escrevi sobre ela aqui [x] e volta e meia vou citando a bendita da docência (in)decente aqui no blog. Por que isso? É de família.

Não é legado não. Nem maldição. É tipo algum plano bem obscuro de manipulação mental que ainda não entendi direito como se faz.

Eu gosto muito de professores.
De incomodar bastante eles também.
Pois caso não tenham percebido, vocês são responsáveis por muita coisa que vai acontecer no futuro. Médico cortando cordão umbilical é pouco comparado com a (des)construção de vida que um professor é capaz de fazer com uma pessoa. E como eu acabo direcionando toda minha atenção para quem faz o trabalho com excelência (ou não), é possível perceber o quanto eu os adoro.

É porque eu quero mesmo ser professor algum dia desses, tipo num futuro distante.

Minha mãe já foi, minha irmã continua sendo, agora parece que só falta eu aprender os paranauê. Na universidade dos Stormtroopers aprendi que deveria ficar beeeeem longe do lugar/pedestal na frente de uma classe de carteirinhas enfileiradas, acabei tropeçando nas promessas e cair na Biblio. E aí a coisa mudou.

Mas a histórinha? Sim, tem que ter! Senão não tem reflexão do papel social em que estou inserida desde criança, né? Debaixo do link alguns professores que me fizeram acreditar num mundo melhor.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

a prova-ação da senhora escrita

Sou contra avaliações da forma que se configuram desde forévis. 

Avaliação, prova, teste não prova com exatidão a quantidade de conhecimento retido no cérebro de uma pessoa, nem como mensurar o que uma criatura aprendeu ou não. A linguagem é algo incrível de ser estudada, mas causa muitos problemas de interpretação. Tentar decifrar isso em uma folha de papel com questões aleatórias sem um propósito, aí sim teremos o grande problema.

Hoje fiz a prova que mais me fez escrever e pensar no curso. Yep. A última vez que fiz isso foi em 2007, com cerca de 9 páginas, frente e verso pra olhar pra cara do professor, pra prova e ter aquela revelação instantânea: yep, é pra isso mesmo que vim fazer nesse mundo. Escrever.
 
O que muitos acham que é repetecos do looping, para mim se torna mais árduo de encarar e refletir sobre a profissão quando se encara uma disciplina dessas. A disciplina já na reta final para quem vai caminhar pro TCC e tudo mais, a união de quatro ou cinco disciplinas em uma só para verificar o quanto nós entendemos o que raios viemos fazer aqui.

A subjetividade de uma prova objetiva me apavora. V ou F pra mim é entregar uma sentença de afogamento de nota. Marcar a correta e a incorreta me dá calafrios intensos em agonia e sofrimento. Por favor, não vamos falar sobre marque a alternativa incorreta, correta nesse contexto: é pedir para enfiar a caneta no meu globo ocular e girar algumas vezes até meu cérebro começar a funcionar adequadamente.

E aí há questão de que pessoas são diferentes para assimilar dados que se tornam informações quando você dá significância naquilo para então na síntese ter essa surpresa que se tornou conhecimento. E conhecimento pesa em nossos cérebros.

É por isso que a gente precisa de livros e suportes tecnológicos pra botar essa tralha toda, nossos cérebros não foram feitos pra isso. Mas com um certo treino e rotina dá pra se aguçar algumas habilidades. Por isso existem bibliotecários de perfis diversificados, porque essa galera se especializa em algo pra poder ajudar a gente com aquilo que não compreendemos pesquisar muito bem. Pra isso existem professores, pois são eles que usam ferramentas institucionalizadas, testadas e legalizadas pra reter parte do conhecimento que precisamos aprender para viver. Pra isso nosso cérebro serve, adaptação, assimilação, reinterpretação e execução.

Repete tudo de novo.
Tô simplificando os esquema tá? Tem mais coisa no meio. Muito mais. Galera que estuda isso fica biruta ou vira psicolinguista, mas fé na Ciência povo, explicação pros esquema existe. 

Então quando recebo uma prova de dez questões dissertativas com uma folha branca para respostas, o bicho miserável dentro de mim que cultivei com muitoooooo desgosto na Letras resolve acordar. E ele acorda rugindo, tão alto que a única coisa que consigo pensar é: "Bom trabalho professor."

Porque vai me fazer escrever textão e assim como meus colegas. Vai fazer nós remoermos os confins de nossas massas cinzentas para produzir um texto e todo o processo dolorido de externar aquilo que parece pertencer apenas ao interno. Vai mesmo me fazer PENSAR na minha escrita, nas escolhas da minha vida, nas habilidades que adquiri durante esses anos nesse curso. Vai botar em cheque TUDO que eu lembro até agora de todas as disciplinas em forma de quê? De texto. De puro e socialmente aceito instrumento de manipulação intelectual: o texto escrito.

Conseguem entender a dimensão dessa ação de pegar papel, caneta e arcabouço teórico que você construiu em cima de algo e botar pra fora? Escrever dói. Tão mais que pensar em escrever. Pessoas desistem de escrever antes de pensar em começar. Essa ferramenta segregadora inventada para impor dominância sob algo ou alguém é a Dominatrix de todo seu escrevente, pobres nós escravos intelectuais dessa Senhora tão cruel.

Ali na prova dissertativa é onde tenho o real controle da minha vida de escriba. 
E sério, pra quem costuma não ter controle algum da maioria das coisas que acontecem - chame de acaso, caos, blá-blá-blá destino é outra piada sem graça que os deuses inventaram pra curtir com a nossa cara, assim como o Amor (e essa piada é a mais engraçada, pra eles, não pra nós)

Mesmo que saia tudo errado. Mesmo se tenha erro de concordância, falta coerência entre parágrafos, não siga o enunciado, não importa: ali, eu, papel e prova, rascunho (porque eu preciso ter certeza que produzi aquele texto e foi manuscrito, não digitado) me entrego de corpo e alma pra essa função tão dolorida. 

Escrever dói.
Meus dedos pararam de funcionar depois da sétima questão e faltava três pra passar a limpo. 

Eu fiz a melhor prova de todo curso, com certeza. 
Não porque domino satisfatoriamente a Domina Escrita, não, ela ainda me controla 24/7, em cada pensamento não externalizado, em cada ideia que não consigo colocar em prática, no bendito projeto que possivelmente vai mudar minha forma de ver o mundo e de retribuir onde queria tanto ajudar a crescer (bibliotecas escolares). Ela me ensinou a olhar o mundo de uma forma que não consigo mais desver. 

Dez questões para responder em 1h40m. 
Garranchos em três folhas A5, frente e verso, os rascunhos são rápidos, porque a letra é trêmula, apressada, sem regra alguma de acentuação ou ortográfica. Já o passar limpo? Aí começa a sessão masoquista. 

Porque passar a limpo é te obrigar a ler aquilo que você produziu, é jogar na sua cara o que pode ou não ser o resumo de sua história dentro de uma instituição. 

Quantos alunos não vi desistirem de um simples parágrafo por verem que são incapazes de lidar com a situação? Já vi doutores entrarem em crise existencial por não encontrarem a palavra certa para o parágrafo certo. Já li escritores que sangravam, choravam, esperneavam, colocavam pedras dos bolsos dos casacos e se afundavam em rios no meio do nada. 

E é isso que a melhor prova que já fiz no curso me fez sentir depois de tanto tempo. 

Foram 1h40m de exercício mental sobre a escolha que fiz há quatro anos atrás. O que terapia, esportes radicais, drogas, futebol causa em muitos, a escrita me proporciona em experiências catárticas como essa. 

Não tô nem aí se tirei dez ou zero ou meio, o que me interessa é que pela primeira vez em quatro anos senti de verdade o que significa ter o peso das escolhas nas costas. E apreciar. E estar feliz. E saber que mesmo se não for corrigida totalmente (como já vi docentes já praticando esse delito de nos obrigar a escrever e não dar valor algum para aquilo produzido - gente já fui obrigado a fazer resumo de manual de instruções. Isso sim é desperdício de tempo e de intencionalidade do exercício da escrita), tô feliz, tô sorridente, quero apertar a mão da docente e dizer que "Bom trabalho. Você me lembrou o que vim fazer aqui.

Avaliações, testes e provas não conseguem dizer exatamente a profundidade de conhecimento retido e mantido. Já o exercício de escrita, quiriduns? Ah, isso nos ensina lições tão inquietantes que o único jeito de me livrar dessa sensação de dever cumprido é escrevendo. E era isso que tinha que escrever. Sempre sob o chicote da Senhora Escrita, sempre mandando e desmandando na minha vida desde que me conheço como gente.
(Tem gente que vive, a maioria só existe, lembra Oscarito?) 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

[bibliotequices] essa tal representação de categoria

Vamos lá falar de representação de classe/categoria, amorzinhos? 
Vamos, porque em tempos como agora tá precisando.

Taxas de anuidade de registro profissional (sendo cobradas em parcela única) com suas variações:
(Usa o Google e digita taxa anuidade *insira sigla do conselho regional aqui* - faz bem pra sua vida biblioteconomística)

OAB (Advogados e lalala): R$ 963,90
CFM (Médicos): R$ 712,00
CREA (Engenheiros e lalalala): R$ 639,33
CRF (Farmacêuticos): R$ 512,81
CRECI (Corretores de Imóveis): R$ 591,00
CRP (Psicólogos): R$ 479,14
CORECON (Economistas): R$ 464,00
CRB - (Esse é o NOSSO!!): R$ 425,96 
CRA (Administradores): R$ 401,00
COREN (Enfermeiros, Técnicos, Auxiliares e Obstetrizes): Varia entre R$ 173,50 e R$ 300,13

* Até onde eu sei, professor/docente não tem Conselho Regional, pagar o Sindicato é o que vale, é isso produção? 

E eu poderia ficar a noite toda aqui listando as anuidades, maaaas decidi colocar essas pra gente comparar com o que algum dia pagaremos (Do tipo: "nossa como o tempo passa rápido, amanhã me formo, como assim?!"). Percebam que os listados são todos profissionais que a CLT chama de "liberais", gente como a gente. Sabe, os de cunho humanístico e talz? Bem isso.

Aí existe um órgão que cuida dos profissionais liberais (OMG não diga?!), o CNPL que abrange sindicatos, e outras entidades de representação de categoria. A FEBAB não tá, não há Sindicato de Bibliotecários em Santa Catarina, muito menos uma entidade intersindical para dar conta das demandas (Urgentes, btw, tem uma lei pra ser cumprida em menos de 3 anos, sabe?).

Então antes de ficar de mimimi que entidade de base só sabe levar teu dinheiro embora, não faz nada por você e lalala, notícias lindas e super atualizadas: quando você tiver pagando sua anuidade de registro profissional em qualquer lugar que seja, não é pra dar dinheiro pro bolso de alguém, é pra uma galera toda garantir que seus direitos vão ser respeitados - e sim, quiriduns, vocês tem TOOOOODO direito de cobrar esses direitos de quem deveria garantir seus direitos.

Aí tem uns panaquinhas dizendo que tem que acabar com essa de pagar sindicato. 
Ok. 
Vai lá falar com teu chefe que a poeira do acervo no arquivo onde você trabalha fez você contrair uma doença respiratória, pois não te ofereceram nenhum tipo de EPI, nem treinamento. Ou negociar com a chefia a contratação de estagiários, porque você não aguenta mais fazer além e muito mais das 6/8 horas de serviço, porque bem, a biblioteca tem que ficar aberta o dia todo, né? 
Oferta e demanda. 
Tenta então discutir com a prefeitura municipal de sua cidade que receber 2 salários mínimos com condições de trabalho que beiram ao impossível não é uma opção viável para trabalhar com dignidade.

Vai lá, fera! A Força está com você! #SqN

Bibliotecário sofre disso todo fucking dia ou pior, porque não tem ou não sabe querer/ter representação. E não venham dizer que "não gosta de política", amigolhes, cês tão na Biblioteconomia: tudo aqui é política, querendo você ou não.

Por que a gente precisa de representação de classe?
Pra fazer valer as leis que nos garantem dignidade em trabalhar
Por que a gente precisa disso?
Pra ninguém pisar mais na gente como faziam antes e continuam cismando de fazer mesmo com as regulamentações aí afora.
Por que a gente tem que fazer VALER as leis?
Porque ninguém vai fazer isso pela gente e começa nas entidades de base, é lá que vocês precisam atuar e se inteirarem mais das discussões trabalhistas da profissão que escolheram.

(Será por que OAB e CFM como as anuidades mais caras?! Coincidentemente quando esses caras param, o país para junto, né?)

Mais coerência nas ações do que beleza nos discursos, sim?

sexta-feira, 19 de maio de 2017

sem reação


Pela primeira vez na estória de amor com a graduação na Biblioteconomia fiquei sem ação para falar bem do curso. 

Não era falta de empolgação. 
Eu amo esse curso, tanto, mas tanto que protejo o bendito com unhas, dentes e chutes baixos.
Mas não dá. 

Quando alguém pergunta como é o curso pra mim agora, vou falar a minha impressão total sem censura e cortes de classificação indicativa. A tendência não é piorar, é virar outra coisa. E nomenclaturas são um perigo, gente. Porque nomenclaturas categorizam e taxam e inibem e forçam padrões.

Quero ser otimista e pensar que daqui alguns anos haverá um corpo docente unificado e disposto a trazer mais humanidade pra quem sai daqui, mas não creio que vá acontecer tão cedo. 

Por isso tou pulando fora do barco na pós. 
(Se o mundo não acabar antes, se eu não jubilar, se não haver um apocalipse zumbi, se, se, se vários ses...)
Por mais que seja incrível contribuir com a comunidade em que te proveu experiência em uma graduação que era meu sonho concretizado, não suporto mais ver/interagir com certas situações desnecessárias. Pessoas desnecessárias. Picuinhas desnecessárias. 

Produtivismo e pouca humanidade. Isso tá rasgando um corte de lâmina cega na minha paciência e no meu ego (e não mexe com essas duas coisas que virginiane NÃO sabe lidar com essas coisas sem surtar ou cometer algum crime capital). É sem reação que consigo responder alguma coisa para a pessoa que quer retornar ao mundo biblioteconomístico. É sem reação que fico, segurando aquele bolo debaixo do diafragma, pressionando o baço, pronto pra expelir bile amarela e dar a real: se for pra ficar com traseiro sentado no funcionalismo público e não contribuir em nada pra sociedade, vai pra outro curso. 

Aí percebo o quanto meu level de comprometimento com a profissão chegou ao ponto alto, porque essa porra tá me dando uma visão unilateral do todo. Mesmo eu sendo a criatura dos relativismos, dos talvezes, dos "cada história tem 3 lados". E já vi o que acontece com as pessoas que chegam nesse estágio de pensamento unilateral. A gente fucking cansa. 

Sinceramente cansei quando não vi mais aplicabilidade da teoria da aula nos lugares onde estagiei. Atuar no Museu foi o estopim, estar em um ambiente interdisciplinar mostra o quanto não valemos muita coisa, não quando a vontade de querer ser alguém que contribui beneficamente pra área de conhecimento em que quero habitar está deixando claro que pessoas como eu não deveriam estar ali. 

Produtivismo e androides. 
Quem produz mais. 
Quem tem mais estrelinhas. 
Quem é mais citado. 
Quem traz dinheiro pro lugar. 
Quem é a autoridade. 
Quem sobe na cadeia alimentar dos glutões pelo poder frustrado. 

Não sou obrigade a aguentar esse discurso por muito tempo, não quero ficar amarrade em uma pós graduação que me cobra pra ser eficiente com metas institucionais e não enxergar que ali do lado tem uma biblioteca comunitária precisando de alguém para viabilizar cidadania. Não sou obrigade a compactuar com esse ideal mercantilista de validação acadêmica. Não foi pra isso que assinei a papelada de retorno de graduado. Não foi pra isso. 

Espero que a pessoa saiba por fontes mais fofuxas e agradáveis sobre o quanto o curso pode contribuir pra vida das pessoas, qualquer pessoa, espero mesmo, mas tou pedindo pra Dewey, Rangs e Otlet pra não me perguntarem o que acho do curso de Biblioteconomia da universidade que não irei citar o nome por questões de puro sarcasmo intencional. 

A resposta não vai ser bonita. 

E Rangs abençoe pra eu não virar essa veia coroca de coque na cabeça, dedo em riste na frente dos lábios e pedindo "xiiiiiiiiiiu!".

sexta-feira, 31 de março de 2017

[bibliotequices] faz sentido

Tem coisas na minha vida de escriba que normalmente não fazem sentido. Tipo minha vida amorosa, a vida familiar, a vida privada que o Nelson Rodrigues fazia comédia (referência nenê?), mas estar novamente atuando em biblioteca faz total sentido.

Há uma premissa que gosto de repetir pra mim mesme: "Quanto mais insano, mais normal fica" que acaba se encaixando bem em tudo relacionado na vida de bibliotequere. A vida faz sentido aqui entre as estantes. O exercer o meu existir faz sentido aqui no balcão.

Pode parecer besteira, ver alguém enaltecendo a própria profissão como algo divino, não é, não deve ser e pelamoooooor não seja. Eu amo a Biblioteconomia utópica dentro do meu plano de ideias que entendo, compreendo e compartilho, mas tem muita coisa pra se melhorar.

Aconteceu alguns fatos nesses dias em que estou estagiando que me fizeram reavaliar muito o que me leva a ser tão apaixonade pela profissão - e aí vamos na batalha de emoção versus razão? Com esse assunto em específico, eu perco a compostura e me entrego de corpo, alma e coração. Pode levar toda minha integridade física e mental que aceito!

O motivo para tanto furor é a forma como certas cousas estão se encaixando, desde o momento do compreender o que raios faço aqui, como vou fazer, pra que/quem é porque fazer. Isso está se concretizando.

Faz sentido passar aperto no estágio por conta de situações que não dá como controlar, que se necessita de uma ética pautada até em algo superior a ciência e o academicismo pra compreender, analisar, simpatizar e resolver. Que há aulas que foram assistidas pra sr lembrar na hora do aperto e dizer "véi de Bowie, obrigade pessoa que me deu aula por existir, por ter uma consciência incrível, por estar na minha vida" - esse feeling, aliado com um pequeno papo de banheiro com velhinha simpática que exclamou "esse banheiro é feminino" em um tom escandalizado e excludente para evoluir em um diálogo de respeito e alteridade. É o puxar papo com docente decente sobre um relampejo de ideia para algo a ser produzido no futuro.

Essas pequenas coisas. 

Elas me fazem sentir vive e útil e bem comigo mesme, as pequenas vitórias. O bilhetinho para BFF com zoação, a preparação de algo improvisado que dá certo, é eficaz, as pessoas são beneficiadas. Esse feeling? Sabe esse, de fazer o coração gelado pulsar na garganta, os pulmões absorverem mais oxigênio, deixar a mente anuviada com as inúmeras possibilidades se amanhã ocorrer mais surpresas e coisinhas a se resolver com a teoria vista em sala de aula?

Eu troco todo tipo de coisa que já senti nesse mundo por esse feeling sendo habitual.

Não é take it for granted, mas é que quando se encontra a quest da sua vida, não é pra deixar ela escapar pelas mãos quando se apresenta. Ser bibliotecárie me traz muita alegria e momentos memoráveis também. Tem coisa ruim, mas entra aí nas alegrias e talz, a gente não vive suficientemente para entender o quanto pode ser feliz com pouca coisa nesse mundo, o fazer por onde está sendo constante, tá fazendo sentido.

Por mais que tenha umas criaturinhas tumulares que gostem de arranhar a superfície do quadro pra causar aquele som horrendo, elas não ganham dessa sensação. Queria que fosse permanente, tou apostando minhas fichas para manter o feeling por mais tempo.

Teve dois cliques nesses dias, um mandou o vitimismo pro fundo do poço (Sorry Samy) por saber que posso ser forte, bem mais forte que qualquer um quando preciso me posicionar como ser vivente. O outro clique foi compreender que ter um olhar mais crítico de uma situação potencialmente perigosa/vexatória pode salvar pessoas de desconfortos, inclusive o meu. E o meu desconto com o mundo se resume a um demonho bem bem beeeeeem específico: leio o mundo como se não fosse o bastante.

O mundo não é criado para ser o bastante, eu devo estar perdendo algo disso, sentir culpa faz parte (sim, eu sei, absurdo!), consertar a minha bagunça é inevitável.
E isso vai pra tudo. 

Isso também arruinou muitas oportunidades de ser feliz plenamente, mas verificar que a culpa não vai me levar a lugar algum continua sendo uma barreira a se quebrar todos os dias.


Não quando esse feeling de ser fucking awesoooooome e útil na biblioteca vem. Ele preenche tudo, transforma toda energia pesada carregada, mantém o controle e a serenidade. Pra se chegar a um level de entendimento comigo mesme foi torturante, agora o se autoflagelar não parece fazer mais sentido.

Essa é a plenitude que quero pro resto da vida. É nisso que irei focar de aqui por diante. As pequenas coisinhas, elas fazem diferença.

quarta-feira, 8 de março de 2017

[bibliotequices] o que, pra quem e porquê?

[Disclaimer: não uso o nome da Federal em que curso, porque já sofri uns backlashs lindos do próprio curso ao ter perfil de Facebook exposto em sala de aula por pessoinhas super bem intencionadas. Uso alusões a saga Star Wars para direcionar minha linda jornada na universidade mais tradicional de todo país. Também uso de sarcasmo e ironia pra poder escrever sem que ninguém em particular se sinta ofendido]

Uma piada recorrente entre os anos de 2004 a 2008 na PUC Betinópolis era sobre como nosso dinheiro da mensalidade ia para o Vaticano para construção da nova Estrela da Morte¹.

Because, razões tinham de sobra...

Uma coisa também que era zoeira na época - por conta de não perceber exatamente o que estudar com os Sith poderia criar - era como nossos professores eram extremamente avaliativos e rigorosos com nossa formação humana. Não era pegar a powha da Gramática e fazer pomposidade no idioma nem falado pela maioria da população, era usar aquele trambolho como instrumento de cidadania e destrinchar cada preconceito linguístico, cada inadequação temporal, cada vício elitista de "falar certo e falar errado" e mandar pro espaço sideral.

Estudar com os Sith me tornou, pasmem, Jedi. O lado iluminado da Força até pode ser feito de escuridão também (hello, bora estudar um pouco de física e refração da luz e espectros de cores), mas o que ficou na PUC dentro de mim foi esse bichinho miserável da avaliação contínua do que raios tou fazendo, pra quem tou fazendo e porque tou fazendo.

As tias fessoras mais didáticas é que adoravam repetir a romaria, quando você escreve um texto é pensando nesses três fatores - o que, pra quem, porque - e isso não mudava né um pouco na prática docente. E ser professor, caso tenha escapado do memorando, é uma das coisas mais sérias desse universo.

Se perder a noção do que tá fazendo, pra quem e porque, o trem desanda. E com consequências tão tão ferradas e sem lógica que você só vai perceber a m**** que fez daqui há 9 anos ou 12 anos, dependendo do ciclo educacional que pegar. Pra aí encontrar um colega de turma na primeira fase que não sabe interpretar uma notícia de jornal, escrever o essencial para reivindicar um direito seu, imagina só se meter com bibliotecas e livros e gente e talz?

A responsabilidade é enorme, algo que não quis abraçar a princípio por conta do olhar mais crítico que a PUC me abriu. A virginianice também tem culpa no cartório, a criação restrita com uma mãe detalhista, mas o olhar humanizado sob algo concreto, real e com consequências em longo prazo? 
Os Sith me deram.



E é com esse mesmo olhar que entrei na Biblioteconomia e é por isso que me sinto na obrigação de fazer avaliação atrás de avaliação sobre o rumo do curso, sobre tudo que aprendi até então e principalmente, ver o que isso tudo tá causando nos colegas de sala e de futura profissão. Não quero dar o pedala Robinho de imediato, mas a vida fora dos murinhos invisíveis da Universidade é bem cruel e a nossa atuação é parte fundamental em fazer alguma diferença no percurso acadêmico de uma criança cheia de sonhos, esperanças e fôlego.

Debaixo do link, avaliações, resultados, surprise, surprise modafóca, isso vai ser isso o tema do meu TCC até eu jubilar...

domingo, 6 de novembro de 2016

[bibliotequices] falácia do perder o semestre

Bora lá que a gente AMA números, certo? Números é que são legais para enfeitar as coisas, estatísticas e dados e índices e a vida acadêmica segue sem o devido pensamento crítico sobre isso...

43 anos de Biblioteconomia na UFSC são:

Semestres = 86
Meses = 516
Semanas = 2.244
Dias = 15.706
Horas = 376.938

A gente gasta 8 semestres para se formar no curso (Uns a mais, mas hey!). 8 semestres em 86 semestres de história da Biblioteconomia na Universidade.

E estamos preocupados com o final do semestre. Com ESSE final de semestre em específico. Se não vai ter aula ou vai, se vai ter greve ou vai. ESSE semestre. De 86 semestres já de curso! 8 semestres de graduação! É justamente ESSE semestre que é mais importante - e obviamente não podemos perder ESSE semestre. Os outros não.

Não é sobre perder semestre, entrar em greve ou não, ocupar ou não, ser aprovado ou não: É o se posicionar ou não.

É por perceber em 8 semestres que passamos aqui, contribuindo para a produção científica da Universidade, formando bibliotecários, professores e pesquisadores que temos uma cultura muito familiar do profundo silêncio constrangedor.

Não é pelo semestre, ESSE em específico. É por 86 semestres que a classe e o corpo estudantil não se posicionou ou teve voz suficiente para ter maturidade (ou vontade?) política para discutir coisas como: Cidadania, Direitos básicos, Sociedade, Educação, Direitos da Classe, Respeito, Ética e Solidariedade.

(Contem os semestres em que foram abordados esses assuntos durante os 8 semestres - contei! 2 semestres, 2 aulas em específico mais meia aula interrompida, pois docente quis falar sobre as manifestações de setembro)

86 semestres, pra mim, é muito tempo para acordar de uma neutralidade. Não é 1 semestre, é pela aparente passividade de 86 semestres.

Se pronunciem.
Se posicionem.
Se organizem.
Se mobilizem.
Discordem.
Concordem.
Tenham argumentos em seus posicionamentos.
Questionem.
Sejam protagonistas de suas vidas acadêmicas nesses 8 semestres.

(Não deixem a história do curso afetar seus sonhos, suas expectativas, suas chances de fazer um mundo melhor, mas não ignorem o fato de que por anos ninguém aqui dentro se manifesta sobre coisa alguma. Por medo, por juízo, por interesses, por motivos escusos, não sei, mas 43 anos é muito tempo pra continuar em silêncio)

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

[bibliotequices] eleições de direção do centro de educação

Essa merece uma repostagem aqui no #minhaVidaDeEscriba porque não posso deixar de registrar a revolta imensa que certo episódio ocorrido ontem no curso de Biblioteconomia trouxe à tona.

Sobre eleições no Centro da Educação (CED):
(Disclaimer: texto meu, apenas meu, de minha autoria, vou colocar um selinho de copyright/whatever, nada de creative commons, porque a tendência atualmente é dizer que o que 1 pessoa fala quer dizer a palavra final sobre o lugar/entidade/instituição que ela pertence. Ah! o texto é cheio de sarcasmo tá? Se ofender, continua a passar o scroll na timeline e a vida segue, não faz diferença)

Aquele textão lindo que ninguém vai ler, mas aaaaaaah eu sei que vai chegar a algum lugar, nem que seja para instigar a curiosidade do colega.

Vamos entender umas coisinhas, de uma forma bem lógica e linear para não haver desentendimentos, más interpretações ou deslizes discursivos dentro de salas de aulas devido a falta de aperfeiçoamento na Ética Profissional.

Quando se há uma eleição, nós estudantes de graduação esperamos que haja... ahn, como se chama? Divulgação de chapas. Sabe esse carnaval épico de cartazes, carro de som, conversas amigáveis nos corredores, jingles, fotos segurando criança no colo e tals? É, é como a nossa alegoria de "espírito democrático" foi estabelecida. Adoramos festas! Pão e circo!

Só que ainda não finalizou o período de inscrições de chapas para a próxima eleição do CED - que aliás a data de votação acontece possivelmente ANTES da greve geral nacional instituída por diversos coletivos, sindicatos de grevistas em todo Brasil. Muito espertinhos, adoro! - logo eu, como estudante de graduação inserida no CED não necessito de ter as aulas interrompidas com o carnavalesco eleitoral com promessas de 10/15 anos atrás que não foram cumpridas e pasmem! Não serão, porque olhem só! Prioridades tão esmurrando na porta como algo chamado: PEC 241 e greve Geral na Educação. Alguém chegou a receber o memorando? Não?

Vamos lá então. O que é a PEC 241 resumidamente? Um pacote de ações que visa cortar gastos na Educação, Saúde e afins (Coisas que políticos não se interessam muito em manter bem estruturadas no nosso país desde... ahn... lembra dum cara chamado Pedro Álvares Cabral? pois é...), que já está atingindo a gente desde 2014, com cortes de verbas para Ensino Superior, Médio e Fundamental. o mais legal dessa PEC é que se for aprovada e colocada como Lei, os próximos 20 anos tão fadados a um sucateamento dessas áreas que citei ali acima.

O que afeta nós aqui na graduação? Com licença, mas vocês tão percebendo bem no ensino de qualidade que estamos recebendo? Estão percebendo que no Departamento os bibliotecários estão minguando? Que o nosso curriculo mesmo tendo sido mudado para abrigar egressos mais competentes para o mercado de trabalho, na verdade não está sendo suficiente para a demanda da sociedade? Já perceberam que a gente não vai se formar bem nesses 4 anos, com noções básicas de como é o mundo lá fora por conta de:
1) falta de estrutura nas salas de aula
2) falta de quadro docente preparado e estruturado para nos dar aula
3) sem verbas para projetos de extensão, estágios na área, sem vivência sobre a nossa profissão

Já perceberam que ao entrar dentro de uma aula, passar 4 horas ouvindo um discurso de repetição de cerca de 11 anos atrás, porque hey! Bibliotecário em produção aqui, neném! É óbvio que vou atrás dos egressos para saber como eram as aulas deles anos atrás. O ruim mesmo, o amargor que sobe na garganta é descobrir que nada mudou, a aula continua a mesma, o ensino de qualidade prometido no curriculo novo só foi enfeitado com mais tecnologia e tá tudo bem. Tá tudo muito bem.

Sorrie e acene que vocês só querem pegar canudo, certo? Que só entraram no curso pra passar pra uma Federal. Que só estão aqui de paraquédas e nem sabem o que querem da vida. Só estão aqui por um tempinho e não fazem diferença pro Departamento. Só começam a ter alguma importância quando passam na pós-graduação, aí sim estrelinha na Scopus, status acadêmico e curriculo Lattes impecável é que vale na maratona de subir. É aí que a ciranda dança. E é nesse detalhe que a gente, que está na ponta/base deveria prestar atenção.

Agora imagina isso que já está agora congelado por mais vários anos, com a mesma política café-com-leite (olha ensino de História aí gente!) que anda ocorrendo e cadê as prioridades? Oh sim, elas estão no umbigo. É aquele tréco, cicatriz hedionda sinalizadora do parto que a gente tem abaixo dos peitos e acima da pélvis. O umbigo é uma parte do corpo perigosíssima!

Se a gente cavucar as leis que regem a nossa profissão - Código de Ética, manifestos da IFLA/UNESCO, leis federais, estaduais, municipais - tem um negócio esquisito lá dizendo sobre "hey você, bibliotecário mixuruca, cê deveria fazer inter/trans/multidisciplinaridade. É tipo, pré-requisito pra você ser alguém que cuida e organiza informação" - às vezes me pego pensando se precisamos chamar a galera do Design pra fazer gráficos bem explícitos pra gente entender essa parte. Pra ser bibliotecário a gente precisa saber dos outros. Sim, os Outros que o Sartre adorava dizer que eram um Inferno! Esses mesmos! Que droga! Como é que vou lidar com os Outros se só quero ficar aqui alisando o meu Umbigo?

Se estamos num Centro de Educação e há cursos como Pedagogia, Educação do Campo, Arquivologia, Ciência da Informação, Biblioteconomia, NDI e Colégio de Aplicação, o umbigo deveria ser esse grupo não? A lógica não tá cartesiana não? Tem que ser umbigo unilateral, tipo só umbigo Ciência da Informação? Umbigo só Pedagogia? Por que não Umbigo CED? Faz tanto sentido né? Já que temos que lidar com 5 cursos diferentes e mais 2 espaços de Educação importantes aqui na Universidade. Por que não Integração?! Por que essa palavra parece reza braba de benzedeira em cima do povo do CIN?!

Véi, a gente ganha dinheiro lá fora no mercado de trabalho às custas dos cursos dos Outros! Procurando, organizando, tratando, mediando informações Deles, é como se o Umbigo além de querer ser uma panelinha de "como iremos favorecer melhor os nossos interesses em detrimento dos outros cursos aqui alojados, porque por favor né? Já tiveram regalia demais esses anos!" - tão esquecendo da sacada mais legal da nossa área: a gente tem a Informação como ferramenta de trabalho.

Integração, gente. Lembrem dessa palavra.
É possível de durante as eleições ouvirmos sinônimos dela como "união" (mas atentos se é de uma via só, nunca compartilhada), ou uma máxima linda de "porque o Departamento sempre foi esquecido aqui no CED." - seguinte, com a apatia, burocracia e castração acadêmica que ronda esse curso desde muito tempo, não é surpresa que alguém da Biblio vai se manifestar ativamente sobre algo.

O que nos leva ao próximo tópico da incrível eleição de direção no CED: atividade e passividade! E eu não simpatizo com coisas binárias, pois elas me trazem um ranço não muito legal de padronização de comportamentos que devemos associar as pessoas sem antes conhecê-las. Mas hey, relações de poder! Foucault escrevia isso, assim como aquele carinha super bacanudo Maquiavel: livro de cabeceira de alguns amiguinhos por assim dizer.

Cês tão sabendo que a Pedagogia está com um ano todo embaralhado por conta de uma greve GERAL que houve em 2014/2015? Que afetou os estudantes, entrou os professores e os Técnicos-administrativos? Não sabiam? Pois então recapitulando: no primeiro pacote de medidas daquele final de ano 2014 com o corte de verbas nas Universidade Federais e retirando apoio principalmente dos estudantes de graduação como Auxílio-moradia, bolsa-auxílio em estágios, moradia estudantil, acessibilidade ao serviços e/ou ingresso à Universidade e pasmem! Afetou os salários e progressão de carreira dos fessores e TAEs também! *insira emoticon assustadíssimo aqui*

O que a Pedagogia fez? GREVE GERAL.
Se é pra parar, é pra parar. É ensino de qualidade com perspectiva do aluno se formar com alguma coisa válida e contribuir pro mundo ou não. Foi greve, foi aulas públicas na Reitoria, foi palestra no meio do Hall, foi mobilização dos alunos para deixar todos sabendo o que ocorria.

E o que aconteceu no CIN?
Não sei. Realmente não sei. Se aconteceu não chegou até a base de graduantes. O Centro Acadêmico que tava morto por 2 anos - a mesma apatia, a mesma inércia, a mesma passividade - foi dissolvido e uma Assembleia foi chamada para ver o que os alunos da Graduação de Biblioteconomia queriam para o curso.

Assembleia
De
Estudantes
De 
Biblioteconomia 


O HORROR!! MEU RANGANATHAN, O HORROR!! VALEI-ME DEWEY DOS ESTUDANTES DE BIBLIOTECONOMIA SE MEXEREM EM PROL DE UM DIREITO DELES!!

Estudante só reclama, estudante não sabe o que quer, estudante não vale muita coisa no grande esquema das coisas (Começa a valer se passar pra pós, lembram?), estudante com cartazinho, protestando timidamente por um posicionamento do Centro, do Departamento, da Coordenação não vai fazer diferença. Nunca fez, por que vai fazer agora?

E fez.

Aquela Greve Geral da Pedagogia abriu os olhos de muitos dos nossos colegas, aqueles que passavam ali no Hall do lanche do CED e viam os estudantes mais fora de sala de aula discutindo política e permanência estudantil do que estudando. Os muitos (E foram muitos, ok? A passividade aparente que o curso impregna na gente ao entrar não surtiu muito efeito naquela época) entenderam que a coisa tava ficando feia, que o curso ia ser depredado mais ainda, que não iríamos ter uma melhora, a Assembleia foi feita.

E o Centro Acadêmico voltou. 
E tá aí ainda. Aos trancos e barrancos, ouvindo, escutando, agindo quando pode, mantendo os estudantes informados, abrindo espaço para diálogo, questionamentos e o fazer Política (Olha a Linguistica na Etimologia da palavra aí gente!) dentro do curso, dentro do Departamento, dentro do Centro. Integração. Sem umbigos. Umbigo sozinho não faz acontecer. Esquece o Umbigo. Umbigo é coisa feia. Uma cicatriz de uma dor que a gente esquece quando nasce. Umbigo não é a solução, é antiquado.

E nosso curso tá aí, com curriculo novo, em que os alunos estão participando no que dá para ajudar uns aos outros, a Integração com os outros estudantes está indo bem, temos colegas e amigos da Arquivologia conosco, galera da Ciência da Informação também, volta e meia os estudantes de Pedagogia trocam umas ideias, está caminhando, está indo, estamos nos esforçando, porque não foi isso ensinado pra gente fazer desde pequenos, sermos integrados, sermos colaborativos, sermos um só. A gente foi criado pra ser Umbigueiro.

Mas Umbigueiro não resolve as parada, gente. Cês tão vendo o que tá acontecendo aí fora? Tão contentes com os rumos do país e como a nossa Educação está sendo levada à sério no circo politiqueiro? E a atividade? por que a passividade?

PEC 241, Lei da mordaça, Leis contra minorias étnicas, comunidade LGBTT, Leis contra as mulheres, Leis contra acesso à cultura, lazer e esportes, Leis contra a Integração. Leis ditam as regras do jogo, assim como nossos manuais CDD, CDU, AACR², mas quem está manuseando os códigos é a gente, sempre foi, sempre será. Atividade, não passividade.

E o que vemos no nosso CED?
O que vemos? Alguém vê?

Desde agosto temos manifestações gerais contra os absurdos políticos, setembro foi o estopim de tudo com passeata, fechando ponte, discutindo política na rua enquanto esperava a mobilização chegar e irmos pedindo por Democracia, Justiça e Igualdade.

E o que nosso Centro fez?
O que o Centro está fazendo agora que a coisa está martelando na porta da Universidade?
O que você tá fazendo sobre isso?

Passividade. Inércia. Méh. Sem envolvimento.
Eleições de Centro não é desculpa para não se posicionar.
Se é pra queimar filme sendo reaça, seja. Se posicione. Diga que não vai se envolver. Diga que está pouco se lixando, que lava as mãos, que vai resolver isso quando tiver tempo. Mas se posicione.

Não deixa os estudantes, a base, o populacho, o 1/3 de voto nessas eleições (Mais do que os TAEs por número, olha só que legal, Umbigo!) sem saber a sua posição. O teu também tá na reta. Teu feijão pra tua família, tuas contas, teus títulos no Lattes, tuas estrelinhas na Scopus, tua imagem perante a comunidade universitária.

Eu não preciso de promessas de 10/15 anos atrás. Preciso de Posicionamento das Instâncias que nos regem aqui dentro do CED. 

E galera da Biblio, por favor fiquem ligados a qualquer informação que vocês recebem dentro da sala de aula sobre as Eleições. se sentirem assustados, ofendidos, intimidados pelas manifestações de Atividade durante a campanha eleitoral, se expressem, falem, sejam protagonistas de si mesmos. É a gente que paga o feijão desses camaradas, é a gente da base que sustenta essa balança acadêmica aqui dentro (apesar de particularmente eu me sentir cobaia desse povo), a gente não é o Umbigo, não precisamos ser.

Prestem bem atenção nas propostas das chapas, perguntem dúvidas para os candidatos, peguem os contatos, sigam cada ação feita por eles nessa época de eleição, porque chuchus, quem seja que entre na Direção vai comandar o que fazemos ou não por 4 anos. E se for pra favorecer só um lado, se for para olhar só para o nosso Umbigo, tenho uma triste notícia pra te dar: você tá no curso errado. dá a volta que a Engenharia te abraça feliz por essa forma de olhar o mundo.

Biblioteconomia nasceu da Integração da Informação e do Conhecimento. Vamos fazer uma História diferente, né? Chega de Umbigos. Estamos no mesmo barco e se ele tá afundando, o mínimo que espero é que o capitão honre o compromisso de ficar na embarcação até atingir o fundo do oceano.
(Em palavras diretas: se não lutar por uma Graduação melhor e em prol dos estudantes, esquece.)

Chega né?
Beleza. Ótimo fim de semana.

Ah! Se você verem esse texto circular em algum lugar dizendo que foi o CAB ou GAB que escreveu, pode falar na cara dura que foi tudo culpa daquela pessoa Bruna Morgado, tá? Que CAB ou GAB ou pessoa jurídica alguma tem a ver com isso, ok?

Tem gente demais nesse meio acadêmico que adora usar o nome de entidades para demarcar território e confundir as pessoas. Especialmente nessas eleições.