Pesquisando

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

TRENTONILDO OBREEEEGADAW!!


Alguém para com o bonde dos anos 90 na BR.
Alguém manda SOS.

Alguém pelamoooooooooor me diz o que qui tá conte seno, porque TRENTONILDO MODAFÓCA RESOLVEU TOCAR PERFECT DRUG DEPOIS DE 21 FUCKING ANOS?!


A powha da música que conheci Nine Inch Nails.
Do cara que além de fazer hinos pra adolescência efervescente trash, ainda me deu pano de fundo pra conhecer novas bandas do synth-pop, dark weave e EBM?!

Feladapoooota Trentonildo, seu abençoado.
Não tem como não xingar.



Depois de 02:14 a coisa começa.
E começa MUITO FUCKING AWESOME.
Esse baterista é insano de incrível, o timing tá perfeito e como assim Zé Reznor que não gostava dessa música?! Escuta aqui, bichola, você não macula o hino das almas torturadas que sobreviveram aos clipes estranhos da MTV de madrugada!

E pra melhorar? O vinhado toca Dead Souls - trilha sonora de The Crow AND cover do Joy Division - no mesmo show.

Se eu tivesse lá, já poderiam pagar antecipado o quarto de hospital, teria pirado de emoção e depois coma. Olha só essa potência de sons?! Tou bege, gente e exclamações o tempo todo. Não acredito que sobrevivi para ver ESSE cara tocando ESSA música após 21 anos sem esperanças alguma de saber como ela soaria ao vivo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

bode balindo e altamente funcional

Fonte: Tumblr - Viagem de Chiriro - No Face

Existe isso?
Existe pessoa depressiva altamente funcional?
Pegando emprestado o termo de um episódio de Sherlock (que não vi e nem sinto vontade), essa é a questão pra hoje.

Será possível que se possa se manter funcionando de forma satisfatória para o mundo externo e ainda assim poder dizer que está nada bem dentro de você?

Porque a percepção que o senso comum costuma ter é de um ser doente e de cama, impossibilitado de fazer coisa alguma ou entulhado de remédios - e quase disfuncional (do prefixo dis "não estar mais").

Hoje no cardápio da ruminação houve troca de palavras nada bonitas entre eu e uma pessoa que tento internalizar que pode ser minha amiga novamente e não apenas mãe. A falácia de quem tem depressão precisa de algo pra fazer - pegue seu predileto, lavar roupas, louças, cuidar da casa, sair mais, ter mais Deus no coração... - não passou pelo escudo costumeiro de ignorar total e seguir o bonde do eu, eu mesme e tudo mais.

Tentei explicar que para as pessoas que tinham depressão as coisas não eram assim, o mundo gira de um modo diferente e se ela conseguiu viver tanto tempo de maneira saudável mentalmente, parabéns, seja lá qual mecanismo de aguentar o tranco você tenha feito valeu a pena. Só não desvalida o que pessoas depressivas tão passando no pior de seus momentos. Inclusive a pessoa que você divide o teto e as contas.

Percebi naquele momento que todo trabalho feito para que ela compreendesse que é esse tipo de discurso que assusta e afasta as pessoas que ela gosta ou tem alguma consideração. Em outros casos é o que faz eu nem querer sair da cama, porque ela não é a única a me dar essa certeza verbal de que gente como eu não estaria tão ruim da cabeça se estivesse "fazendo algo",

Acho que informar a ela que há outros "fazeres algos" que pessoas instáveis psicologicamente podem cometer após terem um belo empurrãozinho familiar seria uma boa. Só para título de disseminação de informação, meu trabalho né?

Aí voltemos ao depressivo altamente funcional.

Porque não parece que estou, mas tô. São dias e dias. Tem dias que esse tipo de fala não passa pelo filtro auditivo (obrigadão fones de ouvido) e há dias que só não cava um buraco, como me dá a pá pra eu fazer isso eu mesme. E eu sei muito como cavar uma cova emocional que é uma beleza. Pessoas já elogiaram como consigo manter bem as caixas separadas. Outras me odiaram por saber tão bem, estranho que na ridícula comparação com outros desastres emocionais, até que manter a fachada de inacessível continua sendo mais rentável do que transparecer e entregar as caixas etiquetadas pra quem seria da rede se apoio local. 

Entendo quando alguém não quer falar de suas experiências e muito menos de sua rotina. Eu entendo completamente. Já eu preciso fazer isso para que o controle social padrão saiba que continuo funcional, que pode sim me manter na coleira, que vou cumprir minhas obrigações até o humanamente possível, que dou aviso prévio quando estiver realmente ruim. Eu sei quando está e quando vai piorar, é questão de treino e perceber os padrões (o que mais me mata é o que me salva também) e desespero. 

Agradeça ao treinamento intensivo de sobrevivência em cidadezinha vilarejo brejeiro preconceituoso e extremamente tóxico. É de lá que aprendi a separar quantas caixas fossem possíveis pra não cair tudo de uma vez só. Não espero pelo dia em que tudo vai desmoronar novamente, muito agradecide, mas pelo menos até lá tenho preparação pra não arruinar com tudo. 

A questão da rede - que me parece um conceito muito válido e o empirismo ajudou a entender que pedir arrego é necessário às vezes - também tá abalada. Porque dessa vez encontrei um jeito de me manter em um esconderijo que me dá a vantagem de rememorar o que NÃO DEVO fazer e acabar fazendo besteira. Na outra casa não tinha tempo pra sentar e pensar, mesmo minha cabeça não parando o dia inteiro. E é nessas horas entre o não pensar e o simplesmente fazer que me são mais alarmantes. 

A rede era mais presente, mas me afastei por conta de não conseguir mais suportar ficar muito tempo com pessoas em volta. Os horários também não me ajudam mais a socializar com o mínimo de esforço e às vezes quando consigo reunir a coragem de estar presente, ainda assim vou pedir pra sair Capitão, porque a barrinha de mana já fritou faz tempo. A de HP tá muito boa, e quero que permaneça assim. 

Teve essa hora ao sair pra ser funcional na sociedade e tive que voltar pra abraçar a mãe sem noção e dizer pra ela que não tinha mais tempo pra ficar guardando mágoa. E realmente não tenho mais. Não sei o dia de amanhã. Me envolver em atropelamento também não ajudou com essa percepção de durabilidade. E chegar aos 32 também tá ajudando na paranoia estatística. E o clima em alguns lugares onde frequento também não tá ajudando eu ligar o modo "seja feliz e faça piada". E desculpas, desculpas, desculpas, mais desculpas para não me aproximar de qualquer motivo que faça minhas caixas desmontarem. 

Tá na hora de voltar pro divã né?
Pelo jeito sim, agora é trabalhar pra pagar minha solução de pontos de sanidade já bem baixos.

domingo, 16 de setembro de 2018

discursos paródicos

Demora uns meses pra esse texto sair do meu sistema. 
Por que? 
Porque aprendi com pessoas sábias a não gastar saliva com gentio com facilidade volátil e irritável do que tentar travar algum tipo de diálogo, falado.

O escrito está sendo formulado, afinal, como sempre, repetindo: o futuro da qualidade da educação em Biblioteconomia indo pro ralo por conta de histórico de briga de parquinho, e falta de carisma e alteridade para entender que estamos numa sociedade falida, capitalista e fadada ao repetitivismo, aquela junção de repetitivo com vitimismo. 

Já avisando, mais do mesmo, no mesmo teor parodico de certa fala feita durante certa reunião de certo departamento de certo centro de alguma universidade aí. 

Por onde começar? 
Pelo Fanfiction de péssima qualidade que estão tentando empurrar novamente para os alunos bucha de canhão decidirem?
(Mais sobre aqui, aqui)

A epopeia de egos fragilizados em departamento que se convence a cada dia que está a serviço da informação, MAS esqueceu completamente que informações são ideias intangíveis, diferentes de seres humanos, palpáveis e que usam a informação para fazerem algo? 

Preciso mesmo tocar no delicado assunto de medição de comprimento de Lattes, estrelinhas de Scopus, produção acadêmica em ritmo de Parnasianismo, arte pela arte, ciência pela ciência, "sou eu que coloco dinheiro aqui nesse lugar"? 

Tem necessidade de regurgitar a incoerência de que Ciências das Informação não é da área de Educação?! Que é necessário separar as Ciências da Informação - e seus agregados, Biblioteconomia, Arquivologia e o curso que vai formar a primeira turma agora, mas nem reconhecido pelo MEC ainda foi (e os diplomas válidos, minha gente?!) ?! 

Será que tocar no delicado band-aid da integração, interdisciplinaridade e COLABORAÇÃO em fazer algo novo, mas certo - Ciência da Informação, certo? Cadê o povo da Museologia pra conversar com a gente? - vai ilustrar essa postagem? 

Nananinanão. 

Devido a fala paródica, irei matutar parodicamente, já pegando a minha carteirinha na graduação em Letras em uma das universidades mais conceituadas do país (status é tudo nesse mundo acadêmico, gente, sério.) estudante mediana de Análise do Discurso e fazer pouco caso de quem desconhece ou finge que o populacho (estudantes) é otário. 

Talvez sejam. 
Talvez não. 
Fatalistas acreditam no inevitável e óbvio. 
Mas também adoramos ver otimistas se esforçando por um mundo melhor. 

(Debaixo do link, mais um capítulo besta da novela agora fanfiction...)

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Updates do experimento de manspreading

Novidades, com essas duas semanas de intensa percepção e contato com manspreading - bem são 30 anos nessa, mas tou fazendo um esforço de olhar pra essas pobres criaturas com um olhar científico já que não inventaram o chá de simancol pros marmanjos - tenho alguns resultados nada surpreendentes.

O Buzzfeed UK fez um vídeo sobre 1 semana de 3 mulheres praticando tal afrontosa forma de sentar.



Vamos as contas, né? 
Pego 6 ônibus por 4 dias da semana. 
3 para ir, 3 para voltar. 
Isso dá 24 viagens em 1 semana normal. 
Como estou percebendo nesse fenômeno há cerca de 2 semanas, fica 48 viagens. 
Mais 2 sábados que necessitei sair para um destino que eu precisava pegar apenas 2 ônibus, logo 4 viagens para cada sábado. Coloca mais 8 viagens aí. 

No total tá 56 viagens de busão e 56 oportunidades de verificar o manspreading acontecendo. 

Meu local de sentar é sempre no banco final, do lado esquerdo - oposto a porta traseira - ou no banco do meio quando tenho muita coisa na mochila, pois dá pra deixar a mochila no chão, debaixo das pernas e xuxada debaixo do banco pra não atrapalhar ninguém. 

Cerca de 3 ou 4 vezes não tinha lugar atrás e peguei os bancos da esquerda, sempre janela, nunca me aproximando do meio do carro. Com essa metodologia que sempre segui, percebi alguns fatos:

(Debaixo do link, mais constatações)

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Vamos falar de café?


O liquido supremo do colonialismo...

A única coisa (não pessoa, a única pessoa que sinto falta tá muito bem guardadinha, muito obrigade) que sinto falta substancialmente de MG é a comida. Pois o modo de fazer comida mineiro é um trem muito intenso de se explicar. Mas o que foi mais pesaroso deixar - além do maravilhoso queijo mineiro - foi o café.

Entendam, Minas não tem café birubiru como esses que encontramos nos supermercados, lá o trem é em grãos, torrado e moído na hora. Tinha uma banquinha no meio da praça central que fazia isso há décadas e o preço era totalmente justificável. Aquele cheiro de café ficava pelo meio da praça até nas narinas mais tenazes. Era convidativo demais pra resistir.

Eu e mãe, antes de sermos mórmons (caso não saibam a religião mórmon não tolera a ingestão de qualquer bebida com cafeína por preceitos de conservação do corpo e toda umas parada ligada com saúde, refrigerantes com cafeína igualmente), consumíamos uma boa quantidade por dia, então a pedida era 2kg e durava pra um mês certinho.

O processo de fabricação naquela banquinha me fascinava, assim como estabeleceu um padrão na minha vida de escriba, café bão é café torrado na hora e tem uma diferença crucial no paladar, dá pra sentir a textura diferente dos costumeiros e o gosto era mais forte.

Para fazer uma comparação, quando a gente queria tomar café mais fraco, era o Melitta normal, bem mais caro e difícil de encontrar nos supermercados da cidadezinha onde eu vivia. Ter o Melitta em casa era quando sobrava grana no final do mês e alguém conseguia ir na capital pra pegar mais barato.

Mas aí existia aquele tipo de café que era o líder de mercado, chamado 3 corações.
Blergh.
Apenas blergh.

Nos 17 anos vividos lá, esse café reinava nos cardápios de qualquer buteco, padaria, restaurante, supermercado. O problema era que ele era mais ácido que o torrado (e mais barato) e quando a gente fazia com coador de pano o cheiro não era o mesmo.

E cês tem que entender de uma vez sô: o ritual do café só é estabelecido quando o cheiro faz as pessoas terem aquele momento de pseudo-orgasmo sensorial e automaticamente relacionar o bendito cheiro com algo que as anime para o momento.

Café moído e torrado na hora era brilhante pra fazer isso.

Na escola o café não era ralo, costumava ser forte e quente, na canequinha azul básica, eu enchia com metade de água em temperatura normal, pegava meu punhado de biscoito de maisena ou Maria e ia pro recreio. 9 anos nessa rotina, estudando sempre de manhã, ganhando resistência imunológica aos efeitos da cafeína e caindo no sono dentro da sala de aula mesmo assim.

No terceirão adotamos a dieta sem cafeína. Para mim não fez muito estrago, já que café era só uma vez por dia, naquela hora do recreio, minha mãe tomava mais e seu modo de fazer era algo curioso: tinha que ser lama-café.

Mas o café era 3 corações. Eu perguntava, não tinha como não. Isso se tornou uma constante na hora de pedir aquele café, pra não ter erro ou me prepara psicológicamente pra bomba ácida estomacal.

Aqui no sul há marcas boas, outras birubiru e com essa de pílulas de máquinas de café muita coisa mudou, mas nada é igual o lindo pacote quentinho de moído e torrado na hora.

O Melitta vem sendo nossa escolha em casa, porque está num preço razoável de se pegar e o consumo baixou de 2kg mês para no máximo 500gr. A maior parte do café que consumo é na universidade e infelizmente o povo não sacou que tem café birubiru MAIS saboroso que o blergh ali mencionado.

Tive a sorte de experimentar o Melitta Gourmet em grãos uma única vez e quase abracei a cafeteira de tão amorzinho que foi nas papilas de gustativas.

Oh saudade do moído e torrado forévis.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

A proteção necessária

A política de manter distância das pessoas com no mínimo um braço de distância tem sido uma das consequências de período ruim de vida.
Eu fazia isso quando criança pra não me aproximar demais de quem já sabia que ia sair de meu convívio - família nômade, muitas mudanças, amizades ralas para não se apegar demais e mudar de cidade e bem... - isso foi se tornando útil para evitar agressões seja nos esportes, ou na escola. Crianças podem ser ruins as vezes. No que eu via coleguinhas destratando outros não desejava me ajuntar a patota por razão óbvia.

Melhor sozinho que mal acompanhado.

Na adolescência o claustro foi algo básico na rotina, raros eram os abraços e mais raros ainda o tocar ou deixar alguém tocar. Mas ruim admitir a violência tava presente em muitas socializações em que estava incluída. Desisti dos esportes por conta tá disso, o contato corpo a corpo que machucava, independente do gênero que se encaixassem. Levei mais bordoadas em times de handebol feminino que em futebol com maioria masculina.

O medo de sentir dor também era real.

Nunca fui de me ligar muito em alguns assuntos da maioria, mas assim como o futuro irônico de ser uma pessoa acadêmica e me fazer mais observar ações e tirar conclusões dali foi moldando o afastamento necessário de pessoas. Elas são esquisitas quando motivadas por emoções extremas.

E mais esquisita sou eu quando tento fazer algo pra chegar a esse level de contato mesmo não me sentindo bem.

Engraçado ver todas essas observações empíricas de quase 30 anos de ter noção de quem sou e verificar que atualmente tenho uma pontada de horror ao saber de casos de violência perto de um círculo que convivo. Horror mesmo de perder pontos de sanidade, mermão que Cthulhu tá no comando faz tempo.

E enquanto violência física não costuma ser minha resposta como a mais sábia (correr na direção oposta sim), a violência psicológica foi o que sobrou pra assombrar algumas partes dessa mente já nada otimista com as últimas notícias. O medo de me machucar e a política da distância a um braço vieram com toda força após alguns eventos infelizes. E estavam atrelados a emoções extremas igualmente, então parece que meu cérebro automaticamente entende que se me aproximar demais ou deixar alguém chegar perto, logo haverá porradeira psicológica que meu emocional nunca foi bem preparado por falta de prática.

Houve uma ocasião que me obriguei a testar uma teoria para saber até que ponto estaria disposta a me deixar soltar um pouco, o resultado foi uma noite mal dormida em completo estado catatônico forçado pra não encostar ou me mover do lado da pessoa que tinha um crush danado (admiração, respeito e carinho foi o que ficou. Não me atrevo a voltar a sentir coisa alguma com tanta incerteza rolando). Hoje eu rio comigo mesma, porque foi uma besteira imensa de minha parte em relação a situação, poderia ter dormido que nem faço com cartão VIP pra rave de Morfeu, mas preferi ferver meus neurônios com nervosismo e ansiedade.

Acontece com a gente extremamente preocupado com o que vai acontecer no futuro e não aproveita o presente.

Carpe diem my butt.

domingo, 12 de agosto de 2018

[bibliotequices] burocracias e legislaturas

Da sessão: "Nossa Morgan, você não cansa de falar sobre isso não?"
A resposta óbvia é não. Não canso de apontar os defeitos da minha profissão pra ver se pelo menos um caboclo fique perturbado e vá lá botar a cabeça pra funcionar e pesquisar as inconsistências e incoerências E FAZER ALGO SOBRE, POXA!


Nossa profissão é bem burocrata.
Talvez engessada pela Academia, talvez pelo sistema que mantemos com unhas e dentes.
Aí vai lá dar uma olhada na nossa Legislação e tá, parte burocrata, parte multidisciplinar que vou fingir que é interdisciplinar e sei lá, ver o que dá essa soma de afinidades e habilidades aí.
Aí vai pros currículos do curso aí afora e vê que não tem um consenso geral do que a gente é afinal ou quem estamos formando.
(Tamos formando gente pra ser bibliotecário ou burocratas com diploma para realimentar o sistema acadêmico?)


Aí vem a confusão de termos técnicos que a gente ama pegar emprestado de outras áreas e não colocar contexto nos tréco, ensina os graduandos como fazer um bolo simples, mas esquece de dizer como ligar o forninho. Aliás, se algum deles sacar que tem que levar a massa ao forno, vai constatar que tá sem gás. A receita de bolo é uma mentira.


Voltemos a Legislação: o que devo fazer para ser um bibliotecário? 1 parágrafo bem explicadinho, uns 3 artigos na lei de 1962. Beleeeeeza dá pra partir daí e fazer inferências do que posso ser. Empolgação a mil! A IFLA e órgãos internacionais trazem outras fontes pra ajudar na ligação dos pontinhos (Na nossa área tem que ligar pontinhos o tempo todo, às vezes tem que pegar a mão do sujeito acadêmico e seguir junto com ele os pontinhos.).

Parece lógico.
A soma tá parecendo que vai bater.

(Debaixo do link, mais mimimi biblioteconomístico)

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

chrome music lab - recomendo muito

Apenas registrando:


Okayzo, agora posso fazer mais músicas?!


[interlúdio] vivendo um dia com bode amarrado na perna

Viver com o bode amarrado na perna é mazomeno assim:

Esse bode é ilustrativo, o meu costuma ter a péssima mania
de balir tão alto que me atrapalha com o restante das coisas

Acordar terrivelmente cansade de uma noite cheia de sonhos que não vão acontecer e de pesadelos que já aconteceram e parecem não serem colocados na pasta de lixo mental que deveria desaparecer do repertório onírico, mas levantar né? Há algo a ser cumprido, logo não adianta pedir os 5 minutos na cama. É levantar, se arrumar no automático, fazer um esforço pra colocar comida no estômago e enfrentar o mundo barulhento lá fora. Aqui dentro tá bem alto também, mas depois de um tempo acostumar com a cacofonia de barulheiras vira rotina.

Porque o volume dos meus fones de ouvido está sempre no máximo, mesmo eu não conseguindo ouvir direito as músicas e a infecção sazonal no ouvido faz parte do mecanismo nada agradável de coping.

Aí surge algo que faz com que me sinta útil pra sociedade, o estágio faz isso que é uma maravilha. Ali consigo centrar o que me resta de ânimo e vontade para tarefas que não necessariamente vão gastar minha energia. Se tiver algo do tipo aí vou deixar o barulho de dentro da cachola cuspir algo nada a ver, tipo ajeitar as cadeiras de jeito diferente, botar algo diferente no telão do lab pros estudantes verem enquanto se acomodam na aula, pensar em uma postagem besta para ajudar a divulgar algo. Isso que é preciso pra tudo vir de forma mais fácil de lidar com a cabeça já cheia de palavras nada felizes sobre mim mesme, lembranças fragmentadas de episódios tristes e plim! O vídeo no telão dá munição para formular um esboço de cartaz de organização do que vou tratar no TCC. Mesmo sendo bobo, mesmo sendo amador, mesmo sendo talvez imprestável e que não vá usar.

Café. Oh café.

[bibliotequices] por que me arrombar com TCC?


São coisas que deveríamos nos questionar, ao invés de apenas fazer/obedecer.

Se desde as primeiras fases nos alertam que referenciar TCCs pode dar uma "desvalorizada" em sua escrita de trabalhos acadêmicos e artigos e tudo mais pelo status quo da produção acadêmica louvar apenas artigos de certos tipos de revistas A2 pra cima, então para quê exatamente serve a feitura de um TCC?

Se verificarmos socialmente a usabilidade de um TCC dentro de nosso percurso na graduação e vermos que ao ser colocado como subalterno na coleção de "fontes valorizadas de pesquisa", então por que nos preocuparmos ao ponto de travamentos, ataques de ansiedade, pânico, sentimentos ambíguos e altamente ferozes e destrutivos ao produzir algo que não necessariamente será usado em um futuro por qualquer pessoa?

Por que a atualização de repositórios de TCCs acabam sendo não priorizados, pois é academicamente mais "rentável" buscar fontes mais seguras e confiáveis (???) como artigos nessas A1 e A2, teses e dissertações?

Começa assim...

Entende a incoerência desse discurso?

É como se me dissessem que o 1 ano que botei todas minhas forças, funções, pensamentos, horas, escritas e atenção para a redação do TCC não servissem para absolutamente nada, em raros casos, caso alguém se interessar e ainda assim sofrer esse estigma de não ser muito adequado para se referenciar em trabalhos, seja lá onde for produzido.

Entende que ao desvalorizar uma referência de TCC, de quebra, posso inferir que também estão desvalorizando o que aprendemos na graduação por um conceito mercadológico de produção academicista que prefere invisibilizar esse tipo de produção? E que desvalorizando a graduação feita - e a vivência da pessoa ao produzir tal trabalho, e o orientador que também gastou horas auxiliando, e banca ao analisar e o ritual da defesa e o armazenamento desse esforço em algum lugar (Repositório, disquete, CD, pendrive, lá nos fundilhos de alguma biblioteca, lalalala, dentro de uma caixa).

Aí se transpomos essa noção de rasura de referência sobre um TCC para o cenário atual da pós-graduação com os cortes e as sandices interinas e golpistas, como é que vocês acham que a gente da graduação arruma estímulo pra redigir um trabalho que não vai servir de nada, não será resgatado por outros pesquisadores/estudantes por conta dessa cultura de apagamento e plim! Plim! Nós bibliotecários, os profissionais da informação se virando nos trinta para estabelecer prioridades na hora de fazer escolhas tanto para nós mesmos em nossos locais de trabalho, assim como auxiliar pesquisadores. Vamos atrás de quê? Artigos na maioria das vezes.

Então a produção acadêmica feita na graduação em seu sentido literal é virar lixo eletrônico, como mais um grãozinho de areia na poeira cósmica da recuperação de informação. Se usar o TCC para a pós, aí talvez tenha uma chance de virar o começo de uma estrelinha e ser referenciado posteriormente, mas quando se limita ao limbo cósmico? Vai ficar lá e não vai voltar dos mortos.

Entende que é esse tipo de educação formal que se preocupa obsessivamente tanto com a produção final, mas só se mantém no processo daquela coisa e é isso que arruína a valorização de nossa própria identidade acadêmica?
(Alguém cita Marx aqui, não sou tão na dele...)

Parks and Recreation traduzindo a vida acadêmica...

Pra quê estamos produzindo na graduação?
Pra servir a quem?
Por quê produzir afinal?
E principalmente: por quê cês tão perdendo pontos de sanidade por algo que vai pro limbo cósmico biblioteconômico se a própria academia/mercado não valoriza sua produção?

Incoerência, a gente vê muito aqui.

Bejas de luzes e intézes!